sexta-feira, 8 de junho de 2012

O herói desconhecido e as fitinhas da vitória: a Eurocopa já começou

Torcida da Polônia na abertura da Euro 2012 (foto: Reuters)
Começou hoje a maior competição de futebol do velho continente, a Eurocopa. Uma competição de um nível tão poderoso que é comparada a uma Copa do Mundo, já que os melhores países do mundo vão disputar, tirando excessões como Brasil, Argentina e Uruguai.
A edição deste ano está sendo realizada em dois países sem tanta força no futebol. Polônia e Ucrânia jamais conquistaram uma Eurocopa. A primeira seleção disputou o campeonato apenas em 2008, com uma péssima atuação, já a segunda estreia neste ano.
Apenas quatro países decidiram na base da bola no pé (ou na mão para o caso do jogo de abertura) quem eram os melhores hoje. Os times do grupo A, considerado por muitos o de pior nível técnico, protagonizaram belíssimas partidas. A Polônia empatou com a Grécia por 1 a 1, com o surgimento de um herói desconhecido que definiu o resultado, enquanto a Rússia atropelou a República Tcheca por 4 a 1, com sua "mandinga" presente no uniforme, com aquelas faixas nas cores da bandeira nacional.
Tyton, o homem que salvou a Polônia da derrota (foto: AFP)
Os poloneses estavam em clima de festa. Sediar a Eurocopa é um grande feito para aquele país. Jogavam bem contra os gregos em uma partida movimentada. O primeiro gol do torneio veio com Lewandowski, de cabeça. No segundo tempo, o empate da Grécia saiu com Salpigidis. A chance da vitória, de virada em cima dos donos da casa surgiu com um pênalti a seu favor. O goleiro da Polônia, Szczesny, foi expulso com a marcação, dando lugar ao desconhecido Tyton. Karagounis, o jogador grego mais importante de todos os tempos (marcou o gol do título da Euro 2004), bateu em cima do goleiro, decretando o empate. Tyton saiu de campo ovacionado pela torcida, pois salvou seu país de um desastre logo no jogo de abertura.
Russos atropelam a República Tcheca (foto: Reuters)
Já no confronto de ex-nações socialistas, o equilíbrio esperado na partida não apareceu. A Rússia (primeira campeã da Eurocopa em 1960, como União Soviética) marcou dois gols logo no primeiro tempo, com Dzagoev e Shirokov. A República Tcheca (que fora um dia Tchecoslováquia, campeã da edição de 1976) diminuiu com Pilar, mas ficou nisso. Dzagoev novamente e Pavlyuchenko detonaram com a partida e garantiram a vitória. As fitinhas do Senhor do Bonfim, da Bahia, colocadas no uniforme deram certo. Agora basta saber se a "mandinga" continuará dando certo nos próximos jogos. 
Com os resultados, a Rússia lidera o grupo A com 3 pontos. Grécia e Polônia têm 1, e a República Tcheca permaneceu com zero pontos.
A Eurocopa apenas começou. Dois jogos que pareciam desinteressantes acabaram virando belíssimas partidas, mas não vamos ficar nos contentando com isso. Afinal de contas, vem muita coisa boa por aí. Amanhã o grupo B, o mais forte dos quatro, vai jogar. A Holanda enfrenta a Dinamarca. Já a Alemanha vai encarar Portugal. Serão grandes batalhas neste sábado, pois duas destas quatro seleções fortes cairão até o final da próxima semana. Sem contar que ainda vão jogar Espanha, Itália, Inglaterra e França. Ou seja, vem muita coisa boa por aí. E viva a Euro 2012! Amanhã tem mais.

Euro 2012. Amanhã:
13:00- Holanda x Dinamarca
15:45- Alemanha x Portugal

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Reformulação total: agora o Globo Esporte é cada vez mais gaúcho

O Programa do Rio Grande do Sul agora conta com dois apresentadores, e com meia hora de duração

*Texto produzido para a edição de agosto do Jornal TRI. É uma reportagem factual, porém antiga, mas resolvi colocar aqui por ser um dos meus melhores textos. =) Abaixo a íntegra dele.

O Globo Esporte produzido e veiculado em nosso estado está vivendo uma nova fase. Desde o dia 16 de maio, o programa tem meia hora de duração – antes era um bloco de cinco minutos, seguido de uma edição nacional – sendo apresentado para todo o Estado, diretamente dos estúdios da RBS TV de Porto Alegre, afiliada da Rede Globo. De acordo com o editor-chefe do Globo Esporte gaúcho, Basílio Rota, a RBS apresentou à Globo, há dois anos, o projeto de reformulação do programa. Somente antes da final dos campeonatos estaduais deste ano, a Globo liberou para que algumas afiliadas e sucursais organizassem o Globo Esporte com 30 minutos de duração. O editor-chefe explica que, “como era um desejo antigo da RBS, de imediato nós aceitamos e começamos a fazer todo o planejamento para começar a veiculação de meia hora do Globo Esporte daqui”. Além do Rio Grande do Sul, outros oito estados estão com esse novo formato.

No Globo Esporte atual, são apresentadas mais matérias a respeito da dupla Gre-nal, como conta o repórter Felipe Bueno: “saímos um pouco da ‘boleiragem’ e do esquema de jogo. Agora abordamos também o entretenimento, como, por exemplo, mostrar o jogador fora do que o povo está mais acostumado a vê-lo fazendo”. Com a reformulação, o programa também dá mais destaque para o esporte no interior gaúcho. Fora do Estado algumas matérias que a Globo e as afiliadas produzem são enviadas para o Rio Grande do Sul e veiculadas no Globo Esporte daqui.

Com o aumento da duração do programa local, também a equipe precisou crescer. Atualmente são dois editores de imagens e cinco de texto, antes era apenas um editor para cada função. Além disso, agora o Globo Esporte tem dois apresentadores. A jornalista Alice Bastos Neves passou a comandar o programa junto com Paulo Brito, que faz a frente do Globo Esporte há 23 anos. Alice, que tem cinco anos trabalhando no esporte da RBS, conta sobre o diferencial que o programa busca com o novo formato. “Estamos trabalhando muito na maneira de apresentar e em como fazer diferente. E isso foi o que eu sempre procurei. Estou adorando fazer esse novo Globo Esporte”, afirma. Paulo Brito também aprova a nova cara do programa, destacando a ampliação das matérias produzidas. “Temos reportagens maiores. Antes elas tinham uma média de um minuto e agora são de três minutos. Está realmente maravilhoso o Globo Esporte e todo mundo está gostando”, elogia.

A receptividade dos telespectadores com essa mudança está sendo bem explorada. O programa possui uma conta no Twitter, o @globoesporte_rs, permitindo uma interação dos internautas com os apresentadores. Paulo Brito comenta que “estamos lendo no ar mensagens ao vivo de pessoas que se manifestam pelo Twitter, mandando abraços e cumprimentando aniversários, o que está sendo muito bom”. Alice Bastos Neves também fala sobre os comentários dos telespectadores, citando não só as opiniões positivas, mas também as críticas. “Nesse sentido, o internauta nos ajuda muito. Temos muitos retornos positivos de pessoas que estão satisfeitas com o programa inteiro daqui, e também tem retornos negativos, e eu acho que faz parte deste momento de testes para saber qual será o rumo do nosso Globo Esporte”, diz.

Conheça O Bairrista: o site mais gaúcho de todos

Site de notícias fictícias e bem-humoradas sobre o Rio Grande do Sul conquista fãs e até mudou o Facebook

*Reportagem especial que fiz para o TRI no mês de outubro. Abaixo a íntegra do texto.

Tudo começou com um perfil do Twitter no ano passado. Hoje, além de possuir mais de 50 mil seguidores na rede social, O Bairrista tem uma página do Facebook, em que inclui uma extensão com um aplicativo que modifica alguns termos oficiais por expressões gaúchas, e um site próprio, onde são exibidas notícias humorísticas, de cunho fictício. Elas colocam o Rio Grande do Sul como melhor em tudo, considerando inclusive o nosso estado como uma república independente. O criador e editor-chefe do periódico, Júnior Maicá, explica que o objetivo do site é fazer uma piada com o dia -a- dia, destacando o bairrismo que é uma característica presente nos gaúchos.

Maicá revela sobre como vêm as ideias para construir as notícias que são publicadas no site. “O Bairrista é uma paródia do que acontece na atualidade. É uma lida no jornal e as ideias vêm. Se é um assunto que liga o mundo todo, nós criamos uma forma de puxar esse assunto para cá, para ficar algo bem bairrista mesmo. As pautas vêm do dia -a- dia, e sempre que leio jornais eu já trabalho na minha mente em como posso fazer para colocar no site”, explica.

Não é só o criador do periódico que produz as reportagens do Bairrista. Maicá relata que ele faz a maioria dos textos, mas que o público pode mandar sugestões de assuntos a serem publicados. Ele ainda ressalta que algumas pessoas que têm o “jeito” para escrever para O Bairrista fazem suas produções textuais, que depois são publicadas com seus devidos créditos.

O retorno do público sobre O Bairrista é bastante positivo. Os internautas enviam seus comentários através do Twitter, Facebook e também por e-mail. O editor-chefe diz que “o pessoal sabe que é uma piada. Eles entendem que é uma sátira forte com nosso Estado. Tem uma galera que acha esse bairrismo legal e acompanha por isso também. Eles mandam sugestão, mandam piada. É claro que, às vezes, tem crítica também, mas quando ela é construtiva ela é bem válida”. Maicá completa que o público de outros estados também acessa o Bairrista. “Tem pessoas que não são gaúchas e que leem o site ou acompanham o Twitter e o Facebook. Eles geralmente entendem a piada e poucos não percebem que é uma sátira. Também quando o Marcelo Tas (apresentador do programa CQC, da Band) falou sobre O Bairrista no Festival Mundial de Publicidade, aumentou bastante o número de seguidores do ‘exterior’”, comenta.

O sucesso do Bairrista é tão grande que algumas empresas, a maioria delas gaúchas, estão anunciando seus produtos no site. Os textos dos patrocinadores também seguem os mesmos moldes das produções das reportagens do Bairrista, usando termos gaúchos e exaltando sempre a nossa cultura.

Extensão “bagual” do Facebook é sucesso entre os internautas


Não bastava existir apenas um site, um perfil do Twitter e do Facebook. O Bairrista precisava mostrar mais o orgulho que tem pelo Rio Grande do Sul. Com o apoio da Kintal, que é uma empresa que dá suporte via internet para resolver problemas de computação, foi criada a extensão Facebook Bagual do Bairrista. Esta extensão é um aplicativo que permite modificar para expressões gaúchas os termos de opções que os usuários acessam, como por exemplo, em vez de curtir, o internauta vai clicar em “afudê”. Se você quer compartilhar algo, precisa marcar a opção “espraiar”.

O representante da Kintal, Pablo Dias, contou que o Facebook Bagual foi criado em julho deste ano. Ele falou que “foi uma coisa muito rápida. Foi ter a ideia num dia, reproduzir no segundo, testar no terceiro, mandar para o Júnior no quarto, e soltar no quinto dia. Foram cinco dias de planejamento de como seria a divulgação. Depois, colocamos no Twitter e fizemos uma página do aplicativo dentro do perfil do Bairrista no Facebook”.

Para aplicar ao seu computador a versão gaúcha da rede social, é necessário ter instalado os navegadores Mozila Firefox ou Google Chrome, e acessar a página do Bairrista na rede social. Há uma instalação rápida da extensão e, assim que for concluída, o Facebook já está “abagualado”. Dias explica como foi possível que o site pudesse ser modificado sem que prejudicasse a rede social para os usuários: “sabendo como funciona uma página e o que você pode fazer com um navegador, foi fácil descobrir que a gente pode mudar o site como quiser. Aproveitamos o gancho que O Bairrista tinha feito uma matéria em que no Facebook foram criados os botões “afudê”, “palha” e “inticar”. Essa notícia foi feita muito antes da extensão e, mesmo assim, nós aproveitamos e ‘materializamos a matéria’”, esclareceu.

Em poucos meses, o Facebook Bagual já tem mais de 50 mil adeptos. Essa extensão virou sucesso entre os internautas. A estudante de Jornalismo Gisele Pereira adorou a versão gaúcha do Facebook. “Eu acho o máximo! Quando eu vi que tinha o aplicativo, e como eu honro a minha procedência gaúcha, adotei na hora”, diz. Já para a estudante de Relações Internacionais Samanta Flach, que é gaúcha de Ijuí, mas mora em Brasília, o aplicativo é ótimo para matar a saudade do Rio Grande do Sul, fazendo com que ela fique mais próxima da nossa cultura. “A maioria dos gaúchos tem orgulho da sua cultura e de ter nascido no Rio Grande do Sul, e nós tentamos espalhar isso por onde quer que a gente passe, até nas pequenas coisas. E, é claro, ter esse orgulho no Facebook é mais uma demonstração disso, além de ser muito divertido”, diz.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A peleia vai começar

Grêmio e Internacional são os favoritos ao título
Foto: Jefferson Bernardes/ Vipcomm
Às 19h30, no Estádio do Vale, em Novo Hamburgo, vai começar o Campeonato Gaúcho. Novo Hamburgo e Internacional dão o pontapé inicial na principal competição da nossa terra. Serão partidas emocionantes, disputadas em estádios de Copa do Mundo, gramados sintéticos ou em potreiros cheios de lama, mas enfim, vai começar o Gauchão e a bola vai rolar Rio Grande afora.
O modelo de competição é o mesmo utilizado desde 2009 (e que para mim, foi a melhor forma de disputa do Gauchão). Os 16 clubes participantes serão divididos em dois grupos, em uma fórmula de dois turnos. No primeiro, a Taça Piratini, as equipes de um grupo enfrentam as do grupo adversário, e os quatro primeiros de cada avançam às quartas de final, e seguem em um mata-mata de jogo único até a final. No segundo turno, a Taça Farroupilha, os clubes se enfrentam dentro do próprio grupo, com os quatro primeiros avançando às quartas de final, chegando ao vencedor do turno também por meio do sistema em mata-mata, também em jogo único. O vencedor de cada turno vai para a final do Estadual, decidida em dois jogos. Em caso de uma equipe vencer os dois turnos do Gauchão, a mesma já pode erguer o troféu de campeã gaúcha.

A bola do Gauchão deste ano será rosa
Foto: Diego Guichard/ Globoesporte.com
De todos os times do Gauchão, Grêmio e Internacional sempre saem na frente como favoritos, afinal de contas, venceram a maioria das edições do Gauchão. O Inter é o maior campeão, com 40 títulos, e o Grêmio possui 36 troféus de campeão estadual. Os colorados são os atuais campeões, e os gremistas querem vingar a derrota, nos pênaltis, para os maiores rivais, em pleno Estádio Olímpico, na edição passada. O Campeonato Gaúcho pode não ser a maior prioridade da dupla, mas ambas as equipes não pretendem entregar este campeonato de mãos beijadas para o maior rival.
Cabe as outras 14 equipes tentar quebrar esta hegemonia. É uma missão complicada e é preciso contar com uma série de acontecimentos místicos para um clube menor vencer o Gauchão. Mas se é pra dar nomes de equipes que podem incomodar a dupla Gre-nal, são estes: Juventude, Caxias, Pelotas, São José, Lajeadense e Novo Hamburgo. Já os outros clubes (Avenida, Santa Cruz, Veranópolis, São Luiz, Cerâmica, Canoas, Cruzeiro (de Porto Alegre) e Ypiranga) vão brigar para permanecer na divisão principal do Gauchão.
Além de Grêmio e Internacional, outros 14 times já conquistaram o Campeonato Gaúcho, sendo o maior campeão deste grupo o Guarany de Bagé, com dois títulos. Os clubes que tem uma única conquista são: Juventude, Grêmio Bagé, Pelotas, Brasil de Pelotas, Rio-Grandense (de Rio Grande), Farroupilha, Grêmio Santanense, Caxias, Rio Grande, Americano, Cruzeiro, Renner e São Paulo (de Rio Grande). Apesar do grande número de campeões estaduais, a maioria dos títulos das equipes de menor expressão do estado foram entre as décadas de 20 e 50 (sendo que o primeiro Gaúchão, disputado em 1919, teve como vencedor o Brasil, de Pelotas). Após o título da extinta equipe do Renner, em 1955, o campeonato ficou com a supremacia de 44 anos da dupla Gre-nal, sendo quebrada pelo Juventude, em 1998, e dois anos mais tarde pelo Caxias, em 2000- último título estadual de uma equipe do interior.
Não se sabe ao certo se Grêmio e Internacional vão vencer o Estadual, ou se algum outro time vai tentar estragar a festa da dupla, mas o campeonato mais forte, aguerrido e bravo (como diria o melhor hino do mundo, o rio-grandense), do mundo vai começar. O bom e velho Gauchão está de volta, com sua bola estranha, com as divididas em dias de chuva, com os jogos de iluminação ruim, e com os gols do Sandro Sottilli. Enfim, a maior festa esportiva do Rio Grande do Sul vai começar. Viva a peleia do Gauchão!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Por que ainda existe censura no Brasil?

Apesar de ser um país democrático, o Brasil ainda vive os desafios da liberdade de expressão

No dicionário, censura é o uso pelo estado ou grupo de poder, no sentido de controlar ou impedir a liberdade de expressão. No Brasil, ela está presente desde o período colonial, conforme explica o professor de História do Brasil Contemporâneo, Rodrigo Perla Martins. “Até a chegada da Família Real Portuguesa, em 1808, não poderiam ser criados jornais aqui no Brasil. É por isso que, nessa época, já podemos considerar que havia censura aqui no nosso país,” lembrou.
Dois grandes momentos em que houve a quebra da liberdade de expressão foram quando o Brasil vivia sob o regime de ditaduras, como no Estado Novo da era Getúlio Vargas (de 1937 a 1945), e no Regime Militar (de 1964 a 1985). Hoje vivemos em um país democrático, onde podemos escolher pelo voto nossos representantes, e temos liberdade de expressão, garantida pela Constituição Federal de 1988. Apesar desses direitos, ainda, assim, há alguns casos recentes de censura em nosso país.
Em setembro, por decisão da justiça, o Grupo RBS foi impedido, por 12 dias, de divulgar imagens ou sequer citar o nome do vereador Adenir Weber, da cidade de Dom Pedro de Alcântara, no litoral gaúcho. O político fora flagrado, em agosto de 2010, viajando com dinheiro público, em uma reportagem de grande repercussão nacional. Outro exemplo recente, em setembro último também e o do comediante do programa CQC, da Band, Rafinha Bastos, que disse ao vivo que se relacionaria sexualmente com a cantora Wanessa Camargo e com o bebê dela. Rafinha foi afastado do programa pela cúpula da emissora e ainda permanece sem apresentar o programa.

A censura na imprensa

Sobre os recentes casos envolvendo a imprensa, o professor da Feevale de Ética na Filosofia, Gabriel Grabowski, analisa que “para o caso de censura ao Grupo RBS, o vereador se aproveitou de preceitos legais que ferem o direito de imagem dele, para se proteger de práticas que ele cometeu. Ele usou um artifício de desespero para usufruir dos direitos que a sociedade criou. Mesmo assim, o que ele estava fazendo era algo ilícito, por isso que este caso de censura foi tão repudiado.” Para o professor Rodrigo Perla Martins, a censura à RBS foi dada mais pelo argumento do vereador do que pela tentativa de acabar com a liberdade de imprensa. “Todo mundo viu o vereador cometendo o crime de usar dinheiro público em viagens, mas o argumento dele perante a justiça pode ter sido tão bom que seria impossível o juiz não dar a ordem judicial em favor dele,” lembrou. Sobre esse episódio ainda, o professor de Sociologia da Comunicação da Feevale, Henrique Keske, comenta a vitória judicial da RBS: “Houve um abuso sobre a censura da RBS e considero uma vitória não só da RBS mas também da mídia livre.”
Já no caso de Rafinha Bastos, o seu afastamento do programa e o processo que está recebendo por causa de sua declaração polêmica, o professor Rodrigo lembra que isso só aconteceu por não haver limites para a liberdade de expressão no nosso país. “Considerando pela liberdade de imprensa, acho que o Rafinha não errou. Mas, se no Brasil existisse o mesmo modelo de liberdade de imprensa como nos Estados Unidos e na Europa, isso poderia ser diferente. Lá, o humorista não pode falar qualquer bobagem. Essa poderia ser uma solução. Não é censurar, mas sim parametrizar, em definir o que pode ou não ser dito ao público,” explicou. O professor Gabriel critica Rafinha, devido à gravidade do comentário feito ao vivo para milhões de pessoas. “A atitude dele foi irresponsável, grosseira e preconceituosa. Ele deveria entender que ele é um formador de opinião, por estar vinculado à mídia, e deveria guardar esse comentário com ele,” recriminou. O professor Henrique completa, considerando que “Rafinha não poderia ter dito aquilo num veículo de comunicação de massa e nem num programa tão popular quanto o CQC. Nesse caso, eu defendo a censura a ele.”
Quando há o interesse de determinados grupos da sociedade, a mídia evita divulgar certos conteúdos. É o que defende o professor Henrique. “O que determina a censura no Brasil, é o que chamam de ‘ditadura do anunciante’, ou seja, o poder econômico limita a atuação do jornalista e da mídia no momento em que determinadas denúncias de fundo econômico, contra certas empresas, se são veiculadas, elas aparecem uma vez e desaparecem do sistema. Existem mecanismos que os meios capitalistas usam para impedir a liberdade de imprensa,” analisa.
O professor Rodrigo lembra os problemas para definir o que é censura ou não. O principal deles é a ausência da Lei de Imprensa, que vigorou no Brasil de 1967 a 2009, quando foi revogada pelo Supremo Tribunal Federal, pois era a única lei criada no regime militar que ainda regia no nosso país. O professor defende que a regulamentação dessa lei em padrões atuais. “Seria importante haver uma regulamentação da Lei de Imprensa para definir o que é censura ou não. O problema maior para acontecer isso é que as grandes empresas de comunicação se assustam quando algum deputado quer rever essa lei, pois elas já acham que é uma tentativa de ressurgimento da ditadura, mas não é o que parece,” argumentou.

E quando a censura é em uma propaganda?

Recentemente vieram à tona casos de censura também na publicidade. Em outubro, a marca de lingerie Hope não pôde divulgar um anúncio em que a modelo Gisele Bündchen vestia peças da marca e convencia o marido a fazer tarefas desinteressantes. A decisão foi tomada pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), mas foi revogada dias depois. A professora da Feevale de Ética e Legislação em Publicidade, Marta Oliveira dos Santos, comenta que “o Conar fiscaliza toda a publicidade vigente no país. Sua missão é impedir que a publicidade enganosa e abusiva cause constrangimentos ao consumidor.”
A professora concorda com a decisão, embora tenha lembrado de outras propagandas que não foram censuradas e que também são bastante polêmicas. “Existem comerciais mais apelativos. Porém, muitas pessoas denunciaram a forma como a Hope publicou sua marca, por isso que o Conar julgou e avaliou para que a campanha fosse tirada do ar, mas depois reverteram a decisão porque os estereótipos desta são comuns à sociedade de hoje em dia,” frisa.
Para finalizar, a professora Marta dá um conselho para que seja evitado o uso de campanhas abusivas e polêmicas. “Os publicitários precisam ser mais criativos. Para isso, é preciso evitar usar de apelos que vão de encontro às questões morais e éticas da sociedade em que vivem,” encerra.

*Reportagem que escrevi para o jornal TRI. Matéria de capa da última edição de 2011.
Fotos: Divulgação.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Reflexões para o próximo Brasileirão

Passadas as 38 rodadas do Campeonato Brasileiro, que encerrou no último domingo, o que podemos analisar é que este foi o melhor Brasileirão da era dos pontos corridos. A decisão da CBF de colocar todos os clássicos na última rodada foi espetacular, não só por acabar com o corpo mole de algumas equipes, que, jogando apenas para cumprir tabela, perdiam para que o maior rival fosse prejudicado. Desta vez um rival pode acabar com o outro rival. E foi isto o que aconteceu em vários clássicos.
Mas, de todos eles, minha visão crítica vai para o Gre-nal. Afinal de contas, como gaúcho, tenho que dar meu foco para os dois principais times do Sul do Brasil. A classificação do Internacional para a Libertadores foi mais do que merecida. O colorado foi melhor que o Grêmio durante todos os 90 minutos de partida, e foi o único com a ambição de vencer, como também opina o comentarista da Rádio Gaúcha Nando Gross. Ontem, o Inter finalmente conseguiu se aproveitar das chances que os adversários deixaram, para vencer e garantir a classificação para a Libertadores, principal competição da América do Sul.
O porém da dupla Gre-nal, é que ambas as equipes, pelo elenco que têm, poderiam brigar por posições melhores. Mesmo com a vaga para a Libertadores, o Inter deixou a desejar em muitas rodadas, perdendo pontos importantes em casa, como no empate contra o Santos por 3 a 3, sendo que vencia por 1 a 0, e na derrota para o Ceará (este último foi rebaixado para a segunda divisão), por 1 a 0, ainda nas rodadas iniciais. Se não perdessem pontos em partidas fáceis, onde era a obrigação vencer, o Inter poderia ter ficado em uma posição melhor, ou até mesmo ter brigado por título.
Já o Grêmio esteve numa situação muito pior. O tricolor gaúcho ficou metade do campeonato ameaçado a cair para a segunda divisão, quando perdia jogos fáceis para times que estavam em situação pior no campeonato. A salvação veio quando chegou o técnico Celso Roth, mas o erro do treinador foi fazer o time frear em sua arrancada, quando o Grêmio finalmente havia perdido o risco de cair. Mas não vejo motivos para o tricolor comemorar o décimo segundo lugar na tabela, pois o Grêmio não sabe o que é vencer um campeonato nacional há 10 anos. É muito tempo. O tricolor, com a grandeza que tem, não pode se alegrar com tão pouco.
Que o Brasileirão de 2012 seja muito melhor que este para a dupla Gre-nal. Que os dois times possam brigar por título até o final, sem depender de outros resultados e sem comemorar vagas para competições inexpressivas. Vale lembrar que o Inter não vence o Brasileirão desde 1979, e o Grêmio desde 1996, ou seja, como também concorda Nando Gross, faz muito tempo.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Informação e segurança: uma faca de dois gumes


Foto: Reprodução TV Globo
 Texto escrito para um trabalho da disciplina de Texto Jornalístico.

Foi lamentável a morte do repórter cinematográfico da TV Bandeirantes Gelson Domingos. Ele foi assassinado no exercício da profissão, ao ser atingido por um tiro de fuzil, na eterna guerra entre traficantes e policiais no Rio de Janeiro. Detalhe: ele estava com colete à prova de balas. Mesmo assim a bala atravessou o seu corpo na região do tórax. O colete que Gelson usava, era para balas de revólveres calibres 38 e pistolas, que são nada resistentes contra tiros de fuzil.
Uma coisa totalmente absurda fornecer um colete para pequenas armas, se na assombrosa guerra no estado do Rio de Janeiro só acontecem tiroteios de guerra entre a polícia e os traficantes das favelas cariocas. Isso demonstra o total desrespeito contra os profissionais de imprensa que arriscam suas vidas com a obrigação de mostrar a realidade brasileira para a sociedade como um todo.
Nos debates que vi ontem e hoje, muitas pessoas dizem que foi de responsabilidade do próprio jornalista ao se arriscar demais e ser morto no exercício da profissão. Minha opinião é diferente. Em uma profissão que o objetivo é mostrar as histórias de grande importância para uma grande massa, e se tratando do veículo ao qual Gelson Domingos estava trabalhando (uma emissora de TV), se em vez de ir para o combate, ele resolvesse ficar e gravar de longe, suas imagens não seriam boas. Televisão vive de imagens, e aí está o verdadeiro problema. Caso o cinegrafista da Band não fosse para a troca de tiros, o canal poderia ter inúmeros prejuízos, pois não iria mostrar as imagens do combate e, por sua vez, perderia algo muito importante para as redes de televisão em qualquer lugar do mundo. A audiência e, perdendo ela, vem menos investimento e ainda a Band perderia a sua credibilidade com o público e com as emissoras concorrentes. Não acredito que Gelson estava desprotegido. Ele estava no mesmo lugar que os outros cinegrafistas e que a própria polícia. Qualquer um poderia ter sido atingido. A diferença é que se trata de um profissional que não está em nenhum dos dois lados desta guerra sangrenta que assola o Rio de Janeiro. Agora que esta tragédia aconteceu na imprensa nacional que falam em segurança.
Ainda assim, as emissoras de TV que vivem mostrando os combates armados deveriam determinar limites para tais coberturas, para evitar novas mortes. Exclusividade pode até ser bom, mas o preço que se paga pode ser muito grande.