terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A pressa é inimiga da boa apuração

Nesta madrugada de terça-feira eu poderia falar do Gre-Nal vencido pelo Inter por 2 a 1, ou do Super Bowl que o Baltimore Ravens conquistou por 34 a 31 (textos que ainda não publiquei e talvez farei), mas hoje vi que mais uma daquelas boas lições que aprendo diariamente na faculdade de Jornalismo fazem sentido.

SEMPRE devemos apurar a informação que recebemos. Por mais possível que ela seja verdadeira, nós sempre devemos investigar aquilo que estão nos avisando. Isso vale tanto para os profissionais consagrados no jornalismo nacional, quanto para aqueles que ainda nem estão na faculdade, mas que almejam esta digna profissão. Caso alguém publica uma informação errada, algo muito precioso poderá ser perdido, a CREDIBILIDADE.

E, quando se perde a credibilidade, se perde tudo no jornalismo. Todo mundo que trabalha na profissão busca sempre almejar o "furo", passar a informação em primeira mão. Uma informação que possa causar impacto a um bom número de pessoas. Como Willian Bonner citou no livro "Jornal Nacional: Modo de Fazer", o furo seria como aquela Ferrari vermelha que desejamos. É a vontade de todos ter uma Ferrari, mas é uma virtude de poucos. E assim vale para o furo.

É algo extremamente arriscado. Pois informar em primeira mão é muito mais difícil do que se imagina. Você tem que ter uma excelente apuração jornalística do fato e ter a certeza máxima de que aquilo é verdade. Caso você jornalista (ou futuro jornalista) publicar algo em primeira mão sem ter essa certeza, você corre um sério risco de cometer uma "barrigada".

Barrigada é quando uma informação mal apurada é divulgada. Ou uma informação falsa, o que é pior ainda. Para o caso desta madrugada, um jornalista famoso no Rio Grande do Sul publicou a maior barrigada que já vi na vida. Ele é famoso por já ter falado o que não era verdade, mas hoje ele infelizmente errou em um nível desproporcional. Nas últimas horas da segunda-feira, um grupo de torcedores passou uma falsa informação pelo Twitter de que um jogador chamado ENRICO CABRITO estaria sendo negociado pelo Grêmio. Uma rápida olhada no Google  faria perceber que Enrico Cabrito NÃO EXISTE. Eu fiz isso para ter 100% de certeza de que era uma invenção. Mas, pela ânsia do furo, o jornalista acabou publicando a maior barrigada da história.

Imediatamente ele passou a receber inúmeras mensagens com piadas e críticas ao trabalho mal realizado. Para amenizar a situação vergonhosa que já estava se espalhando por todos os cantos do Rio Grande, o jornalista se explicou dizendo que foi "hackeado" na rede social (quando alguém invade um perfil pessoal e publica em seu nome). Aí tudo piorou.

As críticas passaram a aumentar. Enrico Cabrito acabou sendo o assunto mais comentado do Brasil, e um dos mais comentados do mundo. Uma barrigada que ganhou proporções mundiais.

Ao mesmo tempo que acho graça com as piadas em tempo real, fico pensando o seguinte: como ele se deixou chegar a esse nível? Como que um jornalista que deve ter uns 30 anos de experiência pecou num ato tão simples, que era apenas apurar se o jogador existia? Vale a pena jogar fora uma credibilidade de décadas por causa de uma informação duvidosa? Dá pena.

Eu não condeno ele por tal ato. Esse jornalista passou por importantes emissoras de rádio do Estado. Por anos foi apresentador de um programa jornalístico de cunho policial e acabou demitido no ano passado. Precisou voltar à mídia apelando para uma pequena emissora de rádio que recém estava sendo criada. A ânsia para aumentar a audiência da mesma e fazer com que voltasse a um lugar respeitável acabou manchando sua carreira. É lamentável que ele tenha se deixado levar por uma brincadeira de torcedores.

A lição que quero passar é a seguinte, em especial aos amigos jornalistas (ou estudantes). SEMPRE APUREM UMA INFORMAÇÃO. Essa é uma norma básica, mas nunca podemos esquecer. Sempre temos que apurar ao máximo qualquer coisa que vamos publicar. É o nosso nome, é a nossa credibilidade, é a nossa carreira que pode estar em jogo com uma informação mal apurada. E em caso de alguma dúvida, verifica de novo para ver se não tem nada errado. É melhor nós ligarmos para 15 fontes diferentes, verificar o que as concorrentes estão falando do assunto e ler 30 vezes o nosso texto antes de publicar, do que se apressar e divulgar o que está errado, e perdermos nossa credibilidade na profissão.

2 comentários:

  1. Gostei muito do jeito que tratou um tema que vai estar em alta nos próximos dias. Parabéns! tenho certeza que vou acompanhar esse blog se os textos forem de boa qualidade como esse.

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  2. Obrigado Jonathan! Esse tema vai gerar muitas discussões em sala de aula, poderá ser objeto de estudo futuramente e será de imensa reflexão para os que trabalham ou almejam trabalhar no jornalismo.

    Volte sempre! Abraço!

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