segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Mata-mata ou pontos corridos: uma análise sobre o formato ideal do Brasileirão

Em um período onde pouca coisa além das negociações de jogadores é notícia, surge nesta  primeira segunda-feira de 2015 a informação de que o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, está articulando com demais clubes para a possível volta do sistema de mata-mata ao Campeonato Brasileiro. A justificativa seria para deixar o campeonato mais atrativo. Atualmente, o Brasileirão é disputado no sistema de pontos corridos, em que todos os times se enfrentam em dois turnos. O possível retorno de um mata-mata no Brasileiro é uma tática que pode ser boa, e que eu apoio, dependendo da forma como for aplicada.

Desde o início do Brasileirão, em 1959, o mata-mata imperou nas fases decisivas. Até 2002, o campeonato contava com uma fase final. Nos anos 70, a competição chegou a ter 94 clubes, em 1979, como uma forma de tentar aproximar os times de todos os estados brasileiros em um único torneio.

Nos anos 90, quando já conseguia acompanhar o Brasileirão, lembro do sistema que foi mais utilizado na época. Os times se enfrentavam em turno único, geralmente entre julho e novembro, (com finais em dezembro) e os oito melhores avançavam para a fase de mata-mata, até decidir um campeão. Os regulamentos eram diferentes a cada ano, devidas as constantes mudanças de número de equipes participantes, algumas delas proporcionadas pelas famosas viradas de mesa, onde algum time grande se beneficiava para não ser rebaixado, ou ser milagrosamente promovido da Série C para a Série A, como foi com o Fluminense, de 1999 para 2000. Em 2000, inclusive, ocorreu um dos campeonatos mais bizarros da história, onde o vice-campeão da segunda divisão, o São Caetano, tinha direito a jogar as oitavas de final da primeira divisão do mesmo ano, e ainda terminou o campeonato como vice-campeão brasileiro, perdendo para o Vasco.

Como dito acima, o último ano em que o mata-mata foi instituído no Brasileirão foi em 2002, quando o Santos foi campeão, após ter ficado em oitavo lugar no turno único. Um encerramento melancólico de um formato que marcou época.

A partir de 2003, o Brasileirão passou a ser de pontos corridos. Nos seus dois primeiros anos, foi com 24 equipes na primeira divisão. Em 2005, o número diminuiu para 22, e em 2006, para 20 clubes, mantendo seu formato até hoje. Se por um lado o Brasileirão passou a ter um regulamento sólido nestas doze edições realizadas até então, por outro, ficou visível a diferença na qualidade técnica entre grandes e pequenas equipes. Desde que o sistema de pontos corridos foi instituído, seis times se tornaram campeões brasileiros, sendo apenas um deles, o Cruzeiro, que não é do Rio de Janeiro ou de São Paulo. Na era do mata-mata, era possível que mais times alcançassem a condição de campeões nacionais. Entre 1959 e 2002, foram 17 clubes que conquistaram o título (incluindo os seis campeões dos pontos corridos), sendo oito de fora do eixo Rio-São Paulo, como os representantes de Minas Gerais, e clubes das regiões Sul e Nordeste.

O formato atual é consolidado, mas preferia um Brasileirão mais empolgante em seus instantes finais. Seria melhor ver mais times com chances de título, evitando a possibilidade de o time campeão erguer o troféu em um salão fechado, com os jogadores vestindo terno e gravata, como já ocorreu desde que os pontos corridos passaram a chegar no Campeonato Brasileiro. Além disso, a liga corre o risco de ter sempre os mesmos times campeões, como é nos principais campeonatos da Europa. Outro fator que preocupa é a polarização entre os clubes participantes. Neste ano, somente duas equipes não são das regiões Sul e Sudeste do Brasil, sendo um clube do Centro Oeste, e um do Nordeste.

Mas os mata-matas no formato de antigamente, em pleno 2015, não seriam uma forma atraente. Um formato interessante que poderia ser copiado está justamente de um dos países onde o futebol mais cresce: nos Estados Unidos. Lá, a Major League Soccer (MLS), é realizada com times de duas conferências, em que os melhores da primeira fase em cada grupo vão para os mata-matas para decidir o campeão da temporada. O sistema de fase de grupos e mata-mata também é consolidado por lá nas quatro principais ligas do país (NFL, MLB, NBA e NHL).

Como minha sugestão de campeonato, ficaria o seguinte: os 20 representantes da Série A poderiam ser divididos em dois grupos com dez equipes, em chaves devidamente equilibradas, de acordo com o histórico de participações na primeira divisão. Poderia haver uma primeira fase com 28 jogos, sendo duas vezes contra cada adversário do grupo, e uma vez contra os times do outro grupo. Os quatro melhores de cada chave disputariam mata-matas até a decisão, com os piores times desta fase sendo rebaixados para a Série B. Seria uma forma que manteria um calendário equilibrado, e que poderia dar certo, podendo trazer força ao nosso principal campeonato.

Ainda é incerto se os clubes brasileiros conseguirão pressionar a CBF para haver alterações no Campeonato Brasileiro, mas as articulações já estão começando. Espero que a volta dos mata-matas, se acontecer, possa fortalecer o futebol do nosso país, que vive uma fase complicada há algum tempo. Caso tudo se mantenha como está, o que restará a nós, torcedores, é acostumarmos a ver a maioria dos times brigando por vagas, ou para não cair, e ver apenas dois ou três com chances reais de título.

Nenhum comentário:

Postar um comentário