segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A ressaca da insônia é ainda pior

Se tem um dos momentos na vida em que mais pensamos nos nossos problemas é naquela hora que buscamos a cama mais próxima para dormir e descansar. Porém, se nós estamos passando por alguma dificuldade nesta vida, não tem sono que nos livre de pensar nestes empecilhos, nos deixando com uma insônia horrorosa, e que estraga todo o nosso dia seguinte.

Contas, namoradas, empregos, aulas, reuniões, festas, não importa. Todo esse montante de coisas vem à sua cabeça no momento em que você não quer que elas cheguem. Por mais que você evite pensar nisso, por mais que contemos carneirinhos ou por mais que comecemos a nos distrair com outras coisas para tentar dormir, o mal da insônia vem de uma forma sanguinária, para te torturar e evitar que você tenha àquelas horas prazerosas do sono.

Para falar a verdade, é cruel demais você ter um pensamento maçante lhe fazer perder excelentes horas de sono, sem poder ter uma noite tranquila e um dia feliz. Uma tortura dolorosa, pois os minutos não passam. E, quando passam, já está na hora de acordarmos para retornar a rotina diária da vida. Nessas horas, nem apelar para todas as divindades espirituais possíveis ajuda. Se a insônia chegou, só à base de remédios é que poderemos tentar dormir pelo restante da noite, e ter aquele descanso fake que ainda pode viciar a pessoa a tomar mais e mais remédios.

Aí chega o outro dia. Temos que viver a vida naquela manhã sem graça após uma noite mal dormida devida as nossas preocupações. A sensação é de que acordamos de ressaca, mesmo sem ter tomado um gole de uma bebida alcoólica. Acabamos vivendo um dia duro, após ter tomado um porre de infelicidade, invertendo o enredo da escola de samba União da Ilha de 1989. Precisamos trabalhar, estudar, e nada rende do jeito que a gente quer. Por mais perfeitos que tentamos ser, acabamos sempre deixando de lado alguma coisa até começarmos a lamentar dos problemas das nossas vidas. Estar de ressaca nunca é bom, mas conviver com a ressaca de uma noite mal dormida é ainda pior. Se estamos de ressaca por beber demais, significa que a noite anterior foi relativamente boa, de alguma forma. Agora, se a nossa ressaca vem de uma noite mal dormida, significa que estamos tristes com alguma coisa que está nos afligindo.

O que resta aos amigos que sofrem da insônia é de, ao menos, tentar resolver os seus problemas da melhor maneira possível – ou da maneira mais próxima possível. Precisamos fazer coisas diferentes. Realizar aventuras novas e conhecer lugares que nem todo mundo conhece – e se o dinheiro é o problema, há programas legais que podem ser feitos sem nenhum custo. Se conseguirmos mudar a nossa rotina, se começarmos a viver mais intensamente, não haverá conta, namorada ou trabalho que faça com que a gente não durma.

*Esta foi uma crônica escrita para a aula de Jornalismo Interpretativo e Opinativo. Como eu gostei do texto, decidi compartilhar por aqui.

domingo, 15 de setembro de 2013

A importância das tecnologias para o compartilhamento de informações

A era da transmissão de informações surgiu a cerca de 600 anos. Analisando a história da imprensa, conseguimos compreender que a transmissão de uma notícia só foi aperfeiçoada graças às tecnologias implantadas ao passar dos séculos. O intercâmbio de informações é determinante para que mais pessoas possam tomar conhecimento dos assuntos importantes no mundo, de uma forma ágil e rápida.

No início da era da informação, um simples fato precisaria de dias para ser noticiado dentro de uma única região. Desta forma, era bastante complicado que o mundo inteiro tomasse conhecimento sobre um grande fato. Graças a implementação das tecnologias de comunicação, foi possível amplificar a forma para a transmissão de um fato inédito. A evolução destes artefatos tecnológicos proporcionou que, com o passar dos anos, mais pessoas conseguissem ter acesso à informação.

Hoje, com a internet e as redes sociais, um fato pode ter o conhecimento de todo o mundo em questão de segundos. Isso demonstra que o mundo está cada vez mais conectado, provando que todas as tecnologias existentes foram fundamentais para o sucesso da transmissão das informações. Além disso, proporciona hoje em dia uma interação social mais interessante, em que podemos compartilhar e comentar tudo o que acontece de importante no planeta. Não sabemos ainda o que a tecnologia proporcionará às pessoas, mas o certo é que o mundo continuará cada vez mais conectado.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O remédio para a saúde no Brasil acabou de chegar

*Este é um artigo que escrevi para a minha aula de Jornalismo Interpretativo e Opinativo. Como recebi elogios da professora, resolvi reproduzi-lo por aqui. Confiram a íntegra abaixo.

Uma das maiores polêmicas de 2013 está na decisão do Governo Federal de contratar médicos estrangeiros ou brasileiros formados no exterior para trabalharem na rede pública de saúde do Brasil. O Programa Mais Médicos chegou para que haja uma aceleração na espera do atendimento de pacientes nos hospitais públicos do interior ou da periferia das grandes cidades, amenizando a precariedade que é o serviço aberto à população brasileira. É uma solução valiosa para resolver o grave problema das enormes filas do nosso Sistema Único de Saúde (SUS).

Acho correta esta decisão do Governo Federal, pois é doloroso assistir às reportagens da TV que mostram filas enormes de pacientes esperando por atendimento nos hospitais públicos brasileiros, que muitas vezes acabam morrendo a espera de um diagnóstico. Além disso, estamos com uma baixa demanda de médicos brasileiros que desejam trabalhar no SUS. O Mais Médicos surge como uma boa solução para uma parcela de todo o grande problema da saúde no Brasil, e parece que com o programa, parte do caos dos hospitais públicos deve ser resolvida.

É verdade que, a cada ano, uma grande parcela de novos médicos acaba surgindo, estes oriundos dos cursos de medicina nas universidades. Na prática, os médicos que se formam poderiam sim trabalhar no SUS e supriria a demanda de profissionais nos hospitais públicos. Essa atitude poderia evitar a contratação de estrangeiros. Porém, nas últimas décadas, é possível notar que a profissão de médico no Brasil está cada vez mais elitizada. Os formados em medicina no país vêm de famílias com grande poder aquisitivo. A maioria deles só quer exercer a profissão nos ambientes cômodos dos hospitais ou nas clínicas particulares, não pensando em ajudar a população das periferias das capitais ou das cidades do interior. Isso que o Programa Mais Médicos oferece a remuneração mensal de 10 mil reais, catorze vezes mais alta que o valor do atual salário mínimo brasileiro.

Os representantes de sindicatos médicos e conselhos de medicina também argumentam contra o Programa Mais Médicos pelo fato dos profissionais que estão chegando ao Brasil não falarem o português. Mas a mãe de família que está levando o seu filho doente para ser atendido no hospital público não está pensando se o médico que está atendendo a criança fala português, francês, espanhol ou o inglês. Ela apenas quer que o seu filho seja atendido de forma digna, como está previsto na nossa constituição, em que diz que todo cidadão brasileiro merece receber um atendimento médico de qualidade.

Há muito o que melhorar na saúde do Brasil, que está pedindo socorro, onde os médicos brasileiros, em sua maioria, insistem em não trabalhar nos hospitais públicos. Vejo que o Governo Federal tomou uma ótima decisão com a criação do Programa Mais Médicos. Serão estes profissionais, estrangeiros ou brasileiros formados no exterior, que poderão amenizar o grave problema da saúde no nosso país.

terça-feira, 30 de julho de 2013

O pior Gre-Nal de todos os tempos

Uma imagem dessas em um Gre-Nal pode nunca mais acontecer
(foto: Gabriel Uchida/ FotoTorcida)
Quando o árbitro do Gre-Nal 397 der o apito final de jogo, no próximo domingo (3), terminará o pior Gre-Nal de todos os tempos. Não importa quem vencer no placar, todos nós já perdemos nesse jogo. O maior clássico do país, o segundo maior da América do Sul e um dos maiores do mundo, está condenado a ter somente a torcida do Grêmio nas arquibancadas e cadeiras da Arena, o novo estádio gremista. Isso tudo ocorreu por conta de uma decisão inaceitável da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, que busca facilitar o policiamento e a segurança no clássico. Esse é o argumento que a polícia anda falando por aí. Mas na verdade, são outros motivos que culminaram com esta decisão da BM.

O problema é o seguinte. Até o último Gre-Nal em Porto Alegre (no final do ano passado, no Olímpico), o deslocamento da torcida visitante até a casa do time rival era feito a pé. Do Beira-Rio ao Olímpico e vice-versa. A Brigada Militar fazia a escolta no caminho de um quilômetro e meio e tudo estava tranquilo. Tínhamos um Gre-Nal maravilhoso com as duas torcidas.

Neste ano, tudo mudou drasticamente. O Grêmio joga agora na Arena, distante a 12 quilômetros do Estádio Beira Rio que está em obras para a Copa do Mundo de 2014, mas que continua funcionando para o Internacional como sede, porém, sem receber jogos. Caso a torcida colorada pudesse prestigiar o seu time no clássico, até seis mil torcedores vestidos de vermelho poderiam apoiar o Inter na casa do maior rival. Ou seja, o número de torcedores visitantes é bem alto, mas o problema maior está na distância. A Brigada Militar não quer se comprometer de fazer uma escolta de 12 quilômetros aos torcedores do Inter, sendo este um dos argumentos da polícia para barrar os torcedores rivais.

O outro item que culminou com esta surra que o futebol gaúcho levou nesta terça-feira é a velha questão da BM de implicar com a violência da torcida. É verdade que nos últimos meses tivemos algumas brigas na torcida do Grêmio, mas não justifica o fato de retirar a torcida visitante do clássico. Se a Brigada Militar está para, na teoria, evitar a violência entre as torcidas, que faça uma proteção decente para que nada de errado aconteça. Em vez disso, quem incitou a violência nos estádios - em especial no último caso - foi a própria Brigada Militar, quando um torcedor do Grêmio foi preso e agredido de forma covarde no último domingo, apenas porque amarrou a bandeira do Rio Grande do Sul numa muleta, a usando como mastro. Talvez para que fosse abafado este caso que a polícia daqui tenha tomado esta drástica decisão.

Não vejo outra hipótese além destas duas que citei anteriormente para que o Gre-Nal seja destruído desta forma pela Brigada Militar. Que torcedores, dirigentes, e os presidentes dos dois clubes tomem as devidas atitudes para que evitem que o maior clássico do país seja manchado a ter uma única torcida. Até os governantes precisam tomar uma iniciativa, pois é o governo do Estado quem manda na Brigada. Não podemos nos contentar que uma entidade mate o nosso clássico. É melhor evitar o pior o quanto antes, pois se não, em breve teremos Gre-Nais sem torcida, ou ainda pior, disputados em cidades de estados em que ninguém torce para Grêmio e Internacional. Que vença a paixão entre as duas torcidas, e não o autoritarismo da Brigada.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

A façanha de um novo campeão

O título, enfim, saiu
(foto: AFP)
Se o Atlético Mineiro fosse uma pessoa, ele poderia ser aquele cara adulto que ainda fosse virgem. Mas, desengonçado e inexperiente, ele foi chegando como quem não quer nada até aquela linda mulher, almejada por todos. Ele sofreu demais para conquistar este mulherão até que, enfim, ela aceitou ser tomada em seus braços, e fazer esse homem se livrar do rótulo de ser um virgem de 40 anos. E agora que a conquistou, fará de tudo para não perder esta linda moça.

Voltando à vida real, o Atlético foi como o rapaz daí de cima. Demorou mais de quatro décadas para conquistar um título expressivo. Quando a chance finalmente surgiu, viria de uma forma dramática, com o risco de mais uma derrota chegar e de ter que esperar mais um tempo para o troféu ser erguido. Para complicar, essa chance foi na Copa Libertadores, a maior das competições continentais. O Galo, um pequeno entre os participantes, se agigantou e a conquistou para espantar de vez o azar que assolava a vida do clube por quatro gerações.

O time de jogadores como Victor, Alecsandro, Richarlyson, Jô e Ronaldinho começou a ser campeão ainda em 2012, quando estes atletas chegaram ao clube, todos vindos de experiências nada agradáveis nos clubes por onde passaram. Cuca, o treinador do Atlético, que também era considerado um fracassado no mercado, deu um jeito no clube que fez um ótimo Campeonato Brasileiro, mas acabou perdendo o título por conta de uma série de deslizes no segundo turno. Porém, ao contrário do que boa parte dos times brasileiros faz, o Atlético não vendeu estes jogadores, e manteve boa parte da equipe titular. Inclui na lista dos principais jogadores atletas como Bernard, Leonardo Silva e Diego Tardelli. Com esta base, o Galo foi para a Libertadores.

Na Copa, a primeira fase avassaladora, com cinco vitórias e uma derrota, garantindo a melhor campanha geral entre todos os participantes, poderia significar que o Atlético passaria pela "maldição do primeiro lugar", e cairia logo na fase seguinte. Desde 1996, o primeiro colocado da fase de grupos não vencia a Libertadores - o último foi o River Plate no ano citado acima. Porém, isso não aconteceu. Nas oitavas de final, a mística de campeão já surgiria para o Galo no momento em que Lúcio, do São Paulo, fora expulso na primeira partida do mata-mata, quando o tricolor paulista ainda vencia. Naquele jogo o Atlético derrotou os paulistas no Morumbi por 2 a 1, e patrolou o adversário na sua "casa" (lembrando que o Galo não tem um estádio próprio), vencendo por 4 a 1.

Os milagres, no entanto, viriam de vez nas fases seguintes. Lá no México, o clube mineiro garantiu um empate por 2 a 2 no último segundo contra o Tijuana. Na volta, no estádio Independência, onde o Atlético não perde há um ano e meio, o Galo estava a um pênalti da eliminação aos 45 do segundo tempo. Coube ao goleiro Victor esticar o pé esquerdo e fazer a defesa heroica. No play-off seguinte, nas semifinais, mais um drama. Derrota por 2 a 0 para o Newells Old Boys lá na Argentina, com o placar se repetindo - desta vez em favor do Galo - com direito a um gol aos 50 minutos da etapa final, feito por Guilherme. Nos pênaltis, Victor ajudou o clube que sempre foi alvo de chacotas dos cruzeirenses chegar à inédita decisão da Libertadores.
Jogadores do Atlético fazem a festa ao final da decisão
(foto: AFP)

A final desta edição de 2013 não poderia ser mais sofrida do que esta. De um lado, o Atlético de tantas derrotas. Do outro, o Olímpia, um clube tricampeão de La Copa que vive uma crise financeira, e que se superou ao chegar a decisão, mesmo com os jogadores sendo pagos vez ou outra. O time paraguaio - com folha salarial que paga um jogador meia boca reserva de um grande time daqui - venceu o primeiro jogo, por 2 a 0.

O drama do Galo para o segundo duelo já começaria na mudança do palco do espetáculo. A decisão foi no Mineirão, e não mais no Independência, graças a uma decisão da Conmebol que não permite que a final da Libertadores seja feita em um estádio com menos de 40 mil pessoas (embora no Paraguai, a final foi em um estádio que não suportava tal capacidade - vai entender). Mas o jogo ainda era em Belo Horizonte, e os atleticanos apoiaram o time até o fim. Jô e Leonardo Silva levaram o jogo para a prorrogação, ao vencer por 2 a 0, e garantir o título nos pênaltis por 4 a 3.

Leonardo Silva faz o gol que levou a decisão para os pênaltis
(foto: Reuters)
Para um clube sofrido como o Atlético Mineiro, até para vencer é um drama. Porém, disse um sábio que eu não me lembro quem é que, a cada derrota, mais perto do próximo campeonato se está. Para o caso do Galo, demorou um tempão, mas quem sabe este título seja o empurrão para que o melhor time do Atlético Mineiro de todos os tempos conquiste outros grandes troféus em breve. Isso é possível, sim.

O sofrimento acabou. O Atlético Mineiro é o décimo brasileiro a conquistar a Libertadores. O Galo entra agora no mesmo grupo composto por São Paulo, Palmeiras, Flamengo, Grêmio, Internacional, Corinthians, Santos, Cruzeiro e Vasco, garantindo o 17º título para o nosso país em toda a história. O Brasil se aproxima cada vez mais da Argentina, maior campeã da Libertadores, com 22 conquistas. Bem vindo ao clube, Atlético Mineiro, e faça a sua festa, pois este time e sua torcida merecem comemorar muito a partir de agora.

Um extra: para uma pesquisa futura, ou algo do tipo, abaixo vai a lista com todos os clubes campeões da Libertadores:

- Independiente (ARG) - 7 títulos;

- Boca Juniors (ARG) - 6 títulos;

- Peñarol (URU) - 5 títulos;

- Estudiantes (ARG) - 4 títulos;

- Olimpia (PAR), Nacional (URU), São Paulo (BRA) e Santos (BRA) - 3 títulos;

- River Plate (ARG), Cruzeiro (BRA), Grêmio (BRA) e Internacional (BRA) - 2 títulos;

- Palmeiras (BRA), Atlético Mineiro (BRA), Corinthians (BRA), Flamengo (BRA), Vasco (BRA), Velez Sarsfield (ARG), Argentinos Juniors (ARG), Racing (ARG), Atletico Nacional (COL), Once Caldas (COL), Colo Colo (CHI) e LDU (EQU) - 1 título.

E se você chegou até aqui, parabéns. Por mais que eu tente ser mais objetivo por aqui, no final, meus textos sempre são longos (risos).

domingo, 30 de junho de 2013

Estatísticas sempre serão secundárias

Com um 3 a 0 arrasador, o Brasil detonou com a Espanha
(foto: Reuters)
Em uma partida, não adianta você dominar a posse de bola, chutar mais vezes que o adversário, ter menos cartões que o outro time ou sofrer mais faltas, se a principal estatística de um jogo não for superior a do outro time, a de gols marcados. Esse é o único dado que um time deve se preocupar para vencer. Hoje foi assim, e o Brasil não estava nem aí para toda a posse de bola da Espanha, e patrolou a Fúria, ou melhor, a Calma, nesta final da Copa das Confederações.

Os fãs do estilo de jogo espanhol que me perdoem, mas é muito chato assistir um jogo da terra de Barcelona e Real Madrid. Não adianta a seleção deles ter um elenco sensacional, que eu adoraria ver no meu time, se ficar se preocupando mais em realizar passes perfeitos e constantes, em vez de fazer gols. Isso sem contar com o excesso de encheção de saco que é de ver narradores, comentaristas e até o GC da Fifa (Gerador de Caracteres - aquele negócio que aparecia nos cantos da tela da TV nas transmissões) só mostrarem a constante posse de bola espanhola, não ligando para a sonolência que Xavi, Iniesta e companhia faziam com milhões de telespectadores brasileiros. Não estou dizendo que estes jogadores são ruins, não sou louco, mas jogam de um jeito chato de se assistir.

Felizmente a torcida da casa não estava nem aí para essa frescura toda. Era bonito demais ver a Espanha ser vaiada quando demonstrava a chatice de trocar passes até, acidentalmente, marcar um gol. Isso sem contar com os belos momentos que era ver o público nos estádios gritarem olé contra a Espanha, mesmo quando esse olé era para o Taití, que levou 10 a 0 da ex-Fúria.

David Luiz salvando o Brasil daquilo que poderia se transformar no caos
(foto: Getty Images)
Mas vamos voltar ao dia de hoje. A Seleção Brasileira colocou a Espanha na roda. Foi perfeito ver toda a palhaçada ser demolida em apenas um minuto e meio de jogo com aquele gol que o Fred marcou deitado no gramado. Também foi épico ver o time todo jogar bem, com o gol do Neymar e o terceiro gol saindo no início do segundo tempo, também marcado por Fred. Mas não só os autores dos gols merecem os parabéns. Méritos para Júlio César, que voou com suas defesas, para David Luiz, que tirou aquela bola milagrosa do gol que seria o do empate espanhol, e para Oscar, que foi brilhante com sua inteligência ao passar para Neymar marcar o segundo gol brasileiro. O elenco todo está de parabéns, até o Hulk, só para constatar. Também precisamos agradecer aos melhores jogadores da Espanha na decisão - Piqué e Sérgio Ramos. O primeiro foi expulso, e o segundo, de tão apavorado, perdeu um pênalti.

Fred marca deitado o primeiro gol brasileiro
(foto: Globoesporte.com)
É bom demais voltar a ver a Seleção Brasileira jogar bem e voltar a vencer alguns dos países que foram campeões mundiais. Eu já estaria satisfeito se o time de Felipão vencesse de forma simples a atual campeã do mundo e bicampeã da Europa. Mas os 3 a 0 foram perfeitos, deliciosos, arrasadores. Foi uma maravilha ver o time que julgava ser melhor que Deus ser patrolado pela Seleção, que colocou La Roja no seu devido lugar, de seleção que é apenas campeã mundial, enquanto nós temos cinco títulos e dominamos por toda a história.


Foi a melhor partida que eu já vi na vida. Estou muito feliz de ver o Brasil conquistar pela quarta vez a Copa das Confederações em casa. Agora, que o técnico Luiz Felipe Scolari consiga manter esta base sólida e entrosada, para conquistarmos no ano que vem a Copa do Mundo. É possível sim acreditar no hexa no ano que vem, para que o Brasil continue reinando no futebol mundial. O gigante acordou também nos gramados. Parabéns para nós!

No vídeo, o lindo momento da execução do Hino Nacional Brasileiro antes da decisão. E também, o jogo completo desta épica decisão.

É possível evitar um Maracanazzo II

Entrosamento do elenco brasileiro é um elemento chave para derrotar a Espanha
(foto: Getty Images)
Quem me conhece sabe que eu nunca achei que a Seleção Brasileira fosse ter condições reais de vencer a Copa das Confederações 2013. Antes da competição, aqui mesmo neste blog , eu disse que o Brasil não teria a tarefa mais simples do mundo na primeira fase, demonstrando um pessimismo enorme contra nossa seleção. Porém, é dos sábios mudar de opinião, assim como é das seleções deixarem de ser ruins se conseguirem um entrosamento adequado para uma competição curta. Para a final que acontece em algumas horas, creio que é possível sim vencer a Espanha.

Seleção Espanhola luta pelo título inédito da Copa das Confederações
(foto: Getty Images)
A Fúria possui o melhor elenco do mundo. Até um cego consegue enxergar isso da Espanha. A base da seleção espanhola é quase toda composta por jogadores do Barcelona e do Real Madrid. O time treinado por Vicente Del Bosque possui um ótimo entrosamento, tendo havido poucas mudanças desde a seleção campeã europeia, em 2008. Aliás, aquela Eurocopa foi o primeiro título desta geração da Espanha que está se acostumando a ganhar títulos. Os espanhóis são os atuais campeões mundiais e bicampeões europeus, e encantaram o mundo com seu estilo de jogo da constante troca de passes e domínio da posse de bola. Só falta a Copa das Confederações, para a atual geração espanhola falar que ganhou tudo no futebol.

Apesar de ser notável que as estrelas da Espanha são melhores que as do Brasil, passei a acreditar mais na Seleção Brasileira quando o técnico Luiz Felipe Scolari conseguiu entrosar o time, escalando os mesmos titulares em três dos quatro jogos realizados até aqui, confirmando esta mesma base para a decisão. Outro grande fator para o crescimento brasileiro é o efeito motivador da torcida. É muito bonito ver o estádio todo apoiando a Seleção o tempo inteiro, em vez de cobrar e vaiar os jogadores, como nós víamos em partidas amistosas realizadas por aqui.

Além disso, a torcida faz uma motivação espetacular antes dos jogos, com o hino nacional sendo cantado por todo o estádio até o final da primeira parte, ignorando o tosco protocolo da Fifa que toca apenas um pedaço do nosso hino, sendo que somos o país sede. Sem contar também que a atitude inicial dos jogos de pressionar o adversário pode resultar em um gol brasileiro, como foi nas partidas contra Japão e México, em que o Brasil abriu o placar com menos de dez minutos de partida.

Hino nacional é um grande motivador da torcida brasileira
(foto: Getty Images)
Outro motivo para acreditar no título brasileiro são os efeitos dos protestos que estão acontecendo  no Brasil. O patriotismo no nosso país cresceu como nunca, por conta de todas as reivindicações do povo por uma nação com menos problemas e corrupção. De alguma forma, os jogadores entenderam o recado, e estão jogando por todos os brasileiros, fazendo que também o futebol brasileiro cresça e volte a ser decente.

Em algumas horas veremos que emoções Brasil e Espanha vão trazer para o torcedor. Comecei esta Copa das Confederações pessimista e saio confiante. Mesmo que a Seleção não vença hoje, Felipão já está de parabéns por ter feito o Brasil voltar a ser Brasil, jogando com raça, voltando a vencer adversários difíceis. Apenas fico triste por não ter escrito mais sobre a competição que se encerra amanhã. O final de semestre da faculdade me afastou do blog, sem contar que não faria sentido escrever diariamente sobre os jogos, no momento em que o país entrava em ebulição com os protestos.

Prometo analisar detalhadamente os melhores momentos da competição após o jogo desta noite, abordando sobre partidas eletrizantes, fatos inacreditáveis e  também sobre o show da torcida que não estava nem aí para o "manual do torcedor" que a Fifa inventou. Mas isso é coisa para o pós-evento. Agora, que o Maracanã se torne um local para chorarmos de alegria ao final da partida, e que não haja um novo sofrimento como em 1950, quando o Uruguai entristeceu o Brasil ao vencer a Copa por aqui. Se tudo der certo, o Maracanazzo será apenas um fato isolado, e não será repetido nesta decisão.

terça-feira, 18 de junho de 2013

A Copa que se dane!

Precisou uma competição do nível da Copa das Confederações começar no Brasil para o povo brasileiro acordar e iniciar aquela que é, sem dúvida, a maior revolução popular deste jovem século XXI no país. A revolta com toda a corrupção, obras superfaturadas e exploração do transporte público entrou em ebulição quando  o mundo começava a falar da principal competição de futebol do ano.

O gol bonito do Neymar, o toque de bola da Espanha ou o gol histórico do Taití são assuntos que não nos importam mais. O que faz a diferença é que este dia 17 de junho de 2013 foi o dia mais espetacular da história recente brasileira. As pessoas esqueceram o futebol para encarar o verdadeiro patriotismo que eu nunca havia assistido no Brasil - fora aquela coisa que só vemos na Copa do Mundo. As pessoas realmente estão pedindo por um país melhor, mais justo e e que não tenha mais políticos corruptos. Essa sim é a verdadeira atitude de ser patriota.

Confesso que eu sempre senti inveja de quem era das gerações que pediu as Diretas Já, que quebrou o Muro de Berlim ou que gritou "Fora Collor", e nunca imaginei que uma revolução dessas fosse acontecer novamente. Ainda mais que, nos acostumamos com o excesso de corrupção existente no Brasil. Graças a Deus, o povo cansou, e a revolução começou, atingindo proporções internacionais, já que tivemos protestos na Europa e nos Estados Unidos, em favor da nossa causa. Fico feliz de ter visto isso. Só não participei das manifestações porque meus compromissos da faculdade me impediram. Mesmo assim, estou totalmente de acordo com a causa.

Eu só espero que toda esta revolução que estamos vivendo traga algum resultado efetivo. Que nossos governantes entendam que o povo não aguenta mais corrupção, e que quer um país decente, sem roubalheira dos impostos caros que as pessoas têm de pagar. Eu fico contente com o que está acontecendo, e ficarei mais contente ainda se tudo isso não ficar só nos protestos.

Quanto a Copa das Confederações, resta agora a cobertura de um evento de segundo plano. Ela já não nos importa tanto assim. Faça como diz a música que motivou os protestos, "vem pra rua porque a rua é a maior arquibancada do Brasil". Viva a democracia!

sexta-feira, 14 de junho de 2013

A entrada, por favor!

Quando vamos a um restaurante para um jantar especial, pedimos primeiro a entrada. Depois vem o prato principal e, por último, saborearmos a sobremesa. No Brasil, nestes próximos três anos, poderemos definir os eventos esportivos que vão acontecer aqui como se fosse então uma ida nossa a um restaurante. Amanhã começa a entrada, ou o aperitivo, ou melhor, a Copa das Confederações.

A competição que já foi bancada pelos petrodólares árabes, hoje é o segundo principal campeonato de futebol do mundo. Claro, esta afirmação é minha. Defendo esta tese porque a Copa das Confederações é o único torneio que reúne todos os campeões continentais, além do país sede e do atual campeão do mundo. Mas está longe do nível da Copa do Mundo, inegavelmente a maior competição do planeta.

Japão, México, Itália, Espanha, Uruguai, Taití e Nigéria vão disputar junto com o Brasil esta competição. Será um grande evento, sendo o grande teste para a Copa do Mundo do ano que vem. O que vale agora é que veremos bons jogos nestes 15 dias de Copa das Confederações.

Os países estão divididos em dois grupos. No grupo A, Brasil, Japão, México e Itália compõem a chave, que é muito mais difícil que o grupo B. A Seleção Brasileira, que ainda está aquela coisa horrorosa dos últimos três anos - salvo os 3 a 0 para a França - vai encarar três jogos difíceis. O Brasil pode sim passar de fase, mas não será a tarefa mais simples do mundo. Entre os outros adversários, a Itália é o país de maior tradição, por ter ganho quatro Copas do Mundo. O fato da azurra ter tradição pode ajudar os italianos, mas Japão e México são times que estão com a maior ascensão dos últimos anos. O México é o atual campeão olímpico e possui um elenco equilibrado, além de já ter vencido em 1999 a Copa das Confederações. Enquanto isso os japoneses possuem uma equipe veloz, que em 20 anos, ganhou quatro Copas da Ásia e disputou todas as Copas do Mundo desde 1998, e já estão confirmados para jogar a Copa de 2014.

Taití - Campeão da Copa das Nações da Oceania
Azarão da Copa das Confederações
O grupo de Espanha, Uruguai, Taití e Nigéria é composto por um super time, dois intermediários, e uma equipe que, se fosse brasileira, seria aquele time que joga nos campinhos da várzea de uma cidade pequena. O Taití veio para o Brasil para ser a grande atração da Copa das Confederações. Afinal de contas, uma equipe que só tem um jogador profissional ter a honra de enfrentar a Espanha, é uma grande conquista. Os campeões da Oceania fazem sua primeira viagem fora do continente em toda a sua história. Seria lindo se eles vencessem a Copa das Confederações, mas sejamos realistas, é quase impossível. Resta então torcer para uma vitória, um empate ou, simplesmente, um gol. O que acontecer de bom com o Taití, eu vou comemorar. Desculpe Brasil, mas minha torcida é do Taití.

A Espanha deverá deitar e rolar na fase de grupos. É a atual campeã do mundo e bicampeã europeia. Deu sorte de cair em um grupo fácil. Uruguai e Nigéria provavelmente brigam pela vaga restante, mas seria uma surpresa se eles vencessem a Copa das Confederações, porém, não é nada impossível.

Amanhã a bola rola para Brasil e Japão. No domingo, México e Itália completam a primeira rodada do grupo, e Espanha e Uruguai fazem a última partida do dia. A rodada termina na segunda-feira com Taití e Nigéria - o jogo que tem tudo para ser a pior partida da Copa das Confederações. Difícil dizer quem vence o torneio, mas o certo é que será um belo espetáculo.

Amanhã começa o aperitivo. Vamos ver se ele será aprovado para a Copa do Mundo do ano que vem, o prato principal, para fecharmos este ciclo esportivo com a sobremesa, os Jogos Olímpicos de 2016.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Entre uma partida comum e uma partida histórica

A defesa de Victor que transformou Atlético e Tijuana em um jogo histórico
(foto: Reuters)
Até os 46 minutos da etapa final entre Atlético Mineiro e Tijuana, o duelo decisivo das quartas de final da Copa Libertadores era apenas uma partida normal - e dramática. Mas o futebol é um esporte espetacular, em que um simples lance, um único momento de um jogo qualquer, pode transformá-lo em uma partida épica, histórica, magnífica. Após os exatos 46 minutos, uma besteira protagonizada por Leonardo Silva ajudou a dar pequenos (ou mortais) infartos em cada torcedor atleticano, pois o pênalti foi cometido, e o gol do Tijuana tiraria o Galo da inédita semifinal.

Se o chute de Riascos entrasse para o gol, a partida ainda seria comum, pois uma vitória no final do jogo acontece, e muito, no futebol. Mas a bola não entrou. E o mais incrível, Victor pegou um pênalti heroico, com o pé, quando nenhum torcedor mais acreditava que o Atlético teria salvação. Dali para frente, este jogo viria a se tornar histórico.

Não tenho ideia de quantos jogos de futebol eu vi no alto dos meus 21 anos, mas tem aquelas partidas que se tornam históricas, por uma conjunção de fatores ou por um único lance. Jogos que posso dizer que se tornaram históricos por simples lances são: Uruguai e Gana, em 2010 (com mão na bola em cima da linha e pênalti para fora no último lance da prorrogação), a chamada "Batalha dos Aflitos", em 2005 (quando o Grêmio derrotou o Náutico após sofrer dois pênaltis e quatro expulsões), Internacional e Barcelona, em 2006 (com o gol do título mundial marcado pelo pior jogador do elenco colorado) e Brasil e Argentina, em 2004 (com aquele do gol do Adriano aos 47 do segundo tempo). Não fossem esses lances descritos, seriam apenas partidas comuns que só virariam um marco na história do futebol por se tratar de uma decisão.

 Uma partida histórica pode ter essa definição a qualquer momento. Basta algum lance inacreditável acontecer. Não é algo comum, portanto, ver um jogo de futebol para tentar encontrar um fantástico momento assim. E só assistir a uma partida com este propósito é como encontrar uma agulha em um palheiro. É preciso gostar de futebol e ter sorte de acompanhar um momento desses.  Também é interessante ter a experiência de assistir a jogos ruins de qualquer campeonato, para enfim poder ser agraciado com uma partida histórica algum dia. Ou seja, até chegar a um Atlético e Tijuana, como o de ontem, precisamos ver muitos jogos como Brasil de Pelotas e São Paulo de Rio Grande, Ceará e Paysandu, Náutico e Criciúma , Argélia e Eslovênia (que foi o pior jogo que já vi na vida) ou peladas da várzea, embora essas partidas também podem se tornar históricas.

O feito do Galo foi histórico não só por causa do Victor, ou do Réver, ou do Ronaldinho ou do Jô. Foi porque o clube alcançou pela primeira vez uma vaga na semifinal de uma Libertadores. Além disso, o Atlético está jogando com a raça característica da maior competição da América, algo impressionante para quem nunca chegou a tal nível. Ninguém apostava no Galo no ano passado quando estes caras, somados ao técnico Cuca, chegaram ao clube (tirando o Réver, que já jogava no Galo, todos os citados neste parágrafo não estavam em boa fase). Porém, a ótima campanha no Brasileirão, e o momento atual na Copa, fazem do Atlético ser o melhor time brasileiro do momento. Resta saber se, depois do jogo histórico, o clube irá finalmente ganhar a tão cobiçada Taça Libertadores, ou se continuará com a longa fila de títulos importantes.

A Libertadores só volta em julho, após a Copa das Confederações. O Atlético enfrenta agora o Newells Old Boys, da Argentina. Será um confronto duro, contra um time que também não tem tradição na Copa. Mas o Newells também passou de forma épica, após as 26 cobranças de pênalti contra o Boca Juniors. Até foi um jogo histórico, mas não está no meu top five, por isso não ganha tanto destaque. O outro jogo da semifinal é entre Olímpia, do Paraguai, e Santa Fé, da Colômbia. São equipes mais fracas que Atlético e Newells, mas uma delas, será agraciada com uma inacreditável vaga à final.

A Copa continua - ou nem tanto pelo mini torneio que ocorre em breve no Brasil - mas o certo é que continuaremos a ver grandes jogos. Resta saber se uma partida histórica irá acontecer nestes seis duelos que restam na competição. Vamos aguardar!

domingo, 19 de maio de 2013

E se o Brasileirão fosse como o Campeonato Argentino?


Faltam poucos dias para o início do Campeonato Brasileiro. Do início de dezembro até agora, ficamos praticamente órfãos de um bom futebol nos finais de semana. É verdade que nós já estamos na segunda metade da Copa Libertadores, mas os jogos são em terças, quartas e quintas. Nestes primeiros cinco meses, sobra para o sábado e domingo os jogos dos campeonatos estaduais (que, é claro, ainda quero que eles mantenham).
Agora que a maioria dos estados já conhecem seus campeões, é hora de se preparar para o Brasileirão. Vinte times de nove estados vão disputar o almejado troféu de campeão brasileiro, ao longo de 38 emocionantes rodadas. E o bacana, há dez anos continuamos com o mesmo regulamento, o que precisa ser comemorado, já que o Brasileirão foi bizarro por muito tempo.
Para uma liga nacional, o formato "todos contra todos" é o ideal. O mata-mata para um Brasileirão só serviria se os times fossem divididos em grupos, mas duvido muito que o regulamento mude. Fora do Brasil, temos ligas nacionais peculiares, e uma que me chamou bastante atenção recentemente é a liga da Argentina. A terra de Boca Juniors, River Plate, Independiente, Velez Sarsfield e tantos outros times copeiros, tem um dos regulamentos mais confusos do futebol. Este enigma será decifrado logo abaixo.
No quesito jogos, o Campeonato Argentino não é tão confuso. Os 20 principais clubes de lá se enfrentam em dois torneios de grupo único. Nas competições de nome Torneo Inicial e o Torneo final, equivalentes ao primeiro e o segundo turno do campeonato,todos jogam contra todos, e o melhor colocado é declarado campeão do torneio, e garante vaga para a Copa Libertadores. Após os dois turnos, ficam definidos os dois campeões nacionais. Na Argentina, quem ganha um dos torneios, é considerado campeão nacional. Não há uma final entre os vencedores, portanto é possível o país ter dois campeões diferentes no mesmo ano. Em 2012, o Arsenal Sarandi venceu o campeonato do primeiro semestre, e o Velez Sarsfield o segundo campeonato. Dá para afirmar então que Arsenal e Velez são os atuais campeões argentinos.
Se o Brasileirão fosse que nem o Campeonato Argentino, Atlético Mineiro e Fluminense seriam os campeões brasileiros. O Galo teve um primeiro turno avassalador. Já o tricolor carioca dominou a segunda metade do campeonato. Como o nosso formato não é igual ao dos hermanos, só o Flu acabou campeão nacional, por fazer mais pontos que o time mineiro no geral, após o Galo ir muito mal na segunda metade do Brasileirão passado . Até aí, o Campeonato Argentino poderia ser copiado (mas só até aí), embora defendo a Série A como está.
Agora o enigma. No nosso Brasileirão de dois turnos, os rebaixados são definidos de forma simples. Os quatro piores nas 38 rodadas caem. Simples assim. Lá na Argentina o negócio é diferente. Seu time pode ficar em último nos dois turnos e pode não cair. Enquanto, por outro lado, um clube recém promovido à primeira divisão pode conquistar um honroso décimo lugar e ser rebaixado. Tudo isso graças ao chamado "Promedio". O Promedio é um cálculo que os argentinos usam para definir quem cai ou não. Ou seja, para um time ser rebaixado, é necessário avaliar o desempenho da equipe nos torneios Inicial e Final nos últimos três anos. Isso, claro, se a equipe jogou na primeira divisão em todos estes anos. Para os recém promovidos, é avaliado o número de jogos apenas nos anos jogados na Primeira.
Independiente ocupa a décima posição do Torneo Final, mas pode ser rebaixado
O cálculo é feito assim. Soma dos pontos conquistados pela equipe nas últimas três temporadas, dividido pelo número de jogos realizados nestes anos. O resultado dá um número quebrado, exemplo 1,850. É esse código infeliz que pode definir uma vaga na primeira divisão. Quando acaba o Torneo Final - que ocorre por volta do mês de junho - os três times de pior pontuação média são rebaixados. Lá na Argentina, quem cairia agora seriam o Unión, o San Martín e o Independiente, famoso por ser o maior campeão da Libertadores, com sete títulos. Os dois primeiros citados estão mal no Torneo Final, mas o Independiente pode sofrer com um rebaixamento na décima posição - sendo que faltam cinco rodadas para o fim. Enquanto isso, copeiros como Boca Juniors e Velez Sarsfield (em 18º e 19º no Torneo Final), respiram com folga, longe de uma possibilidade real de queda. Confuso.
Sendo assim, resolvi fazer um cálculo sobre como seria o Brasileirão se ele fosse estruturado da mesma forma que o Campeonato Argentino, pelo menos quanto ao rebaixamento. Por nem ter começado a Série A 2013, seria impossível fazer esta análise com equipes como Criciúma, Goiás, Vitória e Atlético Paranaense. Portanto o meu Promedio foi com base no desempenho dos Brasileirões de 2010 a 2012. Eu fiz como o descrito acima. Pontos somados dos três anos dividido pelo número de jogos. Fiquei surpreso com o resultado, pois os quatro rebaixados em 2012 - Palmeiras, Sport, Atlético Goianiense e Figueirense - também seriam rebaixados se o Promedio vingasse no Brasil. O que dá para comprovar que um time que subiu entre este período passaria por mais dificuldades em se manter na Série A do que um clube que foi estável nestes três anos.
Entre os rebaixados nessa situação, considero uma surpresa o Palmeiras estar entre os últimos nesta época. Em 2010 e 2011, o Porco ocupou respectivamente a 10ª e a 11ª posição, mas o 17º lugar em 2012 não salvaria o clube. Já para o caso de Figueirense e Sport era mais óbvio. Os dois clubes fizeram um Brasileirão ruim, e não estiveram na Série A em todas estas temporadas. Também dá para considerar o Atlético Goianiense nesse grupo. O time jogou os três Brasileirões analisados, mas nas três edições brigou para não cair.
Se o nosso campeonato fosse como o do país vizinho, os clubes que começariam o Brasileirão 2013 com menos chances de cair seriam Fluminense, Corinthians, Grêmio, São Paulo e Vasco. Já quem começaria com a corda no pescoço - além dos recém promovidos - seriam Portuguesa, Bahia, Ponte Preta, Náutico e Flamengo. Mais detalhes desta classificação imaginada você pode acompanhar na tabela abaixo.


Apesar de toda esta análise, prefiro ver o Campeonato Brasileiro do jeito como está. O time que está melhor que os outros no ano se torna campeão, e os times que vão mal na temporada caem. O formato daqui é semelhante aos dos principais campeonatos nacionais da Europa, e deixa o Brasileirão mais competitivo e mais atraente, dando chances para todos os clubes participantes. A bola vai rolar no campeonato, e veremos jogos muito mais disputados neste ano. Quem gosta de futebol, não poderá perder o Campeonato Brasileiro. E também, espero que tenham gostado desta pesquisa que durou alguns dias.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Entre os brasileiros, só sobrou os "sem Libertadores"

Atlético Mineiro foi o melhor da primeira fase e é favorito ao título
(foto: Agência Estado)
Os dois times brasileiros integrantes do Movimento dos Sem Libertadores - Atlético Mineiro e Fluminense - e que estão na atual edição da Copa Libertadores, são os únicos clubes do nosso país que ainda estão vivos na competição. São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Grêmio se despediram da competição precocemente nas oitavas de final. Desta forma, por mais um ano vai ser impossível de burlar as regras da Conmebol, que sempre dá um jeito de evitar uma final com dois times do mesmo país. Diferente do que acontece na Europa, onde os alemães Bayern de Munique e Borussia Dortmund vão duelar na final da Liga dos Campeões, no dia 25 de maio.

Entre os brasileiros eliminados, uma queda era óbvia. A do São Paulo. Não estou dizendo que o tricolor paulista é um time ruim, mas a equipe jogou contra o Atlético Mineiro. Era certo que um clube brasileiro cairia, e sobrou para o São Paulo No duelo do tricampeão da América e do Mundo contra o Galo, que ainda é filiado assíduo do MSL, o time de Minas Gerais mostrou que era superior, e patrolou os rivais com duas vitórias. O Atlético pode nunca ter vencido a Copa, mas está com um dos melhores times do Brasil. Jogadores como Jô, Bernard e Ronaldinho Gaúcho são os principais destaques do clube, e não tomaram conhecimento do São Paulo. Resta ao time da capital paulista brigar por um bicampeonato da Copa Sul Americana, no segundo semestre.

Para o caso de Palmeiras, Grêmio e Corinthians, as eliminações eram, no mínimo, previsíveis. Talvez não cairiam nas oitavas de final, mas já vinham com problemas. O alviverde paulista veio com um elenco precário para a Libertadores. Eu mesmo disse aqui no blog que dificilmente o clube que jogará a Série B do Brasileirão neste ano passaria da primeira fase. Errei, é verdade, mas a eliminação na segunda fase para o Tijuana, do México, não pode ser considerada um vexame. O time fez milagres na primeira fase e podemos parabenizar o clube pela campanha.

Diferente do Palmeiras, o Grêmio e, principalmente, o Corinthians, decepcionaram ao serem eliminados tão cedo. Ambos os times tinham um bom elenco no papel, mas na prática, não conseguiram bons desempenhos. O time gaúcho, por exemplo, teve duas atuações espetaculares, nas vitórias contra o Fluminense e o Caracas, mas no restante dos jogos, o tricolor teve atuações complicadas. Isso inclui até a primeira partida das oitavas contra o Santa Fé, da Colômbia, em que o Grêmio venceu por 2 a 1, na Arena. No segundo jogo, ontem, nem se fala. O Grêmio jogou a pior partida nesta Libertadores. O time do técnico Vanderlei Luxemburgo sequer se esforçou para ir ao ataque. Exceto após o gol do Santa Fé que matou o jogo. Resumindo, eliminação justa.

O Corinthians era o time que todos nós esperávamos que fossem até às quartas de final, pelo menos. O atual campeão da Libertadores e do Mundial caiu diante do Boca Juniors, da Argentina. É verdade que no segundo jogo, o nobre árbitro paraguaio Carlos Amarilla cometeu uma série de lambanças contra o Corinthians, mas na primeira partida, lá na Bombonera, em Buenos Aires, os comandados do técnico Tite não foi nada bem. Além disso, time que quer ganhar competição tem que ganhar do adversário e da arbitragem, embora para o Corinthians raramente a arbitragem é contra o todo poderoso Timão. Daqui a uma semana vocês vão ver jogos "normais" do Corinthians.

Fluminense continua vivo na luta pelo título inédito da Libertadores
(foto: fluminense.com.br)
Sobraram os virgens de Libertadores. Resta saber agora se Fluminense e Atlético Mineiro vão conseguir chegar ao título desta vez. É uma pena que eles não vão fazer a final. Como falei lá em cima, a Conmebol busca evitar as finais da Libertadores com dois times do mesmo país. Se Galo e Flu passarem, vão se enfrentar nas semifinais da Copa. Eu não concordo, mas só a minha opinião contrária ao regulamento não adianta em nada.

Veremos bons jogos nas quartas de final. É uma pena que não teremos tantos brasileiros de agora em diante, mas o certo é que teremos jogos de grande qualidade. Vamos ver quem terá a capacidade de ir ao Marrocos no fim do ano para enfrentar Bayern de Munique ou Borussia Dortmund.


Jogos das quartas de final:
Atlético-MG x Tijuana -MEX
Boca Juniors- ARG x Newells Old Boys- ARG
Real Garcilaso- PER x Independiente Santa Fé- COL
Olimpia- PAR x Fluminense

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Times alemães vencem a primeira partida das semifinais da Liga dos Campeões

Thomas Müller teve papel decisivo na vitória do Bayern sobre o Barcelona
(foto: AP)

As equipes alemãs do Bayern de Munique e do Borussia Dortmund venceram, respectivamente, Barcelona e Real Madrid, ambos da Espanha. Foram os primeiros jogos das semifinais da Liga dos Campeões da UEFA, a principal competição de futebol na Europa. Os jogos foram realizados nesta terça e quarta-feira (dias 23 e 24).
Na terça-feira, em Munique, o Bayern de Munique venceu por 4 a 0 o Barcelona. Foi uma vitória surpreendente, não pelo Bayern ter se saído melhor, mas sim pelos quatro gols aplicados diante do Barça, apontado como o favorito ao título europeu. Os gols do Bayern foram feitos por Mario Gomez, Robben e Thomas Müller, que marcou duas vezes. Com o resultado, o Bayern de Munique pode perder por até três gols de diferença na próxima partida que garante a classificação para a final. Bayern e Barcelona se encontram novamente na próxima quarta-feira, 01, às 15h45min.
Lewandowski marca quatro gols e massacra o Real Madrid
(foto: Reuters)
No dia seguinte, o Borussia Dortmund também venceu. O time alemão jogou em Dortmund e passou pelo Real Madrid, ganhando por 4 a 1. O grande destaque da partida foi o polonês Lewandowski, que marcou os quatro gols do Borussia. O português Cristiano Ronaldo diminuiu para o Real Madrid. As duas equipes se enfrentam novamente na terça-feira, 30, em Madrid, na Espanha. O time de Dortmund poderá perder por até dois gols de diferença. Em caso de derrota por 3 a 0, a vaga fica para o Real Madrid, por ter marcado um gol fora de casa. Se o placar do jogo se repetir em 4 a 1 em favor dos espanhóis, a decisão vai para a prorrogação.
Quem avançar para a final vai jogar no dia 25 de maio, em Londres, na Inglaterra, no estádio de Wembley. O vencedor da Liga dos Campeões vai representar a Europa no Mundial de Clubes, que será realizado no Marrocos, em dezembro.


quinta-feira, 14 de março de 2013

Pago 2 reais e 40 centavos para pensar


É verdade que todos pensamos o tempo todo (até quando estamos dormindo). Mas, no meu caso, os pensamentos mais importantes vem no ato de entrar no ônibus para voltar para casa, após um longo dia de trabalho e aulas.

As vezes penso sobre a ótima rotina que estou vivendo. Sobre o que farei no final de semana, ou até da namorada que gostaria de ter. Enfim, penso. Todos pensamos. Só que hoje meu pensamento voltou-se, principalmente, ao grande assunto deste dia 13 de março de 2013.

A escolha do Papa Francisco é de uma importância histórica para o mundo como um todo – independente de você ser católico ou não. Só que hoje, a escolha deste Papa, e o anúncio dele, foram durante o horário do programa Frequência Livre, que estava sendo apresentado dos pavilhões da Fenac, em Novo Hamburgo, onde acontece a Fimec. A Rádio ABC 900 (que transmite o nosso programa) fez o seu trabalho e, corretamente, cobriu a chegada do novo pontífice. Nosso programa era para começar às 16 horas, mas só às 16:34 é que entramos no ar. Confesso que foi dureza ter que recomeçar o planejamento de um programa que era para ser de uma hora (incluindo os comerciais), para transformá-lo em apenas 26 minutos.

Mesmo com toda a situação extremamente atípica e histórica, conseguimos colocar o nosso programa no ar. Nossa equipe fez um bom trabalho. Afinal de contas, cortar um programa pela metade e mesmo assim deixá-lo bem estruturado é um grande feito. Fico muito feliz com isso.

Só agora percebi que hoje foi o dia mais bacana desta minha carreira de iniciante no jornalismo. Graças aos pensamentos do ônibus que citei anteriormente. Pela primeira vez presenciei um momento histórico no ato do meu trabalho como futuro jornalista que serei. Hoje foi mais um dia daqueles nervosos, mas que no final deu tudo certo. Eu queria pegar um dia atípico para trabalhar e hoje consegui. Por isso eu amo esta profissão!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Agora restam 32: a Libertadores avança para a fase de grupos

Passou duas semanas após o encerramento dos duelos preliminares da Copa Libertadores. Agora, todo o planejamento dos 32 times dos dez países da América do Sul, e do intruso México, será posto à prova. Toda estratégia inteligente é válida para a conquista do tão sonhado título da América.

Os grupos desta segunda fase já estavam definidos. Restava saber, apenas, quem seriam os seis felizardos a vencerem o mata-mata preliminar e se encaixarem em cada chave. Os brasileiros São Paulo e Grêmio, somados a Tigre (Argentina), Tolima (Colômbia), Olímpia (Paraguai) e Deportes Iquique (Chile), foram os vencedores dos primeiros duelos da Copa. Mas para cada chave irá cada um dos 32 sobreviventes?

Grupo 1: O segundo "Grupo da Morte"


Com nove títulos dentro das equipes, o grupo 1 é o maior vencedor da Libertadores. Ou melhor, dois dos quatro times estão entre os maiores. Boca Juniors (com seis taças) e Nacional (com três) são os poderosos da chave. Os argentinos e os uruguaios sabem ganhar o maior campeonato da América do Sul. Apesar do histórico, só o Boca Juniors está completamente forte para esse ano, após trazer de volta o meia Riquelme e o técnico Carlos Bianchi, que conquistou três Libertadores em 4 anos no comando da equipe, em 2000, 2001 e 2003. O Nacional vem de participações desastrosas nos últimos anos, e terá de se superar para reconquistar a Libertadores - a última foi em 88 - mesmo com nomes como Álvaro Recoba e Loco Abreu no elenco.

A terceira força do grupo é o Barcelona, do Equador, que já foi vice-campeão da Libertadores em duas ocasiões, e fez uma boa participação na Copa Sul-Americana do ano passado. Eles podem surpreender contra os grandalhões da chave. O quarto representante é o mexicano Toluca. O time é forte, mas está no lugar errado. A Libertadores serve para o México apenas como um campeonato amistoso, pois se um mexicano vencer um dia a Copa, ele não jogará o Mundial de Clubes. Por isso o México é um intruso na competição, e aqui, eu serei defensor da saída deles da Libertadores.

Previsão: Boca passará tranquilamente. Nacional e Barcelona farão a briga pelo segundo lugar, e o Toluca jogará para roubar pontos dos outros times.

Grupo 2: Os intermediários e o rebaixado


O que dá uma certa força ao grupo é o Libertad, do Paraguai. Após contratar Guiñazu (aquele mesmo que jogava no Inter), o time ganhou um bom reforço para o meio campo. Também jogam nesta chave o vice-campeão da Sul-Americana de 2012, o argentino Tigre, o peruano Sporting Cristal, e o Palmeiras, atual campeão da Copa do Brasil e recém rebaixado à Série B do Brasileirão. O grupo é um dos mais fracos, mas quem sabe proporcione bons jogos. Só o tempo dirá.

Previsão: O Palmeiras prioriza a volta à Série A, e não fez boas contratações, além de perder Barcos para o Grêmio. Deverá jogar por jogar a Libertadores. Libertad e Sporting Cristal tem mais chances de seguir vivos.

Grupo 3: Brasil contra o resto


São Paulo e Atlético Mineiro já se enfrentam logo de cara. Os dois times estão muito fortes para a Libertadores, e podem fazer uma boa Copa. O tricolor paulista vem embalado pelo título da Sul-Americana, e mantém o time forte para a Libertadores, com o xerifão Lúcio na zaga e Rogério Ceni firme e forte no gol. Já o Atlético está de volta à Libertadores depois de 13 anos de espera. A equipe vice-campeã brasileira vem com a mesma base, com Ronaldinho, Bernard, e o recém contratado Diego Tardelli. Os brasileiros são os poderosos da chave.

Os argentinos do Arsenal são os representantes da chave que podem fazer frente ao Galo e ao Tricolor. E só. O quarto time do grupo é o The Strongest, da Bolívia, só é o mais forte pelo nome mesmo. Só levarão uns pontos se contarem com a ajuda da melhor amiga do futebol boliviano, a altitude.

Previsão: São Paulo e Atlético devem passar de fase. Arsenal e The Strongest serão os que podem ajudar (ou prejudicar) a pontuação dos brasileiros.

Grupo 4: Um tradicional morrerá


Vélez Sarsfield, Peñarol, Emelec e Deportes Iquique. Só o time chileno é o fraco do grupo. Os outros três times tem tradição na Libertadores, e só dois podem avançar às oitavas de final. O Vélez foi o melhor colocado nos dois turnos do Campeonato Argentino, e é o mais forte da chave, considerado por especialistas como um dos grandes favoritos ao título. O Peñarol também tem tradição na Libertadores, ganhou cinco vezes e foi vice campeão em 2011, mas estão com uma equipe mediana. O Emelec nunca ganhou a Copa, mas vem demonstrando grande força nos últimos anos, e pode surpreender. Serão 12 jogos de pegar fogo neste grupo.

Previsão: Vélez, Emelec e Peñarol vão fazer jogos duros, mas os dois primeiros tem mais chances de passar. Já o Iquique, restará evitar ser o saco de pancadas da Libertadores.

Grupo 5: O campeão e mais três


Só uma tragédia faria o Corinthians ser eliminado na fase de grupos da Libertadores. Seus adversários são de um nível bem menor que o do atual campeão da Copa. Apenas o Millonarios, da Colômbia, pode ser uma força na chave. Os colombianos chegaram às semifinais da Sul-Americana do ano passado, após eliminarem o Grêmio. Os outros representantes, o boliviano San José e o mexicano Tijuana, deverão jogar por honra a competição.

Previsão: O Corinthians deverá encerrar essa fase como um dos melhores da Libertadores, e o Millonarios ficará com a segunda vaga. Simples assim.

Grupo 6: Os quatro coadjuvantes


O paraguaio Cerro Porteño, o peruano Universidad Cesar Vallejo e os colombianos Tolima e Santa Fé compõem a chave. Destes, só o Cerro possui uma leve tradição em Libertadores, chegando, no máximo, às semifinais da competição. Os outros três nem chegaram a tal nível, sendo que a equipe do Peru faz apenas sua estreia no torneio. Como nada no futebol é impossível, dificilmente um destes quatro fará uma campanha a nível de semifinal.

Previsão: Grupo embolado, ninguém querendo se distanciar de ninguém e os quatro brigando até a última rodada. Cerro e Tolima são os mais cotados para avançar.

Grupo 7: O chileno da moda, os copeiros e o azarado


De todos os amigos que conheço, quando o assunto é Copa Libertadores, a maioria deles fala que gosta do Universidade de Chile. Mesmo nunca tendo vencido a Libertadores (fora do Chile ganhou a Sul-Americana de 2011), dá para considerar La U como um dos queridinhos da América do Sul. O time já foi melhor, mas está razoavelmente bom. Apesar disso, os chilenos estão ao lado de dois bons nomes no mesmo grupo. O Newell's Old Boys, da Argentina, e o Olímpia, do Paraguai, contam com a tradição de já terem chegado, pelo menos, à final da Copa. Os argentinos foram vice-campeões duas vezes. Já o Olímpia foi além. Venceu duas Copas Libertadores. Apesar de tudo isso, esse grupo deve ser, no máximo, o terceiro mais forte do campeonato, dado o momento atual destes três. O azarado da chave é o estreante Deportivo Lara, o São Caetano da Venezuela., por ter apenas 7 anos de vida. Para o Lara, a Libertadores deste ano será como a Copa das Confederações para o Taití. Jogarão apenas para fazer uns gols. Não dá para ir mais longe.

Previsão: La U e Olímpia devem ser os classificados.

Grupo 8: Caracas, dois brasileiros


O Caracas é o time mais tradicional da Venezuela. Apesar disso, o máximo que conseguiu foi alcançar às quartas de final da Libertadores (maior feito do país até agora). Só que neste ano, deram um azar tremendo e dificilmente vão superar Grêmio e Fluminense. Os dois tricolores são muito fortes. O tricolor carioca mantém a mesma base campeã brasileira do ano passado, com Fred, Wellington Nem, Deco, entre outros. Já o tricolor gaúcho é oriundo da fase preliminar, mas montou para a Libertadores um timaço, contratando Eduardo Vargas, e os recém chegados André Santos e Hernán Barcos. Aos venezualanos, restará arrancar pontos do Huachipato, do Chile, para tentar alguma coisa.

Previsão: Grêmio e Fluminense passarão de fase. Os confrontos diretos é que vão determinar quem vai ficar com o primeiro lugar.

Longa demais esta análise, porém, o objetivo foi cumprido. Se você chegou até aqui, parabéns, e obrigado pela disposição. Que comece, de fato a Libertadores e que o melhor possa vencer. Mas, o mais importante, é que todos possamos curtir um bom campeonato.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A pressa é inimiga da boa apuração

Nesta madrugada de terça-feira eu poderia falar do Gre-Nal vencido pelo Inter por 2 a 1, ou do Super Bowl que o Baltimore Ravens conquistou por 34 a 31 (textos que ainda não publiquei e talvez farei), mas hoje vi que mais uma daquelas boas lições que aprendo diariamente na faculdade de Jornalismo fazem sentido.

SEMPRE devemos apurar a informação que recebemos. Por mais possível que ela seja verdadeira, nós sempre devemos investigar aquilo que estão nos avisando. Isso vale tanto para os profissionais consagrados no jornalismo nacional, quanto para aqueles que ainda nem estão na faculdade, mas que almejam esta digna profissão. Caso alguém publica uma informação errada, algo muito precioso poderá ser perdido, a CREDIBILIDADE.

E, quando se perde a credibilidade, se perde tudo no jornalismo. Todo mundo que trabalha na profissão busca sempre almejar o "furo", passar a informação em primeira mão. Uma informação que possa causar impacto a um bom número de pessoas. Como Willian Bonner citou no livro "Jornal Nacional: Modo de Fazer", o furo seria como aquela Ferrari vermelha que desejamos. É a vontade de todos ter uma Ferrari, mas é uma virtude de poucos. E assim vale para o furo.

É algo extremamente arriscado. Pois informar em primeira mão é muito mais difícil do que se imagina. Você tem que ter uma excelente apuração jornalística do fato e ter a certeza máxima de que aquilo é verdade. Caso você jornalista (ou futuro jornalista) publicar algo em primeira mão sem ter essa certeza, você corre um sério risco de cometer uma "barrigada".

Barrigada é quando uma informação mal apurada é divulgada. Ou uma informação falsa, o que é pior ainda. Para o caso desta madrugada, um jornalista famoso no Rio Grande do Sul publicou a maior barrigada que já vi na vida. Ele é famoso por já ter falado o que não era verdade, mas hoje ele infelizmente errou em um nível desproporcional. Nas últimas horas da segunda-feira, um grupo de torcedores passou uma falsa informação pelo Twitter de que um jogador chamado ENRICO CABRITO estaria sendo negociado pelo Grêmio. Uma rápida olhada no Google  faria perceber que Enrico Cabrito NÃO EXISTE. Eu fiz isso para ter 100% de certeza de que era uma invenção. Mas, pela ânsia do furo, o jornalista acabou publicando a maior barrigada da história.

Imediatamente ele passou a receber inúmeras mensagens com piadas e críticas ao trabalho mal realizado. Para amenizar a situação vergonhosa que já estava se espalhando por todos os cantos do Rio Grande, o jornalista se explicou dizendo que foi "hackeado" na rede social (quando alguém invade um perfil pessoal e publica em seu nome). Aí tudo piorou.

As críticas passaram a aumentar. Enrico Cabrito acabou sendo o assunto mais comentado do Brasil, e um dos mais comentados do mundo. Uma barrigada que ganhou proporções mundiais.

Ao mesmo tempo que acho graça com as piadas em tempo real, fico pensando o seguinte: como ele se deixou chegar a esse nível? Como que um jornalista que deve ter uns 30 anos de experiência pecou num ato tão simples, que era apenas apurar se o jogador existia? Vale a pena jogar fora uma credibilidade de décadas por causa de uma informação duvidosa? Dá pena.

Eu não condeno ele por tal ato. Esse jornalista passou por importantes emissoras de rádio do Estado. Por anos foi apresentador de um programa jornalístico de cunho policial e acabou demitido no ano passado. Precisou voltar à mídia apelando para uma pequena emissora de rádio que recém estava sendo criada. A ânsia para aumentar a audiência da mesma e fazer com que voltasse a um lugar respeitável acabou manchando sua carreira. É lamentável que ele tenha se deixado levar por uma brincadeira de torcedores.

A lição que quero passar é a seguinte, em especial aos amigos jornalistas (ou estudantes). SEMPRE APUREM UMA INFORMAÇÃO. Essa é uma norma básica, mas nunca podemos esquecer. Sempre temos que apurar ao máximo qualquer coisa que vamos publicar. É o nosso nome, é a nossa credibilidade, é a nossa carreira que pode estar em jogo com uma informação mal apurada. E em caso de alguma dúvida, verifica de novo para ver se não tem nada errado. É melhor nós ligarmos para 15 fontes diferentes, verificar o que as concorrentes estão falando do assunto e ler 30 vezes o nosso texto antes de publicar, do que se apressar e divulgar o que está errado, e perdermos nossa credibilidade na profissão.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Super domingo de muito esporte

Domingo sempre é o dia em que grandes eventos esportivos acontecem. E, para o caso deste dia 3, continuará assim. A tarde de hoje será marcada por várias festas do esporte, como alguns clássicos regionais espalhados pelo Brasil. Em especial, claro que falarei dele, do Gre-Nal, o maior espetáculo da Terra. Além disso neste domingo terá ainda o Super Bowl de número 47, a final da NFL, entre Baltimore Ravens e San Francisco 49ers. 

É difícil fazer um texto único se tratando de dois eventos tão distintos de modalidades esportivas tão diferentes. Mas não custa arriscar. 

O duelo dos opostos


Gre-Nal de Erechim será o primeiro clássico de 2013
(foto: Luciano Leon - Futurapress)
O clássico de número 395 não será no Beira-Rio (que está em reforma para a Copa) e nem na nova Arena do Grêmio. Tricolores e colorados vão se degladiar em Erechim, cidade muito distante de Porto Alegre, para trazer a alegria aos torcedores do Norte do Rio Grande do Sul. Para melhorar ainda mais, esse é o primeiro Gre-Nal da fase de grupos do Gauchão que será transmitido em TV aberta. Ou seja, o torcedor que não for ao estádio poderá conferir o clássico sem sair de casa, o que já é uma maravilha. O jogo será às 17 horas, e vai ser exibido na RBS TV.

Apesar de ser um Gre-Nal, ele não terá a força total das duas equipes. O Grêmio vai ir à campo com um time misto. Será um time intercalado com os jogadores que realizaram as partidas anteriores no Gauchão e com alguns nomes que jogaram pela Libertadores contra a LDU na quarta-feira, em que o tricolor avançou à fase de grupos após vencer os equatorianos por 1 a 0 no tempo normal, e por 5 a 4 nos pênaltis. O que pode complicar ainda mais os azuis, é que o treinador Vanderlei Luxemburgo não estará presente no clássico. O Grêmio será comandado hoje pelo auxiliar Roger Machado. O provável time de hoje será: Busatto, Tony, Bressan, Werley e Alex Telles; Fernando, Léo Gago, Misael e Jean Deretti; Leandro e Willian José.

O Internacional vem com força máxima para o clássico. O colorado é comandado agora por Dunga, e vem como favorito. Será apenas o segundo jogo do Inter com suas principais estrelas. O problema é que o duelo anterior não foi proveitoso para os colorados, em razão do empate sem gols contra o Novo Hamburgo, na ensolarada quarta-feira na cidade de Gravataí. Mesmo com o favoritismo, ainda é difícil de cravar o Inter como vencedor, mas é certo de que o elenco escalado é muito mais forte que o do maior rival. Os colorados vão à campo com: Muriel, Gabriel, Rodrigo Moledo, Índio e Fabrício; Willians, Josimar (Fred), Dátolo e D'Alessandro; Forlán e Leandro Damião.

O jogo que faz uma nação inteira parar

O Super Bowl XLVII é o jogo de futebol americano mais assistido nos Estados Unidos. É um clássico em que circulam bilhões de dólares com comidas e bebidas, e faz todos os norte-americanos ficarem vidrados na televisão. Para se ter ideia dos gastos, um simples anúncio de 30 segundos no intervalo da partida custará  4 milhões de dólares, em torno de 8 milhões de reais (e você aí achando caro uma inserção no intervalo do Jornal Nacional por "apenas" 750 mil reais né). Será um dia em que os bolsos da CBS  ficarão absurdamente cheios.

Aqui no Brasil o jogo é pouco divulgado. Na TV aberta, só vi uma emissora fazer menção ao duelo de Baltimore Ravens e San Francisco 49ers. A ESPN é o canal oficial do Super Bowl no Brasil, e a transmissão do jogo já começa às 20 horas.

Além do jogo entre Ravens e 49ers, um outro fator importante são os espetáculos extras que terão na final da NFL. A cantora Alicia Keys fará a interpretação do hino americano, e também Beyoncé fará o show do intervalo - que sempre conta com grandes astros da música internacional.

Quanto a partida, é difícil dizer quem é o favorito. O time de San Francisco conta com um novato quarterback, mas que vem surpreendendo todo mundo por sua irreverência e por suas jogadas. Collin Kaepernick já conseguiu fazer uma boa fama rapidamente, e pode se consagrar hoje, caso vença a partida. Já o Baltimore Ravens tem como destaque o jogador Ray Lewis - que está com o clube desde quando foi fundado, em 1996 - anunciou a aposentadoria para o final desta temporada. Encerrar a carreira com um Super Bowl já será marcante para o jogador, ainda mais se ele e sua equipe garantirem o troféu.
 
Sendo pela bola oval, ou pela bola redonda, hoje vai ser um dia espetacular. Os amantes do esporte terão um dia perfeito para ficarem ligados diante da televisão. Valerá a pena conferir essa programação especial.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Por que temos que chegar ao pico do desastre?

Meu blog é esportivo. Porém, hoje não haverá motivos para falar de nada relacionado à nenhuma competição. Estou corrompido pela dor da morte de mais de 200 pessoas na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O que aconteceu, todos sabem. Não vou repetir o que está nas capas dos jornais, na cobertura das emissoras de TV e rádio espalhadas por todo o mundo. Vocês já sabem o horror que estamos presenciando. O que quero falar é, por que sempre uma tragédia estratosférica precisa acontecer para iniciar planos para a prevenção de novos desastres?

Foi assim na Fórmula 1, na morte de Ayrton Senna. Só criaram mecanismos de segurança nos carros e nas pistas após o mundo perder o maior piloto de todos os tempos. No futebol foi o mesmo após a tragédia de Hillsborough, na Inglaterra, em 1989, em que 96 pessoas morreram esmagadas no cercado da arquibancada absurdamente lotada. Por causa disso que a FIFA bate tanto na tecla de que deve haver forte segurança nos estádios de futebol. 

No trânsito, tivemos que ver milhares de vidas desperdiçadas todos os dias por causa da mistura entre álcool e direção para finalmente criarem a Lei Seca - e torná-la mais rígida, como foi feito recentemente. Na aviação, precisamos suportar o massacre de 11 de setembro para aumentar a segurança do transporte aéreo do mundo. Por que tem que ser assim? Por que não pode haver um plano de prevenção desse tipo de acidentes, antes de um fato cruel acontecer? Por quê?

Por que ninguém fiscalizou que não havia mais de uma saída na boate? Por que ninguém viu que a licensa da empresa estava vencida havia quase seis meses? Quanta incompetência! Quantas perguntas sem respostas. E agora, todos choramos com a dor da perda dessas pessoas. Eu não tenho parentes, amigos e nem amigos de amigos entre as vítimas, mas me sinto tão enlutado como qualquer pessoa que perdeu alguém nesse acidente. 

Muitos porquês precisarão ser respondidos. Peço encarecidamente que a presidente Dilma Rousseff, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, os senadores e deputados de todo o Brasil, comecem a analisar leis que possam nos dar mais segurança ao entrar em casas de festas. É necessário que hajam leis que aumentem o número de saídas de emergência nas boates, assim como é lá nos Estados Unidos (que também sofreram com incêndios catastróficos semelhantes ao de Santa Maria). Uma lei dessas pode salvar muitas vidas. Como a maior tragédia aconteceu, o que resta agora é pedir para que haja mudanças em nossas legislações, para não sofrermos novamente com uma catástrofe tão cruel como a que estamos vivendo atualmente.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Campeonatos estaduais e seus regulamentos bizarros

Gauchão possui o melhor regulamento entre os estaduais (e as melhores imagens)
(foto retirada do site impedimento.org)
Esse texto não tem cunho de defender (ou não) o fim dos campeonatos estaduais. É verdade que eles sufocam os times grandes, mas para os pequenos é o que lhes resta para o ano inteiro. O que pretendo falar é da péssima organização das federações estaduais para os seus campeonatos locais. São poucas competições que têm regulamentos decentes que talvez possam ter algum sentido aos participantes.

Juro a vocês que não estou sendo bairrista, mas de todos os estaduais que pesquisei, o que tem o melhor regulamento é o Gauchão. Sim, ele mesmo, dos campinhos do interior, das "imagens bonitas das torcedoras" da Serra e do entrevero que é um jogo de futebol num gramado ruim em dia de chuva. Falo isso porque a fórmula de disputa é a seguinte: ele é dividido em dois grupos de oito. No primeiro turno as equipes de um grupo jogam com as do outro. Ao final dessa fase, os quatro primeiros de cada avançam e se enfrentam em jogos de mata-mata até decidir o campeão do turno. O segundo turno é semelhante ao primeiro, porém os times duelam dentro do seu próprio grupo. O vencedor de cada turno vai à final do campeonato - isso se uma equipe não vencer os dois turnos, que se tornaria a campeã. Passada a explicação, é notável que a tabela dinâmica do Gauchão é a melhor para haver um torneio decidido em mata-mata.

O formato, adotado em 2009, é semelhante ao do Campeonato Carioca, porém o que faz o Gauchão ser melhor ao torneio do Rio de Janeiro é que, por nossas terras, em caso de empate num mata-mata, há pênaltis - que foram banidos no torneio de lá. Eu como amante do futebol de copa, prefiro pênaltis, além de ser mais justo. No Rio de Janeiro, se der empate em um mata-mata, avança o de melhor campanha, o que não concordo, pois, para mim, mata-mata já é outro campeonato. Outro estadual bom é o Paranaense. O torneio tem um formato de dois turnos corridos, e quem for o melhor em cada turno, vai à final estadual. Mais uma prova de que com um regulamento simples se pode realizar um bom torneio de respeito.

Mas e os regulamentos bizarros? Agora eles vem aí.

Eu não vou citar todos os 27 estaduais (e se eu colocar a Copa do Nordeste daria 28), então vou pôr alguns esquisitões de exemplo. Nem o campeonato mais forte deles vai escapar das críticas, mas o Paulistão tem um regulamento muito parecido aos horríveis Brasileirões dos anos 90. Os 20 times se enfrentam por longas 19 rodadas em turno único. Em vez de dar o título ao melhor, a Federação Paulista de Futebol preferiu colocar os oito primeiros num mata-mata após esse turno, o que pode fazer com que o melhor colocado perca ainda nas quartas de final. Um regulamento bem fraquinho para o estado em que se orgulha de ter os melhores times, os melhores jogadores e todo aquele blá blá blá dos jornais de nível nacional. Outros campeonatos acirrados com uma forma de disputa semelhante são o Mineiro e o Goiano, que seguem a mesma linha, só que com menos estrago - porque lá a disputa sempre fica reservada à dois ou três clubes.

Neste parágrafo vou falar de nove estaduais de uma vez. Todos os campeonatos estaduais da região Nordeste poderiam merecer o prêmio de "Pior Estadual de 2013", graças ao torneio regional chamado Copa do Nordeste. Nesta competição, 16 times duelam em um torneio bem organizado, porém, a disputa do título regional abriu uma brecha para uma imensa mutreta que beneficia estes 16 participantes. Quem tá no Nordestão não cai para a segunda divisão - pelo menos no estado. Os estaduais estão sendo jogados por times de menor expressão (e que alguns certamente vão cair), e os principais só vão entrar na disputa na fase final do certame local. Isso sem contar que internamente esses estaduais devem possuir regras horrendas que nem fui muito a fundo. Na prática a Copa do Nordeste foi um grande estrago para os nove campeonatos de lá.

Já o pior dos piores estaduais está em Santa Catarina. O Catarinensão - apelido carinhoso dado por mim - é dividido em um grupo único, mata-matas e uma decisão. Em cada turno, jogam todos contra todos, e o melhor é o campeão do respectivo turno. Aí começa a vir a bizarrice. Passados os dois turnos, com dois campeões, a federação Catarina inventou de realizar SEMIFINAIS do campeonato, incluindo dois times que não ganharam nada, mas que fizeram mais pontos entre o resto. Para piorar, se o mesmo time ganhar os dois turnos, tanto faz, haverá semifinal da mesma forma. Ou seja, teu time pode ganhar os dois turnos e NÃO SER CAMPEÃO ESTADUAL. Já vi muito campeonato mal organizado, mas tem varzeanos da minha cidade com regras infinitamente melhores do que o principal torneio do estado vizinho. O Catarinensão leva o prêmio de "Pior Estadual de 2013". Que eles façam um esforço para não repetirem tal feito em 2014, por favor.

Os estaduais estão mal organizados assim porque não há um consenso das federações de cada território do nosso Brasil. O torneio em mata-mata ainda está apegado à nós, mesmo passando dez anos da era dos pontos corridos no Brasileirão. Não sou contra o mata-mata, desde que seja bem organizado todo o campeonato. Que os dirigentes manda-chuvas do futebol de seus estados façam competições melhores. Isso pode dar mais audiência televisiva, e mais credibilidade às suas ligas e aos seus clubes participantes.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Viva la Copa- A Libertadores vai começar

Nesta terça-feira a pelota finalmente vai rolar pelos campos da América do Sul e México. A Copa Libertadores vai começar com 38 equipes, e até a próxima semana, seis delas já estarão no olho da rua. O campeonato é o mais importante da América do Sul, e dá uma vaga ao Mundial de Clubes, no final do ano. Mas não é só por isso que é legal jogar a Copa.

Taça Libertadores- tão linda e tão cobiçada
(foto: Cléber Mendes- Lancenet)
Nestes próximos dias, doze clubes vão fazer a primeira fase da competição - o que a mídia do eixo dá o nome desagradável de "Pré-Libertadores". São duelos em mata-mata, ou seja, quem perder, já está eliminado. Grêmio e São Paulo são os clubes brasileiros que vão ter que superar este desafio preliminar. Além destes dois, Corinthians, Fluminense, Atlético Mineiro e Palmeiras vão representar o Brasil, mas já entram na fase de grupos. Até onde cada um deles pode chegar? Começo a análise pelos estreantes.

O Grêmio é o time que pegou o adversário mais duro nesta fase preliminar. O clube bicampeão em 1983 e 1995 vai ter dois jogos duros contra a LDU do Equador, que já ganhou uma Libertadores em 2008. É o único duelo inicial com dois campeões da América. O tricolor montou um bom time para este ano, enquanto a Liga fez mais de dez contratações, mas vem com um elenco de menor poder financeiro. O fator local poderá fazer a diferença neste jogo. Em Quito, o Grêmio terá um duelo apertado com uma torcida próxima ao campo, em compensação, a volta será na Arena, que tem as mesmas características do estádio da LDU, porém, muito maior. Apesar disso, o Grêmio é mais favorito para passar de fase e fazer uma boa Libertadores, mesmo com a ideia absurda do técnico Vanderlei Luxemburgo em deixar o goleiro Marcelo Grohe no banco para o idoso Dida pegar a camisa 1.

O tricolor paulista, por sua vez, vai enfrentar o Bolivar, da Bolívia. No Morumbi pode ser uma barbada para o São Paulo, mas a altitude boliviana sempre é traiçioeira contra clubes brasileiros. O tricampeão da Libertadores (em 1992, 1993 e 2005) perdeu Lucas ao final do ano, mas conta com um elenco fortíssimo com o goleiro Rogério Ceni e o atacante Luís Fabiano, além do zagueiro Lúcio, recém contratado. O São Paulo está embalado pela conquista da Copa Sul-Americana em dezembro passado, e com tanta empolgação deve ir muito bem neste ano.

Entre os que já estão garantidos na fase de grupos, o Corinthians não é só o melhor brasileiro como também o principal candidato a conquistar o bicampeonato da América. Atual campeão da Libertadores e do Mundial, o time que até ano passado não tinha Libertadores e estádio conseguiu um patrocínio multimilionário com um banco do governo, e por isso conseguiu contratar Alexandre Pato por 40 milhões de reais em uma das transações mais caras do futebol brasileiro. Agora que o Corinthians aprendeu a ganhar Libertadores, eles não vão desperdiçar o bi com tanta facilidade.

Campeão Brasileiro, o Fluminense pode fazer uma campanha de chegar à semifinal do torneio. A base é a mesma do Brasileirão do ano passado e, portanto, a força do tricolor carioca deve continuar a mesma. O sonho do título inédito é possível, mas com tantos times fortes, não será nada tranquilo chegar até a decisão. Além disso, Fred e companhia não pegaram um grupo moleza.

Dos times brasileiros, é estranho dizer que dois clubes consagrados já na fase de grupos são menos favoritos ao campeonato do que os representantes locais que pegarão a partida preliminar, mas Atlético Mineiro e Palmeiras podem ser considerados assim. O time de Minas Gerais é bem forte, liderado por Ronaldinho, mas falta ao clube uma experiência de Libertadores, que o Atlético não jogava há quase 15 anos. A maioria dos atletas não sabem jogar na Argentina ou na altitude, e isso pode ser prejudicial ao Galo. Já o Palmeiras, bom, o Palmeiras está sucumbido a jogar a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. O alviverde paulista está longe do seu auge, nos tempos da Parmalat e da única Libertadores conquistada, em 1999, e só jogará neste ano porque conquistaram a Copa do Brasil em 2012, antes do barco naufragar. Atualmente está cheio de problemas financeiros e políticos. Com a situação ruim do Verdão, se passar da fase de grupos é lucro, porque o foco é fugir da Série B.

Está aí os prognósticos dos brasileiros na Libertadores. Apesar disso, há muitos medalhões brigando pela Copa, como Boca Juniors, Velez Sarsfield, Peñarol, Nacional, entre tantos outros. Os dez países da Conmebol - e o intruso México - vão viver meses intensos até o final de julho, para descobrir quem vai reinar na América pelos próximos meses. Logo eu falo dos outros países e faço uma análise de cada grupo, porque agora falta compor as seis vagas para as 32 da próxima fase. De qualquer forma, a Copa é um dos campeonatos mais legais de se assistir, e, por isso mesmo, ninguém pode perder esta festa.

Tigre-ARG x Deportivo Anzoátegui- VEN
LDU- EQU x Grêmio
Deportes Tolima- COL x Universidad Cesar Vallejo- PER
Defensor-URU x Olimpia-PAR
São Paulo x Bolivar-BOL
León-MEX x Deportes Iquique-CHI