sábado, 11 de agosto de 2012

Futebol, o esporte sem investimento

Neymar, o maior símbolo do fracasso em Londres
(foto: AFP)
Pobre Brasil. Fez uma linda campanha nos Jogos Olímpicos de Londres até perder para o México na final. Nosso governo não investe no futebol e vamos levar a prata, nosso melhor resultado neste esporte. Pobre Brasil.
Este texto teria um sentido se estivéssemos falando de taekwondo, do remo, dos saltos ornamentais ou da marcha atlética. Exemplos de modalidades onde o nosso país não levará medalha e que não há investimento. Mas lamentar o fracasso do futebol é absurdo, temos sim é o dever de cobrar e cornetar. 
Em 2014 nosso país vai receber a Copa do Mundo. Rios do nosso dinheiro estão sendo gastos com estádios públicos e de pouco aproveitamento real para uma nação inteira. E pior, vamos fazer uma organização bonita, mas passar uma vergonha se jogarmos com esse bando de pipoqueiros comandados por um cara que não impõe respeito a seus atletas, e que escala os jogadores que a imprensa quer, não lembrando que há outros bons nomes no esporte.
Me recuso a acreditar que vamos vencer a Copa do Mundo de 2014 com essa bolinha aí. Londres 2012 foi a Olimpíada mais fácil de se vencer. As grandes nações perderam ainda nas primeiras fases. O Brasil só pegou baba até a final, embora sofreu pressões injustificáveis em quase todos os jogos. Não quero tirar os méritos do México, mas eu estou decepcionado com o futebol do atual Brasil, que não sabe jogar bola contra equipe grande.
Comemorar a prata em Londres é uma verdadeira piada. O país que ganhou cinco títulos mundiais, que deve ser o país do futebol, não ter vencido nenhuma Olimpíada é uma piada. Se não for ouro, é vergonha. Temos de nos orgulhar daqueles que ganham prata e bronze em esportes onde há uma real falta de investimento. Como os bronzes do boxe e do judô. Valorizar também quem surpreende o país com um ouro, como a judoca Sarah Menezes e o ginasta Arthur Zanetti. Até antes das Olimpíadas ninguém falava deles, ou sequer sabiam de suas existências. Mesmo que não tivessem vencido, já poderíamos nos orgulhar com eles, caso ficassem em segundo ou terceiro. 
Muita gente falava mal do Dunga, o antecessor de Mano Menezes, com seus jogadores como Felipe Melo, Michel Bastos, Afonso e companhia. Falem o que quiser, mas aquele time jogava com garra. Poderia ser ruim, mas não desistia da luta. Dunga escalava quem ele queria e batia de frente com quem batia nele ("algum problema?"). Mais importante, ganhava de equipes grandes. Com Dunga conquistamos troféus na Copa América e na Copa das Confederações. Não levamos ouro nas Olimpíadas, mas a eliminação veio para a Argentina que estava com uma equipe perfeita em 2008. Se perdemos a Copa do Mundo de 2010,  pelo menos jogamos bem contra a Holanda, apesar do apagão no segundo tempo. Já com Mano Menezes, o Brasil não venceu nenhum time grande. Nem em competições fizemos bonito. Na Copa  América, no ano passado, após uma horrorosa primeira fase, nosso país nos encheu de orgulho ao desperdiçar quatro pênaltis contra o Paraguai.
Agora o que será do futebol brasileiro? Tanto faz, a coisa já está feia mesmo. Sinceramente, se a CBF não por esse cara na rua, em 2014 o Brasil vai cair fora na primeira fase para o Uzbequistão. Resta acreditar no verdadeiro Brasil das Olimpíadas, de onde não acreditamos em medalha antes dos jogos, mas que surpreende à todos nos dias posteriores. Esquiva Falcão vai lutar mais tarde, e se Deus quiser vai levar o ouro (já tenho até título pensado caso aconteça). Além disso, terá a final do vôlei feminino, com Brasil e Estados Unidos, onde também podemos levar a medalha dourada. Vai dar tudo certo, vamos acreditar nos verdadeiros representantes do Brasil nestes Jogos Olímpicos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário