sábado, 18 de junho de 2016

Gigante Bowl garante o sucesso do futebol americano no Brasil


Porto Alegre viveu uma noite histórica. O Estádio Beira-Rio presenciou um grande duelo, recheado de grandes jogadas e de fatos emocionantes. Um verdadeiro show de organização e também da torcida presente. Haverão aqueles que podem achar que estou falando de mais uma vitória do Internacional, quando na verdade, falo do Gigante Bowl, a decisão do Campeonato Gaúcho de Futebol Americano, vencida pelo Santa Maria Soldiers, que derrotou o Juventude FA por 21 a 3.

Quando comecei a acompanhar o futebol americano, lá por 2011, mal haviam algumas pessoas que entendiam o esporte. Conversar sobre, era ainda mais difícil. Foram vários os dias em que escrevia no Twitter ou no Facebook, e quase não tinha nenhum tipo de interação como resposta. Eram monólogos, com pequenas interrupções para uma resposta ou outra sobre algum jogo específico. Naqueles anos não tão distantes, imaginar a popularidade deste esporte tão incrível em nossas terras era difícil. Ganhar notoriedade dentro do Brasil então? Parecia impossível.

Aos poucos, a popularidade foi crescendo. A NFL foi ganhando audiência e hoje já somos o terceiro país que mais acompanha a liga, atrás do México e (obviamente) dos Estados Unidos. Mas ainda havia o descaso, a desconfiança. "Esse esporte não vai ser grande por aqui", "é muito violento, não tem como dar certo", "só é popular porque o marido da Gisele joga" ou "é uma moda, e logo já param de falar", eram alguns dos argumentos contrários. Foram muitas as vezes que ouvi opiniões assim, mas felizmente, todos estes tabus foram quebrados aos poucos.

Até que chegamos a este 18 de junho de 2016. O Campeonato Gaúcho alcançou neste ano a sua oitava edição, mas que foi a melhor de todas elas. Pela primeira vez, dez times participaram do torneio, divididos em duas conferências, com temporada regular, playoffs, e, claro, o Gigante Bowl, a grande decisão no Beira-Rio, realizada graças a parceria da Federação Gaúcha de Futebol Americano com o Internacional, que abraçou o esporte para sediar a grande final. A FGFA organizou um grande campeonato, digno de fazer inveja ao quase centenário Gauchão de futebol, que ultimamente deixa a desejar em vários aspectos, que não são o tema deste post. 

O Santa Maria Soldiers já tinha sido campeão outras duas vezes. Na atual temporada, perdeu apenas um jogo, e foi o campeão da Conferência Oeste. O Juventude era o atual campeão, e chegou invicto ao Gigante Bowl após vencer com sobras a Conferência Leste. 

A organização foi impecável. Antes do jogo, e no intervalo da partida, shows musicais animaram a torcida presente. Foram mais de 12 mil torcedores, público maior que a média de onze equipes que jogam o Brasileirão da Série A em 2016. Isso sem contar com a entrada das equipes, recebidas no gramado com show de luzes e fogos, lembrando a NFL. Só faltaram os aviões caças da Força Aérea Brasileira sobrevoando o Beira-Rio após o hino, mas isso fica para o ano que vem. Fica a dica.

Em campo, o que se viu foi um duelo de defesas fortes, e ataques precisos no jogo terrestre. Na primeira metade, o Santa Maria Soldiers garantiu um touchdown, sofreu um field goal, mas foi para o intervalo com a vantagem em 7 a 3. No segundo tempo, um fumble (quando um jogador perde o controle da bola) do Juventude FA fez o Soldiers ficar próximo da endzone, para anotar mais um touchdown. E no último quarto, outro TD fez a equipe da região central do Estado ampliar a vantagem para 21 a 3, e garantir o tricampeonato estadual. O MVP da partida foi o running back Guilherme Busanello, que anotou dois touchdowns terrestres.

O Gigante Bowl foi um sucesso. É um imenso orgulho ver que um esporte tão bacana garantiu um enorme prestígio por aqui. Posso dizer que vi o crescimento e a popularidade deste esporte aqui no Brasil. Jamais imaginei que, dois anos depois, um estádio da Copa do Mundo de 2014 abriria suas portas para o futebol americano. E não foi só um, como hoje mesmo teve a bola oval voando no Mineirão, e o recorde de público no Brasil foi na Arena Pantanal, em Cuiabá, em 2015. Que bom que paradigmas foram quebrados. Que bom que este esporte está crescendo. O sucesso do futebol americano no Brasil está acontecendo, e ainda há muito para melhorar, mas o mais importante, é que vai melhorar. 

segunda-feira, 7 de março de 2016

Peyton Manning, você vai deixar saudades

Peyton Manning anunciou sua aposentadoria nesta segunda-feira (7)
Ainda não consegui me acostumar com o fim da carreira de Peyton Manning. Demorei um tempo para escrever, pois estava refletindo sobre como será a vida da NFL, e as dos fãs da liga, sem ter um de seus maiores jogadores. Deixará de jogar um dos melhores atletas de futebol americano de todos os tempos, e consequentemente, um dos meus maiores ídolos esportivos.

Afirmar que Peyton Manning foi o maior jogador de todos os tempos eu não posso, mas são muitas as estatísticas que ajudam a o colocar no patamar dos maiores atletas da história. Peyton é recordista em passes para touchdown, em jardas aéreas (o número de jardas alcançadas por passe), em número de vitórias como titular, foi 14 vezes selecionado para o Pro Bowl (o jogo das estrelas da liga), cinco vezes o MVP da temporada, e duas vezes campeão do Super Bowl, sendo o único quarterback a conquistar por dois times diferentes.

Manning foi o único quarterback a vencer dois Super Bowls por equipes diferentes (Colts em 2007 e Broncos em 2016)
Manning é um cara incrível. Admirado por todos dentro da liga, tanto pelos clubes em que defendeu (Indianapolis Colts, de 1998 à 2011, e Denver Broncos, de 2012 até fevereiro deste ano), quanto pelas equipes adversárias, que muitas vezes participaram de feitos históricos do atleta. Além disso, era um atleta genial, que sabia estudar as jogadas antes mesmo delas acontecerem, vendo onde as defesas adversárias estavam mais vulneráveis para que ele realizasse seus passes com qualidade, ou elaborando alguma jogada diferente, como uma corrida de um running back ou até mesmo dele próprio.

O que mais lamento na sua aposentadoria, é que comecei a ver a NFL já em seu final de carreira. Acompanho o futebol americano há apenas cinco anos, e imagino que seria incrível demais poder ter visto Peyton Manning atuando em alto nível. Felizmente o You Tube ajuda, com vídeos de atuações memoráveis dele. Mas ainda posso dizer que pelo menos pude acompanhar o final desta brilhante trajetória.

Mesmo assistindo à NFL há pouco tempo, consegui sim colocar Peyton Manning no hall dos meus atletas favoritos. Lamentei muito quando o Denver Broncos foi derrotado nos playoffs em 2013 e no Super Bowl em 2014, principalmente por causa do jogador. Mas como sabia que esta última temporada poderia ser sua despedida, comemorei ao ver chegando ao Super Bowl 50, mesmo tendo eliminado o New England Patriots um jogo antes, time este que escolhi torcer no futebol americano. Sua atuação contra o Carolina Panthers pode não ter sido das melhores, sem ter anotado nenhum touchdown, apenas uma conversão de dois pontos, mas pouco importa. O legado que Peyton Manning deixa para o esporte é muito maior que isso, e foi muito legal ter visto um dos maiores jogadores de futebol americano de todos os tempos ter encerrado sua carreira como campeão da NFL.

Nessas horas sou grato mais uma vez a ter aproveitado uma madrugada de insônia para descobrir e me apaixonar pelo futebol americano. Conhecer e vivenciar glórias de um atleta como Peyton Manning foi sensacional. Sou muito grato à este jogador. Vai demorar para me acostumar a ver o Denver Broncos sem o camisa 18 comandando o ataque, ou para ver um jogo entre Patriots x Broncos sem o aperto de mãos de Tom Brady e Peyton Manning. Mas a vida é feita de eras, e poderei dizer, com muito orgulho, que vi em campo um dos melhores jogadores de futebol americano.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O caminho para o Super Bowl: os playoffs da NFL vão começar



Falta um mês para terminar a temporada 2015/16 da NFL. Mas nem tudo é tão ruim assim. A partir deste final de semana (9 e 10 de janeiro), começam os playoffs, a fase de mata-mata da National Football League, o campeonato de futebol americano que a cada dia conquista mais fãs no Brasil. Serão dez jogos emocionantes até a definição de quem vai para San Francisco disputar o Super Bowl 50, que promete ser um dos maiores eventos esportivos deste ano que recém começou.

Após o término da temporada regular, 20 dos 32 times já encerraram seu ciclo, pois não garantiram a classificação para a sequência da liga. Por ser uma fase tão curta (16 jogos em 17 semanas), qualquer descuido pode ser fatal. Dos eliminados, alguns decepcionaram, seja por lesões envolvendo seus principais jogadores (como os casos do Dallas Cowboys e do Indianapolis Colts), seja por falhar em um momento decisivo (como o New York Jets, que perdeu a classificação na última semana), ou por incompetência administrativa, como exemplo do San Francisco 49ers, que teve uma das piores campanhas entre todas as equipes.

Os times são divididos em duas conferências, e dentro delas, existem quatro divisões regionais. Avançam para os playoffs os oito campeões de cada divisão, mais os dois melhores de cada conferência sem terem vencido alguma divisão na liga. Entre os 12 classificados, algumas franquias confirmaram seu favoritismo na temporada regular, como New England Patriots, Denver Broncos, Green Bay Packers, Arizona Cardinals, Carolina Panthers e Seattle Seahawks. Outras, surpreenderam de maneira impressionante, e chegam com força para a fase seguinte, como Kansas City Chiefs, Cincinnati Bengals e Minnesota Vikings. E tiveram também aqueles que se classificaram sem proporcionar façanhas tão grandiosas, mas que podem crescer nesta fase final e eliminar as grandes forças da liga, como Pittsburgh Steelers, Washington Redskins e Houston Texans. Uma destas 12 equipes levará o Troféu Vince Lombardi, na grande decisão, que será no domingo de Carnaval.

Todas as fases dos playoffs são decididas em jogo único, disputado na casa de quem teve melhor campanha (a exceção do Super Bowl, que é realizado em uma sede pré-definida). Uma vitória deixará a equipe mais próxima do título, mas uma derrota significa o início das férias forçadas. Na primeira fase da pós-temporada, chamada de Wildcard, os dois melhores de cada conferência não jogam, e estão automaticamente classificados para as semifinais de suas respectivas conferências, caso de Denver Broncos e New England Patriots (pela AFC, a Conferência Americana), e de Carolina Panthers e Arizona Cardinals (pela NFC, a Conferência Nacional). As demais oito franquias decidem seu futuro neste sábado e domingo. As quatro vencedoras enfrentam as equipes que folgam no Wildcard. Na sequência, ocorrem os Divisional Playoffs, com os semifinalistas de cada conferência, e a fase Conference Championship, com as decisões da AFC e da NFC. Quem vencer estes jogos, vai para o Super Bowl, o grande sonho de toda franquia da NFL.

Agora é o momento decisivo. Os playoffs da NFL são o que separam os pequenos dos gigantes. São enormes as expectativas por jogos incríveis, pois vimos uma temporada regular com grandes duelos, mesmo sendo entre as equipes menos expressivas, e que já não estão mais na disputa. Valerá a pena conferir cada instante do final da liga. São as últimas oportunidades para aproveitá-la intensamente, porque após o Carnaval, a NFL só volta em setembro.

Calendário dos playoffs da NFL. Todos os jogos serão transmitidos pela ESPN e pelo Esporte Interativo:

Wildcard

09/01
Houston Texans x Kansas City Chiefs (19h35)
Cincinnati Bengals x Pittsburgh Steelers (23h15)

10/01
Minnesota Vikings x Seattle Seahawks (16h05)
Washington Redskins x Green Bay Packers (19h40)

Divisional Playoffs

16/01
New England Patriots x Melhor classificado da AFC pelo Wildcard (19h35)
Arizona Cardinals x Melhor classificado da NFC pelo Wildcard (23h15)

17/01
Carolina Panthers x Pior classificado da NFC pelo Wildcard (16h05)
Denver Broncos x Pior classificado da AFC pelo Wildcard (19h40)

Conference Championships

24/01
Final da AFC (18h05)
Final da NFC (21h40)

Super Bowl 50

07/02
Campeão da NFC X Campeão da AFC (21h30)