Os grupos desta segunda fase já estavam definidos. Restava saber, apenas, quem seriam os seis felizardos a vencerem o mata-mata preliminar e se encaixarem em cada chave. Os brasileiros São Paulo e Grêmio, somados a Tigre (Argentina), Tolima (Colômbia), Olímpia (Paraguai) e Deportes Iquique (Chile), foram os vencedores dos primeiros duelos da Copa. Mas para cada chave irá cada um dos 32 sobreviventes?
Grupo 1: O segundo "Grupo da Morte"
Com nove títulos dentro das equipes, o grupo 1 é o maior vencedor da Libertadores. Ou melhor, dois dos quatro times estão entre os maiores. Boca Juniors (com seis taças) e Nacional (com três) são os poderosos da chave. Os argentinos e os uruguaios sabem ganhar o maior campeonato da América do Sul. Apesar do histórico, só o Boca Juniors está completamente forte para esse ano, após trazer de volta o meia Riquelme e o técnico Carlos Bianchi, que conquistou três Libertadores em 4 anos no comando da equipe, em 2000, 2001 e 2003. O Nacional vem de participações desastrosas nos últimos anos, e terá de se superar para reconquistar a Libertadores - a última foi em 88 - mesmo com nomes como Álvaro Recoba e Loco Abreu no elenco.
A terceira força do grupo é o Barcelona, do Equador, que já foi vice-campeão da Libertadores em duas ocasiões, e fez uma boa participação na Copa Sul-Americana do ano passado. Eles podem surpreender contra os grandalhões da chave. O quarto representante é o mexicano Toluca. O time é forte, mas está no lugar errado. A Libertadores serve para o México apenas como um campeonato amistoso, pois se um mexicano vencer um dia a Copa, ele não jogará o Mundial de Clubes. Por isso o México é um intruso na competição, e aqui, eu serei defensor da saída deles da Libertadores.
Previsão: Boca passará tranquilamente. Nacional e Barcelona farão a briga pelo segundo lugar, e o Toluca jogará para roubar pontos dos outros times.
Grupo 2: Os intermediários e o rebaixado
O que dá uma certa força ao grupo é o Libertad, do Paraguai. Após contratar Guiñazu (aquele mesmo que jogava no Inter), o time ganhou um bom reforço para o meio campo. Também jogam nesta chave o vice-campeão da Sul-Americana de 2012, o argentino Tigre, o peruano Sporting Cristal, e o Palmeiras, atual campeão da Copa do Brasil e recém rebaixado à Série B do Brasileirão. O grupo é um dos mais fracos, mas quem sabe proporcione bons jogos. Só o tempo dirá.
Previsão: O Palmeiras prioriza a volta à Série A, e não fez boas contratações, além de perder Barcos para o Grêmio. Deverá jogar por jogar a Libertadores. Libertad e Sporting Cristal tem mais chances de seguir vivos.
Grupo 3: Brasil contra o resto
São Paulo e Atlético Mineiro já se enfrentam logo de cara. Os dois times estão muito fortes para a Libertadores, e podem fazer uma boa Copa. O tricolor paulista vem embalado pelo título da Sul-Americana, e mantém o time forte para a Libertadores, com o xerifão Lúcio na zaga e Rogério Ceni firme e forte no gol. Já o Atlético está de volta à Libertadores depois de 13 anos de espera. A equipe vice-campeã brasileira vem com a mesma base, com Ronaldinho, Bernard, e o recém contratado Diego Tardelli. Os brasileiros são os poderosos da chave.
Os argentinos do Arsenal são os representantes da chave que podem fazer frente ao Galo e ao Tricolor. E só. O quarto time do grupo é o The Strongest, da Bolívia, só é o mais forte pelo nome mesmo. Só levarão uns pontos se contarem com a ajuda da melhor amiga do futebol boliviano, a altitude.
Previsão: São Paulo e Atlético devem passar de fase. Arsenal e The Strongest serão os que podem ajudar (ou prejudicar) a pontuação dos brasileiros.
Grupo 4: Um tradicional morrerá
Vélez Sarsfield, Peñarol, Emelec e Deportes Iquique. Só o time chileno é o fraco do grupo. Os outros três times tem tradição na Libertadores, e só dois podem avançar às oitavas de final. O Vélez foi o melhor colocado nos dois turnos do Campeonato Argentino, e é o mais forte da chave, considerado por especialistas como um dos grandes favoritos ao título. O Peñarol também tem tradição na Libertadores, ganhou cinco vezes e foi vice campeão em 2011, mas estão com uma equipe mediana. O Emelec nunca ganhou a Copa, mas vem demonstrando grande força nos últimos anos, e pode surpreender. Serão 12 jogos de pegar fogo neste grupo.
Previsão: Vélez, Emelec e Peñarol vão fazer jogos duros, mas os dois primeiros tem mais chances de passar. Já o Iquique, restará evitar ser o saco de pancadas da Libertadores.
Grupo 5: O campeão e mais três
Só uma tragédia faria o Corinthians ser eliminado na fase de grupos da Libertadores. Seus adversários são de um nível bem menor que o do atual campeão da Copa. Apenas o Millonarios, da Colômbia, pode ser uma força na chave. Os colombianos chegaram às semifinais da Sul-Americana do ano passado, após eliminarem o Grêmio. Os outros representantes, o boliviano San José e o mexicano Tijuana, deverão jogar por honra a competição.
Previsão: O Corinthians deverá encerrar essa fase como um dos melhores da Libertadores, e o Millonarios ficará com a segunda vaga. Simples assim.
Grupo 6: Os quatro coadjuvantes
O paraguaio Cerro Porteño, o peruano Universidad Cesar Vallejo e os colombianos Tolima e Santa Fé compõem a chave. Destes, só o Cerro possui uma leve tradição em Libertadores, chegando, no máximo, às semifinais da competição. Os outros três nem chegaram a tal nível, sendo que a equipe do Peru faz apenas sua estreia no torneio. Como nada no futebol é impossível, dificilmente um destes quatro fará uma campanha a nível de semifinal.
Previsão: Grupo embolado, ninguém querendo se distanciar de ninguém e os quatro brigando até a última rodada. Cerro e Tolima são os mais cotados para avançar.
Grupo 7: O chileno da moda, os copeiros e o azarado
De todos os amigos que conheço, quando o assunto é Copa Libertadores, a maioria deles fala que gosta do Universidade de Chile. Mesmo nunca tendo vencido a Libertadores (fora do Chile ganhou a Sul-Americana de 2011), dá para considerar La U como um dos queridinhos da América do Sul. O time já foi melhor, mas está razoavelmente bom. Apesar disso, os chilenos estão ao lado de dois bons nomes no mesmo grupo. O Newell's Old Boys, da Argentina, e o Olímpia, do Paraguai, contam com a tradição de já terem chegado, pelo menos, à final da Copa. Os argentinos foram vice-campeões duas vezes. Já o Olímpia foi além. Venceu duas Copas Libertadores. Apesar de tudo isso, esse grupo deve ser, no máximo, o terceiro mais forte do campeonato, dado o momento atual destes três. O azarado da chave é o estreante Deportivo Lara, o São Caetano da Venezuela., por ter apenas 7 anos de vida. Para o Lara, a Libertadores deste ano será como a Copa das Confederações para o Taití. Jogarão apenas para fazer uns gols. Não dá para ir mais longe.
Previsão: La U e Olímpia devem ser os classificados.
Grupo 8: Caracas, dois brasileiros
O Caracas é o time mais tradicional da Venezuela. Apesar disso, o máximo que conseguiu foi alcançar às quartas de final da Libertadores (maior feito do país até agora). Só que neste ano, deram um azar tremendo e dificilmente vão superar Grêmio e Fluminense. Os dois tricolores são muito fortes. O tricolor carioca mantém a mesma base campeã brasileira do ano passado, com Fred, Wellington Nem, Deco, entre outros. Já o tricolor gaúcho é oriundo da fase preliminar, mas montou para a Libertadores um timaço, contratando Eduardo Vargas, e os recém chegados André Santos e Hernán Barcos. Aos venezualanos, restará arrancar pontos do Huachipato, do Chile, para tentar alguma coisa.
Previsão: Grêmio e Fluminense passarão de fase. Os confrontos diretos é que vão determinar quem vai ficar com o primeiro lugar.
Longa demais esta análise, porém, o objetivo foi cumprido. Se você chegou até aqui, parabéns, e obrigado pela disposição. Que comece, de fato a Libertadores e que o melhor possa vencer. Mas, o mais importante, é que todos possamos curtir um bom campeonato.

