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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Como foi o primeiro ano pós-7 a 1

Goleada alemã sobre o Brasil fez até o GC da FIFA criar uma barra de rolagem

Müller, Klose, Kroos, Kroos de novo, Khedira, Shürrle e novamente Shürrle. Esta sequência de nomes ainda persiste na memória de muita gente, ainda mais neste dia 8 de julho, data em que completa um ano do maior vexame da história da Seleção Brasileira, na derrota por 7 a 1 para a Alemanha, em plena semifinal da Copa do Mundo, jogando em casa. Os jogadores alemães que marcaram naquele dia não possuem nenhuma culpa no que aconteceu naquela tarde no Mineirão, mas aqueles sete gols mostraram que o futebol brasileiro não estava bem, apresentando a má qualidade da Seleção da pior maneira possível.

De todas as derrotas que aconteceram com a Seleção Brasileira, nenhuma delas ficou tanto na minha memória quanto esta para a Alemanha, que volta e meia surge em meus pensamentos. Até hoje, rever aquele jogo e aquela sequência de gols é inacreditável. Ao vivo, a partida foi de pleno terror, onde nenhum torcedor poderia fazer nada a não ser torcer para que os alemães fossem bonzinhos e parassem de marcar. Se bem que até dá para dizer que os adversários foram legais, pois no segundo tempo (com o duelo já em 5 a 0 para a Alemanha), o time que venceria a Copa do Mundo dias depois marcou apenas mais duas vezes, e ainda levou o gol de honra do Oscar. Se eles quisessem, poderiam ter aplicado uma goleada ainda maior que os 10 a 1 da Hungria em El Salvador em 82, placar este que é o recorde da maior goleada em Copas do Mundo.

O 7 a 1 ainda está vivo na memória de muita gente. Os alemães pararam de marcar contra a nossa defesa, mas o futebol brasileiro nada melhorou após aquela semifinal da Copa. Como dito em outros posts recentes neste blog, a Seleção pouco evoluiu. Com Dunga no comando, o Brasil venceu todos os amistosos até aqui. Mas na primeira competição após a Copa do Mundo, a Copa América, a Seleção apresentou um futebol de baixa qualidade, sem brilho, e foi eliminada nas quartas de final nos pênaltis para o Paraguai. A Seleção foi ao Chile com um time tão ruim, ou ainda pior, que o que jogou a última Copa do Mundo.

E o que a CBF fez depois deste vexame? Praticamente nada. A Seleção mudou seu técnico e alguns de seus jogadores, mas segue sem brilho e sem esperanças. E pior, a entidade segue com sua reputação comprometida. O ex-presidente José Maria Marin, inclusive, está preso, acusado de estar envolvido no escândalo da FIFA. Ricardo Teixeira, também ex-presidente e o atual, Marco Polo Del Nero, também estão sob investigação neste esquema.

Pouco se faz também para o futebol como um todo. Após a Copa, falava-se em um melhor desenvolvimento das equipes de base do Brasil, mas ficou só da boca para fora. É verdade que a Seleção Brasileira sub-20 foi vice-campeã mundial há pouco tempo, mas foi apenas um pequeno passo, considerando também o fato de que o time trocou de técnico já em preparação para a Copa do Mundo da categoria.

A goleada sofrida para a Alemanha sempre é lembrada também quando temos de assistir aos quase sempre terríveis jogos do Campeonato Brasileiro. São raras as oportunidades em que os estádios estão lotados ou quando acontece um jogo emocionante e equilibrado. Além disso, a arbitragem faz de tudo para estragar grande parte dos jogos, atuando na maioria das vezes de forma imparcial, ou seja, prejudicando mandante e visitante com erros grotescos em diversas partidas.


Após 365 dias da histórica goleada, pouca coisa mudou para evitar que a Seleção Brasileira caia em desgraça. Não só o time do Dunga, mas também o futebol brasileiro precisa ter uma reestruturação melhor. A marca dos 7 a 1 jamais será apagada, mas não se pode deixar as coisas como está. Se continuar assim, o futebol brasileiro seguirá como piada mundial, e correrá o risco de passar por vexames tão terríveis quanto a derrota para os alemães.

sábado, 4 de julho de 2015

Passado, presente e futuro unidos: a conquista chilena da Copa América



De todos os estádios de futebol do mundo, talvez nenhum deles conta com histórias tão emblemáticas quanto o Estádio Nacional de Santiago, na capital do Chile. Inaugurado em 1938, o principal estádio chileno foi, inclusive, sede da final da Copa do Mundo de 1962, quando o Brasil se tornou bicampeão mundial, derrotando a Tchecoslováquia. Mas este local também teve um de seus momentos mais terríveis na ditadura de Augusto Pinochet, iniciada em 1973. O Estádio Nacional se tornou uma grande prisão assim que foi iniciado o golpe, onde milhares de chilenos foram presos, torturados e mortos no local, por apenas serem contrários a um dos piores regimes militares vividos na América do Sul, e que durou até 1989.

Parte do Estádio Nacional que resgata as memórias da ditadura de Pinochet

Passados 42 anos do início daquela ditadura, o mesmo Estádio Nacional vivenciou a maior glória da história do futebol chileno. O primeiro título da Copa América conquistado pelo Chile pode ser considerado uma libertação do palco da decisão contra a Argentina. Estádio este que foi palco de horror para milhares de pessoas, e que hoje presenciou um momento mágico da melhor seleção chilena de todos os tempos.

O time treinado por Jorge Sampaoli foi quem apresentou o melhor futebol em toda esta edição da Copa América. A equipe fez todos os seus jogos apresentando uma boa qualidade tática, com um poder de ataque perigosíssimo que atormentou as defesas de todas as equipes que enfrentou. Além disso, os jogadores eram muito unidos, em que cada atleta conseguiu ser uma peça importante na ajuda desta conquista histórica.


Nesta decisão, contra a Argentina, o Chile também apresentou melhor futebol. No papel, os argentinos eram melhores, liderados por jogadores como Messi, Mascherano, Agüero e Di Maria. Só que no tempo normal e na prorrogação, o time de Vidal, Alexis Sanchez, Valdívia, Aránguiz e Vargas jogou melhor, podendo ter decidido o jogo em diversas oportunidades, que acabaram com a bola não entrando no gol de Romero. Foi necessário passar pelo drama da decisão por pênaltis para que os chilenos comemorassem o tão esperado título. Messi foi o único que acertou para os argentinos. Higuaín isolou e o goleiro Bravo defendeu o pênalti de Banega. Pelo Chile, Matías Fernandez, Vidal, Aránguiz e Alexis Sanchez marcaram em suas cobranças, garantindo assim o título do continente.

Poderia ser apenas mais uma decisão qualquer, se esta não viesse recheada de tanta história. A conquista da Copa América demonstra um novo marco para o Chile, premiando uma equipe que jogou muito bem na última Copa do Mundo, mesmo sendo eliminada tão precocemente, caindo nas oitavas de final. O Estádio Nacional de Santiago, que já sofreu tantas dores e tanta tristeza, presenciou o momento mais feliz de todo o futebol chileno. O local onde se faz questão de lembrar que "um povo sem memória é um povo sem futuro", agora apresenta um novo capítulo em sua história, o capítulo que encerrou com a merecida primeira conquista da história da seleção do Chile.

sábado, 27 de junho de 2015

7 a 1 não foi pouco: foi o começo



É setembro de 2017. O Brasil vai ir até La Paz enfrentar a Bolívia e a altitude. A situação é complicada, pois ganhar dos bolivianos fora de casa sempre é uma tarefa difícil. A Seleção precisa vencer para seguir com chances de disputar a Copa do Mundo de 2018. Um empate ou uma derrota custaria uma inédita desclassificação brasileira da maior competição de futebol do mundo, antes mesmo dela começar.

Este início de texto foi mera ficção, mas pode virar realidade. A derrota de hoje, nos pênaltis, para o Paraguai, evidencia que a goleada sofrida pela Alemanha por 7 a 1 na última Copa foi apenas o começo de uma fase nebulosa que vive o futebol brasileiro atual, e apresenta o que pode acontecer nos próximos anos. A frase "7 a 1 foi pouco", tão dita por milhões de pessoas após aquela derrota no Mineirão, demonstra que o Brasil não aprendeu nada após o maior vexame de sua história no futebol, e que nada foi feito para melhorar tal situação.

Dunga assumiu o time no lugar de Felipão. Seu retrospecto inicial foi perfeito. Dez vitórias em dez amistosos, vencendo inclusive duas seleções campeãs do mundo, como Argentina e França. Só que nestes jogos, já era possível identificar que algo não estava bem. O Brasil vencia mas não encantava, jogando um futebol pragmático, arriscando sempre na jogada aérea, e com a Seleção sempre dependendo do Neymar para conseguir criar alguma coisa.

Então veio a Copa América, o primeiro grande teste do time de Dunga. A impressão que deu foi que o time que jogou no Chile fosse tão ruim ou pior do que a Seleção da Copa de 2014. Jogadores da China, do futebol árabe e da Ucrânia serviram como base para a equipe titular, algo terrível para quem viveu a época em que a base do Brasil era a do Milan campeão europeu de 2003, ou da Inter campeã da Europa em 2010. Nos dois primeiros jogos, contra Peru e Colômbia, a "Neymardependência"ficou ainda mais evidente. Contra os peruanos, a Seleção só venceu por 2 a 1 graças a um gol de Neymar, e um passe do camisa 10 para Douglas Costa concluir, isso já no final do jogo. Na derrota para a Colômbia (a primeira pós-Copa do Mundo), Neymar foi muito bem marcado, mas perdeu a cabeça ao criar uma confusão ao final da partida, foi expulso e suspenso do restante da competição.

A situação ficou crítica. Contra a Venezuela, o Brasil quase sofreu o empate após começar ganhando de 2 a 0, lembrando que os venezuelanos já chegaram a perder por 7 a 0 para a Seleção em outras épocas. A eliminação para o Paraguai foi o ápice para culminar a depressiva campanha brasileira na Copa América, com derrota nos pênaltis para uma equipe que sequer jogou a última Copa do Mundo, ficando em último nas Eliminatórias.

O problema maior é que o Brasil passou por mais um vexame e na entrevista coletiva, Dunga ainda culpou uma virose de alguns jogadores para o mal desempenho da Seleção, não assumindo a culpa de que o time jogou mal. Vexames históricos do Brasil são sempre explicados por motivos que não envolvem a partida, como que se fosse um crime admitir que a Seleção jogou mal e mereceu ser eliminada. É a água batizada, é a convulsão de Ronaldo, é o Roberto Carlos ajeitando a meia, é o Felipe Melo sendo violento, é o Thiago Silva chorando, é a virose, entre outras desculpas. A culpa sempre é destinada a um episódio ou a um jogador, como uma tentativa de não atestar incompetência do técnico e do time pelos maus resultados.

E não, não estou isentando de culpa os dirigentes da CBF. O futebol brasileiro está como está graças a eles. Teixeira, Marin, Del Nero e tantos outros se dedicaram nos últimos anos a receber propina de países candidatos a sediar outras Copas do Mundo, e na realização de amistosos da Seleção longe de casa. Enquanto isso o futebol em nosso país segue terrível, com uma Seleção de raros bons talentos, sem tática e sem qualidade coletiva. Dentro de casa, nossos campeonatos definham em jogos ruins, de baixo público, e com arbitragem irregular em quase todas as partidas.

Espero profundamente que o futebol do Brasil não fique como está, muito menos que piore. A Seleção precisa reconhecer que não é mais a melhor do mundo, para que jogue com humildade e saiba fazer melhor o jogo coletivo. É necessário que técnicos, jogadores e demais profissionais que se dedicam ao futebol, que façam uma reciclagem e comecem a estudar melhor o jogo, para que, não somente a Seleção Brasileira, mas que o futebol brasileiro como um todo possa vir a ter dias melhores. E, principalmente, que a CBF, que manda na Seleção e nos nossos campeonatos, seja menos corrupta, e passe a trabalhar para um desenvolvimento melhor do esporte em nosso país. O 7 a 1 precisa ser tratado como uma lição para dar a volta por cima, e não ser o começo para que tragédias maiores ocorram com o Brasil.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Copa 2014: um ano do melhor mês de todos



O dia 12 de junho de 2014 foi histórico. Foi nesta data que começou a Copa do Mundo realizada no Brasil. Hoje, lembro com muita nostalgia sobre o quão incrível e intensa foi a maior competição do futebol mundial em nosso país. Foi um mês inteiro de jogos mágicos, gols incríveis, estádios lotados, e de façanhas inimagináveis ocorridas em nossas terras, sem contar também com a grande invasão de turistas de todas as partes do mundo.


A Copa começou com a estreia da Seleção Brasileira, que era favorita ao título. Um jogo tenso contra a Croácia, em que o Brasil começou perdendo com um gol contra, mas virou, e venceu por 3 a 1, em jogo comandado por Neymar, que marcou dois gols. Aquela partida em São Paulo já mostrava que a Copa do Mundo tinha tudo para ser incrível, e foi mesmo.


Nos dias que sucederam a abertura, vimos a então atual campeã Espanha cair ainda na primeira fase, e no "Grupo da Morte",  a Costa Rica foi quem matou as poderosas seleções de Inglaterra e Itália, se classificando em primeiro e deixando o Uruguai em segundo. O Brasil também viu uma imensa invasão de estrangeiros, principalmente os sul-americanos do Chile, do Uruguai e da Argentina, que vinham das mais variadas formas para o nosso país, mesmo que estivessem sem o ingresso para os jogos. Países como Holanda, França, Colômbia e Alemanha também tiveram destaque, apresentando um futebol de grande qualidade.


Houve também duelos sensacionais, com situações inimagináveis. Antes do torneio, parecia impossível crer que a semifinal entre Argentina e Holanda seria um jogo pior que uma partida da fase de grupos como Argélia e Coreia do Sul, a qual muita gente que não foi ao estádio desdenhou do duelo antes dele acontecer. Foram muitos jogos de grande qualidade, então é impossível descrever qual deles foi o melhor. 


E tivemos gols, e quantos gols. Foram 171 no total, se igualando à Copa de 1998 com o maior número de gols em uma mesma edição. Vimos o voo do holandês Van Persie contra a Espanha, a pintura do colombiano James Rodríguez contra o Uruguai, Messi fazendo gols no seu estilo e decidindo para a Argentina, e Cahill marcando um golaço contra a Holanda no Beira-Rio, gol este que tive a sorte de assistir de dentro do estádio. São só alguns exemplos de golaços ocorridos em nossos estádios na competição.


Teve a mordida do Suárez em Chiellini, os jogadores de Gana recebendo seu pagamento em dinheiro vindo de avião do país africano, e Cristiano Ronaldo decepcionando na competição, mesmo sendo escolhido o melhor jogador do mundo pela FIFA no ano anterior. Aconteceu também o primeiro gol com a ajuda da tecnologia, em França e Honduras. E também houveram situações improváveis, como a ousada ideia do técnico holandês Louis Van Gaal, ao trocar o goleiro Cillessen por Krul no último minuto da prorrogação contra a Costa Rica, fazendo o goleiro reserva se consagrar na decisão por pênaltis. Entre as lesões, Falcão García e Ribéry se ausentaram da Copa, e Neymar fraturou a vértebra ao ser atingido por Zuñiga, da Colômbia, em um momento de pleno drama para todos os brasileiros.


Houve também o 7 a 1. Um ano depois daquela derrota, ainda é duro aceitar que o Brasil tomou aquela surra da Alemanha em uma semifinal, jogando em casa. Um resultado que até hoje é sentido por milhões de brasileiros. Ainda é triste lembrar daqueles gols, mas a ferida está sendo estancada. Aos poucos, isso vai passar. Pelo menos a Seleção apresentou leve melhora agora, com Dunga como treinador, vencendo todos os 10 amistosos após a Copa do Mundo, apesar de não estar conquistando o público brasileiro, mesmo nos recentes jogos em casa contra México e Honduras.

Não somente pela goleada na semifinal, a Alemanha foi a grande merecedora do título. Jogaram bem a Copa inteira, com um elenco de qualidade, ganhando no campo e no carisma, com atletas como Schweinsteiger e Podolski tirando fotos com camisas de clubes brasileiros e conquistando a todos nós pelo Twitter e Instagram. A final contra a Argentina foi justa, e o tetracampeonato mais do que merecido. 

Hoje, um ano depois do início, o futebol brasileiro não compensa a qualidade vista na Copa. Grande parte dos jogos são ruins, muitos estádios do Mundial vivem com público baixo, muito por conta dos ingressos caros, sem contar que algumas das arenas estão sem uso para o futebol, como em Brasília e Manaus. Além disso, tem toda a corrupção no esporte, escancarada com o recente escândalo da FIFA, que prendeu dirigentes como o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, e que fez até Joseph Blatter anunciar que deixará o cargo de presidente da FIFA, três dias após vencer as eleições. É um período difícil na organização do esporte, e espero que encerre com a condenação dos culpados, com uma gestão melhor do futebol no futuro.

É triste saber que não estamos mais convivendo atualmente com a Copa do Mundo no Brasil. Fica a sensação nostálgica de que foi a melhor Copa de todos os tempos, evento que vivi com intensidade plena, curtindo todos os jogos, todos os lances, do início ao fim. E até depois do fim ainda consegui curtir, já que o meu Trabalho de Conclusão de Curso da faculdade (o TCC) foi sobre esta edição do Mundial. A Copa do Mundo deixa saudades até hoje, mas estará eternamente nos corações de milhões de pessoas.

Abaixo, o melhor vídeo para reviver a Copa de 2014.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Mata-mata ou pontos corridos: uma análise sobre o formato ideal do Brasileirão

Em um período onde pouca coisa além das negociações de jogadores é notícia, surge nesta  primeira segunda-feira de 2015 a informação de que o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, está articulando com demais clubes para a possível volta do sistema de mata-mata ao Campeonato Brasileiro. A justificativa seria para deixar o campeonato mais atrativo. Atualmente, o Brasileirão é disputado no sistema de pontos corridos, em que todos os times se enfrentam em dois turnos. O possível retorno de um mata-mata no Brasileiro é uma tática que pode ser boa, e que eu apoio, dependendo da forma como for aplicada.

Desde o início do Brasileirão, em 1959, o mata-mata imperou nas fases decisivas. Até 2002, o campeonato contava com uma fase final. Nos anos 70, a competição chegou a ter 94 clubes, em 1979, como uma forma de tentar aproximar os times de todos os estados brasileiros em um único torneio.

Nos anos 90, quando já conseguia acompanhar o Brasileirão, lembro do sistema que foi mais utilizado na época. Os times se enfrentavam em turno único, geralmente entre julho e novembro, (com finais em dezembro) e os oito melhores avançavam para a fase de mata-mata, até decidir um campeão. Os regulamentos eram diferentes a cada ano, devidas as constantes mudanças de número de equipes participantes, algumas delas proporcionadas pelas famosas viradas de mesa, onde algum time grande se beneficiava para não ser rebaixado, ou ser milagrosamente promovido da Série C para a Série A, como foi com o Fluminense, de 1999 para 2000. Em 2000, inclusive, ocorreu um dos campeonatos mais bizarros da história, onde o vice-campeão da segunda divisão, o São Caetano, tinha direito a jogar as oitavas de final da primeira divisão do mesmo ano, e ainda terminou o campeonato como vice-campeão brasileiro, perdendo para o Vasco.

Como dito acima, o último ano em que o mata-mata foi instituído no Brasileirão foi em 2002, quando o Santos foi campeão, após ter ficado em oitavo lugar no turno único. Um encerramento melancólico de um formato que marcou época.

A partir de 2003, o Brasileirão passou a ser de pontos corridos. Nos seus dois primeiros anos, foi com 24 equipes na primeira divisão. Em 2005, o número diminuiu para 22, e em 2006, para 20 clubes, mantendo seu formato até hoje. Se por um lado o Brasileirão passou a ter um regulamento sólido nestas doze edições realizadas até então, por outro, ficou visível a diferença na qualidade técnica entre grandes e pequenas equipes. Desde que o sistema de pontos corridos foi instituído, seis times se tornaram campeões brasileiros, sendo apenas um deles, o Cruzeiro, que não é do Rio de Janeiro ou de São Paulo. Na era do mata-mata, era possível que mais times alcançassem a condição de campeões nacionais. Entre 1959 e 2002, foram 17 clubes que conquistaram o título (incluindo os seis campeões dos pontos corridos), sendo oito de fora do eixo Rio-São Paulo, como os representantes de Minas Gerais, e clubes das regiões Sul e Nordeste.

O formato atual é consolidado, mas preferia um Brasileirão mais empolgante em seus instantes finais. Seria melhor ver mais times com chances de título, evitando a possibilidade de o time campeão erguer o troféu em um salão fechado, com os jogadores vestindo terno e gravata, como já ocorreu desde que os pontos corridos passaram a chegar no Campeonato Brasileiro. Além disso, a liga corre o risco de ter sempre os mesmos times campeões, como é nos principais campeonatos da Europa. Outro fator que preocupa é a polarização entre os clubes participantes. Neste ano, somente duas equipes não são das regiões Sul e Sudeste do Brasil, sendo um clube do Centro Oeste, e um do Nordeste.

Mas os mata-matas no formato de antigamente, em pleno 2015, não seriam uma forma atraente. Um formato interessante que poderia ser copiado está justamente de um dos países onde o futebol mais cresce: nos Estados Unidos. Lá, a Major League Soccer (MLS), é realizada com times de duas conferências, em que os melhores da primeira fase em cada grupo vão para os mata-matas para decidir o campeão da temporada. O sistema de fase de grupos e mata-mata também é consolidado por lá nas quatro principais ligas do país (NFL, MLB, NBA e NHL).

Como minha sugestão de campeonato, ficaria o seguinte: os 20 representantes da Série A poderiam ser divididos em dois grupos com dez equipes, em chaves devidamente equilibradas, de acordo com o histórico de participações na primeira divisão. Poderia haver uma primeira fase com 28 jogos, sendo duas vezes contra cada adversário do grupo, e uma vez contra os times do outro grupo. Os quatro melhores de cada chave disputariam mata-matas até a decisão, com os piores times desta fase sendo rebaixados para a Série B. Seria uma forma que manteria um calendário equilibrado, e que poderia dar certo, podendo trazer força ao nosso principal campeonato.

Ainda é incerto se os clubes brasileiros conseguirão pressionar a CBF para haver alterações no Campeonato Brasileiro, mas as articulações já estão começando. Espero que a volta dos mata-matas, se acontecer, possa fortalecer o futebol do nosso país, que vive uma fase complicada há algum tempo. Caso tudo se mantenha como está, o que restará a nós, torcedores, é acostumarmos a ver a maioria dos times brigando por vagas, ou para não cair, e ver apenas dois ou três com chances reais de título.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O pós Copa

A Copa de 2014 foi muito boa. Tão boa que é difícil de acreditar que ela já acabou. Este foi o primeiro de mais de 1700 dias que ficaremos sem a maior competição de futebol do planeta, e o clima não poderia ser outro. É uma ressaca inimaginável.

Vimos 171 gols, jogos fantásticos, resultados surpreendentes, e momentos memoráveis, para o bem e para o mal. Esta Copa do Mundo foi tão inesquecível que, mesmo após seu fim, merece ser lembrada por muito tempo. Mas esta segunda-feira seguinte ao título da Alemanha foi muito triste. Não tem mais bandeiras do Brasil nas ruas, propagandas de TV já não falam mais da Copa, e todos os times participantes já foram embora, incluindo a Alemanha.

Resta a nós, pobres mortais, enfrentarmos o luto pelo fim desta Copa, e irmos nos acostumando, dia após dia, que o Mundial do Brasil está no passado. Que os próximos dias sejam melhores!

domingo, 13 de julho de 2014

Lembranças do final da melhor Copa da história

Alemanha confirma seu favoritismo e é agora tetracampeã do mundo

Ainda não dá para acreditar, mas a Copa do Mundo de 2014 está agora apenas no passado. A Alemanha é agora a atual campeã do mundo, conquistada com todos os méritos, após se reinventarem no futebol nos últimos 14 anos. O placar em 1 a 0, com o gol de Mario Götze sendo marcado na prorrogação, representa o equilíbrio que foi a decisão realizada no Maracanã. Os alemães venceram bem, mas a Argentina caiu jogando bem, proporcionando perigo aos adversários em vários momentos.

Foi a melhor Copa do Mundo de todos os tempos. O Brasil recebeu grandes seleções, vimos jogos excelentes, belos gols, festas incríveis, e com um show da torcida, não só da brasileira, como também dos turistas de outros países. São tantos momentos incríveis que não caberiam em um único post. O nosso país foi um ótimo anfitrião, e organizou uma grande Copa. Houve alguns problemas antes do Mundial, que devem ser lembrados, mas durante o evento vimos que o espetáculo funcionou, e que o Brasil organizou uma grande Copa. Se não vencemos no campo, vencemos na organização.

Sobre os campeões mundiais, o título veio com o esforço vindo após a superação dos fracassos na Eurocopa de 2000 e na Copa de 2002. A Alemanha investiu no esporte e em categorias de base. A equipe melhorou, e terminou em terceiro nas Copas de 2006 e 2010, sendo também vice-campeã da Europa em 2008, e semifinalista na Euro 2012. Se faltava o título, agora não falta mais, título este que vem justo na principal competição do futebol mundial. A equipe também ganhou no carisma, com jogadores como Neuer, Podolski e Schweinsteiger fazendo inúmeros elogios ao Brasil, vestindo camisas dos nossos clubes, e também tratando com humildade a goleada esmagadora de 7 a 1 aplicada contra os donos da casa.
Müller, Schürrle, Götze e Höwedes - símbolos da renovação alemã

A Copa do Mundo de 2014 vai deixar saudades. Não veremos mais o Fuleco, os estádios cheios, o grande número de estrangeiros e também a belíssima vinheta de abertura das transmissões, com o clássico OEA entoado durante a trilha. Fico feliz de poder ter presenciado este Mundial, e de ter acompanhado todas as partidas de alguma forma, sendo pela TV, rádio, internet, redes sociais e também in loco no estádio. A experiência de ter vivido intensamente a Copa do Mundo no meu país é algo que irei contar com orgulho para as futuras gerações que virão pela frente. Que esta competição siga sendo lembrada por nós por muito tempo - afinal de contas, vai ser difícil de engolir o retorno do Brasileirão daqui uns dias. Que venha a próxima Copa, e a seguinte, e que esta competição siga mágica em qualquer país que for sediar, e que continue sendo o melhor evento realizado neste planeta.

sábado, 12 de julho de 2014

Quarto do terror

Seleção de 2014 encerra Copa de forma humilhante, e sem perspectivas de futuro

Quando foi dado o apito final dos humilhantes 7 a 1 que o Brasil levou da Alemanha, já se sabia que era a maior goleada sofrida pela Seleção em sua história, e que restaria ao time a jogar a decisão do terceiro lugar, contra a Holanda. Dava para ter a noção de que era o maior vexame brasileiro, mas ninguém imaginava que poderia piorar.

A partida realizada neste sábado em Brasília terminou com mais uma derrota, desta vez não tão humilhante. Os 3 a 0 sofridos diante da Holanda são a prova de que estamos vivendo com o pior elenco brasileiro de todos os tempos. Os fatores explicados para tanta decadência já foram ditos aqui, quando o Brasil perdeu para a Alemanha, mas nestes últimos três dias após o desastre vimos mais situações lamentáveis, que fazem o torcedor entender os porquês de estarmos com uma geração ruim.

Durante os dias seguintes, vimos um discurso estranho. Parecia que a goleada por 7 a 1 era um placar normal, e esse resultado era lembrado por Felipão, Parreira e demais membros da comissão técnica como apenas uma fatalidade. A chegada à semifinal era enaltecida mesmo com o vexame, de uma forma muito incoerente, pois até dias atrás, os mesmos dirigentes afirmavam com todas as letras que o Brasil estava com as duas mãos na taça. Em nenhum momento o treinador e seus companheiros tiveram humildade ao falar que Alemanha e Holanda jogaram melhor. Vimos também nas entrevistas coletivas coisas absurdas, como a tal carta de Dona Lúcia e o abraço de Neymar durante a fala de Felipão após a derrota para a Holanda, para trazer um clima de comoção aos jornalistas que cobriam tal momento. 
Parreira lendo a suposta carta de Dona Lúcia. A imagem símbolo do maior vexame brasileiro em todos os tempos

No jogo de despedida do Brasil nesta Copa, vimos outro show de horror. A equipe, que jogou com muitas modificações, começou perdendo logo nos primeiros minutos, com o gol de pênalti de Van Persie. O Brasil teve poucas chances de gol. Tão poucas que o goleiro Cillessen mal apareceu na partida. Aos 17 minutos, Blind ainda marcou pela segunda vez para os holandeses. A arbitragem errou nos lances destes dois gols, mas os deuses do futebol deram aquela força para evitar um discurso ainda mais arrogante do treinador brasileiro. Ao final da partida, Wijnaldum marcou o terceiro gol, totalmente legítimo, para fechar o placar em 3 a 0, e enterrar de vez o pior time brasileiro da história. Além disso, a Seleção sofreu 14 gols, sendo também o maior número de gols sofridos em uma Copa. 

Holanda faz 3 a 0 e conquista o terceiro lugar com uma campanha invicta
O jogo entre o terceiro e o quarto lugar é um tanto depressivo, mas a Holanda mereceu mais ter conquistado esta posição. O técnico Louis Van Gaal, mesmo desdenhando esta partida, organizou bem sua equipe para jogar contra o Brasil. O time volta para casa com uma campanha invicta, um feito inédito para a Laranja Mecânica em sua história nas Copas. Fico muito feliz por este resultado, pois afinal de contas, a Holanda foi uma das equipes que tive o prazer de acompanhar no estádio, ainda na fase de grupos, contra a Austrália, em Porto Alegre. 

Aos holandeses, serão agora mais quatro anos para tentarem o título que lhes tanto falta. Para o Brasil, espera-se que haja uma grande reformulação - embora acho pouco provável, já que os dirigentes da CBF se sentem satisfeitos com o trabalho de Felipão. Para os fãs do futebol, como eu e muitos de vocês que me leem aqui, resta apenas conferir a partida final, entre Alemanha e Argentina. É o jogo que falta para concluir a melhor Copa de todos os tempos. Após isso, ficará a saudade, pois só veremos jogos da maior competição de futebol daqui a quatro anos, em 2018, na Rússia.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Melhor Copa da história encerrará em grande estilo

Argentina vence a Holanda nos pênaltis e está na final da Copa do Mundo
Será a Argentina a outra finalista da Copa do Mundo de 2014. A seleção albiceleste conquistou a vaga para a grande decisão após eliminar nos pênaltis a Holanda, por 4 a 2, após um sonolento 0 a 0. De qualquer forma, os argentinos são merecedores da vaga. Se chegaram até a final, mesmo com atuações que não encheram os olhos de todo mundo, foi por mérito de terem um time entrosado, que soube atacar até encontrar o gol, e se defender bem para evitar que o adversário marcasse. Argentina e Alemanha farão no domingo, pela terceira vez na história, a decisão do Mundial de 2014, que segue sendo a melhor Copa de todos os tempos.
Seleção alemã reestruturou seu futebol, e chega à decisão em busca de seu tetracampeonato

Passado o trauma da eliminação brasileira, é importante lembrar que esta competição ainda não acabou. Alemanha e Argentina foram melhores que o nosso time, e a equipe que será campeã  conquistará o título por puro merecimento. Se os alemães vencerem, será o prêmio para uma geração que aprendeu com a derrota da Copa de 2002. Após o trauma, a Alemanha formou uma nova geração jovem, criando milhares de centros de treinamento em seu país, e reestruturou a Bundesliga, que hoje é o campeonato de futebol com maior média de público do planeta, que supera os 40 mil por partida. A única coisa que falta para o atual futebol alemão é um título, e que poderá chegar se jogar da mesma forma que golearam o Brasil.
Lionel Messi é o líder da equipe da Argentina, que volta a uma final depois de 24 anos

A seleção argentina conta com um time entrosado, e que conta com grandes talentos individuais. Além de Messi, a Argentina tem outros destaques como Higuaín, Lavezzi, Mascherano, Aguero e Maxi Rodríguez. O time pode não ter feito grandes atuações até agora, mas se está na final, é porque superou seus adversários. Messi, que tem quatro gols nesta Copa, já ganhou tudo com a camisa do Barcelona, mas pela seleção de seu país ainda não conquistou um título. Talvez o Maracanã, onde marcou seu primeiro gol neste Mundial, seja o palco de sua consagração com a Argentina.

Na final de 1986, a Argentina de Maradona derrotou a Alemanha, e se tornou bicampeã do mundo. Quatro anos mais tarde, em 1990, foi a vez dos alemães vencerem a Copa contra os argentinos, com nomes como Lothar Matthäus e Jurgen Klinsmann. Em 2014, a decisão entre estes times ocorrerá pela terceira vez. Independente de quem vencer, a melhor Copa do Mundo da história terminará em alto nível. Que seja um grande jogo.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Fomos otimistas demais

Vitória alemã por 7 a 1 é o maior vexame da história da Seleção Brasileira

Talvez a coisa mais fantástica de ser torcedor, é a de poder acreditar na vitória de seu time sob qualquer hipótese, não importando se a equipe da gente é a melhor de todas, ou se é um time fraco. Como brasileiro, torci pela Seleção em todos os jogos, e acreditei a todo momento que o nosso país poderia ser campeão. Eu estava otimista como um legitimo torcedor, até demais.

A derrota esmagadora sofrida pela Alemanha por 7 a 1, na maior goleada já sofrida pelo Brasil em toda a sua história, foi o pior choque de realidade possível que a Seleção poderia sofrer ao saber que não será mais campeã mundial em 2014. Sabíamos que não éramos os favoritos diante dos alemães, mas jamais esperávamos que seríamos tão humilhados no nosso terreno, e em um jogo tão decisivo.
Fernandinho lamenta um dos gols sofridos
Agora, com frieza, podemos ver onde esta Seleção errou. O maior deles não tem nenhum culpado. Estamos com uma geração ruim de jogadores. E já faz tempo. Em 2002, o Brasil foi campeão do mundo, ganhando da própria Alemanha, mas pouco se fez para que, no futuro, novos jogadores de talento surgissem para suprir às futuras saídas de Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho. Tanto que, em 2006, com boa parte do time pentacampeão em seu elenco, o Brasil teve atuações modestas, e foi eliminado para a França. Ali, se falou pela primeira vez em renovação. Mas que renovação? Armaram um time mais jovem, com menos reforços talentosos, e o resultado também foi uma eliminação na Copa do Mundo, desta vez para a Holanda, em 2010.

Passado o trauma dos 45 minutos que tiraram o Brasil do mundial da África do Sul, houve o mesmo discurso de renovação, mas de forma ainda mais drástica. Jovens jogadores foram testados em inúmeras partidas e formações diferentes. Muitas promessas ditas em 2010, hoje jogam em times médios da Europa, ou vivem de atuações regulares jogando no Brasil. Salvas algumas exceções, como Neymar, Thiago Silva, David Luiz e Oscar, não criamos jogadores bons a ponto de fazer com que a equipe jogasse entrosada para ser mais competitiva.

Nos últimos quatro anos, vimos Mano Menezes fracassar no comando da Seleção; o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, renunciar ao cargo sob suspeitas de corrupção na entidade; e o retorno de Felipão para evitar um vexame ainda maior nesta Copa (se bem que duvido que fosse possível acontecer algo pior). O Brasil teve bons momentos com o treinador, como o título da Copa das Confederações, voltando a vencer times campeões mundiais. 

Mas Copa do Mundo é uma competição muito maior que a Copa das Confederações. Além disso, o time não apresentou nenhuma melhora tática de um ano para cá, como que se, de alguma forma, o Brasil fosse conquistar a Copa com a mesma facilidade que ganhou a competição do ano passado. 
Schürrle comemora um de seus dois gols, calando o estádio do Mineirão

Já no mundial do Brasil, a preparação da Seleção foi longe de ser exemplar. A tal "ousadia e alegria" dita como lema do elenco brasileiro não existia. O time brasileiro ficou escondido na Granja Comary, em Teresópolis (RJ) e pouco aparecia publicamente - exceto quando algum torcedor driblava a segurança e invadia o treino, lembrando a vergonhosa preparação da Copa de 2006, em Weggis, na Suíça. Essa preparação mascarada deixava o time muito distante da torcida, trabalhando de uma forma completamente diferente da de Holanda e Alemanha, que ganham, de longe, o título de seleções mais carismáticas entre os torcedores desta Copa, com jogadores que iam para a praia, e usavam camisas dos times brasileiros - como Schweinsteiger e Podolski.

Mas entre uma atuação e outra, tivemos um gol contra, e graves falhas defensivas que resultaram em gols para adversários, além do dramático clima de choro antes da decisão nos pênaltis contra o Chile. Mas nenhum problema envolvendo o time brasileiro foi tão grave em questões psicológicas quanto a lesão de Neymar. Foi a prova na cara dura de que o Brasil depende, e muito, do nosso camisa 10. Ele não havia ido muito bem diante do Chile e da Colômbia, mas sua ausência causou um clima de comoção tão intenso, que a impressão que dava era de que o jogador tinha morrido. Felipão não soube o que fazer sem Neymar, o único jogador diferenciado no ataque brasileiro. O resultado foi um apagão inacreditável no primeiro tempo contra a Alemanha, que culminou com o pior jogo realizado na história da Seleção. Não que com o atacante e Thiago Silva (que estava suspenso) o Brasil não perderia para os alemães, mas certamente o resultado poderia ser menos pior do que foi.

De todas as eliminações ocorridas, esta foi tão traumática que é impossível colocar as culpas em uma única pessoa. Foi um erro coletivo, de dezenas de pessoas, que fez o país passar por tal vexame. Quanto ao time, teremos de ter fé que possamos encontrar por aí algum ser extraordinário que saiba ser talentoso jogando futebol, para fazer a Seleção voltar a impor respeito aos seus adversários. Uma grande reformulação precisará ser feita após o depressivo jogo da decisão do terceiro lugar, no sábado, passando pelos jogadores, pelo técnico - seja lá quem for assumir - e até pela presidência da CBF. Se ficar do jeito que está, o hexacampeonato não virá na próxima Copa, em 2018, na Rússia, e pode demorar ainda mais.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Que a força de uma nação esteja com a Seleção

Brasil enfrenta a Alemanha nesta terça pelas semifinais da Copa
Um dos jogos mais dramáticos de todos os tempos da centenária história da Seleção Brasileira está para acontecer. Em algumas horas, o Brasil voltará a campo para enfrentar a Alemanha, em um duelo que promete fortes emoções, e que não será nada fácil para a nossa Seleção.

O mundo que está repercutindo a Copa em nosso país aponta o Brasil como o não-favorito a vencer os alemães. A Seleção estará sem Thiago Silva, suspenso, e sem Neymar, que fraturou uma vértebra e está fora do restante do mundial. A Alemanha vem com um time bem entrosado, e que busca manter a posse de bola, na espera de uma chance para atacar. Apesar disso, nos mata-matas, não avançaram com grandes atuações, com uma dramática vitória sobre a Argélia, e com uma vitória simples contra a França.

Meu lado torcedor entende a opinião da grande imprensa mundial. Para o Brasil, é até melhor não ter todo esse favoritismo. É claro que a Seleção quer ganhar a Copa em sua casa, mas a partida em Belo Horizonte será jogada com menos pressão psicológica pela classificação à final. Além disso, já vimos em várias Copas do Mundo, inclusive nesta, um favorito cair diante de uma equipe que aparenta estar enfraquecida.

Vamos a um exemplo. Em 2002, Brasil e Alemanha fizeram a primeira e única partida em Copas do Mundo, justamente na final. A Seleção Brasileira, também treinada por Felipão, foi para o mundial da Coreia do Sul e do Japão com uma equipe que quase foi desclassificada ainda nas eliminatórias. Além disso, o Brasil vivia sob a desconfiança de ter em seu elenco Ronaldo Fenômeno, que se recuperava de uma grave lesão no joelho, que o afastou do futebol por cerca de um ano e meio. Mesmo não sendo considerado um time favorito antes do mundial, o Brasil foi lá e venceu a Copa, em que o próprio Ronaldo brilhou, com a soma do talento de outros destaques como Rivaldo, Ronaldinho e Kleberson.

Em 2002, Brasil de Ronaldo conquistou a Copa ao derrotar a Alemanha

Voltando a partida na capital mineira, acredito no potencial do técnico Felipão para montar um esquema ideal para compensar a ausência de Neymar. Cabe lembrar que o Brasil tem um bom time, e fazendo alguns ajustes, é possível jogar de igual para igual com os alemães, e quem sabe derrotá-los. A Seleção já jogou bem sem o Neymar, e foi na própria partida contra a Colômbia, onde ele teve uma atuação discreta antes de ser atingido por Zuñiga, para não voltar mais à Copa.


Sabemos que será difícil, mas o resta a torcida brasileira é acreditar que é possível sim. Enquanto tiver chances, enquanto tiver jogo e enquanto o árbitro não der o apito final, resta a nação apoiar o time até o fim, seja no estádio ou pela televisão. Uma coisa é certa: se o título não vier, não será por falta de luta. Mas enquanto houver luta, ainda há esperanças de que o Brasil pode levar o hexa.

sábado, 5 de julho de 2014

Jogos de alto nível são esperados no final da Copa do Mundo

Holanda de Tim Krul conquista nos pênaltis a vaga para as semifinais da Copa
Brasil, Alemanha, Argentina e Holanda, serão estes os quatro semifinalistas da maior Copa do Mundo de todos os tempos. Três destes times já conquistaram o mundial por pelo menos duas vezes, e a equipe que ainda não foi campeã tem o melhor desempenho histórico entre os times que nunca venceram a competição. Em todas as Copas que vi, nunca houve jogos das semifinais com um nível tão alto como agora. Emoção será o que não vai faltar.

Em jogo de pouca emoção, Argentina vence Bélgica e se classifica
Neste sábado, vimos as classificações de Argentina e de Holanda, que farão a outra semifinal da Copa. Os argentinos ganharam da Bélgica por 1 a 0, em uma partida de futebol técnico fraco e nada emocionante. Higuaín marcou o gol logo no começo do jogo, com os argentinos atacando muito pouco. Por outro lado, o time belga, tratado antes desta Copa como a provável surpresa da competição, pouco fez, e não causou sustos à defesa hermana. A Argentina volta a uma semifinal de Copa do Mundo após 24 anos, e terá seu maior desafio diante da Holanda, já que até agora a equipe de Messi e companhia ainda não enfrentou um adversário à altura de seu favoritismo.

A Holanda, por sua vez, já teve grandes desafios, e passou para às semifinais após uma dramática semifinal com a Costa Rica, esta sim, a maior surpresa da Copa, e quem sabe de todas as outras. Ambas as equipes fizeram uma partida emocionante, onde os goleiros foram o destaque. Cillessen, para a Holanda, e Navas, para a Costa Rica, fecharam o gol, a ponto de que o placar terminasse em 0 a 0, após 120 minutos de jogo. Mas ainda teve um terceiro goleiro que foi o destaque neste duelo. O técnico holandês Louis Van Gaal teve ousadia (para não falar palavrão) e tirou Cillessen de campo aos 15 minutos do segundo tempo da prorrogação, para a entrada de Krul, que, nos pênaltis, defendeu duas cobranças, e foi determinante para levar a Holanda para às semifinais.

O time costarriquenho, voltará para casa orgulhoso. O goleiro Navas sofreu apenas dois gols, e seu país tem a melhor defesa desta Copa (nenhuma equipe terá como sofrer menos gols que a Costa Rica). Além disso, os "Ticos", como são conhecidos, encerram sua melhor campanha em mundiais com vitórias expressivas diante de Uruguai e Itália, além de um empate com a Inglaterra na primeira fase. E nos mata-matas, eliminaram a Grécia nos pênaltis e seguraram este empate com a Holanda, que era a equipe mais forte contra quem jogaram. A façanha da Costa Rica ficará marcada para sempre na história das Copas do Mundo.
Keylor Navas, da Costa Rica deixa a Copa do Mundo como o melhor goleiro da competição
Agora com os semifinalistas definidos, não tenho mais dúvidas de que esta Copa no Brasil é a melhor de todos os tempos. Diferente de outros mundiais, não temos somente um favorito entre os quatro melhores. Todos avançaram por terem feito o seu melhor, e merecem estar entre os melhores países do mundo. Esta Copa está tão boa que é uma pena que já está acabando. O que resta agora é curtir intensamente a competição, pois a próxima será só daqui a quatro anos.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Os protagonistas, o vilão e o mártir: os personagens de Brasil x Colômbia

Autor de um dos gols, David Luiz foi o melhor em campo. James Rodríguez deixa a Copa como artilheiro, com seis gols
Brasil e Colômbia realizaram nesta tarde um bom jogo. A classificação brasileira para as semifinais veio com um grande jogo realizado pela Seleção, que venceu por 2 a 1. Uma vitória categórica, na melhor atuação do time de Luiz Felipe Scolari, cheia de personagens emblemáticos.

Quando comecei a desenvolver este texto, eu já sabia que Neymar foi cortado por uma fratura na terceira vértebra, devido a entrada dura que o colombiano Zuñiga fez no atacante brasileiro. Uma perda lamentável, e talvez irreparável para o time do Brasil, que terá, na terça-feira, uma difícil partida contra a Alemanha, pelas semifinais da Copa. Resta saber como o time vai se comportar para o confronto, e verificar quem poderá ser a melhor opção para que o Brasil não perca sua qualidade ofensiva.
Neymar saiu de campo carregado por médicos, e foi direto para o hospital de Fortaleza

Ficamos agora no aguardo do que haverá de punições para Zuñiga por tal ato. Durante o jogo, o árbitro espanhol Carlos Velasco não puniu o colombiano no lance. Recentemente acompanhamos o caso de Luis Suárez, que mordeu o italiano Chiellini, e foi suspenso por nove jogos oficiais pelo Uruguai, além do afastamento de quatro meses de qualquer atividade profissional. A punição se deu com imagens de TV que comprovam o ato, já que o atacante uruguaio também não foi punido nesse lance. É claro que uma mordida é uma atitude anti-desportiva que merece uma punição devida, mas a lesão ocasionada por Zuñiga em Neymar foi muito mais grave. Dependendo de onde fosse a fratura, o camisa 10 do Brasil poderia ter complicações ainda piores, que talvez pudessem deixar o jogador brasileiro sem condições de jogo por muito mais tempo, ou até mesmo encerrar com sua carreira. Seria o caso da FIFA rever o lance, e aplicar uma punição que sirva de exemplo, para que jogadas como essa sejam evitadas.

Sobre a partida, o Brasil teve o seu melhor desempenho nesta Copa. A defesa, que por vezes foi instável, ganhou um reforço, com a chegada de Maicon no lugar de Daniel Alves. O meio-campo funcionou, sendo uma boa articulação com o ataque. Tudo bem que os dois gols do Brasil foram marcados por zagueiros (Thiago Silva fez o primeiro gol e David Luiz marcou o segundo), mas a movimentação de todo o time já foi bem melhor do que no jogo contra o Chile.
O gol de David Luiz foi marcado após um belo chute, em uma falta

O Brasil enfrenta nas semifinais da Copa a Alemanha, que ganhou da França por 1 a 0. Além de Neymar, a Seleção também terá o desfalque de Thiago Silva, que está suspenso. Será um duelo duro, e quem vencer, será a primeira equipe a jogar oito finais de Copa na história. Mesmo com as ausências, talvez o Brasil encontre alguma forma de avançar para a decisão. Será o jogo mais difícil da Seleção, mas o duelo com a Colômbia foi a prova de que é possível jogar bem sem depender do Neymar, que apareceu pouco na partida. Se a equipe jogar como jogou nesta sexta, é possível sonhar com a ida à final.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Taça da Copa cada vez mais próxima de ter um novo dono

Chegou a hora de perceber algo importante da realidade atual. A Copa do Mundo está acabando. Estamos há poucos dias de conhecer o próximo campeão do mundo, mas já bate aquela tristeza de que restam apenas oito partidas para que chegue ao fim o maior evento esportivo do planeta. Oito também é o número de sobreviventes no mundial. Aproveitando a deixa de que, até sexta, não vai ter Copa (pelo menos por uns dias os black blocs acertaram), eu publico por aqui uma análise do que pode ocorrer em cada uma das quatro partidas destas quartas de final.

França x Alemanha - 04/07 - Rio de Janeiro


O duelo entre franceses e alemães será o primeiro das quartas de final desta Copa, e também o primeiro jogo entre campeões mundiais na fase de mata-mata. Ambas as equipes foram bem na primeira fase, mas tiveram dificuldades para superar Nigéria e Argélia, respectivamente, nas oitavas. Quem vencer esta partida certamente poderá ser cotado como um dos favoritos ao título.

Brasil x Colômbia - 04/07 - Fortaleza


De um lado, o país sede que avançou de forma dramática, e do outro, a única equipe que chega a seu quinto jogo na Copa sem ter passado por nenhuma dificuldade. Brasil e Colômbia tem tudo para ser um duelo movimentado, com grande movimentação ofensiva e que pode ter vários gols. O time do Brasil pode vir com muitas alterações, a começar pelo esquema tático, resta saber se estas mudanças virão a fazer efeito contra os cafeteiros, que vieram para esta Copa com o melhor time de todos os tempos, mesmo sem Falcão García. Será duro para a Seleção, mas se a Colômbia passar, poderemos ter uma grande surpresa como campeã do mundo.

Argentina x Bélgica - 05/07 - Brasília


A Argentina fez uma grande primeira fase, mas se classificou para as quartas de final após uma dramática vitória sobre a Suíça, ao final da prorrogação. A Bélgica também venceu seus três jogos iniciais, só que não encantou o público como era prometido. Porém, nas oitavas, fizeram um grande jogo contra os Estados Unidos, e estão entre os oito melhores países do mundo. Este jogo tem potencial para ser mais um daqueles dramas para os hermanos, que estão há 24 anos sem chegar a uma semifinal de Copa.

Holanda x Costa Rica - 05/07 - Salvador




Encerrando sua participação na Copa, Salvador, a capital das goleadas, recebe Holanda e Costa Rica. A Laranja Mecânica vem com um futebol que busca o contra-ataque para chegar ao caminho do gol, e também está com 100% de aproveitamento sem a necessidade de prorrogação, assim como a Colômbia. O confronto das quartas de final poderia ser fácil, se a Costa Rica não fosse a grande surpresa do mundial. A equipe da América Central já fez história, eliminando Itália e Inglaterra, e deixando o Uruguai em segundo em seu grupo, mas se eliminar uma das grandes forças da Copa, sua história de superação será ainda mais impressionante.

Ainda teremos mais um dia sem Copa do Mundo, mas eu lhes garanto que a espera valerá a pena. A melhor Copa de todos os tempos não perderá sua graça agora, ainda mais que estamos chegando nos momentos decisivos.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Argélia, a campeã da vida


Se colocarmos em números uma Copa do Mundo, diríamos que são 32 equipes que se classificam após uma fase eliminatória que envolve mais de 200 nações, para que apenas uma delas seja consagrada como campeã mundial por um ciclo de quatro anos. Só que uma Copa é muito mais do que isso. Se por um lado somente um país encerra o mundial com o título, alguns outros voltam para casa após façanhas brilhantes, com campanhas regradas na base da superação, a ponto de escrever seu nome na história das Copas.

A Argélia é uma destas seleções que voltarão para casa após deixar seu país orgulhoso. Nesta segunda, os argelinos foram eliminados pela Alemanha, mas causaram uma tamanha pressão nos alemães que, por vários momentos, era possível acreditar que a equipe africana sairia vencedora daquela batalha realizada sobre a fina e constante chuva que assola Porto Alegre e todo o Rio Grande do Sul há dias. 

Os 90 minutos de jogo foram tão intensos que mesmo com o placar em 0 a 0, a opinião de quem assistiu a partida era unânime. Era um bom jogo. O time argelino marcava a Alemanha sob forte pressão, evitando a troca de passes adversária, e realizando muitos desarmes. Nos ataques, sempre perigosos, a Argélia parava no goleiro Neuer, que provou hoje que é multifuncional. Em muitas vezes, ele saiu do gol, fazendo a função de líbero, e até mesmo a de zagueiro. Por outro lado, a Alemanha também sabia ser perigosa. Suas chances de gol paravam no goleiro M'Bolhi, melhor em campo. O jogo era tão bom que terminar no tempo regulamentar seria uma injustiça.

A prorrogação da partida também foi bastante movimentada, só que a Alemanha teve mais sorte. Schürrle, aos três minutos do tempo extra, abriu o placar. A Argélia não se deixou ficar abatida, e ainda foi perigosa no restante da meia hora a mais de jogo. E a Alemanha também não amoleceu. Mesmo com o cansaço de ambos os times nos instantes finais, Özil conseguiu ampliar faltando dois minutos para encerrar a prorrogação. Quando vi que estava 2 a 0, imaginei que a partida estava encerrada. Só que a Argélia seguiu com seu espírito guerreiro, e Djabou diminuiu o placar. Mas não foi possível haver o empate. 

Os argelinos estão eliminados da Copa, enquanto a Alemanha segue para enfrentar a França, nas quartas de final. Só que o time da Argélia encerra o mundial como campeão. Não serão os campeões do mundo aqui no Brasil, mas são os campeões da vida. A equipe do norte da África, que foi colônia da França e que tem o Islã como religião principal, provou para o mundo que é possível fazer um bom futebol mesmo com uma equipe sem nenhum grande nome. É verdade que a vingança depois de 32 anos do Jogo da Vergonha não ocorreu, mas  a despedida diante dos alemães, da forma como jogou, será um daqueles feitos que os argelinos poderão se orgulhar para sempre. 

Alemanha enfrenta França nas quartas de final

Apenas para não boicotar por completo o outro jogo do dia, a França venceu a Nigéria por 2 a 0, e também avançou na Copa. Os gols foram de Pogba e Yobo (contra). Foi também uma partida sofrida, pois os nigerianos também deram um calor nos franceses. Nas quartas de final, França e Alemanha farão no Rio de Janeiro o primeiro duelo em mata-mata desta Copa. Emoção não vai faltar até o final da maior festa de futebol do planeta.

domingo, 29 de junho de 2014

Jogos decididos em pênaltis marcam o domingo da Copa do Mundo


O segundo dia das oitavas de final da Copa do Mundo foi recheado de emoções. De tudo o que foi visto, o grande destaque foi a palavra pênalti. Tanto em Holanda e México, quanto em Costa Rica e Grécia, os pênaltis decidiram os dois jogos, definindo os dois classificados para as quartas de final.

Com seu crescimento nesta Copa, o público esperava que a Holanda fizesse outra partida brilhante, o que não aconteceu. Diante do México, os holandeses começaram mal, sendo pressionados e atacando muito pouco. No primeiro tempo,  houve sim um lance polêmico, com o pênalti não marcado em Robben, que foi atingido duas vezes no mesmo lance. Na etapa final, foi o México quem abriu o placar, com Giovani dos Santos. Mesmo com o gol mexicano, a equipe partiu para a retranca, buscando um jogo mais defensivo sem causar maior perigo aos holandeses.

A Holanda, por sua vez, cresceu em campo, e passou a atacar com maior perigo. O goleiro Ochoa, assim como contra o Brasil, defendia todas, e parecia que seria imbatível mais uma vez, e fazer história com seu país. Só que não foi bem como ele queria. Aos 43 do segundo tempo, em uma série de chances da Holanda, Sneijder acertou um bom chute, e empatou a partida. Não bastasse o drama de ceder o empate no final do jogo, o México perdeu a cabeça de vez com o pênalti que Rafa Márquez cometeu em Robben. Coube a Huntelaar fazer o gol, e garantir a classificação holandesa.

Na partida entre Costa Rica e Grécia não teve apenas um pênalti. Foram nove cobranças. Isso porque o empate em 1 a 1 levou o jogo para as penalidades. Foi uma partida de doer. Um jogo tão ruim que nem parecia que era mata-mata. Por incrível que pareça, vimos dois gols neste jogo. Bryan Ruiz abriu o placar, já no segundo tempo. Quando parecia que a Grécia não reagiria, Sokratis empatou no final do tempo regulamentar. Este jogador, que por sinal, quase viveu um drama particular. Se a Grécia passasse, ele teria de desistir de seu próprio casamento, para jogar contra a Holanda, pois a data está marcada para o próximo sábado. Para Sokratis, felizmente (ou não), isso não aconteceu, pois Keylor Navas salvou a pátria costarriquenha nos pênaltis, e levar o país da América Central pela primeira vez às quartas de final

Segunda-feira (30), será a vez de conferir mais duas partidas. A França, outra sensação desta Copa, enfrenta a Nigéria, e a Alemanha joga contra a Argélia. Serão dois jogos entre europeus e africanos. As equipes da Europa são, sem dúvidas, as favoritas para avançar para a fase seguinte, mas o mundial do Brasil está muito surpreendente para afirmar que zebras não podem acontecer. O que resta é ficar ligado na TV, no rádio, e na internet, e não perder os momentos decisivos desta grande festa.

sábado, 28 de junho de 2014

UFA, o Brasil passou

Brasil conquista classificação heroica contra o Chile
Acompanho o futebol desde que eu me conheço por gente. Não tenho ideia de quantas partidas eu já assisti, e essa informação pouco importa agora. Mas nunca fiquei tão tenso, tão nervoso e tão em pânico quanto ao assistir Brasil e Chile na tarde deste sábado (28). Foi o legítimo teste para cardíaco os 120 minutos de drama que ambas as seleções proporcionaram, além das cobranças de pênaltis. Felizmente o Brasil se classificou, mas essa partida precisa servir de lição que algo precisa mudar no time de Luiz Felipe Scolari, e esse algo é quase tudo.

Talvez mudanças táticas poderiam haver na próxima partida. Conha os chilenos, o meio-campo brasileiro não conseguiu armar direito o ataque. A defesa deixava muitos espaços, deixando o Chile jogar por muito tempo em seu campo. E o ataque pecou na falta de pontaria. Hulk, Fred e Jô erraram muitas oportunidades. Neymar também não teve uma grande atuação. Devido os problemas no meio, ele tinha que voltar ao meio para buscar a bola ali, e tentar alguma coisa lá na frente. Foi difícil.

Mas nem tudo foi uma tragédia. Afinal de contas, o Brasil se classificou. Não foi da melhor forma, mas está garantido nas quartas de final. David Luiz, gigante na zaga, fez o gol brasileiro, e bateu o primeiro pênalti. E Júlio César, nosso goleiro, foi espetacular. Salvou a pátria brasileira ainda no tempo normal, e defendeu duas cobranças nas penalidades. Não a toa Júlio César foi escolhido o melhor em campo, em uma tarde totalmente diferente que a da eliminação do Brasil em 2010, para a Holanda, quando o goleiro da Seleção também era o titular, e falhou em um dos gols.
Júlio César fez uma grande partida, e foi o nome do jogo

Além de Júlio César, salvaram o Brasil nos pênaltis Neymar, Marcelo e David Luiz. A vitória nas cobranças por 3 a 2, após o empate em 1 a 1, leva a Seleção para Fortaleza. O Brasil vai enfrentar a Colômbia, em mais um duelo sul-americano, que tem tudo para ser tão dramático quanto foi este jogo com o Chile.
Colombia de James Rodríguez será a próxima adversária da Seleção

Os colombianos derrotaram o Uruguai algumas horas depois do jogo do Brasil. A vitória foi por 2 a 0, com dois gols de James Rodríguez, artilheiro da Copa com cinco gols. A Colômbia está com um time muito forte. Em minha visão, eles estão com uma equipe melhor que a do Brasil, que sabe tocar a bola com precisão e joga muito bem entrosada. Se com o Chile a Seleção passou por imensas dificuldades, contra a Colômbia, se jogar como jogou neste sábado, o sofrimento será ainda pior.

O que resta é torcer, e sofrer, pelo Brasil no próximo confronto. Para quem acha que a Copa está comprada, este duelo com o Chile foi a prova de que a resposta é não. Se a Seleção vencer a Colômbia, e chegar ao título, será por merecimento do time brasileiro. Então, é chegada a hora de torcer ainda mais pela Seleção, e de acreditar que é possível. Todo apoio será necessário para que o sonho do título não seja adiado por mais quatro anos.