quarta-feira, 8 de julho de 2015

Como foi o primeiro ano pós-7 a 1

Goleada alemã sobre o Brasil fez até o GC da FIFA criar uma barra de rolagem

Müller, Klose, Kroos, Kroos de novo, Khedira, Shürrle e novamente Shürrle. Esta sequência de nomes ainda persiste na memória de muita gente, ainda mais neste dia 8 de julho, data em que completa um ano do maior vexame da história da Seleção Brasileira, na derrota por 7 a 1 para a Alemanha, em plena semifinal da Copa do Mundo, jogando em casa. Os jogadores alemães que marcaram naquele dia não possuem nenhuma culpa no que aconteceu naquela tarde no Mineirão, mas aqueles sete gols mostraram que o futebol brasileiro não estava bem, apresentando a má qualidade da Seleção da pior maneira possível.

De todas as derrotas que aconteceram com a Seleção Brasileira, nenhuma delas ficou tanto na minha memória quanto esta para a Alemanha, que volta e meia surge em meus pensamentos. Até hoje, rever aquele jogo e aquela sequência de gols é inacreditável. Ao vivo, a partida foi de pleno terror, onde nenhum torcedor poderia fazer nada a não ser torcer para que os alemães fossem bonzinhos e parassem de marcar. Se bem que até dá para dizer que os adversários foram legais, pois no segundo tempo (com o duelo já em 5 a 0 para a Alemanha), o time que venceria a Copa do Mundo dias depois marcou apenas mais duas vezes, e ainda levou o gol de honra do Oscar. Se eles quisessem, poderiam ter aplicado uma goleada ainda maior que os 10 a 1 da Hungria em El Salvador em 82, placar este que é o recorde da maior goleada em Copas do Mundo.

O 7 a 1 ainda está vivo na memória de muita gente. Os alemães pararam de marcar contra a nossa defesa, mas o futebol brasileiro nada melhorou após aquela semifinal da Copa. Como dito em outros posts recentes neste blog, a Seleção pouco evoluiu. Com Dunga no comando, o Brasil venceu todos os amistosos até aqui. Mas na primeira competição após a Copa do Mundo, a Copa América, a Seleção apresentou um futebol de baixa qualidade, sem brilho, e foi eliminada nas quartas de final nos pênaltis para o Paraguai. A Seleção foi ao Chile com um time tão ruim, ou ainda pior, que o que jogou a última Copa do Mundo.

E o que a CBF fez depois deste vexame? Praticamente nada. A Seleção mudou seu técnico e alguns de seus jogadores, mas segue sem brilho e sem esperanças. E pior, a entidade segue com sua reputação comprometida. O ex-presidente José Maria Marin, inclusive, está preso, acusado de estar envolvido no escândalo da FIFA. Ricardo Teixeira, também ex-presidente e o atual, Marco Polo Del Nero, também estão sob investigação neste esquema.

Pouco se faz também para o futebol como um todo. Após a Copa, falava-se em um melhor desenvolvimento das equipes de base do Brasil, mas ficou só da boca para fora. É verdade que a Seleção Brasileira sub-20 foi vice-campeã mundial há pouco tempo, mas foi apenas um pequeno passo, considerando também o fato de que o time trocou de técnico já em preparação para a Copa do Mundo da categoria.

A goleada sofrida para a Alemanha sempre é lembrada também quando temos de assistir aos quase sempre terríveis jogos do Campeonato Brasileiro. São raras as oportunidades em que os estádios estão lotados ou quando acontece um jogo emocionante e equilibrado. Além disso, a arbitragem faz de tudo para estragar grande parte dos jogos, atuando na maioria das vezes de forma imparcial, ou seja, prejudicando mandante e visitante com erros grotescos em diversas partidas.


Após 365 dias da histórica goleada, pouca coisa mudou para evitar que a Seleção Brasileira caia em desgraça. Não só o time do Dunga, mas também o futebol brasileiro precisa ter uma reestruturação melhor. A marca dos 7 a 1 jamais será apagada, mas não se pode deixar as coisas como está. Se continuar assim, o futebol brasileiro seguirá como piada mundial, e correrá o risco de passar por vexames tão terríveis quanto a derrota para os alemães.

sábado, 4 de julho de 2015

Passado, presente e futuro unidos: a conquista chilena da Copa América



De todos os estádios de futebol do mundo, talvez nenhum deles conta com histórias tão emblemáticas quanto o Estádio Nacional de Santiago, na capital do Chile. Inaugurado em 1938, o principal estádio chileno foi, inclusive, sede da final da Copa do Mundo de 1962, quando o Brasil se tornou bicampeão mundial, derrotando a Tchecoslováquia. Mas este local também teve um de seus momentos mais terríveis na ditadura de Augusto Pinochet, iniciada em 1973. O Estádio Nacional se tornou uma grande prisão assim que foi iniciado o golpe, onde milhares de chilenos foram presos, torturados e mortos no local, por apenas serem contrários a um dos piores regimes militares vividos na América do Sul, e que durou até 1989.

Parte do Estádio Nacional que resgata as memórias da ditadura de Pinochet

Passados 42 anos do início daquela ditadura, o mesmo Estádio Nacional vivenciou a maior glória da história do futebol chileno. O primeiro título da Copa América conquistado pelo Chile pode ser considerado uma libertação do palco da decisão contra a Argentina. Estádio este que foi palco de horror para milhares de pessoas, e que hoje presenciou um momento mágico da melhor seleção chilena de todos os tempos.

O time treinado por Jorge Sampaoli foi quem apresentou o melhor futebol em toda esta edição da Copa América. A equipe fez todos os seus jogos apresentando uma boa qualidade tática, com um poder de ataque perigosíssimo que atormentou as defesas de todas as equipes que enfrentou. Além disso, os jogadores eram muito unidos, em que cada atleta conseguiu ser uma peça importante na ajuda desta conquista histórica.


Nesta decisão, contra a Argentina, o Chile também apresentou melhor futebol. No papel, os argentinos eram melhores, liderados por jogadores como Messi, Mascherano, Agüero e Di Maria. Só que no tempo normal e na prorrogação, o time de Vidal, Alexis Sanchez, Valdívia, Aránguiz e Vargas jogou melhor, podendo ter decidido o jogo em diversas oportunidades, que acabaram com a bola não entrando no gol de Romero. Foi necessário passar pelo drama da decisão por pênaltis para que os chilenos comemorassem o tão esperado título. Messi foi o único que acertou para os argentinos. Higuaín isolou e o goleiro Bravo defendeu o pênalti de Banega. Pelo Chile, Matías Fernandez, Vidal, Aránguiz e Alexis Sanchez marcaram em suas cobranças, garantindo assim o título do continente.

Poderia ser apenas mais uma decisão qualquer, se esta não viesse recheada de tanta história. A conquista da Copa América demonstra um novo marco para o Chile, premiando uma equipe que jogou muito bem na última Copa do Mundo, mesmo sendo eliminada tão precocemente, caindo nas oitavas de final. O Estádio Nacional de Santiago, que já sofreu tantas dores e tanta tristeza, presenciou o momento mais feliz de todo o futebol chileno. O local onde se faz questão de lembrar que "um povo sem memória é um povo sem futuro", agora apresenta um novo capítulo em sua história, o capítulo que encerrou com a merecida primeira conquista da história da seleção do Chile.