*Este é um artigo que escrevi para a minha aula de Jornalismo Interpretativo e Opinativo. Como recebi elogios da professora, resolvi reproduzi-lo por aqui. Confiram a íntegra abaixo.
Uma das maiores polêmicas de 2013 está na decisão do Governo Federal de contratar médicos estrangeiros ou brasileiros formados no exterior para trabalharem na rede pública de saúde do Brasil. O Programa Mais Médicos chegou para que haja uma aceleração na espera do atendimento de pacientes nos hospitais públicos do interior ou da periferia das grandes cidades, amenizando a precariedade que é o serviço aberto à população brasileira. É uma solução valiosa para resolver o grave problema das enormes filas do nosso Sistema Único de Saúde (SUS).
Acho correta esta decisão do Governo Federal, pois é doloroso assistir às reportagens da TV que mostram filas enormes de pacientes esperando por atendimento nos hospitais públicos brasileiros, que muitas vezes acabam morrendo a espera de um diagnóstico. Além disso, estamos com uma baixa demanda de médicos brasileiros que desejam trabalhar no SUS. O Mais Médicos surge como uma boa solução para uma parcela de todo o grande problema da saúde no Brasil, e parece que com o programa, parte do caos dos hospitais públicos deve ser resolvida.
É verdade que, a cada ano, uma grande parcela de novos médicos acaba surgindo, estes oriundos dos cursos de medicina nas universidades. Na prática, os médicos que se formam poderiam sim trabalhar no SUS e supriria a demanda de profissionais nos hospitais públicos. Essa atitude poderia evitar a contratação de estrangeiros. Porém, nas últimas décadas, é possível notar que a profissão de médico no Brasil está cada vez mais elitizada. Os formados em medicina no país vêm de famílias com grande poder aquisitivo. A maioria deles só quer exercer a profissão nos ambientes cômodos dos hospitais ou nas clínicas particulares, não pensando em ajudar a população das periferias das capitais ou das cidades do interior. Isso que o Programa Mais Médicos oferece a remuneração mensal de 10 mil reais, catorze vezes mais alta que o valor do atual salário mínimo brasileiro.
Os representantes de sindicatos médicos e conselhos de medicina também argumentam contra o Programa Mais Médicos pelo fato dos profissionais que estão chegando ao Brasil não falarem o português. Mas a mãe de família que está levando o seu filho doente para ser atendido no hospital público não está pensando se o médico que está atendendo a criança fala português, francês, espanhol ou o inglês. Ela apenas quer que o seu filho seja atendido de forma digna, como está previsto na nossa constituição, em que diz que todo cidadão brasileiro merece receber um atendimento médico de qualidade.
Há muito o que melhorar na saúde do Brasil, que está pedindo socorro, onde os médicos brasileiros, em sua maioria, insistem em não trabalhar nos hospitais públicos. Vejo que o Governo Federal tomou uma ótima decisão com a criação do Programa Mais Médicos. Serão estes profissionais, estrangeiros ou brasileiros formados no exterior, que poderão amenizar o grave problema da saúde no nosso país.