domingo, 26 de agosto de 2012

Só falta metade do campeonato

Dupla Gre-nal segue viva na disputa por vaga à Libertadores
(foto: Lucas Uebel/ Divulgação Grêmio)
Se passaram dezenove rodadas e já podemos dividir os favoritos dos derrotados neste Brasileirão 2012. É verdade que não estou postando quase nada do principal campeonato de futebol do país, mas não vou mais ignorar as competições daqui. Afinal de contas, acabou a Eurocopa e os Jogos Olímpicos. E também o UFC vai ficar por um bom tempo parado após a incompreensível desistência de Jon Jones para lutar contra Chael Sonnen, culminando no cancelamento de todo o UFC 151.
Bom, sem mais enrolações. É possível que desta vez no Campeonato Brasileiro possamos ter um campeão que não é do eixo Rio - São Paulo. Dos três primeiros clubes na classificação, dois são de estados não pertencentes desta região que gosta de levar títulos. Atlético Mineiro e Grêmio ocupam, respectivamente, a primeira e terceira posições. Se tiverem fôlego podem interromper a sequência de oito títulos seguidos intercalados entre os clubes dos dois principais estados do Brasil.
Na briga pelo título também tem o Fluminense, que está em segundo, e o Vasco, que fecha o grupo dos times que vão para a Libertadores, na quarta colocação. Correm por fora também São Paulo, Internacional, Botafogo e Cruzeiro. É verdade que tem muita coisa para rolar nas próximas 19 rodadas, mas  ninguém deverá acreditar que alguma equipe fora deste grupo alcance o título ou um lugar no G4.
Na parte dos derrotados, em que incluem os prováveis rebaixados, um grupo de oito times também deverá ser o que vai brigar para sobreviver na primeira divisão. Palmeiras, Atlético Goianiense, Sport e Figueirense seriam rebaixados se o campeonato acabasse agora. Apesar disso, todos eles podem escapar da degola, pois tem outras quatro equipes que estão em uma fase delicada neste momento, mas ainda fora da temida zona. Ponte Preta, Portuguesa, Coritiba e Bahia estão posições acima e podem se dar muito mal se tiverem muitos tropeços. 
Agora começa o segundo turno. Não dá mais para contratar reforços e os clubes terão de continuar do jeito que está. Será preciso um gás dos times de cima para se manterem à frente na tabela, e não decepcionarem e perder no final. Para os últimos, cada perda de pontos pode ser crucial para definir um rebaixamento. Veremos muitas emoções nas próximas semanas, e vamos curtir cada vez mais o principal campeonato de futebol do Brasil.

Blog nota 100


É o meu centésimo texto postado neste blog, e para chamar a atenção de vocês leitores, não queria declarar isso no início, para que não ficasse muito nostálgico. A linha editorial daqui mudou muitas vezes, e o principal assunto acabou sendo o esporte. É difícil dizer qual foi meu texto favorito, mas posso garantir que adorei cada visita que vocês fizeram aqui.
O sucesso deste blog e a aceitação dos meus queridos leitores fizeram que ele chegasse a marca de 100 postagens. Gostaria de informá-los também que pelo terceiro mês consecutivo o número de acessos bateu recorde. Isso se deve a qualidade dos textos e a aceitação de todos os amigos. Gostaria de agradecer individualmente a todos, mas como isso não será possível, quero apenas declarar que é muito bom contar com sua companhia e apoio, e que vou continuar a combinar informação e opinião neste espaço.

Domingo de Gre-nal é domingo com emoção

Em jogo está a briga pela última vaga do G4
(foto: Gonza Rodriguez- Zero Hora)
Ahhh o Gre-nal, maior rivalidade deste país e quem sabe do mundo. Teremos mais uma edição deste belo clássico amanhã, pela última rodada do primeiro turno do Campeonato Brasileiro. Ao contrário de outras épocas, desta vez as duas equipes estão em uma situação boa, mas isso não quer dizer que não tem nada em jogo.
O Grêmio está na frente do Internacional na classificação. Enquanto o Tricolor está na quarta posição e na zona que classifica o time para a Libertadores, o Colorado está logo abaixo, em quinto, apenas três pontos do maior rival, porém não está na zona confortável.
Diferente de outros jogos e outros torneios, neste clássico eu não dou favoritismo à ninguém. Podemos apenas ver o melhor momento de cada equipe, mas nunca falar "este time vai ganhar", porque quem arrisca palpite em Gre-nal muitas vezes erra. O momento melhor é do Grêmio, pela posição melhor na tabela e por estar empolgado após a inédita classificação para as oitavas de final da Copa Sul Americana. Porém não dá pra esquecer que o Inter jogará em sua casa, no Beira-Rio, onde já venceu inúmeras vezes. Se bem que fator local ou posição na tabela não mudam resultado. Clássico é clássico.
Vai ser um bom espetáculo, isso podemos garantir. Mais importante que o resultado, que o Gre-nal de amanhã seja um clássico emocionante, empolgante e apaixonante, mas que não haja casos de violência entre as torcidas fora de campo. Vamos mostrar para o resto do país de que temos a maior rivalidade do Brasil, mas também que somos os rivais mais pacíficos.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Os acertos e erros nas previsões do Brasil nas Olimpíadas

O terceiro texto que fiz aqui sobre os Jogos Olímpicos era sobre as possibilidades do Brasil conquistar bons resultados por cada modalidade onde participou. Como são muitos esportes, irei por resumidamente cada análise, lembrando o que eu imaginava que fosse acontecer, e o que de fato aconteceu. Em negrito a recapitulação. Abaixo o que foi visto.

Atletismo: Nossas maiores esperanças de medalha nesse esporte são mulheres. Fabiana Murer, pelo salto com vara, e Maurren Maggi, no salto em distância, podem conquistar um lugar ao pódio. Oremos, principalmente por um ouro. 
Desta vez, nada veio. Fabiana Murer desistiu da medalha por causa do vento. Maurren Maggi foi mal e não conseguiu se classificar à final. Os outros atletas correram como nunca, e perderam como sempre.


Basquete: O máximo para as seleções masculina e feminina será a medalha de prata, pois os Estados Unidos são mais fortes que todos os países concorrentes juntos. O time masculino retorna depois de 16 anos sem participar, e vem com força para Londres. A seleção feminina já não vem com a mesma situação favorável, pois caíram em um grupo difícil e estão com alguns problemas internos. 
As medalhas não vieram. O time feminino foi para casa com cinco derrotas. O masculino desbancou adversários fortes, não fugiu da luta, mas foi eliminado para a Argentina nas quartas de final.

Boxe: O Brasil nunca teve tradição em esportes olímpicos de luta (ahh se o MMA estivesse nos jogos), então dificilmente conquistará medalha. 
Foi o esporte que queimou a língua de todo mundo. Realmente, ninguém acreditava no boxe, ninguém sabia nada de possibilidades de medalha. Felizmente elas vieram, e foram três, completando a melhor campanha do país na modalidade.

Canoagem: Poucas chances de pódio.
O que realmente não aconteceu.

Ciclismo: O esporte é dominado pelos europeus e norte-americanos, portanto é difícil uma medalha.
Vou confessar que nem sei quem foram os melhores em Londres, mas certamente não foi nenhum atleta daqui.

Esgrima: Já estar nas Olimpíadas é um título para os atletas deste esporte.
E foi assim mesmo.

Futebol: A pressão pelo ouro é imensa em ambos os casos. O time masculino é favorito, mas pode encarar duros adversários a partir das quartas de final, mas dá para garantir medalha. A seleção feminina vem de duas medalhas de prata consecutivas, mas o time não vem em boa fase após a eliminação na Copa do Mundo, em 2011.
O esporte em que dominamos continua sem um ouro para o Brasil. O time masculino não pegou adversários duros, mas se complicou onde não devia, e perdeu para o México de forma ridícula, garantindo uma prata. A equipe feminina nem medalha levou, chegando até as quartas de final e perder para o Japão.

Ginástica: O auge nessa modalidade já passou, mas Diego Hypólito pode ser esperança de uma medalha, até de ouro, quem sabe.
Novamente Diego Hypólito caiu, mas Arthur Zanetti, até então desconhecido, com frieza conquistou a primeira e única medalha do país no esporte. E de ouro, logo de cara.

Handebol: Só a equipe feminina vai participar. Infelizmente o Brasil tem pouca tradição neste esporte a nível mundial.
Essas gurias até surpreenderam. Fizeram uma excelente primeira fase vencendo bons jogos. Porém caíram logo nas quartas de final para a Noruega, que conquistou o ouro.

Hipismo: O Brasil já faturou medalhas neste esporte. Rodrigo Pessoa - que será o porta-bandeira da nossa delegação – levou o ouro em 2004. Podemos confiar nos nossos cavaleiros e amazonas.
Até confiamos, mas desta vez nem bronze levamos.

Judô: Um dos esportes onde o Brasil mais medalhas conquistou. Pelo menos umas três medalhas vocês podem confiar, pois poderemos levar. Seria maravilhoso se viesse uma de ouro.
Foram quatro medalhas no total, e uma delas foi de ouro. Foi o melhor desempenho do país no judô, modalidade que mais trouxe medalhas para o Brasil nestas Olimpíadas.

Levantamento de peso: Teremos brasileiros competindo, mas é quase impossível vir uma medalha.
E foi impossível mesmo.

Luta: Terá Brasil, mas como não é MMA, não teremos ouro, nem prata e nem bronze.
Ninguém chegou perto de medalha.

Nado Sincronizado: As russas dominam este esporte. Poucas chances de medalha.
Nem nas finais o Brasil foi.

Natação: Cesar Cielo é super favorito em duas provas. Nos 50 e 100 metros livre é o recordista mundial. O ouro é possível. Podemos fazer bonito também nas provas de revezamento.
César Cielo era nossa maior esperança, mas acabou voltando para casa apenas com um bronze, nos 50 metros. E só. Além de Cielo, Thiago Pereira trouxe uma medalha de prata. Não fomos tão ruim assim.

Pentatlo Moderno: Se em Jogos Pan-Americanos já é difícil conquistar medalha (já conquistou em duas ocasiões), imagina em Olimpíadas?
Yane Marques, a moça que levou as medalhas em Jogos Pan-Americanos, foi mais um exemplo de superação. Ela foi muito bem na prova e conquistou uma inédita medalha de bronze.

Remo: Nosso país é tão forte nesse esporte quanto o clube de futebol xará do estado do Pará. Sem chances de medalha.
Nenhuma novidade, foi isso mesmo que está em cima o que aconteceu.

Saltos Ornamentais: Os asiáticos dominam. Brasil não deve ganhar medalhas.
Pelo menos não foi um brasileiro o cara que caiu de costas na piscina e levou nota zero. Sem pódios.

Taekwondo: Duvido que vocês lembrem, mas ganhamos medalhas neste esporte em 2008. Quem sabe possamos repetir o feito agora.
Ficou no "quem sabe" mesmo. Nada para o Brasil.

Tênis: Com Roger Federer e Novak Djokovic, se os representantes brasileiros chegarem às quartas de final é lucro.
Voltamos no prejuízo. Nem às quartas chegamos.

Tênis de mesa: Hugo Hoyama é o eterno campeão pan-americano neste esporte, com dez medalhas de ouro. Seria bacana se ele encerrasse a carreira vitoriosa com uma medalha olímpica.
Ele até foi, mas nem ele e nem nenhum outro brasileiro chegaram perto do bronze.

Tiro: Nossa primeira medalha foi nesta modalidade sabiam? Foi em 1920 e foi de ouro. Infelizmente o esporte caiu no ostracismo e ter um representante em Londres já é como um título.
Não foi dessa vez, de novo.

Tiro com arco: Sem esperanças de medalha.
Não vieram.

Vela: Outra modalidade que o Brasil gosta de ir para o pódio. A dupla Robert Scheidt e Bruno Prada pode até trazer um ouro para casa, mas se vier umas outras duas medalhas não é algo anormal não.
Comparado às outras edições, não fomos bem. Só a dupla citada acima levou medalha, e foi um bronze. Nada além disso.

Vôlei: A seleção feminina é a atual campeã olímpica. A masculina é vice-campeã. O Brasil dominou nas duas categorias nesta década, porém ambas as seleções não fazem um bom ano até aqui. Os jogos de Londres podem ser fundamentais para o retorno da supremacia no esporte.
Idem à 2008, aconteceu tudo isso aí de novo. No feminino, um belíssimo ouro após jogos duros e viradas espetaculares contra a Rússia e Estados Unidos. No masculino, após dois match points, o Brasil deixou os russos passarem a frente no placar, e teve de se contentar com uma nova prata.

Vôlei de praia: Desde 1996 (quando foi incluído nas Olimpíadas) o Brasil conquista pelo menos uma medalha na modalidade. Tanto no masculino quanto no feminino, nossas duplas são esperanças de ir ao pódio. Seria bem vindo o ouro nas duas categorias.
Elas vieram novamente, mas vamos ter de esperar mais quatro anos para comemorar um ouro. Prata no masculino e bronze no feminino.

Agora sim posso encerrar os textos de Londres 2012. Que venha Rio 2016! Logo estou aqui de novo para comentar o que há de bom ou de ruim neste nosso mundo.

domingo, 12 de agosto de 2012

Top Five do Brasil em Londres

Eu prometi à vocês que faria o Top Five do desempenho brasileiro em Londres. Foram tantas coisas marcantes que foi difícil achar os escolhidos. Farei uma lista com os cinco melhores feitos do Brasil. No mesmo post, terá os cinco maiores fracassos de nosso país. Será do quinto ao primeiro lugar, desrespeitando a "pirâmide invertida", uma norma obrigatória para os jornalistas. Para dar mais emoção, o principal vai ficar por último, mas garanto à vocês. Vai valer a pena ler na ordem que vou estabelecer.

As cinco conquistas de Londres


5° lugar- O renascimento do basquete
Estranho pode parecer eu colocar um time que não ganhou medalha no quinto lugar, mas o basquete masculino do Brasil foi a maior prova do retorno aos grandes no esporte. Depois de 16 anos longe das Olimpíadas nossos atletas demonstraram força e determinação. Não fugiram à luta em nenhum confronto. A eliminação para a Argentina infelizmente aconteceu, mas isso foi resultado da garra conquistada e da não desistência da vitória em outros jogos para pegar adversários fáceis. Eles foram guerreiros e merecem esta posição.

4° lugar- A frieza de um ginasta
O país inteiro esperava que a primeira medalha neste esporte viria com Diego Hypólito. Esse cara errou feio, caiu de boca e nem para a final foi. Ver Arthur Zanetti levar o ouro foi uma grande surpresa. Ninguém falava do cara, ele não dava entrevistas, não estava com superego. Foi lá, se apresentou nas argolas, desbancou seus rivais e levou o ouro. Sua frieza foi determinante para colocá-lo no status de maior ginasta brasileiro de todos os tempos.

3° lugar- O forte desempenho do judô
Desde 1992 não levávamos o ouro neste esporte, e ele chegou logo no primeiro dia, com Sarah Menezes.  Além disso, Felipe Kitadai levou o bronze também no mesmo dia. Graças ao judô o Brasil liderou no quadro de medalhas pela primeira vez na história, por umas horas apenas. Além dos dois, Mayra Aguiar e Rafael Silva também trouxeram o bronze, e o esporte obteve o melhor desempenho em Jogos Olímpicos.




2° lugar- Sem investimento, mas com medalha
O boxe foi a maior surpresa brasileira das Olimpíadas. Com uma prata e dois bronzes, este foi o segundo esporte que mais fomos ao pódio. Um feito excelente para o país que não levava medalhas na modalidade desde 1968. Mesmo sem investimento, Esquiva Falcão (prata), Yamaguchi Falcão e Adriana Araújo (estes com bronze), provaram ao país que não vivemos só de futebol, e que é preciso olhar o futuro do país nestas modalidades menos favorecidas.

1° lugar- As meninas de ouro
A recuperação do vôlei feminino, que fez uma primeira fase desacreditada, foi histórica. Após cinco jogos complicados, e uma vitória épica sobre a Rússia, a seleção feminina do Brasil já merecia um lugar neste espaço, mesmo se não levassem medalha. Felizmente elas nos deram o ouro mais merecido nos Jogos Olímpicos. Não quero puxar saco, mas o feito destas moças foi maravilhoso.




Os cinco vexames de Londres


5° lugar- o dolorido bronze da natação
César Cielo era inegavelmente a maior esperança de ouro para o Brasil nos 50 e nos 100 metros nado livre. Infelizmente não veio. Nos 100 metros ele amargurou um sexto lugar, e na prova mais rápida da natação, por um detalhe o ouro não veio. Como todos chegaram praticamente ao mesmo tempo nesta prova, o bronze ainda foi lucro. Cielo é um ídolo que tenho, mas achei necessário colocar aqui. Mesmo assim, ele é um excelente atleta e um grande ser humano. Terá meu respeito sempre que for preciso.

4° lugar- Cai cai Diego, Cai cai Diego
Em 2008 ele caiu sentado na final individual do solo. Nesta edição, ele também tinha chances de medalha. Caiu novamente. Pelo menos este cara foi valente ao dizer que amarelou, e não inventou desculpas como a atleta do segundo lugar deste ranking.

3° lugar- Do Match-point à prata
2 sets a 0. Um banho de bola. Jogo tranquilo. Três pontos de vantagem no terceiro set. Dois match-points. Inacreditavelmente, com todo este saldo, o Brasil perdeu a final do vôlei masculino para a Rússia por 3 sets a 2. Foi um péssimo resultado. O nervosismo e a virada tática russa foram determinantes para a nossa derrota.


2° lugar- E o vento culpei
Fabiana Murer, atleta do salto com vara, tinha tudo para subir ao pódio. Era a atual campeã do mundo, numa prova em que a superfavorita Yelena Insibayeva levou o bronze. Tinha tudo para vencer, mas desistiu do salto nas eliminatórias e culpou o vento, SIM, O VENTO, pelo seu fracasso. Vergonha nacional, mas nada, NADA que supere o vexame horroroso que estampou o primeiro lugar por unanimidade.






1° lugar- A derrota ridícula do futebol, pra variar
Tcham tcham tcham tchaaaaaam, não poderia ser outro o número um. O esporte onde mais torramos nosso dinheiro, e que é pentacampeão mundial, não ganhou ouro. Tá, e a novidade? O Brasil sempre perde né? A novidade, é que foi o time da ousadia e alegria, a seleçãozinha que todo mundo puxava o saco. O 11 lá, o Neymar, era tratado como Deus, mas contra o México, na decisão, jogou um futebol digno de igualar Maicon Sapucaia, um pobre atacante que rodou o Rio Grande a jogar pelo maravilhoso futebol do nosso interior. Ou melhor, pobre Maicon Sapucaia por ser injustamente comparado à este pipoqueiro. Se o SBT fizer o concurso para "O Maior Pipoqueiro De Todos Os Tempos" (o programa verdadeiro é para o maior brasileiro), meu voto será do Neymar, pelo exemplo esportivo a não seguir em uma final de Olimpíada. Digo mais, este piá venceria o concurso. 



Espero que tenham gostado do meu ranking. Dúvidas, sugestões, reclamações, comentem aqui, ou no Facebook, Twitter e afins. Obrigado pela audiência!

Agora é a vez do Rio de Janeiro

Estádio Olímpico de Londres em verde e amarelo para homenagear o Brasil
(foto: Reuters)
Eu poderia estar com baixo astral ao lembrar que os Jogos Olímpicos de Londres encerraram. Apesar disso, depois da cerimônia de encerramento que lembra que o Rio de Janeiro vai sediar a próxima edição das Olimpíadas, é difícil ficar triste com o fim. Agora é o começo de uma grande festa, porque é o Brasil que vai aparecer para o mundo. Daqui a 1453 dias, no dia 5 de agosto de 2016, o maior evento do esporte está de volta, e em nossas terras.
No encerramento dos jogos, tivemos apenas dois momentos melancólicos. O primeiro foi quando foi mostrado um vídeo com uma música triste lembrando as derrotas dos atletas (claro que a nossa do futebol estava lá). O segundo foi quando a pira olímpica se apagou. Tirando essas partes, foi só festa. Os londrinos tiveram a competência de dar o mesmo show que realizaram na abertura. Desta vez não teve história, e a música foi o grande destaque. Grupos musicais e cantores conhecidos participaram da festa. The Who, Spice Girls, Muse, e o ex-vocalista do Oasis, Liam Gallacher foram alguns astros vivos que deram espetáculo. Direto dos céus, John Lennon e Freddie Mercury fizeram suas participações, como se eles realmente estivessem lá. Descobri hoje que gostava muito mais da música britânica e não sabia. É claro, eu também tenho o defeito de adorar músicas que não faço ideia quem canta ou qual é o nome dela. Algumas até deu para anotar. 
Me arrepiei de verdade com o hino brasileiro ao ser executado no Estádio Olímpico. Por oito minutos, Londres virou Brasil, e o Brasil se mudou para Londres. Artistas como Marisa Monte e Seu Jorge embalaram a festa, lembrando que é o nosso país que vai sediar as Olimpíadas de 2016. Para fechar a participação, Pelé, o Rei do Futebol surgiu no meio da galera que se apresentava, para delírio do público.
Londres 2012 ficará marcada em minha memória como a melhor Olimpíada que já vi. Se o Brasil decepcionou um pouco, pelo menos pude ver os melhores medindo força nos outros esportes. Vi os talentos Michael Phelps e Ulsain Bolt, sendo só um exemplo básico do que rolou. Que em 2016 possamos ver os melhores Jogos Olímpicos da história. Nosso país vai olhar mais para o esporte. Confio em melhor investimento ao esporte brasileiro. Não vamos passar vergonha por aqui, se Deus quiser. Vamos acreditar no nosso país. 

Mais duas medalhas para encerrar a participação


Vôlei masculino teve tudo para vencer, mas cedeu a virada e leva a prata
(foto: Reuters)
Pode não ter sido como queríamos, mas neste domingo o Brasil encerrou sua participação subindo mais duas vezes ao pódio. Tivemos um total de 17 medalhas, sendo três de ouro, cinco de prata e nove de bronze. Recorde na soma geral, mas foi o segundo maior desempenho do nosso país em Olimpíadas, pois em Atenas levamos cinco ouros, e em Londres, três.
O destaque negativo nas medalhas foi a prata do Brasil no vôlei masculino. O problema não foi perder para a Rússia por 3 sets a 2, mas sim deixar o ouro escapar depois de ter dois match-points ainda no terceiro set., quando vencia por 2 sets a 0. Foi a derrota mais injusta que já vi, mas esporte é isso. Temos vencedores e perdedores, e o vôlei mais uma vez demonstrou superação nestas Olimpíadas.
Yane Marques é mais uma que surpreende o Brasil e leva o bronze
(foto: AFP)
Porém, levamos medalha de onde também não acreditávamos. Yane Marques, atleta do pentatlo moderno, levou o bronze na modalidade. É a primeira medalha do país neste conjunto de esportes que soma a uma competição como um todo. É de comemorar muito o resultado desta jovem moça. Parabéns!
Não deu para superar o Cazaquistão, como eu queria. O Brasil terminou na vigésima segunda colocação no quadro de medalhas. Não é lá uma grandiosa posição, mas todas estas medalhas foram resultado do esforço de quatro anos. Nem todas elas foram as que queríamos, mas estamos de parabéns no geral. Mesmo os Jogos Olímpicos terem encerrado, pretendo fazer mais duas ou três postagens. Uma, colocando o "top five" - ao estilo CQC - de bom e de ruim para o Brasil. A segunda, o mesmo top five, mas só com os principais destaques dos outros países. E o terceiro, pretendo fazer o popular Ctrl C/Ctrl V daquele post sobre o que esperar do Brasil nos Jogos Olímpicos.  Vou analisar sobre o que acertei e o que errei sobre o que poderíamos esperar. Até terça-feira, no máximo, pretendo cumprir estas postagens. Fiquem ligados!

Lista dos medalhistas olímpicos do Brasil:
Ouro: Sarah Menezes (judô), Arthur Zanetti (ginástica) e vôlei feminino;
Prata: Thiago Pereira (natação), Emanuel e Álison (vôlei de praia), futebol masculino, Esquiva Falcão (boxe) e vôlei masculino;
Bronze: Felipe Kitadai, Rafael Silva, Mayra Aguiar (judô), Adriana Araújo, Yamaguchi Falcão (boxe), César Cielo (natação), Juliana/Larissa (vôlei de praia), Robert Scheidt/Bruno Prada (vela) e Yane Marques (pentatlo moderno).

sábado, 11 de agosto de 2012

A garra de ouro

O verdadeiro Brasil fez bonito no vôlei, e ganhou o ouro
(foto: Reuters)
É com garra, com determinação, com vontade e com sangue frio que podemos diferenciar atletas comuns de atletas vencedores. Mal tinha passado o maior vexame do Brasil nos Jogos Olímpicos de Londres, com a prata conquistada de forma horrorosa no futebol, nosso país já teve de encarar outra dura final. Desta vez era no vôlei feminino contra os Estados Unidos.
Sem firula, sem dancinhas e sem ousadia e alegria, nossas meninas destroçaram as norte-americanas, vencendo por 3 sets a 1. Com o resultado o Brasil conquistou o terceiro ouro em Londres, incluindo o bicampeonato olímpico. Foi o ouro do time favorito, que não pipocou no final, que jogou como deveria jogar, que encheu o país de orgulho, e nos ajudou a esquecer o vexame horrendo que vimos horas antes com aqueles caras.
Era a reedição da final olímpica de 2008, quando também vencemos. Os Estados Unidos levaram a vitória no confronto da primeira fase, estavam invictos e haviam perdido apenas dois sets em sete partidas. Não havia dúvidas que as norte-americanas eram as favoritas. O Brasil tinha perdido para a Coreia do Sul também na primeira fase, passou para as quartas de final no sufoco. Era normal colocar nossa seleção em um lugar abaixo das americanas. Mas as coisas mudaram após a vitória épica sobre a Rússia, e também com a classificação convincente à final, após passar pelo Japão. Com isso o favoritismo brasileiro aumentou, e se igualou ao americano. Tudo seria decidido no vôlei.
A final começou complicadíssima. As gurias erravam seus ataques e mandavam para fora da quadra. A recepção também estava ruim, os bloqueios furavam, ou seja, tudo dava errado para o Brasil. Com um inacreditável 25 a 11, as americanas deram um banho de bola nas brasileiras no primeiro set, na parte ruim da partida.
Viria o segundo set. A experiência de José Roberto Guimarães, que agora é tricampeão olímpico, ajudou na melhora do time em nível infinito. Jaqueline, Fernanda Garay e Sheila foram o arranque no motor brasileiro, e o que havia sido terrível no primeiro set, estava sendo espetacular no segundo. Vitória por 25 a 17. No terceiro, as americanas ficaram mais recuadas. As melhores daquele time erravam bolas fáceis, e jogavam a nível de um time de nível profundamente inferior ao nosso. Mesmo assim, a vitória veio com tranquilidade, por 25 a 20.
No quarto set, eu e o país inteiro começamos a fazer a contagem regressiva. Cada ponto eu vibrava como se fosse um gol do meu time em jogo decisivo da Libertadores. Era decisivo mesmo, embora não era de futebol. Foi apenas para curtir o quarto set. As americanas não conseguiam fazer mais de três pontos em sequência. Aquelas três que citei antes já jogavam muito, somado às outras que também estavam em quadra. Era questão de tempo vir o ouro. Ele chegou com Fernanda Garay que cortou em cima do bloqueio americano, fechando o quarto set por 25 a 17. Tudo correu muito bem, e foi maravilhoso. Todas estas gurias merecem o título.
A única parte negativa foi a ridícula reportagem sobre o feito em um dos principais telejornais de uma emissora que não transmite as Olimpíadas. Nesta edição a emissora mostra algumas imagens em vídeo do que aconteceu no dia, com os devidos créditos. O que não dá para mostrar em vídeo é noticiado por fotos, tipo aquelas apresentações de powerpoint. Tudo bem até aí, já que é o que dá para mostrar. Porém, esta emissora e este telejornal usaram apenas em fotos a alegria do Brasil na quadra. Ganhamos um jogo épico e nenhuma imagem em vídeo foi mostrada neste telejornal do feito. Os destaques sem fotos mostradas foram sobre o fracasso do futebol - esse deveria ser só uma nota pelada (pesquisem no Google porque isso é termo do jornalismo) - e a ginástica rítmica, esporte onde nem representantes tínhamos. Este canal fez vergonha neste sábado.
Deixando as lamentações da emissora, o feito de hoje no vôlei foi o ouro mais merecido ao Brasil nestes Jogos Olímpicos porque depois daquela vitória sobre a Rússia, seria injusto o ouro não vir para nossas terras. As meninas de ouro nos encheram de orgulho, e podem comemorar muito porque elas merecem.

A determinação de prata no boxe

Mesmo com prata, Esquiva Falcão é um campeão. Um exemplo do esporte
(foto: Reuters)

O capixaba Esquiva Falcão lutou muito bem contra o japonês Ryota Murata. O país também parou para acompanhar a terceira final que envolvia o Brasil hoje. Pena que os árbitros do combate preferiram dar ao japonês a vitória, por 14 a 13. Esquiva levou a prata, melhor resultado do boxe na história dos Jogos Olímpicos.
Lógico que seria perfeito se ele conquistasse o ouro, mas quis o destino que não desse certo. Mesmo perdendo, Esquiva é um vencedor. Além da prata conquistada hoje pelo capixaba, seu irmão, Yamaguchi, e Adriana Araújo levaram o bronze na mesma modalidade. Estes três possuíram uma determinação inimaginável. Não conhecíamos eles até antes destas Olimpíadas, e mesmo com o baixo investimento e o amadorismo considerado por aqui, eles nos encheram de orgulho e conquistaram suas medalhas. Merecem voltar ao Brasil como heróis. 

E só falta mais um dia

Infelizmente a trigésima edição dos Jogos Olímpicos vai terminar neste domingo. Às 9 da manhã tem a final do vôlei masculino, com Brasil e Rússia. Eu confio na mesma determinação e garra da equipe comandada por Bernardinho, e podemos levar o quarto ouro. Se acontecer, só não vamos superar Atenas em número de ouros, mas vamos ficar com o segundo melhor desempenho olímpico. Zebras no pentatlo moderno e maratona podem acontecer, mas são possibilidades tão baixas quanto o Atlético Goianiense conquistar o Brasileirão deste ano. Estamos na vigésima primeira posição no quadro de medalhas, e é possível subir mais umas posições, caso o ouro venha. No vôlei, vamos com tudo para mais uma vitória de ouro, para começar o domingo feliz, e ficar menos tristes com a melancolia da cerimônia de encerramento. 

Futebol, o esporte sem investimento

Neymar, o maior símbolo do fracasso em Londres
(foto: AFP)
Pobre Brasil. Fez uma linda campanha nos Jogos Olímpicos de Londres até perder para o México na final. Nosso governo não investe no futebol e vamos levar a prata, nosso melhor resultado neste esporte. Pobre Brasil.
Este texto teria um sentido se estivéssemos falando de taekwondo, do remo, dos saltos ornamentais ou da marcha atlética. Exemplos de modalidades onde o nosso país não levará medalha e que não há investimento. Mas lamentar o fracasso do futebol é absurdo, temos sim é o dever de cobrar e cornetar. 
Em 2014 nosso país vai receber a Copa do Mundo. Rios do nosso dinheiro estão sendo gastos com estádios públicos e de pouco aproveitamento real para uma nação inteira. E pior, vamos fazer uma organização bonita, mas passar uma vergonha se jogarmos com esse bando de pipoqueiros comandados por um cara que não impõe respeito a seus atletas, e que escala os jogadores que a imprensa quer, não lembrando que há outros bons nomes no esporte.
Me recuso a acreditar que vamos vencer a Copa do Mundo de 2014 com essa bolinha aí. Londres 2012 foi a Olimpíada mais fácil de se vencer. As grandes nações perderam ainda nas primeiras fases. O Brasil só pegou baba até a final, embora sofreu pressões injustificáveis em quase todos os jogos. Não quero tirar os méritos do México, mas eu estou decepcionado com o futebol do atual Brasil, que não sabe jogar bola contra equipe grande.
Comemorar a prata em Londres é uma verdadeira piada. O país que ganhou cinco títulos mundiais, que deve ser o país do futebol, não ter vencido nenhuma Olimpíada é uma piada. Se não for ouro, é vergonha. Temos de nos orgulhar daqueles que ganham prata e bronze em esportes onde há uma real falta de investimento. Como os bronzes do boxe e do judô. Valorizar também quem surpreende o país com um ouro, como a judoca Sarah Menezes e o ginasta Arthur Zanetti. Até antes das Olimpíadas ninguém falava deles, ou sequer sabiam de suas existências. Mesmo que não tivessem vencido, já poderíamos nos orgulhar com eles, caso ficassem em segundo ou terceiro. 
Muita gente falava mal do Dunga, o antecessor de Mano Menezes, com seus jogadores como Felipe Melo, Michel Bastos, Afonso e companhia. Falem o que quiser, mas aquele time jogava com garra. Poderia ser ruim, mas não desistia da luta. Dunga escalava quem ele queria e batia de frente com quem batia nele ("algum problema?"). Mais importante, ganhava de equipes grandes. Com Dunga conquistamos troféus na Copa América e na Copa das Confederações. Não levamos ouro nas Olimpíadas, mas a eliminação veio para a Argentina que estava com uma equipe perfeita em 2008. Se perdemos a Copa do Mundo de 2010,  pelo menos jogamos bem contra a Holanda, apesar do apagão no segundo tempo. Já com Mano Menezes, o Brasil não venceu nenhum time grande. Nem em competições fizemos bonito. Na Copa  América, no ano passado, após uma horrorosa primeira fase, nosso país nos encheu de orgulho ao desperdiçar quatro pênaltis contra o Paraguai.
Agora o que será do futebol brasileiro? Tanto faz, a coisa já está feia mesmo. Sinceramente, se a CBF não por esse cara na rua, em 2014 o Brasil vai cair fora na primeira fase para o Uzbequistão. Resta acreditar no verdadeiro Brasil das Olimpíadas, de onde não acreditamos em medalha antes dos jogos, mas que surpreende à todos nos dias posteriores. Esquiva Falcão vai lutar mais tarde, e se Deus quiser vai levar o ouro (já tenho até título pensado caso aconteça). Além disso, terá a final do vôlei feminino, com Brasil e Estados Unidos, onde também podemos levar a medalha dourada. Vai dar tudo certo, vamos acreditar nos verdadeiros representantes do Brasil nestes Jogos Olímpicos.