domingo, 30 de junho de 2013

É possível evitar um Maracanazzo II

Entrosamento do elenco brasileiro é um elemento chave para derrotar a Espanha
(foto: Getty Images)
Quem me conhece sabe que eu nunca achei que a Seleção Brasileira fosse ter condições reais de vencer a Copa das Confederações 2013. Antes da competição, aqui mesmo neste blog , eu disse que o Brasil não teria a tarefa mais simples do mundo na primeira fase, demonstrando um pessimismo enorme contra nossa seleção. Porém, é dos sábios mudar de opinião, assim como é das seleções deixarem de ser ruins se conseguirem um entrosamento adequado para uma competição curta. Para a final que acontece em algumas horas, creio que é possível sim vencer a Espanha.

Seleção Espanhola luta pelo título inédito da Copa das Confederações
(foto: Getty Images)
A Fúria possui o melhor elenco do mundo. Até um cego consegue enxergar isso da Espanha. A base da seleção espanhola é quase toda composta por jogadores do Barcelona e do Real Madrid. O time treinado por Vicente Del Bosque possui um ótimo entrosamento, tendo havido poucas mudanças desde a seleção campeã europeia, em 2008. Aliás, aquela Eurocopa foi o primeiro título desta geração da Espanha que está se acostumando a ganhar títulos. Os espanhóis são os atuais campeões mundiais e bicampeões europeus, e encantaram o mundo com seu estilo de jogo da constante troca de passes e domínio da posse de bola. Só falta a Copa das Confederações, para a atual geração espanhola falar que ganhou tudo no futebol.

Apesar de ser notável que as estrelas da Espanha são melhores que as do Brasil, passei a acreditar mais na Seleção Brasileira quando o técnico Luiz Felipe Scolari conseguiu entrosar o time, escalando os mesmos titulares em três dos quatro jogos realizados até aqui, confirmando esta mesma base para a decisão. Outro grande fator para o crescimento brasileiro é o efeito motivador da torcida. É muito bonito ver o estádio todo apoiando a Seleção o tempo inteiro, em vez de cobrar e vaiar os jogadores, como nós víamos em partidas amistosas realizadas por aqui.

Além disso, a torcida faz uma motivação espetacular antes dos jogos, com o hino nacional sendo cantado por todo o estádio até o final da primeira parte, ignorando o tosco protocolo da Fifa que toca apenas um pedaço do nosso hino, sendo que somos o país sede. Sem contar também que a atitude inicial dos jogos de pressionar o adversário pode resultar em um gol brasileiro, como foi nas partidas contra Japão e México, em que o Brasil abriu o placar com menos de dez minutos de partida.

Hino nacional é um grande motivador da torcida brasileira
(foto: Getty Images)
Outro motivo para acreditar no título brasileiro são os efeitos dos protestos que estão acontecendo  no Brasil. O patriotismo no nosso país cresceu como nunca, por conta de todas as reivindicações do povo por uma nação com menos problemas e corrupção. De alguma forma, os jogadores entenderam o recado, e estão jogando por todos os brasileiros, fazendo que também o futebol brasileiro cresça e volte a ser decente.

Em algumas horas veremos que emoções Brasil e Espanha vão trazer para o torcedor. Comecei esta Copa das Confederações pessimista e saio confiante. Mesmo que a Seleção não vença hoje, Felipão já está de parabéns por ter feito o Brasil voltar a ser Brasil, jogando com raça, voltando a vencer adversários difíceis. Apenas fico triste por não ter escrito mais sobre a competição que se encerra amanhã. O final de semestre da faculdade me afastou do blog, sem contar que não faria sentido escrever diariamente sobre os jogos, no momento em que o país entrava em ebulição com os protestos.

Prometo analisar detalhadamente os melhores momentos da competição após o jogo desta noite, abordando sobre partidas eletrizantes, fatos inacreditáveis e  também sobre o show da torcida que não estava nem aí para o "manual do torcedor" que a Fifa inventou. Mas isso é coisa para o pós-evento. Agora, que o Maracanã se torne um local para chorarmos de alegria ao final da partida, e que não haja um novo sofrimento como em 1950, quando o Uruguai entristeceu o Brasil ao vencer a Copa por aqui. Se tudo der certo, o Maracanazzo será apenas um fato isolado, e não será repetido nesta decisão.

Um comentário:

  1. É legal notar que a negação da paixão brasileira por futebol é forjada, falsa, com fins de oposição política apenas. Na realidade, minha interpretação pra boa atuação da seleção é outra: sim, futebol é cachaça, os jogadores são privilegiados, mas o povo gosta desse esporte, tanto que prestigia e acompanha. Ali, na Copa das Confederações, cada jogador estava safando sua onça também: eles que tantas vezes desmerecem o salário que ganham fazendo pé mole e vivendo uma vida de farras que não combinam com a vida de um atleta, tentaram mostrar que também têm valor e que podem se esforçar mais dentro de sua profissão.

    ResponderExcluir