terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A pressa é inimiga da boa apuração

Nesta madrugada de terça-feira eu poderia falar do Gre-Nal vencido pelo Inter por 2 a 1, ou do Super Bowl que o Baltimore Ravens conquistou por 34 a 31 (textos que ainda não publiquei e talvez farei), mas hoje vi que mais uma daquelas boas lições que aprendo diariamente na faculdade de Jornalismo fazem sentido.

SEMPRE devemos apurar a informação que recebemos. Por mais possível que ela seja verdadeira, nós sempre devemos investigar aquilo que estão nos avisando. Isso vale tanto para os profissionais consagrados no jornalismo nacional, quanto para aqueles que ainda nem estão na faculdade, mas que almejam esta digna profissão. Caso alguém publica uma informação errada, algo muito precioso poderá ser perdido, a CREDIBILIDADE.

E, quando se perde a credibilidade, se perde tudo no jornalismo. Todo mundo que trabalha na profissão busca sempre almejar o "furo", passar a informação em primeira mão. Uma informação que possa causar impacto a um bom número de pessoas. Como Willian Bonner citou no livro "Jornal Nacional: Modo de Fazer", o furo seria como aquela Ferrari vermelha que desejamos. É a vontade de todos ter uma Ferrari, mas é uma virtude de poucos. E assim vale para o furo.

É algo extremamente arriscado. Pois informar em primeira mão é muito mais difícil do que se imagina. Você tem que ter uma excelente apuração jornalística do fato e ter a certeza máxima de que aquilo é verdade. Caso você jornalista (ou futuro jornalista) publicar algo em primeira mão sem ter essa certeza, você corre um sério risco de cometer uma "barrigada".

Barrigada é quando uma informação mal apurada é divulgada. Ou uma informação falsa, o que é pior ainda. Para o caso desta madrugada, um jornalista famoso no Rio Grande do Sul publicou a maior barrigada que já vi na vida. Ele é famoso por já ter falado o que não era verdade, mas hoje ele infelizmente errou em um nível desproporcional. Nas últimas horas da segunda-feira, um grupo de torcedores passou uma falsa informação pelo Twitter de que um jogador chamado ENRICO CABRITO estaria sendo negociado pelo Grêmio. Uma rápida olhada no Google  faria perceber que Enrico Cabrito NÃO EXISTE. Eu fiz isso para ter 100% de certeza de que era uma invenção. Mas, pela ânsia do furo, o jornalista acabou publicando a maior barrigada da história.

Imediatamente ele passou a receber inúmeras mensagens com piadas e críticas ao trabalho mal realizado. Para amenizar a situação vergonhosa que já estava se espalhando por todos os cantos do Rio Grande, o jornalista se explicou dizendo que foi "hackeado" na rede social (quando alguém invade um perfil pessoal e publica em seu nome). Aí tudo piorou.

As críticas passaram a aumentar. Enrico Cabrito acabou sendo o assunto mais comentado do Brasil, e um dos mais comentados do mundo. Uma barrigada que ganhou proporções mundiais.

Ao mesmo tempo que acho graça com as piadas em tempo real, fico pensando o seguinte: como ele se deixou chegar a esse nível? Como que um jornalista que deve ter uns 30 anos de experiência pecou num ato tão simples, que era apenas apurar se o jogador existia? Vale a pena jogar fora uma credibilidade de décadas por causa de uma informação duvidosa? Dá pena.

Eu não condeno ele por tal ato. Esse jornalista passou por importantes emissoras de rádio do Estado. Por anos foi apresentador de um programa jornalístico de cunho policial e acabou demitido no ano passado. Precisou voltar à mídia apelando para uma pequena emissora de rádio que recém estava sendo criada. A ânsia para aumentar a audiência da mesma e fazer com que voltasse a um lugar respeitável acabou manchando sua carreira. É lamentável que ele tenha se deixado levar por uma brincadeira de torcedores.

A lição que quero passar é a seguinte, em especial aos amigos jornalistas (ou estudantes). SEMPRE APUREM UMA INFORMAÇÃO. Essa é uma norma básica, mas nunca podemos esquecer. Sempre temos que apurar ao máximo qualquer coisa que vamos publicar. É o nosso nome, é a nossa credibilidade, é a nossa carreira que pode estar em jogo com uma informação mal apurada. E em caso de alguma dúvida, verifica de novo para ver se não tem nada errado. É melhor nós ligarmos para 15 fontes diferentes, verificar o que as concorrentes estão falando do assunto e ler 30 vezes o nosso texto antes de publicar, do que se apressar e divulgar o que está errado, e perdermos nossa credibilidade na profissão.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Super domingo de muito esporte

Domingo sempre é o dia em que grandes eventos esportivos acontecem. E, para o caso deste dia 3, continuará assim. A tarde de hoje será marcada por várias festas do esporte, como alguns clássicos regionais espalhados pelo Brasil. Em especial, claro que falarei dele, do Gre-Nal, o maior espetáculo da Terra. Além disso neste domingo terá ainda o Super Bowl de número 47, a final da NFL, entre Baltimore Ravens e San Francisco 49ers. 

É difícil fazer um texto único se tratando de dois eventos tão distintos de modalidades esportivas tão diferentes. Mas não custa arriscar. 

O duelo dos opostos


Gre-Nal de Erechim será o primeiro clássico de 2013
(foto: Luciano Leon - Futurapress)
O clássico de número 395 não será no Beira-Rio (que está em reforma para a Copa) e nem na nova Arena do Grêmio. Tricolores e colorados vão se degladiar em Erechim, cidade muito distante de Porto Alegre, para trazer a alegria aos torcedores do Norte do Rio Grande do Sul. Para melhorar ainda mais, esse é o primeiro Gre-Nal da fase de grupos do Gauchão que será transmitido em TV aberta. Ou seja, o torcedor que não for ao estádio poderá conferir o clássico sem sair de casa, o que já é uma maravilha. O jogo será às 17 horas, e vai ser exibido na RBS TV.

Apesar de ser um Gre-Nal, ele não terá a força total das duas equipes. O Grêmio vai ir à campo com um time misto. Será um time intercalado com os jogadores que realizaram as partidas anteriores no Gauchão e com alguns nomes que jogaram pela Libertadores contra a LDU na quarta-feira, em que o tricolor avançou à fase de grupos após vencer os equatorianos por 1 a 0 no tempo normal, e por 5 a 4 nos pênaltis. O que pode complicar ainda mais os azuis, é que o treinador Vanderlei Luxemburgo não estará presente no clássico. O Grêmio será comandado hoje pelo auxiliar Roger Machado. O provável time de hoje será: Busatto, Tony, Bressan, Werley e Alex Telles; Fernando, Léo Gago, Misael e Jean Deretti; Leandro e Willian José.

O Internacional vem com força máxima para o clássico. O colorado é comandado agora por Dunga, e vem como favorito. Será apenas o segundo jogo do Inter com suas principais estrelas. O problema é que o duelo anterior não foi proveitoso para os colorados, em razão do empate sem gols contra o Novo Hamburgo, na ensolarada quarta-feira na cidade de Gravataí. Mesmo com o favoritismo, ainda é difícil de cravar o Inter como vencedor, mas é certo de que o elenco escalado é muito mais forte que o do maior rival. Os colorados vão à campo com: Muriel, Gabriel, Rodrigo Moledo, Índio e Fabrício; Willians, Josimar (Fred), Dátolo e D'Alessandro; Forlán e Leandro Damião.

O jogo que faz uma nação inteira parar

O Super Bowl XLVII é o jogo de futebol americano mais assistido nos Estados Unidos. É um clássico em que circulam bilhões de dólares com comidas e bebidas, e faz todos os norte-americanos ficarem vidrados na televisão. Para se ter ideia dos gastos, um simples anúncio de 30 segundos no intervalo da partida custará  4 milhões de dólares, em torno de 8 milhões de reais (e você aí achando caro uma inserção no intervalo do Jornal Nacional por "apenas" 750 mil reais né). Será um dia em que os bolsos da CBS  ficarão absurdamente cheios.

Aqui no Brasil o jogo é pouco divulgado. Na TV aberta, só vi uma emissora fazer menção ao duelo de Baltimore Ravens e San Francisco 49ers. A ESPN é o canal oficial do Super Bowl no Brasil, e a transmissão do jogo já começa às 20 horas.

Além do jogo entre Ravens e 49ers, um outro fator importante são os espetáculos extras que terão na final da NFL. A cantora Alicia Keys fará a interpretação do hino americano, e também Beyoncé fará o show do intervalo - que sempre conta com grandes astros da música internacional.

Quanto a partida, é difícil dizer quem é o favorito. O time de San Francisco conta com um novato quarterback, mas que vem surpreendendo todo mundo por sua irreverência e por suas jogadas. Collin Kaepernick já conseguiu fazer uma boa fama rapidamente, e pode se consagrar hoje, caso vença a partida. Já o Baltimore Ravens tem como destaque o jogador Ray Lewis - que está com o clube desde quando foi fundado, em 1996 - anunciou a aposentadoria para o final desta temporada. Encerrar a carreira com um Super Bowl já será marcante para o jogador, ainda mais se ele e sua equipe garantirem o troféu.
 
Sendo pela bola oval, ou pela bola redonda, hoje vai ser um dia espetacular. Os amantes do esporte terão um dia perfeito para ficarem ligados diante da televisão. Valerá a pena conferir essa programação especial.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Por que temos que chegar ao pico do desastre?

Meu blog é esportivo. Porém, hoje não haverá motivos para falar de nada relacionado à nenhuma competição. Estou corrompido pela dor da morte de mais de 200 pessoas na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O que aconteceu, todos sabem. Não vou repetir o que está nas capas dos jornais, na cobertura das emissoras de TV e rádio espalhadas por todo o mundo. Vocês já sabem o horror que estamos presenciando. O que quero falar é, por que sempre uma tragédia estratosférica precisa acontecer para iniciar planos para a prevenção de novos desastres?

Foi assim na Fórmula 1, na morte de Ayrton Senna. Só criaram mecanismos de segurança nos carros e nas pistas após o mundo perder o maior piloto de todos os tempos. No futebol foi o mesmo após a tragédia de Hillsborough, na Inglaterra, em 1989, em que 96 pessoas morreram esmagadas no cercado da arquibancada absurdamente lotada. Por causa disso que a FIFA bate tanto na tecla de que deve haver forte segurança nos estádios de futebol. 

No trânsito, tivemos que ver milhares de vidas desperdiçadas todos os dias por causa da mistura entre álcool e direção para finalmente criarem a Lei Seca - e torná-la mais rígida, como foi feito recentemente. Na aviação, precisamos suportar o massacre de 11 de setembro para aumentar a segurança do transporte aéreo do mundo. Por que tem que ser assim? Por que não pode haver um plano de prevenção desse tipo de acidentes, antes de um fato cruel acontecer? Por quê?

Por que ninguém fiscalizou que não havia mais de uma saída na boate? Por que ninguém viu que a licensa da empresa estava vencida havia quase seis meses? Quanta incompetência! Quantas perguntas sem respostas. E agora, todos choramos com a dor da perda dessas pessoas. Eu não tenho parentes, amigos e nem amigos de amigos entre as vítimas, mas me sinto tão enlutado como qualquer pessoa que perdeu alguém nesse acidente. 

Muitos porquês precisarão ser respondidos. Peço encarecidamente que a presidente Dilma Rousseff, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, os senadores e deputados de todo o Brasil, comecem a analisar leis que possam nos dar mais segurança ao entrar em casas de festas. É necessário que hajam leis que aumentem o número de saídas de emergência nas boates, assim como é lá nos Estados Unidos (que também sofreram com incêndios catastróficos semelhantes ao de Santa Maria). Uma lei dessas pode salvar muitas vidas. Como a maior tragédia aconteceu, o que resta agora é pedir para que haja mudanças em nossas legislações, para não sofrermos novamente com uma catástrofe tão cruel como a que estamos vivendo atualmente.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Campeonatos estaduais e seus regulamentos bizarros

Gauchão possui o melhor regulamento entre os estaduais (e as melhores imagens)
(foto retirada do site impedimento.org)
Esse texto não tem cunho de defender (ou não) o fim dos campeonatos estaduais. É verdade que eles sufocam os times grandes, mas para os pequenos é o que lhes resta para o ano inteiro. O que pretendo falar é da péssima organização das federações estaduais para os seus campeonatos locais. São poucas competições que têm regulamentos decentes que talvez possam ter algum sentido aos participantes.

Juro a vocês que não estou sendo bairrista, mas de todos os estaduais que pesquisei, o que tem o melhor regulamento é o Gauchão. Sim, ele mesmo, dos campinhos do interior, das "imagens bonitas das torcedoras" da Serra e do entrevero que é um jogo de futebol num gramado ruim em dia de chuva. Falo isso porque a fórmula de disputa é a seguinte: ele é dividido em dois grupos de oito. No primeiro turno as equipes de um grupo jogam com as do outro. Ao final dessa fase, os quatro primeiros de cada avançam e se enfrentam em jogos de mata-mata até decidir o campeão do turno. O segundo turno é semelhante ao primeiro, porém os times duelam dentro do seu próprio grupo. O vencedor de cada turno vai à final do campeonato - isso se uma equipe não vencer os dois turnos, que se tornaria a campeã. Passada a explicação, é notável que a tabela dinâmica do Gauchão é a melhor para haver um torneio decidido em mata-mata.

O formato, adotado em 2009, é semelhante ao do Campeonato Carioca, porém o que faz o Gauchão ser melhor ao torneio do Rio de Janeiro é que, por nossas terras, em caso de empate num mata-mata, há pênaltis - que foram banidos no torneio de lá. Eu como amante do futebol de copa, prefiro pênaltis, além de ser mais justo. No Rio de Janeiro, se der empate em um mata-mata, avança o de melhor campanha, o que não concordo, pois, para mim, mata-mata já é outro campeonato. Outro estadual bom é o Paranaense. O torneio tem um formato de dois turnos corridos, e quem for o melhor em cada turno, vai à final estadual. Mais uma prova de que com um regulamento simples se pode realizar um bom torneio de respeito.

Mas e os regulamentos bizarros? Agora eles vem aí.

Eu não vou citar todos os 27 estaduais (e se eu colocar a Copa do Nordeste daria 28), então vou pôr alguns esquisitões de exemplo. Nem o campeonato mais forte deles vai escapar das críticas, mas o Paulistão tem um regulamento muito parecido aos horríveis Brasileirões dos anos 90. Os 20 times se enfrentam por longas 19 rodadas em turno único. Em vez de dar o título ao melhor, a Federação Paulista de Futebol preferiu colocar os oito primeiros num mata-mata após esse turno, o que pode fazer com que o melhor colocado perca ainda nas quartas de final. Um regulamento bem fraquinho para o estado em que se orgulha de ter os melhores times, os melhores jogadores e todo aquele blá blá blá dos jornais de nível nacional. Outros campeonatos acirrados com uma forma de disputa semelhante são o Mineiro e o Goiano, que seguem a mesma linha, só que com menos estrago - porque lá a disputa sempre fica reservada à dois ou três clubes.

Neste parágrafo vou falar de nove estaduais de uma vez. Todos os campeonatos estaduais da região Nordeste poderiam merecer o prêmio de "Pior Estadual de 2013", graças ao torneio regional chamado Copa do Nordeste. Nesta competição, 16 times duelam em um torneio bem organizado, porém, a disputa do título regional abriu uma brecha para uma imensa mutreta que beneficia estes 16 participantes. Quem tá no Nordestão não cai para a segunda divisão - pelo menos no estado. Os estaduais estão sendo jogados por times de menor expressão (e que alguns certamente vão cair), e os principais só vão entrar na disputa na fase final do certame local. Isso sem contar que internamente esses estaduais devem possuir regras horrendas que nem fui muito a fundo. Na prática a Copa do Nordeste foi um grande estrago para os nove campeonatos de lá.

Já o pior dos piores estaduais está em Santa Catarina. O Catarinensão - apelido carinhoso dado por mim - é dividido em um grupo único, mata-matas e uma decisão. Em cada turno, jogam todos contra todos, e o melhor é o campeão do respectivo turno. Aí começa a vir a bizarrice. Passados os dois turnos, com dois campeões, a federação Catarina inventou de realizar SEMIFINAIS do campeonato, incluindo dois times que não ganharam nada, mas que fizeram mais pontos entre o resto. Para piorar, se o mesmo time ganhar os dois turnos, tanto faz, haverá semifinal da mesma forma. Ou seja, teu time pode ganhar os dois turnos e NÃO SER CAMPEÃO ESTADUAL. Já vi muito campeonato mal organizado, mas tem varzeanos da minha cidade com regras infinitamente melhores do que o principal torneio do estado vizinho. O Catarinensão leva o prêmio de "Pior Estadual de 2013". Que eles façam um esforço para não repetirem tal feito em 2014, por favor.

Os estaduais estão mal organizados assim porque não há um consenso das federações de cada território do nosso Brasil. O torneio em mata-mata ainda está apegado à nós, mesmo passando dez anos da era dos pontos corridos no Brasileirão. Não sou contra o mata-mata, desde que seja bem organizado todo o campeonato. Que os dirigentes manda-chuvas do futebol de seus estados façam competições melhores. Isso pode dar mais audiência televisiva, e mais credibilidade às suas ligas e aos seus clubes participantes.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Viva la Copa- A Libertadores vai começar

Nesta terça-feira a pelota finalmente vai rolar pelos campos da América do Sul e México. A Copa Libertadores vai começar com 38 equipes, e até a próxima semana, seis delas já estarão no olho da rua. O campeonato é o mais importante da América do Sul, e dá uma vaga ao Mundial de Clubes, no final do ano. Mas não é só por isso que é legal jogar a Copa.

Taça Libertadores- tão linda e tão cobiçada
(foto: Cléber Mendes- Lancenet)
Nestes próximos dias, doze clubes vão fazer a primeira fase da competição - o que a mídia do eixo dá o nome desagradável de "Pré-Libertadores". São duelos em mata-mata, ou seja, quem perder, já está eliminado. Grêmio e São Paulo são os clubes brasileiros que vão ter que superar este desafio preliminar. Além destes dois, Corinthians, Fluminense, Atlético Mineiro e Palmeiras vão representar o Brasil, mas já entram na fase de grupos. Até onde cada um deles pode chegar? Começo a análise pelos estreantes.

O Grêmio é o time que pegou o adversário mais duro nesta fase preliminar. O clube bicampeão em 1983 e 1995 vai ter dois jogos duros contra a LDU do Equador, que já ganhou uma Libertadores em 2008. É o único duelo inicial com dois campeões da América. O tricolor montou um bom time para este ano, enquanto a Liga fez mais de dez contratações, mas vem com um elenco de menor poder financeiro. O fator local poderá fazer a diferença neste jogo. Em Quito, o Grêmio terá um duelo apertado com uma torcida próxima ao campo, em compensação, a volta será na Arena, que tem as mesmas características do estádio da LDU, porém, muito maior. Apesar disso, o Grêmio é mais favorito para passar de fase e fazer uma boa Libertadores, mesmo com a ideia absurda do técnico Vanderlei Luxemburgo em deixar o goleiro Marcelo Grohe no banco para o idoso Dida pegar a camisa 1.

O tricolor paulista, por sua vez, vai enfrentar o Bolivar, da Bolívia. No Morumbi pode ser uma barbada para o São Paulo, mas a altitude boliviana sempre é traiçioeira contra clubes brasileiros. O tricampeão da Libertadores (em 1992, 1993 e 2005) perdeu Lucas ao final do ano, mas conta com um elenco fortíssimo com o goleiro Rogério Ceni e o atacante Luís Fabiano, além do zagueiro Lúcio, recém contratado. O São Paulo está embalado pela conquista da Copa Sul-Americana em dezembro passado, e com tanta empolgação deve ir muito bem neste ano.

Entre os que já estão garantidos na fase de grupos, o Corinthians não é só o melhor brasileiro como também o principal candidato a conquistar o bicampeonato da América. Atual campeão da Libertadores e do Mundial, o time que até ano passado não tinha Libertadores e estádio conseguiu um patrocínio multimilionário com um banco do governo, e por isso conseguiu contratar Alexandre Pato por 40 milhões de reais em uma das transações mais caras do futebol brasileiro. Agora que o Corinthians aprendeu a ganhar Libertadores, eles não vão desperdiçar o bi com tanta facilidade.

Campeão Brasileiro, o Fluminense pode fazer uma campanha de chegar à semifinal do torneio. A base é a mesma do Brasileirão do ano passado e, portanto, a força do tricolor carioca deve continuar a mesma. O sonho do título inédito é possível, mas com tantos times fortes, não será nada tranquilo chegar até a decisão. Além disso, Fred e companhia não pegaram um grupo moleza.

Dos times brasileiros, é estranho dizer que dois clubes consagrados já na fase de grupos são menos favoritos ao campeonato do que os representantes locais que pegarão a partida preliminar, mas Atlético Mineiro e Palmeiras podem ser considerados assim. O time de Minas Gerais é bem forte, liderado por Ronaldinho, mas falta ao clube uma experiência de Libertadores, que o Atlético não jogava há quase 15 anos. A maioria dos atletas não sabem jogar na Argentina ou na altitude, e isso pode ser prejudicial ao Galo. Já o Palmeiras, bom, o Palmeiras está sucumbido a jogar a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. O alviverde paulista está longe do seu auge, nos tempos da Parmalat e da única Libertadores conquistada, em 1999, e só jogará neste ano porque conquistaram a Copa do Brasil em 2012, antes do barco naufragar. Atualmente está cheio de problemas financeiros e políticos. Com a situação ruim do Verdão, se passar da fase de grupos é lucro, porque o foco é fugir da Série B.

Está aí os prognósticos dos brasileiros na Libertadores. Apesar disso, há muitos medalhões brigando pela Copa, como Boca Juniors, Velez Sarsfield, Peñarol, Nacional, entre tantos outros. Os dez países da Conmebol - e o intruso México - vão viver meses intensos até o final de julho, para descobrir quem vai reinar na América pelos próximos meses. Logo eu falo dos outros países e faço uma análise de cada grupo, porque agora falta compor as seis vagas para as 32 da próxima fase. De qualquer forma, a Copa é um dos campeonatos mais legais de se assistir, e, por isso mesmo, ninguém pode perder esta festa.

Tigre-ARG x Deportivo Anzoátegui- VEN
LDU- EQU x Grêmio
Deportes Tolima- COL x Universidad Cesar Vallejo- PER
Defensor-URU x Olimpia-PAR
São Paulo x Bolivar-BOL
León-MEX x Deportes Iquique-CHI

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Irmãos vão duelar na casamata do Super Bowl

John (esq.) e Jim são os irmãos que comandarão as equipes do Super Bowl
(foto: Getty Images)
O dia 3 de fevereiro terá torcedores divididos em várias partes do planeta. O mundo vai acompanhar dois eventos supremos no esporte: o Gre-Nal, e o Super Bowl. Me dedicarei a escrever do clássico entre Grêmio e Internacional em outra oportunidade. Vou falar do principal evento esportivo dos Estados Unidos, a final do campeonato de futebol americano entre Baltimore Ravens e San Francisco 49ers. Neste dia, o Rio Grande do Sul estará divido pelo clássico local, os Estados Unidos estarão divididos com a final da NFL, mas ninguém estará mais dividido no mundo do que os integrantes da família Harbaugh.

Isso porque ambas as equipes finalistas do Super Bowl são treinadas por irmãos. Jim e John vão se degladiar nas casamatas dos 49ers e dos Ravens, respectivamente, no estádio Lousiana Superdome, em Nova Orleans. É um duelo que promete, pois quem vencer entre esses clubes vai se livrar do longo jejum pelo título. O time de Baltimore foi campeão pela primeira e única vez em 2001, enquanto o de San Francisco conquistou em 1995 o quinto título. Daqui a duas semanas saberemos quem reinará entre os irmãos Harbaugh.

Os postulantes ao Super Bowl desse ano se classificaram com incríveis façanhas. Os 49ers venceram o Atlanta Falcons por 28 a 24, após estarem em desvantagem de 17 a 0 até o início do segundo quarto de jogo. Já os Ravens bateram no favoritíssimo New England Patriots, de Tom Brady, que errou tudo o que poderia errar, e entregou a rapadura aos adversários, que vão ao Super Bowl após uma vitória por 28 a 13.

Ray Lewis fará sua despedida dos campos neste Super Bowl
(foto: dmvfollowers.com)
É difícil até mesmo torcer para quem vai vencer o duelo. O Baltimore Ravens conta com um ótimo quarterback, Joe Flacco, porém, a principal motivação da vitória vem do defensor Ray Lewis, que jogou pelo clube durante anos e garantiu que vai se aposentar após o clássico. Os Ravens provaram nos play-offs que estão jogando para Lewis para vencer o maior duelo da NFL.

San Francisco 49ers vai brigar pelo Sexto Superbowl
(foto: Reuters)
O San Francisco 49ers vem com a motivação de acabar com o jejum de 18 anos sem conquistar o Super Bowl. Além disso, se vencerem, vão se igualar ao Pittsburgh Steelers como maiores campeões da história, alcançando seis troféus. Outro trunfo dos 49ers é o jovem quarterback Collin Kaepernick, que está em sua primeira temporada e vai fazendo um ótimo campeonato.

Só saberemos o campeão em 14 dias. Até lá, resta aguardar por este belo espetáculo. O Super Bowl não é apenas um jogo de futebol americano, mas sim o evento mais assistido de todo o país - e com milhões de espectadores em todos os cantos do planeta. Um simples anúncio de 30 segundos nos intervalos deste jogo pode custar quase 4 milhões de dólares. É também o dia do ano com o segundo maior consumo de alimentos dos Estados Unidos - perdendo apenas para o Dia de Ação de Graças. Para completar o espetáculo, no principal intervalo da partida há um mega show com um astro da música internacional. Neste ano quem fará a festa é a cantora Beyoncé.

Para quem nunca assistiu a um Super Bowl, recomendo fazerem isso esse ano. É uma final completamente diferente de qualquer outra. Não é melhor que a final da Copa nem que a abertura dos Jogos Olímpicos, mas é um show espetacular que vale a pena assistir. E o melhor de tudo, a NFL foi camarada nesse ano e colocou como hora de início da partida às 21:30 do dia 3, após o Gre-Nal. Já dá para perceber que o primeiro domingo de fevereiro será sensacional, no dia em que o Rio Grande do Sul, os Estados Unidos e a família Harbaugh estarão divididos.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Batalhas épicas marcam o final de semana da NFL

Atlanta Falcons (de vermelho) sofreu no final, mas venceu a partida
(foto: Getty Images)
Inaugurei o tópico da NFL no momento certo mesmo. Na segunda rodada dos playoffs desta temporada, três dos quatro jogos foram partidas emocionantes que entrarão para a história da principal liga de futebol americano. Se eu errei em metade dos meus favoritos, não faz mal. Nos jogos desta semana tivemos uma batalha com dois períodos de prorrogação, e um duelo que ficou eletrizante no último minuto. Foram excelentes jogos que servirão de aquecimento para a final das conferências, no próximo domingo.

Baltimore Ravens vence jogo duro de duas prorrogações
(foto: Getty Images)
Começo as análises pelo primeiro jogo. Baltimore Ravens e Denver Broncos foi a partida em que não haviam favoritos. Os dois times aplicavam touchdowns a todo momento. Os quarterbacks (que lançam a bola em posição de ataque) Joe Flacco e Peyton Manning jogaram muito, tanto que o placar estava 35 a 35 ao final dos quatro períodos. O duelo foi tão empolgante que foram necessárias duas prorrogações para que os Ravens conquistassem a classificação com um field goal, fechando o jogo em 38 a 35.

Ainda no sábado, Green Bay Packers e San Francisco 49ers fizeram o duelo mais aguardado da rodada. O jogo estava equilibrado até as equipes chegaram aos 24 pontos, quando o quarterback dos 49ers, Collin Kaepernick jogou com tudo, e fez o seu time chegar a 45 pontos, contra 31 dos Packers, depois de um último touchdown de consolação.

Neste domingo tivemos o duelo com resultado mais provável. A vitória do New England Patriots sobre o Houston Texans foi tranquila e nada emocionante. O time de Tom Brady avançou à final da AFC por 41 a 28, e vai enfrentar o Baltimore Ravens.

Para fechar com chave de ouro, o primeiro jogo do domingo. Atlanta Falcons e Seattle Seahawks fizeram o jogo que foi o mais legal que já vi da NFL. Os Falcons eram mais do que favoritos, e "goleavam" por 27 a 7 os Seahawks. Tudo parecia definido até o último quarto do jogo, quando a equipe de Seattle garantiu três touchdowns em sequência- sendo o último faltando um minuto para o final - virando a partida para 28 a 27. Até que aí viria um field goal salvador para o Atlanta Falcons faltando 30 segundos. Aí quem achou que a vitória tava garantida, se enganou. No último segundo, quase houve um touchdown para os Seahawks, deixando a todos sem ar. O placar final foi 30 a 28 para os Falcons, que encaram os 49ers na final da NFC.


Vai ficar complicado de ver às finais da AFC e da NFC no próximo domingo. Para a minha alegria, o Brasil voltará a ser feliz com o retorno do futebol (aquele jogado com os pés, do carrinho, da habilidade, da bola redonda...), no início dos campeonatos estaduais. Mesmo assim, espero tentar dar uma passada rápida pelas finais da NFL, pois o vencedor de cada conferência vai ir para o Superbowl, que é uma partida sensacional. Muitas emoções virão pela NFL, e pelo nosso futebol também. O ano esportivo vai começar a ficar bom.