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| Vitória alemã por 7 a 1 é o maior vexame da história da Seleção Brasileira |
A derrota esmagadora sofrida pela Alemanha por 7 a 1, na maior goleada já sofrida pelo Brasil em toda a sua história, foi o pior choque de realidade possível que a Seleção poderia sofrer ao saber que não será mais campeã mundial em 2014. Sabíamos que não éramos os favoritos diante dos alemães, mas jamais esperávamos que seríamos tão humilhados no nosso terreno, e em um jogo tão decisivo.
Agora, com frieza, podemos ver onde esta Seleção errou. O maior deles não tem nenhum culpado. Estamos com uma geração ruim de jogadores. E já faz tempo. Em 2002, o Brasil foi campeão do mundo, ganhando da própria Alemanha, mas pouco se fez para que, no futuro, novos jogadores de talento surgissem para suprir às futuras saídas de Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho. Tanto que, em 2006, com boa parte do time pentacampeão em seu elenco, o Brasil teve atuações modestas, e foi eliminado para a França. Ali, se falou pela primeira vez em renovação. Mas que renovação? Armaram um time mais jovem, com menos reforços talentosos, e o resultado também foi uma eliminação na Copa do Mundo, desta vez para a Holanda, em 2010.
Passado o trauma dos 45 minutos que tiraram o Brasil do mundial da África do Sul, houve o mesmo discurso de renovação, mas de forma ainda mais drástica. Jovens jogadores foram testados em inúmeras partidas e formações diferentes. Muitas promessas ditas em 2010, hoje jogam em times médios da Europa, ou vivem de atuações regulares jogando no Brasil. Salvas algumas exceções, como Neymar, Thiago Silva, David Luiz e Oscar, não criamos jogadores bons a ponto de fazer com que a equipe jogasse entrosada para ser mais competitiva.
Nos últimos quatro anos, vimos Mano Menezes fracassar no comando da Seleção; o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, renunciar ao cargo sob suspeitas de corrupção na entidade; e o retorno de Felipão para evitar um vexame ainda maior nesta Copa (se bem que duvido que fosse possível acontecer algo pior). O Brasil teve bons momentos com o treinador, como o título da Copa das Confederações, voltando a vencer times campeões mundiais.
Mas Copa do Mundo é uma competição muito maior que a Copa das Confederações. Além disso, o time não apresentou nenhuma melhora tática de um ano para cá, como que se, de alguma forma, o Brasil fosse conquistar a Copa com a mesma facilidade que ganhou a competição do ano passado.
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| Schürrle comemora um de seus dois gols, calando o estádio do Mineirão |
Já no mundial do Brasil, a preparação da Seleção foi longe de ser exemplar. A tal "ousadia e alegria" dita como lema do elenco brasileiro não existia. O time brasileiro ficou escondido na Granja Comary, em Teresópolis (RJ) e pouco aparecia publicamente - exceto quando algum torcedor driblava a segurança e invadia o treino, lembrando a vergonhosa preparação da Copa de 2006, em Weggis, na Suíça. Essa preparação mascarada deixava o time muito distante da torcida, trabalhando de uma forma completamente diferente da de Holanda e Alemanha, que ganham, de longe, o título de seleções mais carismáticas entre os torcedores desta Copa, com jogadores que iam para a praia, e usavam camisas dos times brasileiros - como Schweinsteiger e Podolski.
Mas entre uma atuação e outra, tivemos um gol contra, e graves falhas defensivas que resultaram em gols para adversários, além do dramático clima de choro antes da decisão nos pênaltis contra o Chile. Mas nenhum problema envolvendo o time brasileiro foi tão grave em questões psicológicas quanto a lesão de Neymar. Foi a prova na cara dura de que o Brasil depende, e muito, do nosso camisa 10. Ele não havia ido muito bem diante do Chile e da Colômbia, mas sua ausência causou um clima de comoção tão intenso, que a impressão que dava era de que o jogador tinha morrido. Felipão não soube o que fazer sem Neymar, o único jogador diferenciado no ataque brasileiro. O resultado foi um apagão inacreditável no primeiro tempo contra a Alemanha, que culminou com o pior jogo realizado na história da Seleção. Não que com o atacante e Thiago Silva (que estava suspenso) o Brasil não perderia para os alemães, mas certamente o resultado poderia ser menos pior do que foi.
De todas as eliminações ocorridas, esta foi tão traumática que é impossível colocar as culpas em uma única pessoa. Foi um erro coletivo, de dezenas de pessoas, que fez o país passar por tal vexame. Quanto ao time, teremos de ter fé que possamos encontrar por aí algum ser extraordinário que saiba ser talentoso jogando futebol, para fazer a Seleção voltar a impor respeito aos seus adversários. Uma grande reformulação precisará ser feita após o depressivo jogo da decisão do terceiro lugar, no sábado, passando pelos jogadores, pelo técnico - seja lá quem for assumir - e até pela presidência da CBF. Se ficar do jeito que está, o hexacampeonato não virá na próxima Copa, em 2018, na Rússia, e pode demorar ainda mais.



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