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sábado, 18 de junho de 2016

Gigante Bowl garante o sucesso do futebol americano no Brasil


Porto Alegre viveu uma noite histórica. O Estádio Beira-Rio presenciou um grande duelo, recheado de grandes jogadas e de fatos emocionantes. Um verdadeiro show de organização e também da torcida presente. Haverão aqueles que podem achar que estou falando de mais uma vitória do Internacional, quando na verdade, falo do Gigante Bowl, a decisão do Campeonato Gaúcho de Futebol Americano, vencida pelo Santa Maria Soldiers, que derrotou o Juventude FA por 21 a 3.

Quando comecei a acompanhar o futebol americano, lá por 2011, mal haviam algumas pessoas que entendiam o esporte. Conversar sobre, era ainda mais difícil. Foram vários os dias em que escrevia no Twitter ou no Facebook, e quase não tinha nenhum tipo de interação como resposta. Eram monólogos, com pequenas interrupções para uma resposta ou outra sobre algum jogo específico. Naqueles anos não tão distantes, imaginar a popularidade deste esporte tão incrível em nossas terras era difícil. Ganhar notoriedade dentro do Brasil então? Parecia impossível.

Aos poucos, a popularidade foi crescendo. A NFL foi ganhando audiência e hoje já somos o terceiro país que mais acompanha a liga, atrás do México e (obviamente) dos Estados Unidos. Mas ainda havia o descaso, a desconfiança. "Esse esporte não vai ser grande por aqui", "é muito violento, não tem como dar certo", "só é popular porque o marido da Gisele joga" ou "é uma moda, e logo já param de falar", eram alguns dos argumentos contrários. Foram muitas as vezes que ouvi opiniões assim, mas felizmente, todos estes tabus foram quebrados aos poucos.

Até que chegamos a este 18 de junho de 2016. O Campeonato Gaúcho alcançou neste ano a sua oitava edição, mas que foi a melhor de todas elas. Pela primeira vez, dez times participaram do torneio, divididos em duas conferências, com temporada regular, playoffs, e, claro, o Gigante Bowl, a grande decisão no Beira-Rio, realizada graças a parceria da Federação Gaúcha de Futebol Americano com o Internacional, que abraçou o esporte para sediar a grande final. A FGFA organizou um grande campeonato, digno de fazer inveja ao quase centenário Gauchão de futebol, que ultimamente deixa a desejar em vários aspectos, que não são o tema deste post. 

O Santa Maria Soldiers já tinha sido campeão outras duas vezes. Na atual temporada, perdeu apenas um jogo, e foi o campeão da Conferência Oeste. O Juventude era o atual campeão, e chegou invicto ao Gigante Bowl após vencer com sobras a Conferência Leste. 

A organização foi impecável. Antes do jogo, e no intervalo da partida, shows musicais animaram a torcida presente. Foram mais de 12 mil torcedores, público maior que a média de onze equipes que jogam o Brasileirão da Série A em 2016. Isso sem contar com a entrada das equipes, recebidas no gramado com show de luzes e fogos, lembrando a NFL. Só faltaram os aviões caças da Força Aérea Brasileira sobrevoando o Beira-Rio após o hino, mas isso fica para o ano que vem. Fica a dica.

Em campo, o que se viu foi um duelo de defesas fortes, e ataques precisos no jogo terrestre. Na primeira metade, o Santa Maria Soldiers garantiu um touchdown, sofreu um field goal, mas foi para o intervalo com a vantagem em 7 a 3. No segundo tempo, um fumble (quando um jogador perde o controle da bola) do Juventude FA fez o Soldiers ficar próximo da endzone, para anotar mais um touchdown. E no último quarto, outro TD fez a equipe da região central do Estado ampliar a vantagem para 21 a 3, e garantir o tricampeonato estadual. O MVP da partida foi o running back Guilherme Busanello, que anotou dois touchdowns terrestres.

O Gigante Bowl foi um sucesso. É um imenso orgulho ver que um esporte tão bacana garantiu um enorme prestígio por aqui. Posso dizer que vi o crescimento e a popularidade deste esporte aqui no Brasil. Jamais imaginei que, dois anos depois, um estádio da Copa do Mundo de 2014 abriria suas portas para o futebol americano. E não foi só um, como hoje mesmo teve a bola oval voando no Mineirão, e o recorde de público no Brasil foi na Arena Pantanal, em Cuiabá, em 2015. Que bom que paradigmas foram quebrados. Que bom que este esporte está crescendo. O sucesso do futebol americano no Brasil está acontecendo, e ainda há muito para melhorar, mas o mais importante, é que vai melhorar. 

segunda-feira, 7 de março de 2016

Peyton Manning, você vai deixar saudades

Peyton Manning anunciou sua aposentadoria nesta segunda-feira (7)
Ainda não consegui me acostumar com o fim da carreira de Peyton Manning. Demorei um tempo para escrever, pois estava refletindo sobre como será a vida da NFL, e as dos fãs da liga, sem ter um de seus maiores jogadores. Deixará de jogar um dos melhores atletas de futebol americano de todos os tempos, e consequentemente, um dos meus maiores ídolos esportivos.

Afirmar que Peyton Manning foi o maior jogador de todos os tempos eu não posso, mas são muitas as estatísticas que ajudam a o colocar no patamar dos maiores atletas da história. Peyton é recordista em passes para touchdown, em jardas aéreas (o número de jardas alcançadas por passe), em número de vitórias como titular, foi 14 vezes selecionado para o Pro Bowl (o jogo das estrelas da liga), cinco vezes o MVP da temporada, e duas vezes campeão do Super Bowl, sendo o único quarterback a conquistar por dois times diferentes.

Manning foi o único quarterback a vencer dois Super Bowls por equipes diferentes (Colts em 2007 e Broncos em 2016)
Manning é um cara incrível. Admirado por todos dentro da liga, tanto pelos clubes em que defendeu (Indianapolis Colts, de 1998 à 2011, e Denver Broncos, de 2012 até fevereiro deste ano), quanto pelas equipes adversárias, que muitas vezes participaram de feitos históricos do atleta. Além disso, era um atleta genial, que sabia estudar as jogadas antes mesmo delas acontecerem, vendo onde as defesas adversárias estavam mais vulneráveis para que ele realizasse seus passes com qualidade, ou elaborando alguma jogada diferente, como uma corrida de um running back ou até mesmo dele próprio.

O que mais lamento na sua aposentadoria, é que comecei a ver a NFL já em seu final de carreira. Acompanho o futebol americano há apenas cinco anos, e imagino que seria incrível demais poder ter visto Peyton Manning atuando em alto nível. Felizmente o You Tube ajuda, com vídeos de atuações memoráveis dele. Mas ainda posso dizer que pelo menos pude acompanhar o final desta brilhante trajetória.

Mesmo assistindo à NFL há pouco tempo, consegui sim colocar Peyton Manning no hall dos meus atletas favoritos. Lamentei muito quando o Denver Broncos foi derrotado nos playoffs em 2013 e no Super Bowl em 2014, principalmente por causa do jogador. Mas como sabia que esta última temporada poderia ser sua despedida, comemorei ao ver chegando ao Super Bowl 50, mesmo tendo eliminado o New England Patriots um jogo antes, time este que escolhi torcer no futebol americano. Sua atuação contra o Carolina Panthers pode não ter sido das melhores, sem ter anotado nenhum touchdown, apenas uma conversão de dois pontos, mas pouco importa. O legado que Peyton Manning deixa para o esporte é muito maior que isso, e foi muito legal ter visto um dos maiores jogadores de futebol americano de todos os tempos ter encerrado sua carreira como campeão da NFL.

Nessas horas sou grato mais uma vez a ter aproveitado uma madrugada de insônia para descobrir e me apaixonar pelo futebol americano. Conhecer e vivenciar glórias de um atleta como Peyton Manning foi sensacional. Sou muito grato à este jogador. Vai demorar para me acostumar a ver o Denver Broncos sem o camisa 18 comandando o ataque, ou para ver um jogo entre Patriots x Broncos sem o aperto de mãos de Tom Brady e Peyton Manning. Mas a vida é feita de eras, e poderei dizer, com muito orgulho, que vi em campo um dos melhores jogadores de futebol americano.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O caminho para o Super Bowl: os playoffs da NFL vão começar



Falta um mês para terminar a temporada 2015/16 da NFL. Mas nem tudo é tão ruim assim. A partir deste final de semana (9 e 10 de janeiro), começam os playoffs, a fase de mata-mata da National Football League, o campeonato de futebol americano que a cada dia conquista mais fãs no Brasil. Serão dez jogos emocionantes até a definição de quem vai para San Francisco disputar o Super Bowl 50, que promete ser um dos maiores eventos esportivos deste ano que recém começou.

Após o término da temporada regular, 20 dos 32 times já encerraram seu ciclo, pois não garantiram a classificação para a sequência da liga. Por ser uma fase tão curta (16 jogos em 17 semanas), qualquer descuido pode ser fatal. Dos eliminados, alguns decepcionaram, seja por lesões envolvendo seus principais jogadores (como os casos do Dallas Cowboys e do Indianapolis Colts), seja por falhar em um momento decisivo (como o New York Jets, que perdeu a classificação na última semana), ou por incompetência administrativa, como exemplo do San Francisco 49ers, que teve uma das piores campanhas entre todas as equipes.

Os times são divididos em duas conferências, e dentro delas, existem quatro divisões regionais. Avançam para os playoffs os oito campeões de cada divisão, mais os dois melhores de cada conferência sem terem vencido alguma divisão na liga. Entre os 12 classificados, algumas franquias confirmaram seu favoritismo na temporada regular, como New England Patriots, Denver Broncos, Green Bay Packers, Arizona Cardinals, Carolina Panthers e Seattle Seahawks. Outras, surpreenderam de maneira impressionante, e chegam com força para a fase seguinte, como Kansas City Chiefs, Cincinnati Bengals e Minnesota Vikings. E tiveram também aqueles que se classificaram sem proporcionar façanhas tão grandiosas, mas que podem crescer nesta fase final e eliminar as grandes forças da liga, como Pittsburgh Steelers, Washington Redskins e Houston Texans. Uma destas 12 equipes levará o Troféu Vince Lombardi, na grande decisão, que será no domingo de Carnaval.

Todas as fases dos playoffs são decididas em jogo único, disputado na casa de quem teve melhor campanha (a exceção do Super Bowl, que é realizado em uma sede pré-definida). Uma vitória deixará a equipe mais próxima do título, mas uma derrota significa o início das férias forçadas. Na primeira fase da pós-temporada, chamada de Wildcard, os dois melhores de cada conferência não jogam, e estão automaticamente classificados para as semifinais de suas respectivas conferências, caso de Denver Broncos e New England Patriots (pela AFC, a Conferência Americana), e de Carolina Panthers e Arizona Cardinals (pela NFC, a Conferência Nacional). As demais oito franquias decidem seu futuro neste sábado e domingo. As quatro vencedoras enfrentam as equipes que folgam no Wildcard. Na sequência, ocorrem os Divisional Playoffs, com os semifinalistas de cada conferência, e a fase Conference Championship, com as decisões da AFC e da NFC. Quem vencer estes jogos, vai para o Super Bowl, o grande sonho de toda franquia da NFL.

Agora é o momento decisivo. Os playoffs da NFL são o que separam os pequenos dos gigantes. São enormes as expectativas por jogos incríveis, pois vimos uma temporada regular com grandes duelos, mesmo sendo entre as equipes menos expressivas, e que já não estão mais na disputa. Valerá a pena conferir cada instante do final da liga. São as últimas oportunidades para aproveitá-la intensamente, porque após o Carnaval, a NFL só volta em setembro.

Calendário dos playoffs da NFL. Todos os jogos serão transmitidos pela ESPN e pelo Esporte Interativo:

Wildcard

09/01
Houston Texans x Kansas City Chiefs (19h35)
Cincinnati Bengals x Pittsburgh Steelers (23h15)

10/01
Minnesota Vikings x Seattle Seahawks (16h05)
Washington Redskins x Green Bay Packers (19h40)

Divisional Playoffs

16/01
New England Patriots x Melhor classificado da AFC pelo Wildcard (19h35)
Arizona Cardinals x Melhor classificado da NFC pelo Wildcard (23h15)

17/01
Carolina Panthers x Pior classificado da NFC pelo Wildcard (16h05)
Denver Broncos x Pior classificado da AFC pelo Wildcard (19h40)

Conference Championships

24/01
Final da AFC (18h05)
Final da NFC (21h40)

Super Bowl 50

07/02
Campeão da NFC X Campeão da AFC (21h30)

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Como foi o primeiro ano pós-7 a 1

Goleada alemã sobre o Brasil fez até o GC da FIFA criar uma barra de rolagem

Müller, Klose, Kroos, Kroos de novo, Khedira, Shürrle e novamente Shürrle. Esta sequência de nomes ainda persiste na memória de muita gente, ainda mais neste dia 8 de julho, data em que completa um ano do maior vexame da história da Seleção Brasileira, na derrota por 7 a 1 para a Alemanha, em plena semifinal da Copa do Mundo, jogando em casa. Os jogadores alemães que marcaram naquele dia não possuem nenhuma culpa no que aconteceu naquela tarde no Mineirão, mas aqueles sete gols mostraram que o futebol brasileiro não estava bem, apresentando a má qualidade da Seleção da pior maneira possível.

De todas as derrotas que aconteceram com a Seleção Brasileira, nenhuma delas ficou tanto na minha memória quanto esta para a Alemanha, que volta e meia surge em meus pensamentos. Até hoje, rever aquele jogo e aquela sequência de gols é inacreditável. Ao vivo, a partida foi de pleno terror, onde nenhum torcedor poderia fazer nada a não ser torcer para que os alemães fossem bonzinhos e parassem de marcar. Se bem que até dá para dizer que os adversários foram legais, pois no segundo tempo (com o duelo já em 5 a 0 para a Alemanha), o time que venceria a Copa do Mundo dias depois marcou apenas mais duas vezes, e ainda levou o gol de honra do Oscar. Se eles quisessem, poderiam ter aplicado uma goleada ainda maior que os 10 a 1 da Hungria em El Salvador em 82, placar este que é o recorde da maior goleada em Copas do Mundo.

O 7 a 1 ainda está vivo na memória de muita gente. Os alemães pararam de marcar contra a nossa defesa, mas o futebol brasileiro nada melhorou após aquela semifinal da Copa. Como dito em outros posts recentes neste blog, a Seleção pouco evoluiu. Com Dunga no comando, o Brasil venceu todos os amistosos até aqui. Mas na primeira competição após a Copa do Mundo, a Copa América, a Seleção apresentou um futebol de baixa qualidade, sem brilho, e foi eliminada nas quartas de final nos pênaltis para o Paraguai. A Seleção foi ao Chile com um time tão ruim, ou ainda pior, que o que jogou a última Copa do Mundo.

E o que a CBF fez depois deste vexame? Praticamente nada. A Seleção mudou seu técnico e alguns de seus jogadores, mas segue sem brilho e sem esperanças. E pior, a entidade segue com sua reputação comprometida. O ex-presidente José Maria Marin, inclusive, está preso, acusado de estar envolvido no escândalo da FIFA. Ricardo Teixeira, também ex-presidente e o atual, Marco Polo Del Nero, também estão sob investigação neste esquema.

Pouco se faz também para o futebol como um todo. Após a Copa, falava-se em um melhor desenvolvimento das equipes de base do Brasil, mas ficou só da boca para fora. É verdade que a Seleção Brasileira sub-20 foi vice-campeã mundial há pouco tempo, mas foi apenas um pequeno passo, considerando também o fato de que o time trocou de técnico já em preparação para a Copa do Mundo da categoria.

A goleada sofrida para a Alemanha sempre é lembrada também quando temos de assistir aos quase sempre terríveis jogos do Campeonato Brasileiro. São raras as oportunidades em que os estádios estão lotados ou quando acontece um jogo emocionante e equilibrado. Além disso, a arbitragem faz de tudo para estragar grande parte dos jogos, atuando na maioria das vezes de forma imparcial, ou seja, prejudicando mandante e visitante com erros grotescos em diversas partidas.


Após 365 dias da histórica goleada, pouca coisa mudou para evitar que a Seleção Brasileira caia em desgraça. Não só o time do Dunga, mas também o futebol brasileiro precisa ter uma reestruturação melhor. A marca dos 7 a 1 jamais será apagada, mas não se pode deixar as coisas como está. Se continuar assim, o futebol brasileiro seguirá como piada mundial, e correrá o risco de passar por vexames tão terríveis quanto a derrota para os alemães.

sábado, 4 de julho de 2015

Passado, presente e futuro unidos: a conquista chilena da Copa América



De todos os estádios de futebol do mundo, talvez nenhum deles conta com histórias tão emblemáticas quanto o Estádio Nacional de Santiago, na capital do Chile. Inaugurado em 1938, o principal estádio chileno foi, inclusive, sede da final da Copa do Mundo de 1962, quando o Brasil se tornou bicampeão mundial, derrotando a Tchecoslováquia. Mas este local também teve um de seus momentos mais terríveis na ditadura de Augusto Pinochet, iniciada em 1973. O Estádio Nacional se tornou uma grande prisão assim que foi iniciado o golpe, onde milhares de chilenos foram presos, torturados e mortos no local, por apenas serem contrários a um dos piores regimes militares vividos na América do Sul, e que durou até 1989.

Parte do Estádio Nacional que resgata as memórias da ditadura de Pinochet

Passados 42 anos do início daquela ditadura, o mesmo Estádio Nacional vivenciou a maior glória da história do futebol chileno. O primeiro título da Copa América conquistado pelo Chile pode ser considerado uma libertação do palco da decisão contra a Argentina. Estádio este que foi palco de horror para milhares de pessoas, e que hoje presenciou um momento mágico da melhor seleção chilena de todos os tempos.

O time treinado por Jorge Sampaoli foi quem apresentou o melhor futebol em toda esta edição da Copa América. A equipe fez todos os seus jogos apresentando uma boa qualidade tática, com um poder de ataque perigosíssimo que atormentou as defesas de todas as equipes que enfrentou. Além disso, os jogadores eram muito unidos, em que cada atleta conseguiu ser uma peça importante na ajuda desta conquista histórica.


Nesta decisão, contra a Argentina, o Chile também apresentou melhor futebol. No papel, os argentinos eram melhores, liderados por jogadores como Messi, Mascherano, Agüero e Di Maria. Só que no tempo normal e na prorrogação, o time de Vidal, Alexis Sanchez, Valdívia, Aránguiz e Vargas jogou melhor, podendo ter decidido o jogo em diversas oportunidades, que acabaram com a bola não entrando no gol de Romero. Foi necessário passar pelo drama da decisão por pênaltis para que os chilenos comemorassem o tão esperado título. Messi foi o único que acertou para os argentinos. Higuaín isolou e o goleiro Bravo defendeu o pênalti de Banega. Pelo Chile, Matías Fernandez, Vidal, Aránguiz e Alexis Sanchez marcaram em suas cobranças, garantindo assim o título do continente.

Poderia ser apenas mais uma decisão qualquer, se esta não viesse recheada de tanta história. A conquista da Copa América demonstra um novo marco para o Chile, premiando uma equipe que jogou muito bem na última Copa do Mundo, mesmo sendo eliminada tão precocemente, caindo nas oitavas de final. O Estádio Nacional de Santiago, que já sofreu tantas dores e tanta tristeza, presenciou o momento mais feliz de todo o futebol chileno. O local onde se faz questão de lembrar que "um povo sem memória é um povo sem futuro", agora apresenta um novo capítulo em sua história, o capítulo que encerrou com a merecida primeira conquista da história da seleção do Chile.

sábado, 27 de junho de 2015

7 a 1 não foi pouco: foi o começo



É setembro de 2017. O Brasil vai ir até La Paz enfrentar a Bolívia e a altitude. A situação é complicada, pois ganhar dos bolivianos fora de casa sempre é uma tarefa difícil. A Seleção precisa vencer para seguir com chances de disputar a Copa do Mundo de 2018. Um empate ou uma derrota custaria uma inédita desclassificação brasileira da maior competição de futebol do mundo, antes mesmo dela começar.

Este início de texto foi mera ficção, mas pode virar realidade. A derrota de hoje, nos pênaltis, para o Paraguai, evidencia que a goleada sofrida pela Alemanha por 7 a 1 na última Copa foi apenas o começo de uma fase nebulosa que vive o futebol brasileiro atual, e apresenta o que pode acontecer nos próximos anos. A frase "7 a 1 foi pouco", tão dita por milhões de pessoas após aquela derrota no Mineirão, demonstra que o Brasil não aprendeu nada após o maior vexame de sua história no futebol, e que nada foi feito para melhorar tal situação.

Dunga assumiu o time no lugar de Felipão. Seu retrospecto inicial foi perfeito. Dez vitórias em dez amistosos, vencendo inclusive duas seleções campeãs do mundo, como Argentina e França. Só que nestes jogos, já era possível identificar que algo não estava bem. O Brasil vencia mas não encantava, jogando um futebol pragmático, arriscando sempre na jogada aérea, e com a Seleção sempre dependendo do Neymar para conseguir criar alguma coisa.

Então veio a Copa América, o primeiro grande teste do time de Dunga. A impressão que deu foi que o time que jogou no Chile fosse tão ruim ou pior do que a Seleção da Copa de 2014. Jogadores da China, do futebol árabe e da Ucrânia serviram como base para a equipe titular, algo terrível para quem viveu a época em que a base do Brasil era a do Milan campeão europeu de 2003, ou da Inter campeã da Europa em 2010. Nos dois primeiros jogos, contra Peru e Colômbia, a "Neymardependência"ficou ainda mais evidente. Contra os peruanos, a Seleção só venceu por 2 a 1 graças a um gol de Neymar, e um passe do camisa 10 para Douglas Costa concluir, isso já no final do jogo. Na derrota para a Colômbia (a primeira pós-Copa do Mundo), Neymar foi muito bem marcado, mas perdeu a cabeça ao criar uma confusão ao final da partida, foi expulso e suspenso do restante da competição.

A situação ficou crítica. Contra a Venezuela, o Brasil quase sofreu o empate após começar ganhando de 2 a 0, lembrando que os venezuelanos já chegaram a perder por 7 a 0 para a Seleção em outras épocas. A eliminação para o Paraguai foi o ápice para culminar a depressiva campanha brasileira na Copa América, com derrota nos pênaltis para uma equipe que sequer jogou a última Copa do Mundo, ficando em último nas Eliminatórias.

O problema maior é que o Brasil passou por mais um vexame e na entrevista coletiva, Dunga ainda culpou uma virose de alguns jogadores para o mal desempenho da Seleção, não assumindo a culpa de que o time jogou mal. Vexames históricos do Brasil são sempre explicados por motivos que não envolvem a partida, como que se fosse um crime admitir que a Seleção jogou mal e mereceu ser eliminada. É a água batizada, é a convulsão de Ronaldo, é o Roberto Carlos ajeitando a meia, é o Felipe Melo sendo violento, é o Thiago Silva chorando, é a virose, entre outras desculpas. A culpa sempre é destinada a um episódio ou a um jogador, como uma tentativa de não atestar incompetência do técnico e do time pelos maus resultados.

E não, não estou isentando de culpa os dirigentes da CBF. O futebol brasileiro está como está graças a eles. Teixeira, Marin, Del Nero e tantos outros se dedicaram nos últimos anos a receber propina de países candidatos a sediar outras Copas do Mundo, e na realização de amistosos da Seleção longe de casa. Enquanto isso o futebol em nosso país segue terrível, com uma Seleção de raros bons talentos, sem tática e sem qualidade coletiva. Dentro de casa, nossos campeonatos definham em jogos ruins, de baixo público, e com arbitragem irregular em quase todas as partidas.

Espero profundamente que o futebol do Brasil não fique como está, muito menos que piore. A Seleção precisa reconhecer que não é mais a melhor do mundo, para que jogue com humildade e saiba fazer melhor o jogo coletivo. É necessário que técnicos, jogadores e demais profissionais que se dedicam ao futebol, que façam uma reciclagem e comecem a estudar melhor o jogo, para que, não somente a Seleção Brasileira, mas que o futebol brasileiro como um todo possa vir a ter dias melhores. E, principalmente, que a CBF, que manda na Seleção e nos nossos campeonatos, seja menos corrupta, e passe a trabalhar para um desenvolvimento melhor do esporte em nosso país. O 7 a 1 precisa ser tratado como uma lição para dar a volta por cima, e não ser o começo para que tragédias maiores ocorram com o Brasil.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Copa 2014: um ano do melhor mês de todos



O dia 12 de junho de 2014 foi histórico. Foi nesta data que começou a Copa do Mundo realizada no Brasil. Hoje, lembro com muita nostalgia sobre o quão incrível e intensa foi a maior competição do futebol mundial em nosso país. Foi um mês inteiro de jogos mágicos, gols incríveis, estádios lotados, e de façanhas inimagináveis ocorridas em nossas terras, sem contar também com a grande invasão de turistas de todas as partes do mundo.


A Copa começou com a estreia da Seleção Brasileira, que era favorita ao título. Um jogo tenso contra a Croácia, em que o Brasil começou perdendo com um gol contra, mas virou, e venceu por 3 a 1, em jogo comandado por Neymar, que marcou dois gols. Aquela partida em São Paulo já mostrava que a Copa do Mundo tinha tudo para ser incrível, e foi mesmo.


Nos dias que sucederam a abertura, vimos a então atual campeã Espanha cair ainda na primeira fase, e no "Grupo da Morte",  a Costa Rica foi quem matou as poderosas seleções de Inglaterra e Itália, se classificando em primeiro e deixando o Uruguai em segundo. O Brasil também viu uma imensa invasão de estrangeiros, principalmente os sul-americanos do Chile, do Uruguai e da Argentina, que vinham das mais variadas formas para o nosso país, mesmo que estivessem sem o ingresso para os jogos. Países como Holanda, França, Colômbia e Alemanha também tiveram destaque, apresentando um futebol de grande qualidade.


Houve também duelos sensacionais, com situações inimagináveis. Antes do torneio, parecia impossível crer que a semifinal entre Argentina e Holanda seria um jogo pior que uma partida da fase de grupos como Argélia e Coreia do Sul, a qual muita gente que não foi ao estádio desdenhou do duelo antes dele acontecer. Foram muitos jogos de grande qualidade, então é impossível descrever qual deles foi o melhor. 


E tivemos gols, e quantos gols. Foram 171 no total, se igualando à Copa de 1998 com o maior número de gols em uma mesma edição. Vimos o voo do holandês Van Persie contra a Espanha, a pintura do colombiano James Rodríguez contra o Uruguai, Messi fazendo gols no seu estilo e decidindo para a Argentina, e Cahill marcando um golaço contra a Holanda no Beira-Rio, gol este que tive a sorte de assistir de dentro do estádio. São só alguns exemplos de golaços ocorridos em nossos estádios na competição.


Teve a mordida do Suárez em Chiellini, os jogadores de Gana recebendo seu pagamento em dinheiro vindo de avião do país africano, e Cristiano Ronaldo decepcionando na competição, mesmo sendo escolhido o melhor jogador do mundo pela FIFA no ano anterior. Aconteceu também o primeiro gol com a ajuda da tecnologia, em França e Honduras. E também houveram situações improváveis, como a ousada ideia do técnico holandês Louis Van Gaal, ao trocar o goleiro Cillessen por Krul no último minuto da prorrogação contra a Costa Rica, fazendo o goleiro reserva se consagrar na decisão por pênaltis. Entre as lesões, Falcão García e Ribéry se ausentaram da Copa, e Neymar fraturou a vértebra ao ser atingido por Zuñiga, da Colômbia, em um momento de pleno drama para todos os brasileiros.


Houve também o 7 a 1. Um ano depois daquela derrota, ainda é duro aceitar que o Brasil tomou aquela surra da Alemanha em uma semifinal, jogando em casa. Um resultado que até hoje é sentido por milhões de brasileiros. Ainda é triste lembrar daqueles gols, mas a ferida está sendo estancada. Aos poucos, isso vai passar. Pelo menos a Seleção apresentou leve melhora agora, com Dunga como treinador, vencendo todos os 10 amistosos após a Copa do Mundo, apesar de não estar conquistando o público brasileiro, mesmo nos recentes jogos em casa contra México e Honduras.

Não somente pela goleada na semifinal, a Alemanha foi a grande merecedora do título. Jogaram bem a Copa inteira, com um elenco de qualidade, ganhando no campo e no carisma, com atletas como Schweinsteiger e Podolski tirando fotos com camisas de clubes brasileiros e conquistando a todos nós pelo Twitter e Instagram. A final contra a Argentina foi justa, e o tetracampeonato mais do que merecido. 

Hoje, um ano depois do início, o futebol brasileiro não compensa a qualidade vista na Copa. Grande parte dos jogos são ruins, muitos estádios do Mundial vivem com público baixo, muito por conta dos ingressos caros, sem contar que algumas das arenas estão sem uso para o futebol, como em Brasília e Manaus. Além disso, tem toda a corrupção no esporte, escancarada com o recente escândalo da FIFA, que prendeu dirigentes como o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, e que fez até Joseph Blatter anunciar que deixará o cargo de presidente da FIFA, três dias após vencer as eleições. É um período difícil na organização do esporte, e espero que encerre com a condenação dos culpados, com uma gestão melhor do futebol no futuro.

É triste saber que não estamos mais convivendo atualmente com a Copa do Mundo no Brasil. Fica a sensação nostálgica de que foi a melhor Copa de todos os tempos, evento que vivi com intensidade plena, curtindo todos os jogos, todos os lances, do início ao fim. E até depois do fim ainda consegui curtir, já que o meu Trabalho de Conclusão de Curso da faculdade (o TCC) foi sobre esta edição do Mundial. A Copa do Mundo deixa saudades até hoje, mas estará eternamente nos corações de milhões de pessoas.

Abaixo, o melhor vídeo para reviver a Copa de 2014.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Mata-mata ou pontos corridos: uma análise sobre o formato ideal do Brasileirão

Em um período onde pouca coisa além das negociações de jogadores é notícia, surge nesta  primeira segunda-feira de 2015 a informação de que o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, está articulando com demais clubes para a possível volta do sistema de mata-mata ao Campeonato Brasileiro. A justificativa seria para deixar o campeonato mais atrativo. Atualmente, o Brasileirão é disputado no sistema de pontos corridos, em que todos os times se enfrentam em dois turnos. O possível retorno de um mata-mata no Brasileiro é uma tática que pode ser boa, e que eu apoio, dependendo da forma como for aplicada.

Desde o início do Brasileirão, em 1959, o mata-mata imperou nas fases decisivas. Até 2002, o campeonato contava com uma fase final. Nos anos 70, a competição chegou a ter 94 clubes, em 1979, como uma forma de tentar aproximar os times de todos os estados brasileiros em um único torneio.

Nos anos 90, quando já conseguia acompanhar o Brasileirão, lembro do sistema que foi mais utilizado na época. Os times se enfrentavam em turno único, geralmente entre julho e novembro, (com finais em dezembro) e os oito melhores avançavam para a fase de mata-mata, até decidir um campeão. Os regulamentos eram diferentes a cada ano, devidas as constantes mudanças de número de equipes participantes, algumas delas proporcionadas pelas famosas viradas de mesa, onde algum time grande se beneficiava para não ser rebaixado, ou ser milagrosamente promovido da Série C para a Série A, como foi com o Fluminense, de 1999 para 2000. Em 2000, inclusive, ocorreu um dos campeonatos mais bizarros da história, onde o vice-campeão da segunda divisão, o São Caetano, tinha direito a jogar as oitavas de final da primeira divisão do mesmo ano, e ainda terminou o campeonato como vice-campeão brasileiro, perdendo para o Vasco.

Como dito acima, o último ano em que o mata-mata foi instituído no Brasileirão foi em 2002, quando o Santos foi campeão, após ter ficado em oitavo lugar no turno único. Um encerramento melancólico de um formato que marcou época.

A partir de 2003, o Brasileirão passou a ser de pontos corridos. Nos seus dois primeiros anos, foi com 24 equipes na primeira divisão. Em 2005, o número diminuiu para 22, e em 2006, para 20 clubes, mantendo seu formato até hoje. Se por um lado o Brasileirão passou a ter um regulamento sólido nestas doze edições realizadas até então, por outro, ficou visível a diferença na qualidade técnica entre grandes e pequenas equipes. Desde que o sistema de pontos corridos foi instituído, seis times se tornaram campeões brasileiros, sendo apenas um deles, o Cruzeiro, que não é do Rio de Janeiro ou de São Paulo. Na era do mata-mata, era possível que mais times alcançassem a condição de campeões nacionais. Entre 1959 e 2002, foram 17 clubes que conquistaram o título (incluindo os seis campeões dos pontos corridos), sendo oito de fora do eixo Rio-São Paulo, como os representantes de Minas Gerais, e clubes das regiões Sul e Nordeste.

O formato atual é consolidado, mas preferia um Brasileirão mais empolgante em seus instantes finais. Seria melhor ver mais times com chances de título, evitando a possibilidade de o time campeão erguer o troféu em um salão fechado, com os jogadores vestindo terno e gravata, como já ocorreu desde que os pontos corridos passaram a chegar no Campeonato Brasileiro. Além disso, a liga corre o risco de ter sempre os mesmos times campeões, como é nos principais campeonatos da Europa. Outro fator que preocupa é a polarização entre os clubes participantes. Neste ano, somente duas equipes não são das regiões Sul e Sudeste do Brasil, sendo um clube do Centro Oeste, e um do Nordeste.

Mas os mata-matas no formato de antigamente, em pleno 2015, não seriam uma forma atraente. Um formato interessante que poderia ser copiado está justamente de um dos países onde o futebol mais cresce: nos Estados Unidos. Lá, a Major League Soccer (MLS), é realizada com times de duas conferências, em que os melhores da primeira fase em cada grupo vão para os mata-matas para decidir o campeão da temporada. O sistema de fase de grupos e mata-mata também é consolidado por lá nas quatro principais ligas do país (NFL, MLB, NBA e NHL).

Como minha sugestão de campeonato, ficaria o seguinte: os 20 representantes da Série A poderiam ser divididos em dois grupos com dez equipes, em chaves devidamente equilibradas, de acordo com o histórico de participações na primeira divisão. Poderia haver uma primeira fase com 28 jogos, sendo duas vezes contra cada adversário do grupo, e uma vez contra os times do outro grupo. Os quatro melhores de cada chave disputariam mata-matas até a decisão, com os piores times desta fase sendo rebaixados para a Série B. Seria uma forma que manteria um calendário equilibrado, e que poderia dar certo, podendo trazer força ao nosso principal campeonato.

Ainda é incerto se os clubes brasileiros conseguirão pressionar a CBF para haver alterações no Campeonato Brasileiro, mas as articulações já estão começando. Espero que a volta dos mata-matas, se acontecer, possa fortalecer o futebol do nosso país, que vive uma fase complicada há algum tempo. Caso tudo se mantenha como está, o que restará a nós, torcedores, é acostumarmos a ver a maioria dos times brigando por vagas, ou para não cair, e ver apenas dois ou três com chances reais de título.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Por que não declarar meu voto?


O país celebrou no último domingo (5) a maior festa da democracia. Muitos de nós exercemos o poder do voto, com o objetivo de fazer o nosso país um lugar melhor para se viver. Porém, vivi com o dilema de declarar publicamente os nomes das pessoas em quem eu votei. Após muita reflexão, optei por me preservar, principalmente nas redes sociais.

Não é fácil ficar neutro. Às vezes, vejo uma opinião maravilhosa sobre a pessoa em quem votei, e adoraria ir ali e comentar, defender e debater aquilo. Assim como vejo uma opinião contrária a minha, e que gostaria de trazer a minha posição, para que, mesmo que eu não convencesse a opinião adversária, pudesse realizar uma discussão de propostas que, em conjunto, pudessem fazer a diferença para o Estado ou para o Brasil. Mas eu sigo sem falar nada. 

O motivo. Em uma época onde todo mundo tem opinião sobre tudo, muitas pessoas não costumam aceitar uma ideia contrária. Alguns optam por excluir, bloquear, deixar de seguir alguém, apenas porque votam em outra pessoa. Outras fazem algo ainda pior, e costumam pregar o ódio, ofendendo adversários, com postagens muitas vezes em Caps Lock, e fazendo generalizações grotescas, do tipo "quem vota em X é vagabundo" ou "quem vota em Y não pensa nos pobres". Esse tipo de gente não é boa de debate. Preferem perder amigos e ofender pessoas pelo simples fato de não pensarem de forma igual à elas mesmas.

O ódio contra adversários é algo cruel. É anti-democrático. Precisamos entender que vivemos em um mundo onde ninguém pensa igual a ninguém, e não é por isso que uma pessoa merece ser ofendida por ter uma opinião diferente da sua. 

Posso estar errado ao me preservar? Posso, mas nesse momento é uma opção necessária para mim. Evito estresse para o meu lado, evito perder amigos (exceto aqueles que de alguma forma me ofenderem com alguma postagem dos exemplos acima), e evito também de fazer as mesmas opiniões caso alguém que eu não votei acabar vencendo a eleição. 

Mesmo não revelando meus votos, vou declarar indiretamente cada um deles. Posso lhes garantir que não votei em nenhum candidato com mínima instrução escolar, ou em um deputado preconceituoso ou em quem fez um mau mandato. Votei em pessoas que, a meu ver, conseguiriam ajudar o meu Estado e o meu país de alguma forma. Para os dois cargos de deputados, escolhi pessoas novas, que são a renovação da política, tão pedida nas manifestações de junho de 2013 (que infelizmente muitos esqueceram). Para o Senado, as opções de renovação foram poucas, cujas quais eu não tinha simpatia, então optei por uma pessoa íntegra e respeitável, de brilhante trajetória política. Quanto ao governo do Estado, minha escolha se classificou para o segundo turno, e para presidente, não votei nos que ainda estão na disputa, e fiz um voto aliado as melhores propostas feitas, em alguém que estava a fim de debater assuntos diferentes. Mas no fim das contas, para a presidência, terei de escolher agora um dos mesmos de sempre.

Até o dia 26, data do segundo turno, creio em uma campanha eleitoral que vai beirar o ridículo. Com ataques para todos os lados, e com pouca possibilidade de propostas. Fora que, os discursos de ódio nas redes sociais devem continuar. Mas eu tenho esperanças de ver um final feliz. Se as pessoas em que eu votar vencerem, ficarei muito feliz, mas ao mesmo tempo quero que elas cumpram com suas propostas. Se perderem, faz parte do processo eleitoral, mas desejarei sorte a quem vencer e vou exigir que estas pessoas façam um bom governo. O que espero para esta reta final de campanha, é de ver mais debates, mais propostas, mais discussões construtivas sobre opiniões diferentes, e menos ódio. Ódio não leva a nada além de ódio. Peço apenas um pouco de paz e amor durante esse processo democrático em que estamos vivendo. 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

20 anos sem Senna: um dos maiores heróis nacionais de todos os tempos

Tinha apenas dois anos quando Ayrton Senna perdeu sua vida ao bater seu carro na curva Tamburello, em Ímola, na Itália, há exatos 20 anos. Não lembro de ver ao vivo as imagens do acidente, a angústia dos brasileiros com as informações sobre seu quadro de saúde, a notícia de sua morte ou o velório que parou a cidade de São Paulo três dias depois. Mesmo assim, após crescer e ver suas corridas, suas vitórias, e o legado que o brasileiro deixou para o Brasil, não hesito ao afirmar que, para mim, Senna foi não só o maior piloto de todos os tempos, mas também a personalidade esportiva de maior importância na história.

Pela Lotus, Ayrton Senna conquistou suas primeiras vitórias
As lembranças que tenho de Senna são as das imagens reproduzidas constantemente na TV, ou as buscas que faço pela internet para encontrar algum vídeo do You Tube. De qualquer forma, são boas recordações, pois o piloto conseguiu durante sua carreira trazer um pouco de alegria e de esperança para o povo brasileiro, visto que entre 1984 e 1994, o Brasil ainda estancava a ferida que foi o período da ditadura militar, fora os problemas econômicos e sociais vividos na época. Não só isso, Senna também foi importante com as ajudas que ele fazia através de seus projetos sociais que beneficiaram (e beneficiam até hoje) as crianças de todo o país. Era o perfeito herói nacional.

Senna realizou grandes atos de patriotismo durante sua carreira
Sua carreira na Fórmula 1 foi de 1984 à 1994. Senna foi tricampeão mundial, em 1988, 1990 e 1991, vencendo 41 vezes e largando na pole position em 65 corridas. Mesmo com tantos feitos incríveis, Senna não é o maior campeão de todos os tempos, porém, o que ele proporcionava em suas corridas era superior a qualquer um dos demais pilotos que conquistaram mais títulos do que Ayrton. O brasileiro era mestre na arte de correr na chuva, e também sabia ser rápido e ousado em pistas onde é praticamente impossível de se ultrapassar, como nas ruas de Monte Carlo, em Mônaco. Cabe lembrar que Senna também protagonizou a melhor primeira volta de todos os tempos, no GP da Europa de 1993, quando largou em quarto, caiu para quinto na primeira curva, e terminou a primeira volta na liderança, vencendo a prova com uma volta a frente de todos os pilotos. Pelas equipes Toleman, Lotus e McLaren, Senna teve grandes realizações que o consagraram como o melhor de todos os tempos. Mas aí, viria o ano de 1994 e a sua transferência para a Williams.

Acidente em Ímola encerrou a vida de Ayrton Senna
Foram apenas três corridas pilotando o carro azul. Nos GPs do Brasil e do Pacífico, Senna não completou a prova. Na terceira etapa, o GP de San Marino, Senna deixaria este mundo para sempre naquele que seria o final de semana mais trágico de todos os tempos da Fórmula 1. Nos treinos livres da sexta-feira, o também brasileiro Rubens Barrichello bateu forte com seu carro, e sofreu uma lesão no braço. Na véspera da corrida, o austríaco Roland Ratzenberger bateu na curva Gilles Villeneuve, à frente da Tamburello, e morreu instantes depois. A morte de Senna também não foi trágica por ter sido neste final de semana, mas sim porque a carreira de um ídolo mundial teria terminado de uma forma tão chocante que foi necessário haver uma mudança geral para evitar que novos acidentes fatais acontecessem na Fórmula 1.

Senna foi um grande exemplo de ser um herói nacional. Seu legado está vivo nas milhões de pessoas que o acompanharam em sua carreira, e também nas pessoas que não o viram, mas que sabem da importância que ele teve para o país. O que todos sabemos é que ele sempre será um dos maiores seres humanos de todos os tempos.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Era para ser um domingo qualquer

Acordo ouvindo o som da tv com uma entrevista com um bombeiro. Já estava achando estranha a situação sem nem sair da cama, pois em domingos de manhã não há noticiários (pelo menos não na TV aberta e em um programa de esportes). Aí, o bombeiro falou em sequência as palavras "pilhas de corpos". Ali eu vi que era algo sério. Me levantei, e soube da tragédia.

Foi uma crueldade tamanha o incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, que completa um ano neste dia 27 de janeiro. É um dia que jamais esquecerei, pois dias assim não esquecemos. Ficará para sempre na minha memória as imagens dos corpos retirados, do desespero das famílias, do momento em que o Elói Zorzetto e a Carla Fachim liam nome por nome dos mortos, e do velório coletivo. Foi o dia em que o mundo inteiro, principalmente o Rio Grande do Sul, chorou com a perda das 242 vítimas.

Infelizmente, após 365 dias do pior dia que nosso Estado já viveu, não mudou muita coisa. É verdade que as casas noturnas estão sendo vistoriadas, mas muitas delas ainda não comportam as adequações necessárias para a segurança de quem frequenta estes ambientes. Confesso que, desde que aconteceu este incêndio, ir a uma festa com tranquilidade absoluta é praticamente impossível

Só espero que os responsáveis pelas dezenas de erros que culminaram com a tragédia sejam punidos com o máximo de rigor possível. Tudo bem que a nossa justiça é fraca, com leis de dupla interpretação e onde quem tem grana sempre consegue um jeitinho para se dar bem, mas espero que pelo menos neste caso haja a justiça. A cadeia para quem compactuou com o incêndio não trará de volta às vítimas, mas pelo menos servirá de exemplo para que não ocorra tragédias semelhantes.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A ressaca da insônia é ainda pior

Se tem um dos momentos na vida em que mais pensamos nos nossos problemas é naquela hora que buscamos a cama mais próxima para dormir e descansar. Porém, se nós estamos passando por alguma dificuldade nesta vida, não tem sono que nos livre de pensar nestes empecilhos, nos deixando com uma insônia horrorosa, e que estraga todo o nosso dia seguinte.

Contas, namoradas, empregos, aulas, reuniões, festas, não importa. Todo esse montante de coisas vem à sua cabeça no momento em que você não quer que elas cheguem. Por mais que você evite pensar nisso, por mais que contemos carneirinhos ou por mais que comecemos a nos distrair com outras coisas para tentar dormir, o mal da insônia vem de uma forma sanguinária, para te torturar e evitar que você tenha àquelas horas prazerosas do sono.

Para falar a verdade, é cruel demais você ter um pensamento maçante lhe fazer perder excelentes horas de sono, sem poder ter uma noite tranquila e um dia feliz. Uma tortura dolorosa, pois os minutos não passam. E, quando passam, já está na hora de acordarmos para retornar a rotina diária da vida. Nessas horas, nem apelar para todas as divindades espirituais possíveis ajuda. Se a insônia chegou, só à base de remédios é que poderemos tentar dormir pelo restante da noite, e ter aquele descanso fake que ainda pode viciar a pessoa a tomar mais e mais remédios.

Aí chega o outro dia. Temos que viver a vida naquela manhã sem graça após uma noite mal dormida devida as nossas preocupações. A sensação é de que acordamos de ressaca, mesmo sem ter tomado um gole de uma bebida alcoólica. Acabamos vivendo um dia duro, após ter tomado um porre de infelicidade, invertendo o enredo da escola de samba União da Ilha de 1989. Precisamos trabalhar, estudar, e nada rende do jeito que a gente quer. Por mais perfeitos que tentamos ser, acabamos sempre deixando de lado alguma coisa até começarmos a lamentar dos problemas das nossas vidas. Estar de ressaca nunca é bom, mas conviver com a ressaca de uma noite mal dormida é ainda pior. Se estamos de ressaca por beber demais, significa que a noite anterior foi relativamente boa, de alguma forma. Agora, se a nossa ressaca vem de uma noite mal dormida, significa que estamos tristes com alguma coisa que está nos afligindo.

O que resta aos amigos que sofrem da insônia é de, ao menos, tentar resolver os seus problemas da melhor maneira possível – ou da maneira mais próxima possível. Precisamos fazer coisas diferentes. Realizar aventuras novas e conhecer lugares que nem todo mundo conhece – e se o dinheiro é o problema, há programas legais que podem ser feitos sem nenhum custo. Se conseguirmos mudar a nossa rotina, se começarmos a viver mais intensamente, não haverá conta, namorada ou trabalho que faça com que a gente não durma.

*Esta foi uma crônica escrita para a aula de Jornalismo Interpretativo e Opinativo. Como eu gostei do texto, decidi compartilhar por aqui.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O remédio para a saúde no Brasil acabou de chegar

*Este é um artigo que escrevi para a minha aula de Jornalismo Interpretativo e Opinativo. Como recebi elogios da professora, resolvi reproduzi-lo por aqui. Confiram a íntegra abaixo.

Uma das maiores polêmicas de 2013 está na decisão do Governo Federal de contratar médicos estrangeiros ou brasileiros formados no exterior para trabalharem na rede pública de saúde do Brasil. O Programa Mais Médicos chegou para que haja uma aceleração na espera do atendimento de pacientes nos hospitais públicos do interior ou da periferia das grandes cidades, amenizando a precariedade que é o serviço aberto à população brasileira. É uma solução valiosa para resolver o grave problema das enormes filas do nosso Sistema Único de Saúde (SUS).

Acho correta esta decisão do Governo Federal, pois é doloroso assistir às reportagens da TV que mostram filas enormes de pacientes esperando por atendimento nos hospitais públicos brasileiros, que muitas vezes acabam morrendo a espera de um diagnóstico. Além disso, estamos com uma baixa demanda de médicos brasileiros que desejam trabalhar no SUS. O Mais Médicos surge como uma boa solução para uma parcela de todo o grande problema da saúde no Brasil, e parece que com o programa, parte do caos dos hospitais públicos deve ser resolvida.

É verdade que, a cada ano, uma grande parcela de novos médicos acaba surgindo, estes oriundos dos cursos de medicina nas universidades. Na prática, os médicos que se formam poderiam sim trabalhar no SUS e supriria a demanda de profissionais nos hospitais públicos. Essa atitude poderia evitar a contratação de estrangeiros. Porém, nas últimas décadas, é possível notar que a profissão de médico no Brasil está cada vez mais elitizada. Os formados em medicina no país vêm de famílias com grande poder aquisitivo. A maioria deles só quer exercer a profissão nos ambientes cômodos dos hospitais ou nas clínicas particulares, não pensando em ajudar a população das periferias das capitais ou das cidades do interior. Isso que o Programa Mais Médicos oferece a remuneração mensal de 10 mil reais, catorze vezes mais alta que o valor do atual salário mínimo brasileiro.

Os representantes de sindicatos médicos e conselhos de medicina também argumentam contra o Programa Mais Médicos pelo fato dos profissionais que estão chegando ao Brasil não falarem o português. Mas a mãe de família que está levando o seu filho doente para ser atendido no hospital público não está pensando se o médico que está atendendo a criança fala português, francês, espanhol ou o inglês. Ela apenas quer que o seu filho seja atendido de forma digna, como está previsto na nossa constituição, em que diz que todo cidadão brasileiro merece receber um atendimento médico de qualidade.

Há muito o que melhorar na saúde do Brasil, que está pedindo socorro, onde os médicos brasileiros, em sua maioria, insistem em não trabalhar nos hospitais públicos. Vejo que o Governo Federal tomou uma ótima decisão com a criação do Programa Mais Médicos. Serão estes profissionais, estrangeiros ou brasileiros formados no exterior, que poderão amenizar o grave problema da saúde no nosso país.

terça-feira, 18 de junho de 2013

A Copa que se dane!

Precisou uma competição do nível da Copa das Confederações começar no Brasil para o povo brasileiro acordar e iniciar aquela que é, sem dúvida, a maior revolução popular deste jovem século XXI no país. A revolta com toda a corrupção, obras superfaturadas e exploração do transporte público entrou em ebulição quando  o mundo começava a falar da principal competição de futebol do ano.

O gol bonito do Neymar, o toque de bola da Espanha ou o gol histórico do Taití são assuntos que não nos importam mais. O que faz a diferença é que este dia 17 de junho de 2013 foi o dia mais espetacular da história recente brasileira. As pessoas esqueceram o futebol para encarar o verdadeiro patriotismo que eu nunca havia assistido no Brasil - fora aquela coisa que só vemos na Copa do Mundo. As pessoas realmente estão pedindo por um país melhor, mais justo e e que não tenha mais políticos corruptos. Essa sim é a verdadeira atitude de ser patriota.

Confesso que eu sempre senti inveja de quem era das gerações que pediu as Diretas Já, que quebrou o Muro de Berlim ou que gritou "Fora Collor", e nunca imaginei que uma revolução dessas fosse acontecer novamente. Ainda mais que, nos acostumamos com o excesso de corrupção existente no Brasil. Graças a Deus, o povo cansou, e a revolução começou, atingindo proporções internacionais, já que tivemos protestos na Europa e nos Estados Unidos, em favor da nossa causa. Fico feliz de ter visto isso. Só não participei das manifestações porque meus compromissos da faculdade me impediram. Mesmo assim, estou totalmente de acordo com a causa.

Eu só espero que toda esta revolução que estamos vivendo traga algum resultado efetivo. Que nossos governantes entendam que o povo não aguenta mais corrupção, e que quer um país decente, sem roubalheira dos impostos caros que as pessoas têm de pagar. Eu fico contente com o que está acontecendo, e ficarei mais contente ainda se tudo isso não ficar só nos protestos.

Quanto a Copa das Confederações, resta agora a cobertura de um evento de segundo plano. Ela já não nos importa tanto assim. Faça como diz a música que motivou os protestos, "vem pra rua porque a rua é a maior arquibancada do Brasil". Viva a democracia!

quinta-feira, 14 de março de 2013

Pago 2 reais e 40 centavos para pensar


É verdade que todos pensamos o tempo todo (até quando estamos dormindo). Mas, no meu caso, os pensamentos mais importantes vem no ato de entrar no ônibus para voltar para casa, após um longo dia de trabalho e aulas.

As vezes penso sobre a ótima rotina que estou vivendo. Sobre o que farei no final de semana, ou até da namorada que gostaria de ter. Enfim, penso. Todos pensamos. Só que hoje meu pensamento voltou-se, principalmente, ao grande assunto deste dia 13 de março de 2013.

A escolha do Papa Francisco é de uma importância histórica para o mundo como um todo – independente de você ser católico ou não. Só que hoje, a escolha deste Papa, e o anúncio dele, foram durante o horário do programa Frequência Livre, que estava sendo apresentado dos pavilhões da Fenac, em Novo Hamburgo, onde acontece a Fimec. A Rádio ABC 900 (que transmite o nosso programa) fez o seu trabalho e, corretamente, cobriu a chegada do novo pontífice. Nosso programa era para começar às 16 horas, mas só às 16:34 é que entramos no ar. Confesso que foi dureza ter que recomeçar o planejamento de um programa que era para ser de uma hora (incluindo os comerciais), para transformá-lo em apenas 26 minutos.

Mesmo com toda a situação extremamente atípica e histórica, conseguimos colocar o nosso programa no ar. Nossa equipe fez um bom trabalho. Afinal de contas, cortar um programa pela metade e mesmo assim deixá-lo bem estruturado é um grande feito. Fico muito feliz com isso.

Só agora percebi que hoje foi o dia mais bacana desta minha carreira de iniciante no jornalismo. Graças aos pensamentos do ônibus que citei anteriormente. Pela primeira vez presenciei um momento histórico no ato do meu trabalho como futuro jornalista que serei. Hoje foi mais um dia daqueles nervosos, mas que no final deu tudo certo. Eu queria pegar um dia atípico para trabalhar e hoje consegui. Por isso eu amo esta profissão!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A pressa é inimiga da boa apuração

Nesta madrugada de terça-feira eu poderia falar do Gre-Nal vencido pelo Inter por 2 a 1, ou do Super Bowl que o Baltimore Ravens conquistou por 34 a 31 (textos que ainda não publiquei e talvez farei), mas hoje vi que mais uma daquelas boas lições que aprendo diariamente na faculdade de Jornalismo fazem sentido.

SEMPRE devemos apurar a informação que recebemos. Por mais possível que ela seja verdadeira, nós sempre devemos investigar aquilo que estão nos avisando. Isso vale tanto para os profissionais consagrados no jornalismo nacional, quanto para aqueles que ainda nem estão na faculdade, mas que almejam esta digna profissão. Caso alguém publica uma informação errada, algo muito precioso poderá ser perdido, a CREDIBILIDADE.

E, quando se perde a credibilidade, se perde tudo no jornalismo. Todo mundo que trabalha na profissão busca sempre almejar o "furo", passar a informação em primeira mão. Uma informação que possa causar impacto a um bom número de pessoas. Como Willian Bonner citou no livro "Jornal Nacional: Modo de Fazer", o furo seria como aquela Ferrari vermelha que desejamos. É a vontade de todos ter uma Ferrari, mas é uma virtude de poucos. E assim vale para o furo.

É algo extremamente arriscado. Pois informar em primeira mão é muito mais difícil do que se imagina. Você tem que ter uma excelente apuração jornalística do fato e ter a certeza máxima de que aquilo é verdade. Caso você jornalista (ou futuro jornalista) publicar algo em primeira mão sem ter essa certeza, você corre um sério risco de cometer uma "barrigada".

Barrigada é quando uma informação mal apurada é divulgada. Ou uma informação falsa, o que é pior ainda. Para o caso desta madrugada, um jornalista famoso no Rio Grande do Sul publicou a maior barrigada que já vi na vida. Ele é famoso por já ter falado o que não era verdade, mas hoje ele infelizmente errou em um nível desproporcional. Nas últimas horas da segunda-feira, um grupo de torcedores passou uma falsa informação pelo Twitter de que um jogador chamado ENRICO CABRITO estaria sendo negociado pelo Grêmio. Uma rápida olhada no Google  faria perceber que Enrico Cabrito NÃO EXISTE. Eu fiz isso para ter 100% de certeza de que era uma invenção. Mas, pela ânsia do furo, o jornalista acabou publicando a maior barrigada da história.

Imediatamente ele passou a receber inúmeras mensagens com piadas e críticas ao trabalho mal realizado. Para amenizar a situação vergonhosa que já estava se espalhando por todos os cantos do Rio Grande, o jornalista se explicou dizendo que foi "hackeado" na rede social (quando alguém invade um perfil pessoal e publica em seu nome). Aí tudo piorou.

As críticas passaram a aumentar. Enrico Cabrito acabou sendo o assunto mais comentado do Brasil, e um dos mais comentados do mundo. Uma barrigada que ganhou proporções mundiais.

Ao mesmo tempo que acho graça com as piadas em tempo real, fico pensando o seguinte: como ele se deixou chegar a esse nível? Como que um jornalista que deve ter uns 30 anos de experiência pecou num ato tão simples, que era apenas apurar se o jogador existia? Vale a pena jogar fora uma credibilidade de décadas por causa de uma informação duvidosa? Dá pena.

Eu não condeno ele por tal ato. Esse jornalista passou por importantes emissoras de rádio do Estado. Por anos foi apresentador de um programa jornalístico de cunho policial e acabou demitido no ano passado. Precisou voltar à mídia apelando para uma pequena emissora de rádio que recém estava sendo criada. A ânsia para aumentar a audiência da mesma e fazer com que voltasse a um lugar respeitável acabou manchando sua carreira. É lamentável que ele tenha se deixado levar por uma brincadeira de torcedores.

A lição que quero passar é a seguinte, em especial aos amigos jornalistas (ou estudantes). SEMPRE APUREM UMA INFORMAÇÃO. Essa é uma norma básica, mas nunca podemos esquecer. Sempre temos que apurar ao máximo qualquer coisa que vamos publicar. É o nosso nome, é a nossa credibilidade, é a nossa carreira que pode estar em jogo com uma informação mal apurada. E em caso de alguma dúvida, verifica de novo para ver se não tem nada errado. É melhor nós ligarmos para 15 fontes diferentes, verificar o que as concorrentes estão falando do assunto e ler 30 vezes o nosso texto antes de publicar, do que se apressar e divulgar o que está errado, e perdermos nossa credibilidade na profissão.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Por que temos que chegar ao pico do desastre?

Meu blog é esportivo. Porém, hoje não haverá motivos para falar de nada relacionado à nenhuma competição. Estou corrompido pela dor da morte de mais de 200 pessoas na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O que aconteceu, todos sabem. Não vou repetir o que está nas capas dos jornais, na cobertura das emissoras de TV e rádio espalhadas por todo o mundo. Vocês já sabem o horror que estamos presenciando. O que quero falar é, por que sempre uma tragédia estratosférica precisa acontecer para iniciar planos para a prevenção de novos desastres?

Foi assim na Fórmula 1, na morte de Ayrton Senna. Só criaram mecanismos de segurança nos carros e nas pistas após o mundo perder o maior piloto de todos os tempos. No futebol foi o mesmo após a tragédia de Hillsborough, na Inglaterra, em 1989, em que 96 pessoas morreram esmagadas no cercado da arquibancada absurdamente lotada. Por causa disso que a FIFA bate tanto na tecla de que deve haver forte segurança nos estádios de futebol. 

No trânsito, tivemos que ver milhares de vidas desperdiçadas todos os dias por causa da mistura entre álcool e direção para finalmente criarem a Lei Seca - e torná-la mais rígida, como foi feito recentemente. Na aviação, precisamos suportar o massacre de 11 de setembro para aumentar a segurança do transporte aéreo do mundo. Por que tem que ser assim? Por que não pode haver um plano de prevenção desse tipo de acidentes, antes de um fato cruel acontecer? Por quê?

Por que ninguém fiscalizou que não havia mais de uma saída na boate? Por que ninguém viu que a licensa da empresa estava vencida havia quase seis meses? Quanta incompetência! Quantas perguntas sem respostas. E agora, todos choramos com a dor da perda dessas pessoas. Eu não tenho parentes, amigos e nem amigos de amigos entre as vítimas, mas me sinto tão enlutado como qualquer pessoa que perdeu alguém nesse acidente. 

Muitos porquês precisarão ser respondidos. Peço encarecidamente que a presidente Dilma Rousseff, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, os senadores e deputados de todo o Brasil, comecem a analisar leis que possam nos dar mais segurança ao entrar em casas de festas. É necessário que hajam leis que aumentem o número de saídas de emergência nas boates, assim como é lá nos Estados Unidos (que também sofreram com incêndios catastróficos semelhantes ao de Santa Maria). Uma lei dessas pode salvar muitas vidas. Como a maior tragédia aconteceu, o que resta agora é pedir para que haja mudanças em nossas legislações, para não sofrermos novamente com uma catástrofe tão cruel como a que estamos vivendo atualmente.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Campeonatos estaduais e seus regulamentos bizarros

Gauchão possui o melhor regulamento entre os estaduais (e as melhores imagens)
(foto retirada do site impedimento.org)
Esse texto não tem cunho de defender (ou não) o fim dos campeonatos estaduais. É verdade que eles sufocam os times grandes, mas para os pequenos é o que lhes resta para o ano inteiro. O que pretendo falar é da péssima organização das federações estaduais para os seus campeonatos locais. São poucas competições que têm regulamentos decentes que talvez possam ter algum sentido aos participantes.

Juro a vocês que não estou sendo bairrista, mas de todos os estaduais que pesquisei, o que tem o melhor regulamento é o Gauchão. Sim, ele mesmo, dos campinhos do interior, das "imagens bonitas das torcedoras" da Serra e do entrevero que é um jogo de futebol num gramado ruim em dia de chuva. Falo isso porque a fórmula de disputa é a seguinte: ele é dividido em dois grupos de oito. No primeiro turno as equipes de um grupo jogam com as do outro. Ao final dessa fase, os quatro primeiros de cada avançam e se enfrentam em jogos de mata-mata até decidir o campeão do turno. O segundo turno é semelhante ao primeiro, porém os times duelam dentro do seu próprio grupo. O vencedor de cada turno vai à final do campeonato - isso se uma equipe não vencer os dois turnos, que se tornaria a campeã. Passada a explicação, é notável que a tabela dinâmica do Gauchão é a melhor para haver um torneio decidido em mata-mata.

O formato, adotado em 2009, é semelhante ao do Campeonato Carioca, porém o que faz o Gauchão ser melhor ao torneio do Rio de Janeiro é que, por nossas terras, em caso de empate num mata-mata, há pênaltis - que foram banidos no torneio de lá. Eu como amante do futebol de copa, prefiro pênaltis, além de ser mais justo. No Rio de Janeiro, se der empate em um mata-mata, avança o de melhor campanha, o que não concordo, pois, para mim, mata-mata já é outro campeonato. Outro estadual bom é o Paranaense. O torneio tem um formato de dois turnos corridos, e quem for o melhor em cada turno, vai à final estadual. Mais uma prova de que com um regulamento simples se pode realizar um bom torneio de respeito.

Mas e os regulamentos bizarros? Agora eles vem aí.

Eu não vou citar todos os 27 estaduais (e se eu colocar a Copa do Nordeste daria 28), então vou pôr alguns esquisitões de exemplo. Nem o campeonato mais forte deles vai escapar das críticas, mas o Paulistão tem um regulamento muito parecido aos horríveis Brasileirões dos anos 90. Os 20 times se enfrentam por longas 19 rodadas em turno único. Em vez de dar o título ao melhor, a Federação Paulista de Futebol preferiu colocar os oito primeiros num mata-mata após esse turno, o que pode fazer com que o melhor colocado perca ainda nas quartas de final. Um regulamento bem fraquinho para o estado em que se orgulha de ter os melhores times, os melhores jogadores e todo aquele blá blá blá dos jornais de nível nacional. Outros campeonatos acirrados com uma forma de disputa semelhante são o Mineiro e o Goiano, que seguem a mesma linha, só que com menos estrago - porque lá a disputa sempre fica reservada à dois ou três clubes.

Neste parágrafo vou falar de nove estaduais de uma vez. Todos os campeonatos estaduais da região Nordeste poderiam merecer o prêmio de "Pior Estadual de 2013", graças ao torneio regional chamado Copa do Nordeste. Nesta competição, 16 times duelam em um torneio bem organizado, porém, a disputa do título regional abriu uma brecha para uma imensa mutreta que beneficia estes 16 participantes. Quem tá no Nordestão não cai para a segunda divisão - pelo menos no estado. Os estaduais estão sendo jogados por times de menor expressão (e que alguns certamente vão cair), e os principais só vão entrar na disputa na fase final do certame local. Isso sem contar que internamente esses estaduais devem possuir regras horrendas que nem fui muito a fundo. Na prática a Copa do Nordeste foi um grande estrago para os nove campeonatos de lá.

Já o pior dos piores estaduais está em Santa Catarina. O Catarinensão - apelido carinhoso dado por mim - é dividido em um grupo único, mata-matas e uma decisão. Em cada turno, jogam todos contra todos, e o melhor é o campeão do respectivo turno. Aí começa a vir a bizarrice. Passados os dois turnos, com dois campeões, a federação Catarina inventou de realizar SEMIFINAIS do campeonato, incluindo dois times que não ganharam nada, mas que fizeram mais pontos entre o resto. Para piorar, se o mesmo time ganhar os dois turnos, tanto faz, haverá semifinal da mesma forma. Ou seja, teu time pode ganhar os dois turnos e NÃO SER CAMPEÃO ESTADUAL. Já vi muito campeonato mal organizado, mas tem varzeanos da minha cidade com regras infinitamente melhores do que o principal torneio do estado vizinho. O Catarinensão leva o prêmio de "Pior Estadual de 2013". Que eles façam um esforço para não repetirem tal feito em 2014, por favor.

Os estaduais estão mal organizados assim porque não há um consenso das federações de cada território do nosso Brasil. O torneio em mata-mata ainda está apegado à nós, mesmo passando dez anos da era dos pontos corridos no Brasileirão. Não sou contra o mata-mata, desde que seja bem organizado todo o campeonato. Que os dirigentes manda-chuvas do futebol de seus estados façam competições melhores. Isso pode dar mais audiência televisiva, e mais credibilidade às suas ligas e aos seus clubes participantes.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

O que terá de bom no esporte em 2013

Olá pessoal! Estive fora da internet nos últimos tempos, e nem deu para fazer um texto de despedida de 2012. Muita coisa aconteceu e agora teremos mais 365 dias para aproveitar bastante com muito esporte. Pretendo deixar vocês informados com dados, curiosidades e uma opinião descontraída deste que vos escreve.

O ano que se passou acabou sem eu nem dar uma palavra ao título mundial do Corinthians. Como o assunto já está velho - e todos estamos enjoados com o excesso de reportagens feitas ao clube paulista - só vou comentar que foi um título merecido ao time treinado por Tite. Nada além disso.

Em 2013 pretendo falar mais de futebol (neste ano que tem até a Copa das Confederações), Fórmula 1, UFC e até da NFL, a liga de futebol americano que está na reta final. Prometo à vocês que este ano o blog ficará muito melhor, e espero logo dar uma nova cara à ele. 

Bom ano à todos nós!

sábado, 6 de outubro de 2012

Eleições municipais chegam ao ridículo com enquetes fajutas

Falta pouco tempo para o início das eleições, que será neste dia 7 de outubro. Todos nós eleitores que temos entre 18 e 70 anos somos obrigados a votar e decidir quem deve ser os nossos futuros representantes nas Câmaras de Vereadores e Prefeituras espalhadas por todo o nosso Brasil.
O meu texto dedicado às eleições era para ser mais feliz, mais tranquilo, mais motivacional. Porém, um fato absurdo vi na minha cidade nesta sexta-feira, faltando tão pouco tempo para votar. Cidades menores, que não tem segundo turno e, portanto, são menos importantes, são pouco lembradas e não há as famosas pesquisas eleitorais de intenção de votos para prefeito. Porém, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que, desta vez, em caso de não haver pesquisas, as cidades menores poderiam fazer enquetes do mesmo nível, porém, menos complexas.
Um erro total. As enquetes acabaram servindo apenas como manobra de última hora de muitos candidatos à prefeito para tentar ganhar mais votos. Na minha cidade, por exemplo, tem três candidatos que concorrem ao cargo máximo. Hoje foi o clímax do absurdo entre eles. Cada um distribuiu santinhos pelas ruas, ou anunciou nos jornais da região que eles estão ganhando nas "enquetes". Ou seja, segundo os três candidatos, os três estão ganhando, dependendo de seu ponto de vista. 
É uma situação tão absurda que só ocorre em cidade pequena mesmo. Em Porto Alegre jamais vi candidatos como Jocelin Azambuja (o candidato do aeromóvel) falar que, segundo uma enquete, venceria as eleições da Capital no primeiro turno, e transformaria todas as ruas da cidade em vias para o seu aeromóvel. Ou que Wambert Di Lorenzo (o que odeia "azulzinho") dizendo que vai para o segundo turno  com Roberto Robaina (o marido da filha do governador - a mulher fala pelo cara) para acabar com a EPTC.
É uma pena que não há muito o que fazer sobre esta questão das enquetes falsificadas. No caso da minha cidade, o que farei? Bom, não vou mudar meu voto, afinal de contas, meu candidato tá ganhando né? O que resta é esperar para a apuração, e torcer para que meu candidato vença a eleição, para que ele possa melhorar a minha cidade que está decadente. É apenas uma opinião pessoal, mas tenho certeza de que em muitas cidades o mesmo absurdo também aconteceu nestes últimos dias. Infelizmente o povo é tratado como idiota com estas pesquisas falsificadas.
No dia 7 de outubro, vote consciente. Vote em pessoas que sejam capacitadas para melhorar os rumos da sua cidade.