Acordo ouvindo o som da tv com uma entrevista com um bombeiro. Já estava
achando estranha a situação sem nem sair da cama, pois em domingos de
manhã não há noticiários (pelo menos não na TV aberta e em um programa
de esportes). Aí, o bombeiro falou em sequência as palavras "pilhas de
corpos". Ali eu vi que era algo sério. Me levantei, e soube da tragédia.
Foi uma crueldade tamanha o incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, que completa um ano
neste dia 27 de janeiro. É um dia que jamais esquecerei, pois dias assim não esquecemos. Ficará para sempre na minha memória as imagens dos corpos
retirados, do desespero das famílias, do momento em que o Elói Zorzetto e
a Carla Fachim liam nome por nome dos mortos, e do velório coletivo.
Foi o dia em que o mundo inteiro, principalmente o Rio Grande do Sul,
chorou com a perda das 242 vítimas.
Infelizmente, após 365
dias do pior dia que nosso Estado já viveu, não mudou muita coisa. É
verdade que as casas noturnas estão sendo vistoriadas, mas muitas delas
ainda não comportam as adequações necessárias para a segurança de quem
frequenta estes ambientes. Confesso que, desde que aconteceu este
incêndio, ir a uma festa com tranquilidade absoluta é praticamente
impossível
Só espero que os responsáveis pelas dezenas de
erros que culminaram com a tragédia sejam punidos com o máximo de rigor
possível. Tudo bem que a nossa justiça é fraca, com leis de dupla
interpretação e onde quem tem grana sempre consegue um jeitinho para se
dar bem, mas espero que pelo menos neste caso haja a justiça. A cadeia
para quem compactuou com o incêndio não trará de volta às vítimas, mas
pelo menos servirá de exemplo para que não ocorra tragédias semelhantes.