Não é fácil ficar neutro. Às vezes, vejo uma opinião maravilhosa sobre a pessoa em quem votei, e adoraria ir ali e comentar, defender e debater aquilo. Assim como vejo uma opinião contrária a minha, e que gostaria de trazer a minha posição, para que, mesmo que eu não convencesse a opinião adversária, pudesse realizar uma discussão de propostas que, em conjunto, pudessem fazer a diferença para o Estado ou para o Brasil. Mas eu sigo sem falar nada.
O motivo. Em uma época onde todo mundo tem opinião sobre tudo, muitas pessoas não costumam aceitar uma ideia contrária. Alguns optam por excluir, bloquear, deixar de seguir alguém, apenas porque votam em outra pessoa. Outras fazem algo ainda pior, e costumam pregar o ódio, ofendendo adversários, com postagens muitas vezes em Caps Lock, e fazendo generalizações grotescas, do tipo "quem vota em X é vagabundo" ou "quem vota em Y não pensa nos pobres". Esse tipo de gente não é boa de debate. Preferem perder amigos e ofender pessoas pelo simples fato de não pensarem de forma igual à elas mesmas.
O ódio contra adversários é algo cruel. É anti-democrático. Precisamos entender que vivemos em um mundo onde ninguém pensa igual a ninguém, e não é por isso que uma pessoa merece ser ofendida por ter uma opinião diferente da sua.
Posso estar errado ao me preservar? Posso, mas nesse momento é uma opção necessária para mim. Evito estresse para o meu lado, evito perder amigos (exceto aqueles que de alguma forma me ofenderem com alguma postagem dos exemplos acima), e evito também de fazer as mesmas opiniões caso alguém que eu não votei acabar vencendo a eleição.
Mesmo não revelando meus votos, vou declarar indiretamente cada um deles. Posso lhes garantir que não votei em nenhum candidato com mínima instrução escolar, ou em um deputado preconceituoso ou em quem fez um mau mandato. Votei em pessoas que, a meu ver, conseguiriam ajudar o meu Estado e o meu país de alguma forma. Para os dois cargos de deputados, escolhi pessoas novas, que são a renovação da política, tão pedida nas manifestações de junho de 2013 (que infelizmente muitos esqueceram). Para o Senado, as opções de renovação foram poucas, cujas quais eu não tinha simpatia, então optei por uma pessoa íntegra e respeitável, de brilhante trajetória política. Quanto ao governo do Estado, minha escolha se classificou para o segundo turno, e para presidente, não votei nos que ainda estão na disputa, e fiz um voto aliado as melhores propostas feitas, em alguém que estava a fim de debater assuntos diferentes. Mas no fim das contas, para a presidência, terei de escolher agora um dos mesmos de sempre.
Até o dia 26, data do segundo turno, creio em uma campanha eleitoral que vai beirar o ridículo. Com ataques para todos os lados, e com pouca possibilidade de propostas. Fora que, os discursos de ódio nas redes sociais devem continuar. Mas eu tenho esperanças de ver um final feliz. Se as pessoas em que eu votar vencerem, ficarei muito feliz, mas ao mesmo tempo quero que elas cumpram com suas propostas. Se perderem, faz parte do processo eleitoral, mas desejarei sorte a quem vencer e vou exigir que estas pessoas façam um bom governo. O que espero para esta reta final de campanha, é de ver mais debates, mais propostas, mais discussões construtivas sobre opiniões diferentes, e menos ódio. Ódio não leva a nada além de ódio. Peço apenas um pouco de paz e amor durante esse processo democrático em que estamos vivendo.

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