terça-feira, 30 de julho de 2013

O pior Gre-Nal de todos os tempos

Uma imagem dessas em um Gre-Nal pode nunca mais acontecer
(foto: Gabriel Uchida/ FotoTorcida)
Quando o árbitro do Gre-Nal 397 der o apito final de jogo, no próximo domingo (3), terminará o pior Gre-Nal de todos os tempos. Não importa quem vencer no placar, todos nós já perdemos nesse jogo. O maior clássico do país, o segundo maior da América do Sul e um dos maiores do mundo, está condenado a ter somente a torcida do Grêmio nas arquibancadas e cadeiras da Arena, o novo estádio gremista. Isso tudo ocorreu por conta de uma decisão inaceitável da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, que busca facilitar o policiamento e a segurança no clássico. Esse é o argumento que a polícia anda falando por aí. Mas na verdade, são outros motivos que culminaram com esta decisão da BM.

O problema é o seguinte. Até o último Gre-Nal em Porto Alegre (no final do ano passado, no Olímpico), o deslocamento da torcida visitante até a casa do time rival era feito a pé. Do Beira-Rio ao Olímpico e vice-versa. A Brigada Militar fazia a escolta no caminho de um quilômetro e meio e tudo estava tranquilo. Tínhamos um Gre-Nal maravilhoso com as duas torcidas.

Neste ano, tudo mudou drasticamente. O Grêmio joga agora na Arena, distante a 12 quilômetros do Estádio Beira Rio que está em obras para a Copa do Mundo de 2014, mas que continua funcionando para o Internacional como sede, porém, sem receber jogos. Caso a torcida colorada pudesse prestigiar o seu time no clássico, até seis mil torcedores vestidos de vermelho poderiam apoiar o Inter na casa do maior rival. Ou seja, o número de torcedores visitantes é bem alto, mas o problema maior está na distância. A Brigada Militar não quer se comprometer de fazer uma escolta de 12 quilômetros aos torcedores do Inter, sendo este um dos argumentos da polícia para barrar os torcedores rivais.

O outro item que culminou com esta surra que o futebol gaúcho levou nesta terça-feira é a velha questão da BM de implicar com a violência da torcida. É verdade que nos últimos meses tivemos algumas brigas na torcida do Grêmio, mas não justifica o fato de retirar a torcida visitante do clássico. Se a Brigada Militar está para, na teoria, evitar a violência entre as torcidas, que faça uma proteção decente para que nada de errado aconteça. Em vez disso, quem incitou a violência nos estádios - em especial no último caso - foi a própria Brigada Militar, quando um torcedor do Grêmio foi preso e agredido de forma covarde no último domingo, apenas porque amarrou a bandeira do Rio Grande do Sul numa muleta, a usando como mastro. Talvez para que fosse abafado este caso que a polícia daqui tenha tomado esta drástica decisão.

Não vejo outra hipótese além destas duas que citei anteriormente para que o Gre-Nal seja destruído desta forma pela Brigada Militar. Que torcedores, dirigentes, e os presidentes dos dois clubes tomem as devidas atitudes para que evitem que o maior clássico do país seja manchado a ter uma única torcida. Até os governantes precisam tomar uma iniciativa, pois é o governo do Estado quem manda na Brigada. Não podemos nos contentar que uma entidade mate o nosso clássico. É melhor evitar o pior o quanto antes, pois se não, em breve teremos Gre-Nais sem torcida, ou ainda pior, disputados em cidades de estados em que ninguém torce para Grêmio e Internacional. Que vença a paixão entre as duas torcidas, e não o autoritarismo da Brigada.

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