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| O título, enfim, saiu (foto: AFP) |
Voltando à vida real, o Atlético foi como o rapaz daí de cima. Demorou mais de quatro décadas para conquistar um título expressivo. Quando a chance finalmente surgiu, viria de uma forma dramática, com o risco de mais uma derrota chegar e de ter que esperar mais um tempo para o troféu ser erguido. Para complicar, essa chance foi na Copa Libertadores, a maior das competições continentais. O Galo, um pequeno entre os participantes, se agigantou e a conquistou para espantar de vez o azar que assolava a vida do clube por quatro gerações.
O time de jogadores como Victor, Alecsandro, Richarlyson, Jô e Ronaldinho começou a ser campeão ainda em 2012, quando estes atletas chegaram ao clube, todos vindos de experiências nada agradáveis nos clubes por onde passaram. Cuca, o treinador do Atlético, que também era considerado um fracassado no mercado, deu um jeito no clube que fez um ótimo Campeonato Brasileiro, mas acabou perdendo o título por conta de uma série de deslizes no segundo turno. Porém, ao contrário do que boa parte dos times brasileiros faz, o Atlético não vendeu estes jogadores, e manteve boa parte da equipe titular. Inclui na lista dos principais jogadores atletas como Bernard, Leonardo Silva e Diego Tardelli. Com esta base, o Galo foi para a Libertadores.
Na Copa, a primeira fase avassaladora, com cinco vitórias e uma derrota, garantindo a melhor campanha geral entre todos os participantes, poderia significar que o Atlético passaria pela "maldição do primeiro lugar", e cairia logo na fase seguinte. Desde 1996, o primeiro colocado da fase de grupos não vencia a Libertadores - o último foi o River Plate no ano citado acima. Porém, isso não aconteceu. Nas oitavas de final, a mística de campeão já surgiria para o Galo no momento em que Lúcio, do São Paulo, fora expulso na primeira partida do mata-mata, quando o tricolor paulista ainda vencia. Naquele jogo o Atlético derrotou os paulistas no Morumbi por 2 a 1, e patrolou o adversário na sua "casa" (lembrando que o Galo não tem um estádio próprio), vencendo por 4 a 1.
Os milagres, no entanto, viriam de vez nas fases seguintes. Lá no México, o clube mineiro garantiu um empate por 2 a 2 no último segundo contra o Tijuana. Na volta, no estádio Independência, onde o Atlético não perde há um ano e meio, o Galo estava a um pênalti da eliminação aos 45 do segundo tempo. Coube ao goleiro Victor esticar o pé esquerdo e fazer a defesa heroica. No play-off seguinte, nas semifinais, mais um drama. Derrota por 2 a 0 para o Newells Old Boys lá na Argentina, com o placar se repetindo - desta vez em favor do Galo - com direito a um gol aos 50 minutos da etapa final, feito por Guilherme. Nos pênaltis, Victor ajudou o clube que sempre foi alvo de chacotas dos cruzeirenses chegar à inédita decisão da Libertadores.
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| Jogadores do Atlético fazem a festa ao final da decisão (foto: AFP) |
A final desta edição de 2013 não poderia ser mais sofrida do que esta. De um lado, o Atlético de tantas derrotas. Do outro, o Olímpia, um clube tricampeão de La Copa que vive uma crise financeira, e que se superou ao chegar a decisão, mesmo com os jogadores sendo pagos vez ou outra. O time paraguaio - com folha salarial que paga um jogador meia boca reserva de um grande time daqui - venceu o primeiro jogo, por 2 a 0.
O drama do Galo para o segundo duelo já começaria na mudança do palco do espetáculo. A decisão foi no Mineirão, e não mais no Independência, graças a uma decisão da Conmebol que não permite que a final da Libertadores seja feita em um estádio com menos de 40 mil pessoas (embora no Paraguai, a final foi em um estádio que não suportava tal capacidade - vai entender). Mas o jogo ainda era em Belo Horizonte, e os atleticanos apoiaram o time até o fim. Jô e Leonardo Silva levaram o jogo para a prorrogação, ao vencer por 2 a 0, e garantir o título nos pênaltis por 4 a 3.
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| Leonardo Silva faz o gol que levou a decisão para os pênaltis (foto: Reuters) |
O sofrimento acabou. O Atlético Mineiro é o décimo brasileiro a conquistar a Libertadores. O Galo entra agora no mesmo grupo composto por São Paulo, Palmeiras, Flamengo, Grêmio, Internacional, Corinthians, Santos, Cruzeiro e Vasco, garantindo o 17º título para o nosso país em toda a história. O Brasil se aproxima cada vez mais da Argentina, maior campeã da Libertadores, com 22 conquistas. Bem vindo ao clube, Atlético Mineiro, e faça a sua festa, pois este time e sua torcida merecem comemorar muito a partir de agora.
Um extra: para uma pesquisa futura, ou algo do tipo, abaixo vai a lista com todos os clubes campeões da Libertadores:
- Independiente (ARG) - 7 títulos;
- Boca Juniors (ARG) - 6 títulos;
- Peñarol (URU) - 5 títulos;
- Estudiantes (ARG) - 4 títulos;
- Olimpia (PAR), Nacional (URU), São Paulo (BRA) e Santos (BRA) - 3 títulos;
- River Plate (ARG), Cruzeiro (BRA), Grêmio (BRA) e Internacional (BRA) - 2 títulos;
- Palmeiras (BRA), Atlético Mineiro (BRA), Corinthians (BRA), Flamengo (BRA), Vasco (BRA), Velez Sarsfield (ARG), Argentinos Juniors (ARG), Racing (ARG), Atletico Nacional (COL), Once Caldas (COL), Colo Colo (CHI) e LDU (EQU) - 1 título.
E se você chegou até aqui, parabéns. Por mais que eu tente ser mais objetivo por aqui, no final, meus textos sempre são longos (risos).



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