segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Era para ser um domingo qualquer

Acordo ouvindo o som da tv com uma entrevista com um bombeiro. Já estava achando estranha a situação sem nem sair da cama, pois em domingos de manhã não há noticiários (pelo menos não na TV aberta e em um programa de esportes). Aí, o bombeiro falou em sequência as palavras "pilhas de corpos". Ali eu vi que era algo sério. Me levantei, e soube da tragédia.

Foi uma crueldade tamanha o incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, que completa um ano neste dia 27 de janeiro. É um dia que jamais esquecerei, pois dias assim não esquecemos. Ficará para sempre na minha memória as imagens dos corpos retirados, do desespero das famílias, do momento em que o Elói Zorzetto e a Carla Fachim liam nome por nome dos mortos, e do velório coletivo. Foi o dia em que o mundo inteiro, principalmente o Rio Grande do Sul, chorou com a perda das 242 vítimas.

Infelizmente, após 365 dias do pior dia que nosso Estado já viveu, não mudou muita coisa. É verdade que as casas noturnas estão sendo vistoriadas, mas muitas delas ainda não comportam as adequações necessárias para a segurança de quem frequenta estes ambientes. Confesso que, desde que aconteceu este incêndio, ir a uma festa com tranquilidade absoluta é praticamente impossível

Só espero que os responsáveis pelas dezenas de erros que culminaram com a tragédia sejam punidos com o máximo de rigor possível. Tudo bem que a nossa justiça é fraca, com leis de dupla interpretação e onde quem tem grana sempre consegue um jeitinho para se dar bem, mas espero que pelo menos neste caso haja a justiça. A cadeia para quem compactuou com o incêndio não trará de volta às vítimas, mas pelo menos servirá de exemplo para que não ocorra tragédias semelhantes.