sábado, 5 de dezembro de 2015

NFL conquista legião de fãs nas madrugadas brasileiras

Passe de Aaron Rodgers para Richard Rodgers deu a vitória ao Green Bay Packers na última jogada

São 2h40 da manhã, na madrugada de quinta para sexta-feira. Enquanto a maior parte da população brasileira está dormindo, milhares de fãs de um determinado esporte assistem apreensivos na televisão a jogada que irá colocar um ponto final em uma certa partida. O jogo é entre duas equipes americanas. Não tem nenhum brasileiro em campo. Mas mesmo assim, tem muitas pessoas interessadas em assistir a tal jogada, com o cronômetro já zerado, para ver o que vai acontecer após a bola oval lançada pelo quarterback Aaron Rodgers chegar ao alcance de algum jogador, companheiro de equipe ou adversário.

Ficar acordado até tarde para assistir ao futebol americano está sendo cada vez mais comum na vida de muitos brasileiros. O esporte já é transmitido há anos em nosso país, e a cada temporada da NFL, cresce ainda mais a audiência desta liga. Mas agora a dúvida, o que tem de tão especial esse esporte tão cheio de regras e termos ouvidos somente nesta modalidade? São vários fatores, mas vou citar dois deles em especial.
Passe decisivo de Aaron Rodgers foi de 61 jardas

Um deles é a imprevisibilidade. O jogo consiste em quatro períodos de 15 minutos, mas por conta das constantes paradas no relógio, cada partida dura em média três horas (isso sem contar quando vai para a prorrogação). Além disso, o cenário de cada duelo pode mudar a qualquer momento. Voltando ao jogo descrito acima, o Green Bay Packers teve nesta quinta-feira (3) uma péssima atuação nos dois primeiros quartos. Chegou a estar perdendo por 20 a 0 para o Detroit Lions, que também é um de seus maiores rivais. No terceiro período, o time liderado pelo quarterback Aaron Rodgers reagiu, garantindo três touchdowns em uma sequência de jogadas incomuns. Quando restavam poucos segundos para o final, o Lions ainda vencia, por 23 a 21, mas a bola era do Packers. O relógio zerou, porém uma falta do time de Detroit  rendeu uma última chance a equipe de Green Bay. Foi então que Aaron Rodgers lançou uma hail mary (passe muito alto, sendo a última tentativa de garantir o touchdown da vitória) para Richard Rodgers receber a bola dentro da endzone, garantindo a virada do Green Bay Packers por 27 a 23. É algo que raramente dá certo, e felizmente aconteceu, para trazer uma imensa alegria aos bravos guerreiros que assistiam ao jogo no auge da madrugada.

O caso do último Thursday Night Football é apenas um deles. Na última segunda-feira (30/11), o Cleveland Browns tinha um field goal para chutar na última jogada, para vencer o Baltimore Ravens, mas o kicker do time Travis Coons teve o chute bloqueado, e a bola acabou indo nas mãos de Will Hill III, que teve campo livre para correr para o touchdown que deu a vitória ao time de Baltimore. Estes dois jogos específicos foram apenas em um intervalo de quatro dias, isso sem contar outros duelos também emocionantes no decorrer desta atual temporada.

O outro fator de sucesso da NFL no Brasil é a capacidade das emissoras de nosso país em trazer uma transmissão leve e descontraída, mas ao mesmo tempo informativa. A ESPN e o Esporte Interativo exibem a liga de maneira impecável, aliando informação, emoção e humor, de acordo com cada momento da partida, além da interatividade que os canais possibilitam aos espectadores, que podem enviar mensagens aos narradores e comentaristas via Twitter. As transmissões nacionais da NFL, inclusive, já são bem destacadas no próprio site da liga, mostrando as emoções dos nossos narradores sempre que alguma jogada incrível acontece. Além disso, a cada dia cresce a cobertura nacional para a NFL. Já existem diversos sites e blogs especializados no esporte, além de programas de rádio, podcasts e colunas em importantes veículos.
Transmissões nacionais garantem espaço também no site da NFL

A temporada 2015 continua. Estamos apenas na semana 13 da temporada regular (de um total de 17, fora os playoffs em janeiro, e o Super Bowl em fevereiro), e ainda dá tempo de conferir a National Football League. É verdade que alguns jogos começam bem tarde, mas se o problema for o sono perdido, no domingo são realizadas várias partidas em horários mais acessíveis. Vale a pena dar uma conferida na liga, principalmente agora em que temporada do futebol "normal" está acabando. Quando você descobrir como é fantástica a NFL, até vai esquecer um pouco dos clichês que só são ditos por quem não gosta ou despreza a competição, como o "a liga onde joga o marido da..." ou "é a liga que tem aquele show na decisão". Ela vai muito além disso. Deem uma chance para a NFL!

Abaixo, uma sequência de links com narrações brasileiras de jogadas fantásticas da NFL 

Hail mary do Aaron Rodgers e touchdown da vitória do Green Bay Packers. Reprodução do lance pela ESPN e Esporte Interativo.

Recepção milagrosa de Odell Beckham Jr para o touchdown do New York Giants. Reprodução do Esporte Interativo.

"Me engravida Odell!" Narrador Rômulo Mendonça, da ESPN, comemorando outro touchdown mítico de Odell Beckham Jr.

Bloqueio de field goal para touchdown da vitória do Baltimore Ravens. Reprodução da ESPN.

E como torcedor do New England Patriots, não poderia faltar a brilhante narração do Everaldo Marques, da ESPN, na jogada do título do Super Bowl XLIX, em fevereiro de 2015.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Como foi o primeiro ano pós-7 a 1

Goleada alemã sobre o Brasil fez até o GC da FIFA criar uma barra de rolagem

Müller, Klose, Kroos, Kroos de novo, Khedira, Shürrle e novamente Shürrle. Esta sequência de nomes ainda persiste na memória de muita gente, ainda mais neste dia 8 de julho, data em que completa um ano do maior vexame da história da Seleção Brasileira, na derrota por 7 a 1 para a Alemanha, em plena semifinal da Copa do Mundo, jogando em casa. Os jogadores alemães que marcaram naquele dia não possuem nenhuma culpa no que aconteceu naquela tarde no Mineirão, mas aqueles sete gols mostraram que o futebol brasileiro não estava bem, apresentando a má qualidade da Seleção da pior maneira possível.

De todas as derrotas que aconteceram com a Seleção Brasileira, nenhuma delas ficou tanto na minha memória quanto esta para a Alemanha, que volta e meia surge em meus pensamentos. Até hoje, rever aquele jogo e aquela sequência de gols é inacreditável. Ao vivo, a partida foi de pleno terror, onde nenhum torcedor poderia fazer nada a não ser torcer para que os alemães fossem bonzinhos e parassem de marcar. Se bem que até dá para dizer que os adversários foram legais, pois no segundo tempo (com o duelo já em 5 a 0 para a Alemanha), o time que venceria a Copa do Mundo dias depois marcou apenas mais duas vezes, e ainda levou o gol de honra do Oscar. Se eles quisessem, poderiam ter aplicado uma goleada ainda maior que os 10 a 1 da Hungria em El Salvador em 82, placar este que é o recorde da maior goleada em Copas do Mundo.

O 7 a 1 ainda está vivo na memória de muita gente. Os alemães pararam de marcar contra a nossa defesa, mas o futebol brasileiro nada melhorou após aquela semifinal da Copa. Como dito em outros posts recentes neste blog, a Seleção pouco evoluiu. Com Dunga no comando, o Brasil venceu todos os amistosos até aqui. Mas na primeira competição após a Copa do Mundo, a Copa América, a Seleção apresentou um futebol de baixa qualidade, sem brilho, e foi eliminada nas quartas de final nos pênaltis para o Paraguai. A Seleção foi ao Chile com um time tão ruim, ou ainda pior, que o que jogou a última Copa do Mundo.

E o que a CBF fez depois deste vexame? Praticamente nada. A Seleção mudou seu técnico e alguns de seus jogadores, mas segue sem brilho e sem esperanças. E pior, a entidade segue com sua reputação comprometida. O ex-presidente José Maria Marin, inclusive, está preso, acusado de estar envolvido no escândalo da FIFA. Ricardo Teixeira, também ex-presidente e o atual, Marco Polo Del Nero, também estão sob investigação neste esquema.

Pouco se faz também para o futebol como um todo. Após a Copa, falava-se em um melhor desenvolvimento das equipes de base do Brasil, mas ficou só da boca para fora. É verdade que a Seleção Brasileira sub-20 foi vice-campeã mundial há pouco tempo, mas foi apenas um pequeno passo, considerando também o fato de que o time trocou de técnico já em preparação para a Copa do Mundo da categoria.

A goleada sofrida para a Alemanha sempre é lembrada também quando temos de assistir aos quase sempre terríveis jogos do Campeonato Brasileiro. São raras as oportunidades em que os estádios estão lotados ou quando acontece um jogo emocionante e equilibrado. Além disso, a arbitragem faz de tudo para estragar grande parte dos jogos, atuando na maioria das vezes de forma imparcial, ou seja, prejudicando mandante e visitante com erros grotescos em diversas partidas.


Após 365 dias da histórica goleada, pouca coisa mudou para evitar que a Seleção Brasileira caia em desgraça. Não só o time do Dunga, mas também o futebol brasileiro precisa ter uma reestruturação melhor. A marca dos 7 a 1 jamais será apagada, mas não se pode deixar as coisas como está. Se continuar assim, o futebol brasileiro seguirá como piada mundial, e correrá o risco de passar por vexames tão terríveis quanto a derrota para os alemães.

sábado, 4 de julho de 2015

Passado, presente e futuro unidos: a conquista chilena da Copa América



De todos os estádios de futebol do mundo, talvez nenhum deles conta com histórias tão emblemáticas quanto o Estádio Nacional de Santiago, na capital do Chile. Inaugurado em 1938, o principal estádio chileno foi, inclusive, sede da final da Copa do Mundo de 1962, quando o Brasil se tornou bicampeão mundial, derrotando a Tchecoslováquia. Mas este local também teve um de seus momentos mais terríveis na ditadura de Augusto Pinochet, iniciada em 1973. O Estádio Nacional se tornou uma grande prisão assim que foi iniciado o golpe, onde milhares de chilenos foram presos, torturados e mortos no local, por apenas serem contrários a um dos piores regimes militares vividos na América do Sul, e que durou até 1989.

Parte do Estádio Nacional que resgata as memórias da ditadura de Pinochet

Passados 42 anos do início daquela ditadura, o mesmo Estádio Nacional vivenciou a maior glória da história do futebol chileno. O primeiro título da Copa América conquistado pelo Chile pode ser considerado uma libertação do palco da decisão contra a Argentina. Estádio este que foi palco de horror para milhares de pessoas, e que hoje presenciou um momento mágico da melhor seleção chilena de todos os tempos.

O time treinado por Jorge Sampaoli foi quem apresentou o melhor futebol em toda esta edição da Copa América. A equipe fez todos os seus jogos apresentando uma boa qualidade tática, com um poder de ataque perigosíssimo que atormentou as defesas de todas as equipes que enfrentou. Além disso, os jogadores eram muito unidos, em que cada atleta conseguiu ser uma peça importante na ajuda desta conquista histórica.


Nesta decisão, contra a Argentina, o Chile também apresentou melhor futebol. No papel, os argentinos eram melhores, liderados por jogadores como Messi, Mascherano, Agüero e Di Maria. Só que no tempo normal e na prorrogação, o time de Vidal, Alexis Sanchez, Valdívia, Aránguiz e Vargas jogou melhor, podendo ter decidido o jogo em diversas oportunidades, que acabaram com a bola não entrando no gol de Romero. Foi necessário passar pelo drama da decisão por pênaltis para que os chilenos comemorassem o tão esperado título. Messi foi o único que acertou para os argentinos. Higuaín isolou e o goleiro Bravo defendeu o pênalti de Banega. Pelo Chile, Matías Fernandez, Vidal, Aránguiz e Alexis Sanchez marcaram em suas cobranças, garantindo assim o título do continente.

Poderia ser apenas mais uma decisão qualquer, se esta não viesse recheada de tanta história. A conquista da Copa América demonstra um novo marco para o Chile, premiando uma equipe que jogou muito bem na última Copa do Mundo, mesmo sendo eliminada tão precocemente, caindo nas oitavas de final. O Estádio Nacional de Santiago, que já sofreu tantas dores e tanta tristeza, presenciou o momento mais feliz de todo o futebol chileno. O local onde se faz questão de lembrar que "um povo sem memória é um povo sem futuro", agora apresenta um novo capítulo em sua história, o capítulo que encerrou com a merecida primeira conquista da história da seleção do Chile.

sábado, 27 de junho de 2015

7 a 1 não foi pouco: foi o começo



É setembro de 2017. O Brasil vai ir até La Paz enfrentar a Bolívia e a altitude. A situação é complicada, pois ganhar dos bolivianos fora de casa sempre é uma tarefa difícil. A Seleção precisa vencer para seguir com chances de disputar a Copa do Mundo de 2018. Um empate ou uma derrota custaria uma inédita desclassificação brasileira da maior competição de futebol do mundo, antes mesmo dela começar.

Este início de texto foi mera ficção, mas pode virar realidade. A derrota de hoje, nos pênaltis, para o Paraguai, evidencia que a goleada sofrida pela Alemanha por 7 a 1 na última Copa foi apenas o começo de uma fase nebulosa que vive o futebol brasileiro atual, e apresenta o que pode acontecer nos próximos anos. A frase "7 a 1 foi pouco", tão dita por milhões de pessoas após aquela derrota no Mineirão, demonstra que o Brasil não aprendeu nada após o maior vexame de sua história no futebol, e que nada foi feito para melhorar tal situação.

Dunga assumiu o time no lugar de Felipão. Seu retrospecto inicial foi perfeito. Dez vitórias em dez amistosos, vencendo inclusive duas seleções campeãs do mundo, como Argentina e França. Só que nestes jogos, já era possível identificar que algo não estava bem. O Brasil vencia mas não encantava, jogando um futebol pragmático, arriscando sempre na jogada aérea, e com a Seleção sempre dependendo do Neymar para conseguir criar alguma coisa.

Então veio a Copa América, o primeiro grande teste do time de Dunga. A impressão que deu foi que o time que jogou no Chile fosse tão ruim ou pior do que a Seleção da Copa de 2014. Jogadores da China, do futebol árabe e da Ucrânia serviram como base para a equipe titular, algo terrível para quem viveu a época em que a base do Brasil era a do Milan campeão europeu de 2003, ou da Inter campeã da Europa em 2010. Nos dois primeiros jogos, contra Peru e Colômbia, a "Neymardependência"ficou ainda mais evidente. Contra os peruanos, a Seleção só venceu por 2 a 1 graças a um gol de Neymar, e um passe do camisa 10 para Douglas Costa concluir, isso já no final do jogo. Na derrota para a Colômbia (a primeira pós-Copa do Mundo), Neymar foi muito bem marcado, mas perdeu a cabeça ao criar uma confusão ao final da partida, foi expulso e suspenso do restante da competição.

A situação ficou crítica. Contra a Venezuela, o Brasil quase sofreu o empate após começar ganhando de 2 a 0, lembrando que os venezuelanos já chegaram a perder por 7 a 0 para a Seleção em outras épocas. A eliminação para o Paraguai foi o ápice para culminar a depressiva campanha brasileira na Copa América, com derrota nos pênaltis para uma equipe que sequer jogou a última Copa do Mundo, ficando em último nas Eliminatórias.

O problema maior é que o Brasil passou por mais um vexame e na entrevista coletiva, Dunga ainda culpou uma virose de alguns jogadores para o mal desempenho da Seleção, não assumindo a culpa de que o time jogou mal. Vexames históricos do Brasil são sempre explicados por motivos que não envolvem a partida, como que se fosse um crime admitir que a Seleção jogou mal e mereceu ser eliminada. É a água batizada, é a convulsão de Ronaldo, é o Roberto Carlos ajeitando a meia, é o Felipe Melo sendo violento, é o Thiago Silva chorando, é a virose, entre outras desculpas. A culpa sempre é destinada a um episódio ou a um jogador, como uma tentativa de não atestar incompetência do técnico e do time pelos maus resultados.

E não, não estou isentando de culpa os dirigentes da CBF. O futebol brasileiro está como está graças a eles. Teixeira, Marin, Del Nero e tantos outros se dedicaram nos últimos anos a receber propina de países candidatos a sediar outras Copas do Mundo, e na realização de amistosos da Seleção longe de casa. Enquanto isso o futebol em nosso país segue terrível, com uma Seleção de raros bons talentos, sem tática e sem qualidade coletiva. Dentro de casa, nossos campeonatos definham em jogos ruins, de baixo público, e com arbitragem irregular em quase todas as partidas.

Espero profundamente que o futebol do Brasil não fique como está, muito menos que piore. A Seleção precisa reconhecer que não é mais a melhor do mundo, para que jogue com humildade e saiba fazer melhor o jogo coletivo. É necessário que técnicos, jogadores e demais profissionais que se dedicam ao futebol, que façam uma reciclagem e comecem a estudar melhor o jogo, para que, não somente a Seleção Brasileira, mas que o futebol brasileiro como um todo possa vir a ter dias melhores. E, principalmente, que a CBF, que manda na Seleção e nos nossos campeonatos, seja menos corrupta, e passe a trabalhar para um desenvolvimento melhor do esporte em nosso país. O 7 a 1 precisa ser tratado como uma lição para dar a volta por cima, e não ser o começo para que tragédias maiores ocorram com o Brasil.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Copa 2014: um ano do melhor mês de todos



O dia 12 de junho de 2014 foi histórico. Foi nesta data que começou a Copa do Mundo realizada no Brasil. Hoje, lembro com muita nostalgia sobre o quão incrível e intensa foi a maior competição do futebol mundial em nosso país. Foi um mês inteiro de jogos mágicos, gols incríveis, estádios lotados, e de façanhas inimagináveis ocorridas em nossas terras, sem contar também com a grande invasão de turistas de todas as partes do mundo.


A Copa começou com a estreia da Seleção Brasileira, que era favorita ao título. Um jogo tenso contra a Croácia, em que o Brasil começou perdendo com um gol contra, mas virou, e venceu por 3 a 1, em jogo comandado por Neymar, que marcou dois gols. Aquela partida em São Paulo já mostrava que a Copa do Mundo tinha tudo para ser incrível, e foi mesmo.


Nos dias que sucederam a abertura, vimos a então atual campeã Espanha cair ainda na primeira fase, e no "Grupo da Morte",  a Costa Rica foi quem matou as poderosas seleções de Inglaterra e Itália, se classificando em primeiro e deixando o Uruguai em segundo. O Brasil também viu uma imensa invasão de estrangeiros, principalmente os sul-americanos do Chile, do Uruguai e da Argentina, que vinham das mais variadas formas para o nosso país, mesmo que estivessem sem o ingresso para os jogos. Países como Holanda, França, Colômbia e Alemanha também tiveram destaque, apresentando um futebol de grande qualidade.


Houve também duelos sensacionais, com situações inimagináveis. Antes do torneio, parecia impossível crer que a semifinal entre Argentina e Holanda seria um jogo pior que uma partida da fase de grupos como Argélia e Coreia do Sul, a qual muita gente que não foi ao estádio desdenhou do duelo antes dele acontecer. Foram muitos jogos de grande qualidade, então é impossível descrever qual deles foi o melhor. 


E tivemos gols, e quantos gols. Foram 171 no total, se igualando à Copa de 1998 com o maior número de gols em uma mesma edição. Vimos o voo do holandês Van Persie contra a Espanha, a pintura do colombiano James Rodríguez contra o Uruguai, Messi fazendo gols no seu estilo e decidindo para a Argentina, e Cahill marcando um golaço contra a Holanda no Beira-Rio, gol este que tive a sorte de assistir de dentro do estádio. São só alguns exemplos de golaços ocorridos em nossos estádios na competição.


Teve a mordida do Suárez em Chiellini, os jogadores de Gana recebendo seu pagamento em dinheiro vindo de avião do país africano, e Cristiano Ronaldo decepcionando na competição, mesmo sendo escolhido o melhor jogador do mundo pela FIFA no ano anterior. Aconteceu também o primeiro gol com a ajuda da tecnologia, em França e Honduras. E também houveram situações improváveis, como a ousada ideia do técnico holandês Louis Van Gaal, ao trocar o goleiro Cillessen por Krul no último minuto da prorrogação contra a Costa Rica, fazendo o goleiro reserva se consagrar na decisão por pênaltis. Entre as lesões, Falcão García e Ribéry se ausentaram da Copa, e Neymar fraturou a vértebra ao ser atingido por Zuñiga, da Colômbia, em um momento de pleno drama para todos os brasileiros.


Houve também o 7 a 1. Um ano depois daquela derrota, ainda é duro aceitar que o Brasil tomou aquela surra da Alemanha em uma semifinal, jogando em casa. Um resultado que até hoje é sentido por milhões de brasileiros. Ainda é triste lembrar daqueles gols, mas a ferida está sendo estancada. Aos poucos, isso vai passar. Pelo menos a Seleção apresentou leve melhora agora, com Dunga como treinador, vencendo todos os 10 amistosos após a Copa do Mundo, apesar de não estar conquistando o público brasileiro, mesmo nos recentes jogos em casa contra México e Honduras.

Não somente pela goleada na semifinal, a Alemanha foi a grande merecedora do título. Jogaram bem a Copa inteira, com um elenco de qualidade, ganhando no campo e no carisma, com atletas como Schweinsteiger e Podolski tirando fotos com camisas de clubes brasileiros e conquistando a todos nós pelo Twitter e Instagram. A final contra a Argentina foi justa, e o tetracampeonato mais do que merecido. 

Hoje, um ano depois do início, o futebol brasileiro não compensa a qualidade vista na Copa. Grande parte dos jogos são ruins, muitos estádios do Mundial vivem com público baixo, muito por conta dos ingressos caros, sem contar que algumas das arenas estão sem uso para o futebol, como em Brasília e Manaus. Além disso, tem toda a corrupção no esporte, escancarada com o recente escândalo da FIFA, que prendeu dirigentes como o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, e que fez até Joseph Blatter anunciar que deixará o cargo de presidente da FIFA, três dias após vencer as eleições. É um período difícil na organização do esporte, e espero que encerre com a condenação dos culpados, com uma gestão melhor do futebol no futuro.

É triste saber que não estamos mais convivendo atualmente com a Copa do Mundo no Brasil. Fica a sensação nostálgica de que foi a melhor Copa de todos os tempos, evento que vivi com intensidade plena, curtindo todos os jogos, todos os lances, do início ao fim. E até depois do fim ainda consegui curtir, já que o meu Trabalho de Conclusão de Curso da faculdade (o TCC) foi sobre esta edição do Mundial. A Copa do Mundo deixa saudades até hoje, mas estará eternamente nos corações de milhões de pessoas.

Abaixo, o melhor vídeo para reviver a Copa de 2014.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Mata-mata ou pontos corridos: uma análise sobre o formato ideal do Brasileirão

Em um período onde pouca coisa além das negociações de jogadores é notícia, surge nesta  primeira segunda-feira de 2015 a informação de que o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, está articulando com demais clubes para a possível volta do sistema de mata-mata ao Campeonato Brasileiro. A justificativa seria para deixar o campeonato mais atrativo. Atualmente, o Brasileirão é disputado no sistema de pontos corridos, em que todos os times se enfrentam em dois turnos. O possível retorno de um mata-mata no Brasileiro é uma tática que pode ser boa, e que eu apoio, dependendo da forma como for aplicada.

Desde o início do Brasileirão, em 1959, o mata-mata imperou nas fases decisivas. Até 2002, o campeonato contava com uma fase final. Nos anos 70, a competição chegou a ter 94 clubes, em 1979, como uma forma de tentar aproximar os times de todos os estados brasileiros em um único torneio.

Nos anos 90, quando já conseguia acompanhar o Brasileirão, lembro do sistema que foi mais utilizado na época. Os times se enfrentavam em turno único, geralmente entre julho e novembro, (com finais em dezembro) e os oito melhores avançavam para a fase de mata-mata, até decidir um campeão. Os regulamentos eram diferentes a cada ano, devidas as constantes mudanças de número de equipes participantes, algumas delas proporcionadas pelas famosas viradas de mesa, onde algum time grande se beneficiava para não ser rebaixado, ou ser milagrosamente promovido da Série C para a Série A, como foi com o Fluminense, de 1999 para 2000. Em 2000, inclusive, ocorreu um dos campeonatos mais bizarros da história, onde o vice-campeão da segunda divisão, o São Caetano, tinha direito a jogar as oitavas de final da primeira divisão do mesmo ano, e ainda terminou o campeonato como vice-campeão brasileiro, perdendo para o Vasco.

Como dito acima, o último ano em que o mata-mata foi instituído no Brasileirão foi em 2002, quando o Santos foi campeão, após ter ficado em oitavo lugar no turno único. Um encerramento melancólico de um formato que marcou época.

A partir de 2003, o Brasileirão passou a ser de pontos corridos. Nos seus dois primeiros anos, foi com 24 equipes na primeira divisão. Em 2005, o número diminuiu para 22, e em 2006, para 20 clubes, mantendo seu formato até hoje. Se por um lado o Brasileirão passou a ter um regulamento sólido nestas doze edições realizadas até então, por outro, ficou visível a diferença na qualidade técnica entre grandes e pequenas equipes. Desde que o sistema de pontos corridos foi instituído, seis times se tornaram campeões brasileiros, sendo apenas um deles, o Cruzeiro, que não é do Rio de Janeiro ou de São Paulo. Na era do mata-mata, era possível que mais times alcançassem a condição de campeões nacionais. Entre 1959 e 2002, foram 17 clubes que conquistaram o título (incluindo os seis campeões dos pontos corridos), sendo oito de fora do eixo Rio-São Paulo, como os representantes de Minas Gerais, e clubes das regiões Sul e Nordeste.

O formato atual é consolidado, mas preferia um Brasileirão mais empolgante em seus instantes finais. Seria melhor ver mais times com chances de título, evitando a possibilidade de o time campeão erguer o troféu em um salão fechado, com os jogadores vestindo terno e gravata, como já ocorreu desde que os pontos corridos passaram a chegar no Campeonato Brasileiro. Além disso, a liga corre o risco de ter sempre os mesmos times campeões, como é nos principais campeonatos da Europa. Outro fator que preocupa é a polarização entre os clubes participantes. Neste ano, somente duas equipes não são das regiões Sul e Sudeste do Brasil, sendo um clube do Centro Oeste, e um do Nordeste.

Mas os mata-matas no formato de antigamente, em pleno 2015, não seriam uma forma atraente. Um formato interessante que poderia ser copiado está justamente de um dos países onde o futebol mais cresce: nos Estados Unidos. Lá, a Major League Soccer (MLS), é realizada com times de duas conferências, em que os melhores da primeira fase em cada grupo vão para os mata-matas para decidir o campeão da temporada. O sistema de fase de grupos e mata-mata também é consolidado por lá nas quatro principais ligas do país (NFL, MLB, NBA e NHL).

Como minha sugestão de campeonato, ficaria o seguinte: os 20 representantes da Série A poderiam ser divididos em dois grupos com dez equipes, em chaves devidamente equilibradas, de acordo com o histórico de participações na primeira divisão. Poderia haver uma primeira fase com 28 jogos, sendo duas vezes contra cada adversário do grupo, e uma vez contra os times do outro grupo. Os quatro melhores de cada chave disputariam mata-matas até a decisão, com os piores times desta fase sendo rebaixados para a Série B. Seria uma forma que manteria um calendário equilibrado, e que poderia dar certo, podendo trazer força ao nosso principal campeonato.

Ainda é incerto se os clubes brasileiros conseguirão pressionar a CBF para haver alterações no Campeonato Brasileiro, mas as articulações já estão começando. Espero que a volta dos mata-matas, se acontecer, possa fortalecer o futebol do nosso país, que vive uma fase complicada há algum tempo. Caso tudo se mantenha como está, o que restará a nós, torcedores, é acostumarmos a ver a maioria dos times brigando por vagas, ou para não cair, e ver apenas dois ou três com chances reais de título.