terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Agora restam 32: a Libertadores avança para a fase de grupos

Passou duas semanas após o encerramento dos duelos preliminares da Copa Libertadores. Agora, todo o planejamento dos 32 times dos dez países da América do Sul, e do intruso México, será posto à prova. Toda estratégia inteligente é válida para a conquista do tão sonhado título da América.

Os grupos desta segunda fase já estavam definidos. Restava saber, apenas, quem seriam os seis felizardos a vencerem o mata-mata preliminar e se encaixarem em cada chave. Os brasileiros São Paulo e Grêmio, somados a Tigre (Argentina), Tolima (Colômbia), Olímpia (Paraguai) e Deportes Iquique (Chile), foram os vencedores dos primeiros duelos da Copa. Mas para cada chave irá cada um dos 32 sobreviventes?

Grupo 1: O segundo "Grupo da Morte"


Com nove títulos dentro das equipes, o grupo 1 é o maior vencedor da Libertadores. Ou melhor, dois dos quatro times estão entre os maiores. Boca Juniors (com seis taças) e Nacional (com três) são os poderosos da chave. Os argentinos e os uruguaios sabem ganhar o maior campeonato da América do Sul. Apesar do histórico, só o Boca Juniors está completamente forte para esse ano, após trazer de volta o meia Riquelme e o técnico Carlos Bianchi, que conquistou três Libertadores em 4 anos no comando da equipe, em 2000, 2001 e 2003. O Nacional vem de participações desastrosas nos últimos anos, e terá de se superar para reconquistar a Libertadores - a última foi em 88 - mesmo com nomes como Álvaro Recoba e Loco Abreu no elenco.

A terceira força do grupo é o Barcelona, do Equador, que já foi vice-campeão da Libertadores em duas ocasiões, e fez uma boa participação na Copa Sul-Americana do ano passado. Eles podem surpreender contra os grandalhões da chave. O quarto representante é o mexicano Toluca. O time é forte, mas está no lugar errado. A Libertadores serve para o México apenas como um campeonato amistoso, pois se um mexicano vencer um dia a Copa, ele não jogará o Mundial de Clubes. Por isso o México é um intruso na competição, e aqui, eu serei defensor da saída deles da Libertadores.

Previsão: Boca passará tranquilamente. Nacional e Barcelona farão a briga pelo segundo lugar, e o Toluca jogará para roubar pontos dos outros times.

Grupo 2: Os intermediários e o rebaixado


O que dá uma certa força ao grupo é o Libertad, do Paraguai. Após contratar Guiñazu (aquele mesmo que jogava no Inter), o time ganhou um bom reforço para o meio campo. Também jogam nesta chave o vice-campeão da Sul-Americana de 2012, o argentino Tigre, o peruano Sporting Cristal, e o Palmeiras, atual campeão da Copa do Brasil e recém rebaixado à Série B do Brasileirão. O grupo é um dos mais fracos, mas quem sabe proporcione bons jogos. Só o tempo dirá.

Previsão: O Palmeiras prioriza a volta à Série A, e não fez boas contratações, além de perder Barcos para o Grêmio. Deverá jogar por jogar a Libertadores. Libertad e Sporting Cristal tem mais chances de seguir vivos.

Grupo 3: Brasil contra o resto


São Paulo e Atlético Mineiro já se enfrentam logo de cara. Os dois times estão muito fortes para a Libertadores, e podem fazer uma boa Copa. O tricolor paulista vem embalado pelo título da Sul-Americana, e mantém o time forte para a Libertadores, com o xerifão Lúcio na zaga e Rogério Ceni firme e forte no gol. Já o Atlético está de volta à Libertadores depois de 13 anos de espera. A equipe vice-campeã brasileira vem com a mesma base, com Ronaldinho, Bernard, e o recém contratado Diego Tardelli. Os brasileiros são os poderosos da chave.

Os argentinos do Arsenal são os representantes da chave que podem fazer frente ao Galo e ao Tricolor. E só. O quarto time do grupo é o The Strongest, da Bolívia, só é o mais forte pelo nome mesmo. Só levarão uns pontos se contarem com a ajuda da melhor amiga do futebol boliviano, a altitude.

Previsão: São Paulo e Atlético devem passar de fase. Arsenal e The Strongest serão os que podem ajudar (ou prejudicar) a pontuação dos brasileiros.

Grupo 4: Um tradicional morrerá


Vélez Sarsfield, Peñarol, Emelec e Deportes Iquique. Só o time chileno é o fraco do grupo. Os outros três times tem tradição na Libertadores, e só dois podem avançar às oitavas de final. O Vélez foi o melhor colocado nos dois turnos do Campeonato Argentino, e é o mais forte da chave, considerado por especialistas como um dos grandes favoritos ao título. O Peñarol também tem tradição na Libertadores, ganhou cinco vezes e foi vice campeão em 2011, mas estão com uma equipe mediana. O Emelec nunca ganhou a Copa, mas vem demonstrando grande força nos últimos anos, e pode surpreender. Serão 12 jogos de pegar fogo neste grupo.

Previsão: Vélez, Emelec e Peñarol vão fazer jogos duros, mas os dois primeiros tem mais chances de passar. Já o Iquique, restará evitar ser o saco de pancadas da Libertadores.

Grupo 5: O campeão e mais três


Só uma tragédia faria o Corinthians ser eliminado na fase de grupos da Libertadores. Seus adversários são de um nível bem menor que o do atual campeão da Copa. Apenas o Millonarios, da Colômbia, pode ser uma força na chave. Os colombianos chegaram às semifinais da Sul-Americana do ano passado, após eliminarem o Grêmio. Os outros representantes, o boliviano San José e o mexicano Tijuana, deverão jogar por honra a competição.

Previsão: O Corinthians deverá encerrar essa fase como um dos melhores da Libertadores, e o Millonarios ficará com a segunda vaga. Simples assim.

Grupo 6: Os quatro coadjuvantes


O paraguaio Cerro Porteño, o peruano Universidad Cesar Vallejo e os colombianos Tolima e Santa Fé compõem a chave. Destes, só o Cerro possui uma leve tradição em Libertadores, chegando, no máximo, às semifinais da competição. Os outros três nem chegaram a tal nível, sendo que a equipe do Peru faz apenas sua estreia no torneio. Como nada no futebol é impossível, dificilmente um destes quatro fará uma campanha a nível de semifinal.

Previsão: Grupo embolado, ninguém querendo se distanciar de ninguém e os quatro brigando até a última rodada. Cerro e Tolima são os mais cotados para avançar.

Grupo 7: O chileno da moda, os copeiros e o azarado


De todos os amigos que conheço, quando o assunto é Copa Libertadores, a maioria deles fala que gosta do Universidade de Chile. Mesmo nunca tendo vencido a Libertadores (fora do Chile ganhou a Sul-Americana de 2011), dá para considerar La U como um dos queridinhos da América do Sul. O time já foi melhor, mas está razoavelmente bom. Apesar disso, os chilenos estão ao lado de dois bons nomes no mesmo grupo. O Newell's Old Boys, da Argentina, e o Olímpia, do Paraguai, contam com a tradição de já terem chegado, pelo menos, à final da Copa. Os argentinos foram vice-campeões duas vezes. Já o Olímpia foi além. Venceu duas Copas Libertadores. Apesar de tudo isso, esse grupo deve ser, no máximo, o terceiro mais forte do campeonato, dado o momento atual destes três. O azarado da chave é o estreante Deportivo Lara, o São Caetano da Venezuela., por ter apenas 7 anos de vida. Para o Lara, a Libertadores deste ano será como a Copa das Confederações para o Taití. Jogarão apenas para fazer uns gols. Não dá para ir mais longe.

Previsão: La U e Olímpia devem ser os classificados.

Grupo 8: Caracas, dois brasileiros


O Caracas é o time mais tradicional da Venezuela. Apesar disso, o máximo que conseguiu foi alcançar às quartas de final da Libertadores (maior feito do país até agora). Só que neste ano, deram um azar tremendo e dificilmente vão superar Grêmio e Fluminense. Os dois tricolores são muito fortes. O tricolor carioca mantém a mesma base campeã brasileira do ano passado, com Fred, Wellington Nem, Deco, entre outros. Já o tricolor gaúcho é oriundo da fase preliminar, mas montou para a Libertadores um timaço, contratando Eduardo Vargas, e os recém chegados André Santos e Hernán Barcos. Aos venezualanos, restará arrancar pontos do Huachipato, do Chile, para tentar alguma coisa.

Previsão: Grêmio e Fluminense passarão de fase. Os confrontos diretos é que vão determinar quem vai ficar com o primeiro lugar.

Longa demais esta análise, porém, o objetivo foi cumprido. Se você chegou até aqui, parabéns, e obrigado pela disposição. Que comece, de fato a Libertadores e que o melhor possa vencer. Mas, o mais importante, é que todos possamos curtir um bom campeonato.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A pressa é inimiga da boa apuração

Nesta madrugada de terça-feira eu poderia falar do Gre-Nal vencido pelo Inter por 2 a 1, ou do Super Bowl que o Baltimore Ravens conquistou por 34 a 31 (textos que ainda não publiquei e talvez farei), mas hoje vi que mais uma daquelas boas lições que aprendo diariamente na faculdade de Jornalismo fazem sentido.

SEMPRE devemos apurar a informação que recebemos. Por mais possível que ela seja verdadeira, nós sempre devemos investigar aquilo que estão nos avisando. Isso vale tanto para os profissionais consagrados no jornalismo nacional, quanto para aqueles que ainda nem estão na faculdade, mas que almejam esta digna profissão. Caso alguém publica uma informação errada, algo muito precioso poderá ser perdido, a CREDIBILIDADE.

E, quando se perde a credibilidade, se perde tudo no jornalismo. Todo mundo que trabalha na profissão busca sempre almejar o "furo", passar a informação em primeira mão. Uma informação que possa causar impacto a um bom número de pessoas. Como Willian Bonner citou no livro "Jornal Nacional: Modo de Fazer", o furo seria como aquela Ferrari vermelha que desejamos. É a vontade de todos ter uma Ferrari, mas é uma virtude de poucos. E assim vale para o furo.

É algo extremamente arriscado. Pois informar em primeira mão é muito mais difícil do que se imagina. Você tem que ter uma excelente apuração jornalística do fato e ter a certeza máxima de que aquilo é verdade. Caso você jornalista (ou futuro jornalista) publicar algo em primeira mão sem ter essa certeza, você corre um sério risco de cometer uma "barrigada".

Barrigada é quando uma informação mal apurada é divulgada. Ou uma informação falsa, o que é pior ainda. Para o caso desta madrugada, um jornalista famoso no Rio Grande do Sul publicou a maior barrigada que já vi na vida. Ele é famoso por já ter falado o que não era verdade, mas hoje ele infelizmente errou em um nível desproporcional. Nas últimas horas da segunda-feira, um grupo de torcedores passou uma falsa informação pelo Twitter de que um jogador chamado ENRICO CABRITO estaria sendo negociado pelo Grêmio. Uma rápida olhada no Google  faria perceber que Enrico Cabrito NÃO EXISTE. Eu fiz isso para ter 100% de certeza de que era uma invenção. Mas, pela ânsia do furo, o jornalista acabou publicando a maior barrigada da história.

Imediatamente ele passou a receber inúmeras mensagens com piadas e críticas ao trabalho mal realizado. Para amenizar a situação vergonhosa que já estava se espalhando por todos os cantos do Rio Grande, o jornalista se explicou dizendo que foi "hackeado" na rede social (quando alguém invade um perfil pessoal e publica em seu nome). Aí tudo piorou.

As críticas passaram a aumentar. Enrico Cabrito acabou sendo o assunto mais comentado do Brasil, e um dos mais comentados do mundo. Uma barrigada que ganhou proporções mundiais.

Ao mesmo tempo que acho graça com as piadas em tempo real, fico pensando o seguinte: como ele se deixou chegar a esse nível? Como que um jornalista que deve ter uns 30 anos de experiência pecou num ato tão simples, que era apenas apurar se o jogador existia? Vale a pena jogar fora uma credibilidade de décadas por causa de uma informação duvidosa? Dá pena.

Eu não condeno ele por tal ato. Esse jornalista passou por importantes emissoras de rádio do Estado. Por anos foi apresentador de um programa jornalístico de cunho policial e acabou demitido no ano passado. Precisou voltar à mídia apelando para uma pequena emissora de rádio que recém estava sendo criada. A ânsia para aumentar a audiência da mesma e fazer com que voltasse a um lugar respeitável acabou manchando sua carreira. É lamentável que ele tenha se deixado levar por uma brincadeira de torcedores.

A lição que quero passar é a seguinte, em especial aos amigos jornalistas (ou estudantes). SEMPRE APUREM UMA INFORMAÇÃO. Essa é uma norma básica, mas nunca podemos esquecer. Sempre temos que apurar ao máximo qualquer coisa que vamos publicar. É o nosso nome, é a nossa credibilidade, é a nossa carreira que pode estar em jogo com uma informação mal apurada. E em caso de alguma dúvida, verifica de novo para ver se não tem nada errado. É melhor nós ligarmos para 15 fontes diferentes, verificar o que as concorrentes estão falando do assunto e ler 30 vezes o nosso texto antes de publicar, do que se apressar e divulgar o que está errado, e perdermos nossa credibilidade na profissão.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Super domingo de muito esporte

Domingo sempre é o dia em que grandes eventos esportivos acontecem. E, para o caso deste dia 3, continuará assim. A tarde de hoje será marcada por várias festas do esporte, como alguns clássicos regionais espalhados pelo Brasil. Em especial, claro que falarei dele, do Gre-Nal, o maior espetáculo da Terra. Além disso neste domingo terá ainda o Super Bowl de número 47, a final da NFL, entre Baltimore Ravens e San Francisco 49ers. 

É difícil fazer um texto único se tratando de dois eventos tão distintos de modalidades esportivas tão diferentes. Mas não custa arriscar. 

O duelo dos opostos


Gre-Nal de Erechim será o primeiro clássico de 2013
(foto: Luciano Leon - Futurapress)
O clássico de número 395 não será no Beira-Rio (que está em reforma para a Copa) e nem na nova Arena do Grêmio. Tricolores e colorados vão se degladiar em Erechim, cidade muito distante de Porto Alegre, para trazer a alegria aos torcedores do Norte do Rio Grande do Sul. Para melhorar ainda mais, esse é o primeiro Gre-Nal da fase de grupos do Gauchão que será transmitido em TV aberta. Ou seja, o torcedor que não for ao estádio poderá conferir o clássico sem sair de casa, o que já é uma maravilha. O jogo será às 17 horas, e vai ser exibido na RBS TV.

Apesar de ser um Gre-Nal, ele não terá a força total das duas equipes. O Grêmio vai ir à campo com um time misto. Será um time intercalado com os jogadores que realizaram as partidas anteriores no Gauchão e com alguns nomes que jogaram pela Libertadores contra a LDU na quarta-feira, em que o tricolor avançou à fase de grupos após vencer os equatorianos por 1 a 0 no tempo normal, e por 5 a 4 nos pênaltis. O que pode complicar ainda mais os azuis, é que o treinador Vanderlei Luxemburgo não estará presente no clássico. O Grêmio será comandado hoje pelo auxiliar Roger Machado. O provável time de hoje será: Busatto, Tony, Bressan, Werley e Alex Telles; Fernando, Léo Gago, Misael e Jean Deretti; Leandro e Willian José.

O Internacional vem com força máxima para o clássico. O colorado é comandado agora por Dunga, e vem como favorito. Será apenas o segundo jogo do Inter com suas principais estrelas. O problema é que o duelo anterior não foi proveitoso para os colorados, em razão do empate sem gols contra o Novo Hamburgo, na ensolarada quarta-feira na cidade de Gravataí. Mesmo com o favoritismo, ainda é difícil de cravar o Inter como vencedor, mas é certo de que o elenco escalado é muito mais forte que o do maior rival. Os colorados vão à campo com: Muriel, Gabriel, Rodrigo Moledo, Índio e Fabrício; Willians, Josimar (Fred), Dátolo e D'Alessandro; Forlán e Leandro Damião.

O jogo que faz uma nação inteira parar

O Super Bowl XLVII é o jogo de futebol americano mais assistido nos Estados Unidos. É um clássico em que circulam bilhões de dólares com comidas e bebidas, e faz todos os norte-americanos ficarem vidrados na televisão. Para se ter ideia dos gastos, um simples anúncio de 30 segundos no intervalo da partida custará  4 milhões de dólares, em torno de 8 milhões de reais (e você aí achando caro uma inserção no intervalo do Jornal Nacional por "apenas" 750 mil reais né). Será um dia em que os bolsos da CBS  ficarão absurdamente cheios.

Aqui no Brasil o jogo é pouco divulgado. Na TV aberta, só vi uma emissora fazer menção ao duelo de Baltimore Ravens e San Francisco 49ers. A ESPN é o canal oficial do Super Bowl no Brasil, e a transmissão do jogo já começa às 20 horas.

Além do jogo entre Ravens e 49ers, um outro fator importante são os espetáculos extras que terão na final da NFL. A cantora Alicia Keys fará a interpretação do hino americano, e também Beyoncé fará o show do intervalo - que sempre conta com grandes astros da música internacional.

Quanto a partida, é difícil dizer quem é o favorito. O time de San Francisco conta com um novato quarterback, mas que vem surpreendendo todo mundo por sua irreverência e por suas jogadas. Collin Kaepernick já conseguiu fazer uma boa fama rapidamente, e pode se consagrar hoje, caso vença a partida. Já o Baltimore Ravens tem como destaque o jogador Ray Lewis - que está com o clube desde quando foi fundado, em 1996 - anunciou a aposentadoria para o final desta temporada. Encerrar a carreira com um Super Bowl já será marcante para o jogador, ainda mais se ele e sua equipe garantirem o troféu.
 
Sendo pela bola oval, ou pela bola redonda, hoje vai ser um dia espetacular. Os amantes do esporte terão um dia perfeito para ficarem ligados diante da televisão. Valerá a pena conferir essa programação especial.