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| A defesa de Victor que transformou Atlético e Tijuana em um jogo histórico (foto: Reuters) |
Se o chute de Riascos entrasse para o gol, a partida ainda seria comum, pois uma vitória no final do jogo acontece, e muito, no futebol. Mas a bola não entrou. E o mais incrível, Victor pegou um pênalti heroico, com o pé, quando nenhum torcedor mais acreditava que o Atlético teria salvação. Dali para frente, este jogo viria a se tornar histórico.
Não tenho ideia de quantos jogos de futebol eu vi no alto dos meus 21 anos, mas tem aquelas partidas que se tornam históricas, por uma conjunção de fatores ou por um único lance. Jogos que posso dizer que se tornaram históricos por simples lances são: Uruguai e Gana, em 2010 (com mão na bola em cima da linha e pênalti para fora no último lance da prorrogação), a chamada "Batalha dos Aflitos", em 2005 (quando o Grêmio derrotou o Náutico após sofrer dois pênaltis e quatro expulsões), Internacional e Barcelona, em 2006 (com o gol do título mundial marcado pelo pior jogador do elenco colorado) e Brasil e Argentina, em 2004 (com aquele do gol do Adriano aos 47 do segundo tempo). Não fossem esses lances descritos, seriam apenas partidas comuns que só virariam um marco na história do futebol por se tratar de uma decisão.
Uma partida histórica pode ter essa definição a qualquer momento. Basta algum lance inacreditável acontecer. Não é algo comum, portanto, ver um jogo de futebol para tentar encontrar um fantástico momento assim. E só assistir a uma partida com este propósito é como encontrar uma agulha em um palheiro. É preciso gostar de futebol e ter sorte de acompanhar um momento desses. Também é interessante ter a experiência de assistir a jogos ruins de qualquer campeonato, para enfim poder ser agraciado com uma partida histórica algum dia. Ou seja, até chegar a um Atlético e Tijuana, como o de ontem, precisamos ver muitos jogos como Brasil de Pelotas e São Paulo de Rio Grande, Ceará e Paysandu, Náutico e Criciúma , Argélia e Eslovênia (que foi o pior jogo que já vi na vida) ou peladas da várzea, embora essas partidas também podem se tornar históricas.
O feito do Galo foi histórico não só por causa do Victor, ou do Réver, ou do Ronaldinho ou do Jô. Foi porque o clube alcançou pela primeira vez uma vaga na semifinal de uma Libertadores. Além disso, o Atlético está jogando com a raça característica da maior competição da América, algo impressionante para quem nunca chegou a tal nível. Ninguém apostava no Galo no ano passado quando estes caras, somados ao técnico Cuca, chegaram ao clube (tirando o Réver, que já jogava no Galo, todos os citados neste parágrafo não estavam em boa fase). Porém, a ótima campanha no Brasileirão, e o momento atual na Copa, fazem do Atlético ser o melhor time brasileiro do momento. Resta saber se, depois do jogo histórico, o clube irá finalmente ganhar a tão cobiçada Taça Libertadores, ou se continuará com a longa fila de títulos importantes.
A Libertadores só volta em julho, após a Copa das Confederações. O Atlético enfrenta agora o Newells Old Boys, da Argentina. Será um confronto duro, contra um time que também não tem tradição na Copa. Mas o Newells também passou de forma épica, após as 26 cobranças de pênalti contra o Boca Juniors. Até foi um jogo histórico, mas não está no meu top five, por isso não ganha tanto destaque. O outro jogo da semifinal é entre Olímpia, do Paraguai, e Santa Fé, da Colômbia. São equipes mais fracas que Atlético e Newells, mas uma delas, será agraciada com uma inacreditável vaga à final.
A Copa continua - ou nem tanto pelo mini torneio que ocorre em breve no Brasil - mas o certo é que continuaremos a ver grandes jogos. Resta saber se uma partida histórica irá acontecer nestes seis duelos que restam na competição. Vamos aguardar!

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