sexta-feira, 31 de maio de 2013

Entre uma partida comum e uma partida histórica

A defesa de Victor que transformou Atlético e Tijuana em um jogo histórico
(foto: Reuters)
Até os 46 minutos da etapa final entre Atlético Mineiro e Tijuana, o duelo decisivo das quartas de final da Copa Libertadores era apenas uma partida normal - e dramática. Mas o futebol é um esporte espetacular, em que um simples lance, um único momento de um jogo qualquer, pode transformá-lo em uma partida épica, histórica, magnífica. Após os exatos 46 minutos, uma besteira protagonizada por Leonardo Silva ajudou a dar pequenos (ou mortais) infartos em cada torcedor atleticano, pois o pênalti foi cometido, e o gol do Tijuana tiraria o Galo da inédita semifinal.

Se o chute de Riascos entrasse para o gol, a partida ainda seria comum, pois uma vitória no final do jogo acontece, e muito, no futebol. Mas a bola não entrou. E o mais incrível, Victor pegou um pênalti heroico, com o pé, quando nenhum torcedor mais acreditava que o Atlético teria salvação. Dali para frente, este jogo viria a se tornar histórico.

Não tenho ideia de quantos jogos de futebol eu vi no alto dos meus 21 anos, mas tem aquelas partidas que se tornam históricas, por uma conjunção de fatores ou por um único lance. Jogos que posso dizer que se tornaram históricos por simples lances são: Uruguai e Gana, em 2010 (com mão na bola em cima da linha e pênalti para fora no último lance da prorrogação), a chamada "Batalha dos Aflitos", em 2005 (quando o Grêmio derrotou o Náutico após sofrer dois pênaltis e quatro expulsões), Internacional e Barcelona, em 2006 (com o gol do título mundial marcado pelo pior jogador do elenco colorado) e Brasil e Argentina, em 2004 (com aquele do gol do Adriano aos 47 do segundo tempo). Não fossem esses lances descritos, seriam apenas partidas comuns que só virariam um marco na história do futebol por se tratar de uma decisão.

 Uma partida histórica pode ter essa definição a qualquer momento. Basta algum lance inacreditável acontecer. Não é algo comum, portanto, ver um jogo de futebol para tentar encontrar um fantástico momento assim. E só assistir a uma partida com este propósito é como encontrar uma agulha em um palheiro. É preciso gostar de futebol e ter sorte de acompanhar um momento desses.  Também é interessante ter a experiência de assistir a jogos ruins de qualquer campeonato, para enfim poder ser agraciado com uma partida histórica algum dia. Ou seja, até chegar a um Atlético e Tijuana, como o de ontem, precisamos ver muitos jogos como Brasil de Pelotas e São Paulo de Rio Grande, Ceará e Paysandu, Náutico e Criciúma , Argélia e Eslovênia (que foi o pior jogo que já vi na vida) ou peladas da várzea, embora essas partidas também podem se tornar históricas.

O feito do Galo foi histórico não só por causa do Victor, ou do Réver, ou do Ronaldinho ou do Jô. Foi porque o clube alcançou pela primeira vez uma vaga na semifinal de uma Libertadores. Além disso, o Atlético está jogando com a raça característica da maior competição da América, algo impressionante para quem nunca chegou a tal nível. Ninguém apostava no Galo no ano passado quando estes caras, somados ao técnico Cuca, chegaram ao clube (tirando o Réver, que já jogava no Galo, todos os citados neste parágrafo não estavam em boa fase). Porém, a ótima campanha no Brasileirão, e o momento atual na Copa, fazem do Atlético ser o melhor time brasileiro do momento. Resta saber se, depois do jogo histórico, o clube irá finalmente ganhar a tão cobiçada Taça Libertadores, ou se continuará com a longa fila de títulos importantes.

A Libertadores só volta em julho, após a Copa das Confederações. O Atlético enfrenta agora o Newells Old Boys, da Argentina. Será um confronto duro, contra um time que também não tem tradição na Copa. Mas o Newells também passou de forma épica, após as 26 cobranças de pênalti contra o Boca Juniors. Até foi um jogo histórico, mas não está no meu top five, por isso não ganha tanto destaque. O outro jogo da semifinal é entre Olímpia, do Paraguai, e Santa Fé, da Colômbia. São equipes mais fracas que Atlético e Newells, mas uma delas, será agraciada com uma inacreditável vaga à final.

A Copa continua - ou nem tanto pelo mini torneio que ocorre em breve no Brasil - mas o certo é que continuaremos a ver grandes jogos. Resta saber se uma partida histórica irá acontecer nestes seis duelos que restam na competição. Vamos aguardar!

domingo, 19 de maio de 2013

E se o Brasileirão fosse como o Campeonato Argentino?


Faltam poucos dias para o início do Campeonato Brasileiro. Do início de dezembro até agora, ficamos praticamente órfãos de um bom futebol nos finais de semana. É verdade que nós já estamos na segunda metade da Copa Libertadores, mas os jogos são em terças, quartas e quintas. Nestes primeiros cinco meses, sobra para o sábado e domingo os jogos dos campeonatos estaduais (que, é claro, ainda quero que eles mantenham).
Agora que a maioria dos estados já conhecem seus campeões, é hora de se preparar para o Brasileirão. Vinte times de nove estados vão disputar o almejado troféu de campeão brasileiro, ao longo de 38 emocionantes rodadas. E o bacana, há dez anos continuamos com o mesmo regulamento, o que precisa ser comemorado, já que o Brasileirão foi bizarro por muito tempo.
Para uma liga nacional, o formato "todos contra todos" é o ideal. O mata-mata para um Brasileirão só serviria se os times fossem divididos em grupos, mas duvido muito que o regulamento mude. Fora do Brasil, temos ligas nacionais peculiares, e uma que me chamou bastante atenção recentemente é a liga da Argentina. A terra de Boca Juniors, River Plate, Independiente, Velez Sarsfield e tantos outros times copeiros, tem um dos regulamentos mais confusos do futebol. Este enigma será decifrado logo abaixo.
No quesito jogos, o Campeonato Argentino não é tão confuso. Os 20 principais clubes de lá se enfrentam em dois torneios de grupo único. Nas competições de nome Torneo Inicial e o Torneo final, equivalentes ao primeiro e o segundo turno do campeonato,todos jogam contra todos, e o melhor colocado é declarado campeão do torneio, e garante vaga para a Copa Libertadores. Após os dois turnos, ficam definidos os dois campeões nacionais. Na Argentina, quem ganha um dos torneios, é considerado campeão nacional. Não há uma final entre os vencedores, portanto é possível o país ter dois campeões diferentes no mesmo ano. Em 2012, o Arsenal Sarandi venceu o campeonato do primeiro semestre, e o Velez Sarsfield o segundo campeonato. Dá para afirmar então que Arsenal e Velez são os atuais campeões argentinos.
Se o Brasileirão fosse que nem o Campeonato Argentino, Atlético Mineiro e Fluminense seriam os campeões brasileiros. O Galo teve um primeiro turno avassalador. Já o tricolor carioca dominou a segunda metade do campeonato. Como o nosso formato não é igual ao dos hermanos, só o Flu acabou campeão nacional, por fazer mais pontos que o time mineiro no geral, após o Galo ir muito mal na segunda metade do Brasileirão passado . Até aí, o Campeonato Argentino poderia ser copiado (mas só até aí), embora defendo a Série A como está.
Agora o enigma. No nosso Brasileirão de dois turnos, os rebaixados são definidos de forma simples. Os quatro piores nas 38 rodadas caem. Simples assim. Lá na Argentina o negócio é diferente. Seu time pode ficar em último nos dois turnos e pode não cair. Enquanto, por outro lado, um clube recém promovido à primeira divisão pode conquistar um honroso décimo lugar e ser rebaixado. Tudo isso graças ao chamado "Promedio". O Promedio é um cálculo que os argentinos usam para definir quem cai ou não. Ou seja, para um time ser rebaixado, é necessário avaliar o desempenho da equipe nos torneios Inicial e Final nos últimos três anos. Isso, claro, se a equipe jogou na primeira divisão em todos estes anos. Para os recém promovidos, é avaliado o número de jogos apenas nos anos jogados na Primeira.
Independiente ocupa a décima posição do Torneo Final, mas pode ser rebaixado
O cálculo é feito assim. Soma dos pontos conquistados pela equipe nas últimas três temporadas, dividido pelo número de jogos realizados nestes anos. O resultado dá um número quebrado, exemplo 1,850. É esse código infeliz que pode definir uma vaga na primeira divisão. Quando acaba o Torneo Final - que ocorre por volta do mês de junho - os três times de pior pontuação média são rebaixados. Lá na Argentina, quem cairia agora seriam o Unión, o San Martín e o Independiente, famoso por ser o maior campeão da Libertadores, com sete títulos. Os dois primeiros citados estão mal no Torneo Final, mas o Independiente pode sofrer com um rebaixamento na décima posição - sendo que faltam cinco rodadas para o fim. Enquanto isso, copeiros como Boca Juniors e Velez Sarsfield (em 18º e 19º no Torneo Final), respiram com folga, longe de uma possibilidade real de queda. Confuso.
Sendo assim, resolvi fazer um cálculo sobre como seria o Brasileirão se ele fosse estruturado da mesma forma que o Campeonato Argentino, pelo menos quanto ao rebaixamento. Por nem ter começado a Série A 2013, seria impossível fazer esta análise com equipes como Criciúma, Goiás, Vitória e Atlético Paranaense. Portanto o meu Promedio foi com base no desempenho dos Brasileirões de 2010 a 2012. Eu fiz como o descrito acima. Pontos somados dos três anos dividido pelo número de jogos. Fiquei surpreso com o resultado, pois os quatro rebaixados em 2012 - Palmeiras, Sport, Atlético Goianiense e Figueirense - também seriam rebaixados se o Promedio vingasse no Brasil. O que dá para comprovar que um time que subiu entre este período passaria por mais dificuldades em se manter na Série A do que um clube que foi estável nestes três anos.
Entre os rebaixados nessa situação, considero uma surpresa o Palmeiras estar entre os últimos nesta época. Em 2010 e 2011, o Porco ocupou respectivamente a 10ª e a 11ª posição, mas o 17º lugar em 2012 não salvaria o clube. Já para o caso de Figueirense e Sport era mais óbvio. Os dois clubes fizeram um Brasileirão ruim, e não estiveram na Série A em todas estas temporadas. Também dá para considerar o Atlético Goianiense nesse grupo. O time jogou os três Brasileirões analisados, mas nas três edições brigou para não cair.
Se o nosso campeonato fosse como o do país vizinho, os clubes que começariam o Brasileirão 2013 com menos chances de cair seriam Fluminense, Corinthians, Grêmio, São Paulo e Vasco. Já quem começaria com a corda no pescoço - além dos recém promovidos - seriam Portuguesa, Bahia, Ponte Preta, Náutico e Flamengo. Mais detalhes desta classificação imaginada você pode acompanhar na tabela abaixo.


Apesar de toda esta análise, prefiro ver o Campeonato Brasileiro do jeito como está. O time que está melhor que os outros no ano se torna campeão, e os times que vão mal na temporada caem. O formato daqui é semelhante aos dos principais campeonatos nacionais da Europa, e deixa o Brasileirão mais competitivo e mais atraente, dando chances para todos os clubes participantes. A bola vai rolar no campeonato, e veremos jogos muito mais disputados neste ano. Quem gosta de futebol, não poderá perder o Campeonato Brasileiro. E também, espero que tenham gostado desta pesquisa que durou alguns dias.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Entre os brasileiros, só sobrou os "sem Libertadores"

Atlético Mineiro foi o melhor da primeira fase e é favorito ao título
(foto: Agência Estado)
Os dois times brasileiros integrantes do Movimento dos Sem Libertadores - Atlético Mineiro e Fluminense - e que estão na atual edição da Copa Libertadores, são os únicos clubes do nosso país que ainda estão vivos na competição. São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Grêmio se despediram da competição precocemente nas oitavas de final. Desta forma, por mais um ano vai ser impossível de burlar as regras da Conmebol, que sempre dá um jeito de evitar uma final com dois times do mesmo país. Diferente do que acontece na Europa, onde os alemães Bayern de Munique e Borussia Dortmund vão duelar na final da Liga dos Campeões, no dia 25 de maio.

Entre os brasileiros eliminados, uma queda era óbvia. A do São Paulo. Não estou dizendo que o tricolor paulista é um time ruim, mas a equipe jogou contra o Atlético Mineiro. Era certo que um clube brasileiro cairia, e sobrou para o São Paulo No duelo do tricampeão da América e do Mundo contra o Galo, que ainda é filiado assíduo do MSL, o time de Minas Gerais mostrou que era superior, e patrolou os rivais com duas vitórias. O Atlético pode nunca ter vencido a Copa, mas está com um dos melhores times do Brasil. Jogadores como Jô, Bernard e Ronaldinho Gaúcho são os principais destaques do clube, e não tomaram conhecimento do São Paulo. Resta ao time da capital paulista brigar por um bicampeonato da Copa Sul Americana, no segundo semestre.

Para o caso de Palmeiras, Grêmio e Corinthians, as eliminações eram, no mínimo, previsíveis. Talvez não cairiam nas oitavas de final, mas já vinham com problemas. O alviverde paulista veio com um elenco precário para a Libertadores. Eu mesmo disse aqui no blog que dificilmente o clube que jogará a Série B do Brasileirão neste ano passaria da primeira fase. Errei, é verdade, mas a eliminação na segunda fase para o Tijuana, do México, não pode ser considerada um vexame. O time fez milagres na primeira fase e podemos parabenizar o clube pela campanha.

Diferente do Palmeiras, o Grêmio e, principalmente, o Corinthians, decepcionaram ao serem eliminados tão cedo. Ambos os times tinham um bom elenco no papel, mas na prática, não conseguiram bons desempenhos. O time gaúcho, por exemplo, teve duas atuações espetaculares, nas vitórias contra o Fluminense e o Caracas, mas no restante dos jogos, o tricolor teve atuações complicadas. Isso inclui até a primeira partida das oitavas contra o Santa Fé, da Colômbia, em que o Grêmio venceu por 2 a 1, na Arena. No segundo jogo, ontem, nem se fala. O Grêmio jogou a pior partida nesta Libertadores. O time do técnico Vanderlei Luxemburgo sequer se esforçou para ir ao ataque. Exceto após o gol do Santa Fé que matou o jogo. Resumindo, eliminação justa.

O Corinthians era o time que todos nós esperávamos que fossem até às quartas de final, pelo menos. O atual campeão da Libertadores e do Mundial caiu diante do Boca Juniors, da Argentina. É verdade que no segundo jogo, o nobre árbitro paraguaio Carlos Amarilla cometeu uma série de lambanças contra o Corinthians, mas na primeira partida, lá na Bombonera, em Buenos Aires, os comandados do técnico Tite não foi nada bem. Além disso, time que quer ganhar competição tem que ganhar do adversário e da arbitragem, embora para o Corinthians raramente a arbitragem é contra o todo poderoso Timão. Daqui a uma semana vocês vão ver jogos "normais" do Corinthians.

Fluminense continua vivo na luta pelo título inédito da Libertadores
(foto: fluminense.com.br)
Sobraram os virgens de Libertadores. Resta saber agora se Fluminense e Atlético Mineiro vão conseguir chegar ao título desta vez. É uma pena que eles não vão fazer a final. Como falei lá em cima, a Conmebol busca evitar as finais da Libertadores com dois times do mesmo país. Se Galo e Flu passarem, vão se enfrentar nas semifinais da Copa. Eu não concordo, mas só a minha opinião contrária ao regulamento não adianta em nada.

Veremos bons jogos nas quartas de final. É uma pena que não teremos tantos brasileiros de agora em diante, mas o certo é que teremos jogos de grande qualidade. Vamos ver quem terá a capacidade de ir ao Marrocos no fim do ano para enfrentar Bayern de Munique ou Borussia Dortmund.


Jogos das quartas de final:
Atlético-MG x Tijuana -MEX
Boca Juniors- ARG x Newells Old Boys- ARG
Real Garcilaso- PER x Independiente Santa Fé- COL
Olimpia- PAR x Fluminense

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Times alemães vencem a primeira partida das semifinais da Liga dos Campeões

Thomas Müller teve papel decisivo na vitória do Bayern sobre o Barcelona
(foto: AP)

As equipes alemãs do Bayern de Munique e do Borussia Dortmund venceram, respectivamente, Barcelona e Real Madrid, ambos da Espanha. Foram os primeiros jogos das semifinais da Liga dos Campeões da UEFA, a principal competição de futebol na Europa. Os jogos foram realizados nesta terça e quarta-feira (dias 23 e 24).
Na terça-feira, em Munique, o Bayern de Munique venceu por 4 a 0 o Barcelona. Foi uma vitória surpreendente, não pelo Bayern ter se saído melhor, mas sim pelos quatro gols aplicados diante do Barça, apontado como o favorito ao título europeu. Os gols do Bayern foram feitos por Mario Gomez, Robben e Thomas Müller, que marcou duas vezes. Com o resultado, o Bayern de Munique pode perder por até três gols de diferença na próxima partida que garante a classificação para a final. Bayern e Barcelona se encontram novamente na próxima quarta-feira, 01, às 15h45min.
Lewandowski marca quatro gols e massacra o Real Madrid
(foto: Reuters)
No dia seguinte, o Borussia Dortmund também venceu. O time alemão jogou em Dortmund e passou pelo Real Madrid, ganhando por 4 a 1. O grande destaque da partida foi o polonês Lewandowski, que marcou os quatro gols do Borussia. O português Cristiano Ronaldo diminuiu para o Real Madrid. As duas equipes se enfrentam novamente na terça-feira, 30, em Madrid, na Espanha. O time de Dortmund poderá perder por até dois gols de diferença. Em caso de derrota por 3 a 0, a vaga fica para o Real Madrid, por ter marcado um gol fora de casa. Se o placar do jogo se repetir em 4 a 1 em favor dos espanhóis, a decisão vai para a prorrogação.
Quem avançar para a final vai jogar no dia 25 de maio, em Londres, na Inglaterra, no estádio de Wembley. O vencedor da Liga dos Campeões vai representar a Europa no Mundial de Clubes, que será realizado no Marrocos, em dezembro.


quinta-feira, 14 de março de 2013

Pago 2 reais e 40 centavos para pensar


É verdade que todos pensamos o tempo todo (até quando estamos dormindo). Mas, no meu caso, os pensamentos mais importantes vem no ato de entrar no ônibus para voltar para casa, após um longo dia de trabalho e aulas.

As vezes penso sobre a ótima rotina que estou vivendo. Sobre o que farei no final de semana, ou até da namorada que gostaria de ter. Enfim, penso. Todos pensamos. Só que hoje meu pensamento voltou-se, principalmente, ao grande assunto deste dia 13 de março de 2013.

A escolha do Papa Francisco é de uma importância histórica para o mundo como um todo – independente de você ser católico ou não. Só que hoje, a escolha deste Papa, e o anúncio dele, foram durante o horário do programa Frequência Livre, que estava sendo apresentado dos pavilhões da Fenac, em Novo Hamburgo, onde acontece a Fimec. A Rádio ABC 900 (que transmite o nosso programa) fez o seu trabalho e, corretamente, cobriu a chegada do novo pontífice. Nosso programa era para começar às 16 horas, mas só às 16:34 é que entramos no ar. Confesso que foi dureza ter que recomeçar o planejamento de um programa que era para ser de uma hora (incluindo os comerciais), para transformá-lo em apenas 26 minutos.

Mesmo com toda a situação extremamente atípica e histórica, conseguimos colocar o nosso programa no ar. Nossa equipe fez um bom trabalho. Afinal de contas, cortar um programa pela metade e mesmo assim deixá-lo bem estruturado é um grande feito. Fico muito feliz com isso.

Só agora percebi que hoje foi o dia mais bacana desta minha carreira de iniciante no jornalismo. Graças aos pensamentos do ônibus que citei anteriormente. Pela primeira vez presenciei um momento histórico no ato do meu trabalho como futuro jornalista que serei. Hoje foi mais um dia daqueles nervosos, mas que no final deu tudo certo. Eu queria pegar um dia atípico para trabalhar e hoje consegui. Por isso eu amo esta profissão!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Agora restam 32: a Libertadores avança para a fase de grupos

Passou duas semanas após o encerramento dos duelos preliminares da Copa Libertadores. Agora, todo o planejamento dos 32 times dos dez países da América do Sul, e do intruso México, será posto à prova. Toda estratégia inteligente é válida para a conquista do tão sonhado título da América.

Os grupos desta segunda fase já estavam definidos. Restava saber, apenas, quem seriam os seis felizardos a vencerem o mata-mata preliminar e se encaixarem em cada chave. Os brasileiros São Paulo e Grêmio, somados a Tigre (Argentina), Tolima (Colômbia), Olímpia (Paraguai) e Deportes Iquique (Chile), foram os vencedores dos primeiros duelos da Copa. Mas para cada chave irá cada um dos 32 sobreviventes?

Grupo 1: O segundo "Grupo da Morte"


Com nove títulos dentro das equipes, o grupo 1 é o maior vencedor da Libertadores. Ou melhor, dois dos quatro times estão entre os maiores. Boca Juniors (com seis taças) e Nacional (com três) são os poderosos da chave. Os argentinos e os uruguaios sabem ganhar o maior campeonato da América do Sul. Apesar do histórico, só o Boca Juniors está completamente forte para esse ano, após trazer de volta o meia Riquelme e o técnico Carlos Bianchi, que conquistou três Libertadores em 4 anos no comando da equipe, em 2000, 2001 e 2003. O Nacional vem de participações desastrosas nos últimos anos, e terá de se superar para reconquistar a Libertadores - a última foi em 88 - mesmo com nomes como Álvaro Recoba e Loco Abreu no elenco.

A terceira força do grupo é o Barcelona, do Equador, que já foi vice-campeão da Libertadores em duas ocasiões, e fez uma boa participação na Copa Sul-Americana do ano passado. Eles podem surpreender contra os grandalhões da chave. O quarto representante é o mexicano Toluca. O time é forte, mas está no lugar errado. A Libertadores serve para o México apenas como um campeonato amistoso, pois se um mexicano vencer um dia a Copa, ele não jogará o Mundial de Clubes. Por isso o México é um intruso na competição, e aqui, eu serei defensor da saída deles da Libertadores.

Previsão: Boca passará tranquilamente. Nacional e Barcelona farão a briga pelo segundo lugar, e o Toluca jogará para roubar pontos dos outros times.

Grupo 2: Os intermediários e o rebaixado


O que dá uma certa força ao grupo é o Libertad, do Paraguai. Após contratar Guiñazu (aquele mesmo que jogava no Inter), o time ganhou um bom reforço para o meio campo. Também jogam nesta chave o vice-campeão da Sul-Americana de 2012, o argentino Tigre, o peruano Sporting Cristal, e o Palmeiras, atual campeão da Copa do Brasil e recém rebaixado à Série B do Brasileirão. O grupo é um dos mais fracos, mas quem sabe proporcione bons jogos. Só o tempo dirá.

Previsão: O Palmeiras prioriza a volta à Série A, e não fez boas contratações, além de perder Barcos para o Grêmio. Deverá jogar por jogar a Libertadores. Libertad e Sporting Cristal tem mais chances de seguir vivos.

Grupo 3: Brasil contra o resto


São Paulo e Atlético Mineiro já se enfrentam logo de cara. Os dois times estão muito fortes para a Libertadores, e podem fazer uma boa Copa. O tricolor paulista vem embalado pelo título da Sul-Americana, e mantém o time forte para a Libertadores, com o xerifão Lúcio na zaga e Rogério Ceni firme e forte no gol. Já o Atlético está de volta à Libertadores depois de 13 anos de espera. A equipe vice-campeã brasileira vem com a mesma base, com Ronaldinho, Bernard, e o recém contratado Diego Tardelli. Os brasileiros são os poderosos da chave.

Os argentinos do Arsenal são os representantes da chave que podem fazer frente ao Galo e ao Tricolor. E só. O quarto time do grupo é o The Strongest, da Bolívia, só é o mais forte pelo nome mesmo. Só levarão uns pontos se contarem com a ajuda da melhor amiga do futebol boliviano, a altitude.

Previsão: São Paulo e Atlético devem passar de fase. Arsenal e The Strongest serão os que podem ajudar (ou prejudicar) a pontuação dos brasileiros.

Grupo 4: Um tradicional morrerá


Vélez Sarsfield, Peñarol, Emelec e Deportes Iquique. Só o time chileno é o fraco do grupo. Os outros três times tem tradição na Libertadores, e só dois podem avançar às oitavas de final. O Vélez foi o melhor colocado nos dois turnos do Campeonato Argentino, e é o mais forte da chave, considerado por especialistas como um dos grandes favoritos ao título. O Peñarol também tem tradição na Libertadores, ganhou cinco vezes e foi vice campeão em 2011, mas estão com uma equipe mediana. O Emelec nunca ganhou a Copa, mas vem demonstrando grande força nos últimos anos, e pode surpreender. Serão 12 jogos de pegar fogo neste grupo.

Previsão: Vélez, Emelec e Peñarol vão fazer jogos duros, mas os dois primeiros tem mais chances de passar. Já o Iquique, restará evitar ser o saco de pancadas da Libertadores.

Grupo 5: O campeão e mais três


Só uma tragédia faria o Corinthians ser eliminado na fase de grupos da Libertadores. Seus adversários são de um nível bem menor que o do atual campeão da Copa. Apenas o Millonarios, da Colômbia, pode ser uma força na chave. Os colombianos chegaram às semifinais da Sul-Americana do ano passado, após eliminarem o Grêmio. Os outros representantes, o boliviano San José e o mexicano Tijuana, deverão jogar por honra a competição.

Previsão: O Corinthians deverá encerrar essa fase como um dos melhores da Libertadores, e o Millonarios ficará com a segunda vaga. Simples assim.

Grupo 6: Os quatro coadjuvantes


O paraguaio Cerro Porteño, o peruano Universidad Cesar Vallejo e os colombianos Tolima e Santa Fé compõem a chave. Destes, só o Cerro possui uma leve tradição em Libertadores, chegando, no máximo, às semifinais da competição. Os outros três nem chegaram a tal nível, sendo que a equipe do Peru faz apenas sua estreia no torneio. Como nada no futebol é impossível, dificilmente um destes quatro fará uma campanha a nível de semifinal.

Previsão: Grupo embolado, ninguém querendo se distanciar de ninguém e os quatro brigando até a última rodada. Cerro e Tolima são os mais cotados para avançar.

Grupo 7: O chileno da moda, os copeiros e o azarado


De todos os amigos que conheço, quando o assunto é Copa Libertadores, a maioria deles fala que gosta do Universidade de Chile. Mesmo nunca tendo vencido a Libertadores (fora do Chile ganhou a Sul-Americana de 2011), dá para considerar La U como um dos queridinhos da América do Sul. O time já foi melhor, mas está razoavelmente bom. Apesar disso, os chilenos estão ao lado de dois bons nomes no mesmo grupo. O Newell's Old Boys, da Argentina, e o Olímpia, do Paraguai, contam com a tradição de já terem chegado, pelo menos, à final da Copa. Os argentinos foram vice-campeões duas vezes. Já o Olímpia foi além. Venceu duas Copas Libertadores. Apesar de tudo isso, esse grupo deve ser, no máximo, o terceiro mais forte do campeonato, dado o momento atual destes três. O azarado da chave é o estreante Deportivo Lara, o São Caetano da Venezuela., por ter apenas 7 anos de vida. Para o Lara, a Libertadores deste ano será como a Copa das Confederações para o Taití. Jogarão apenas para fazer uns gols. Não dá para ir mais longe.

Previsão: La U e Olímpia devem ser os classificados.

Grupo 8: Caracas, dois brasileiros


O Caracas é o time mais tradicional da Venezuela. Apesar disso, o máximo que conseguiu foi alcançar às quartas de final da Libertadores (maior feito do país até agora). Só que neste ano, deram um azar tremendo e dificilmente vão superar Grêmio e Fluminense. Os dois tricolores são muito fortes. O tricolor carioca mantém a mesma base campeã brasileira do ano passado, com Fred, Wellington Nem, Deco, entre outros. Já o tricolor gaúcho é oriundo da fase preliminar, mas montou para a Libertadores um timaço, contratando Eduardo Vargas, e os recém chegados André Santos e Hernán Barcos. Aos venezualanos, restará arrancar pontos do Huachipato, do Chile, para tentar alguma coisa.

Previsão: Grêmio e Fluminense passarão de fase. Os confrontos diretos é que vão determinar quem vai ficar com o primeiro lugar.

Longa demais esta análise, porém, o objetivo foi cumprido. Se você chegou até aqui, parabéns, e obrigado pela disposição. Que comece, de fato a Libertadores e que o melhor possa vencer. Mas, o mais importante, é que todos possamos curtir um bom campeonato.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A pressa é inimiga da boa apuração

Nesta madrugada de terça-feira eu poderia falar do Gre-Nal vencido pelo Inter por 2 a 1, ou do Super Bowl que o Baltimore Ravens conquistou por 34 a 31 (textos que ainda não publiquei e talvez farei), mas hoje vi que mais uma daquelas boas lições que aprendo diariamente na faculdade de Jornalismo fazem sentido.

SEMPRE devemos apurar a informação que recebemos. Por mais possível que ela seja verdadeira, nós sempre devemos investigar aquilo que estão nos avisando. Isso vale tanto para os profissionais consagrados no jornalismo nacional, quanto para aqueles que ainda nem estão na faculdade, mas que almejam esta digna profissão. Caso alguém publica uma informação errada, algo muito precioso poderá ser perdido, a CREDIBILIDADE.

E, quando se perde a credibilidade, se perde tudo no jornalismo. Todo mundo que trabalha na profissão busca sempre almejar o "furo", passar a informação em primeira mão. Uma informação que possa causar impacto a um bom número de pessoas. Como Willian Bonner citou no livro "Jornal Nacional: Modo de Fazer", o furo seria como aquela Ferrari vermelha que desejamos. É a vontade de todos ter uma Ferrari, mas é uma virtude de poucos. E assim vale para o furo.

É algo extremamente arriscado. Pois informar em primeira mão é muito mais difícil do que se imagina. Você tem que ter uma excelente apuração jornalística do fato e ter a certeza máxima de que aquilo é verdade. Caso você jornalista (ou futuro jornalista) publicar algo em primeira mão sem ter essa certeza, você corre um sério risco de cometer uma "barrigada".

Barrigada é quando uma informação mal apurada é divulgada. Ou uma informação falsa, o que é pior ainda. Para o caso desta madrugada, um jornalista famoso no Rio Grande do Sul publicou a maior barrigada que já vi na vida. Ele é famoso por já ter falado o que não era verdade, mas hoje ele infelizmente errou em um nível desproporcional. Nas últimas horas da segunda-feira, um grupo de torcedores passou uma falsa informação pelo Twitter de que um jogador chamado ENRICO CABRITO estaria sendo negociado pelo Grêmio. Uma rápida olhada no Google  faria perceber que Enrico Cabrito NÃO EXISTE. Eu fiz isso para ter 100% de certeza de que era uma invenção. Mas, pela ânsia do furo, o jornalista acabou publicando a maior barrigada da história.

Imediatamente ele passou a receber inúmeras mensagens com piadas e críticas ao trabalho mal realizado. Para amenizar a situação vergonhosa que já estava se espalhando por todos os cantos do Rio Grande, o jornalista se explicou dizendo que foi "hackeado" na rede social (quando alguém invade um perfil pessoal e publica em seu nome). Aí tudo piorou.

As críticas passaram a aumentar. Enrico Cabrito acabou sendo o assunto mais comentado do Brasil, e um dos mais comentados do mundo. Uma barrigada que ganhou proporções mundiais.

Ao mesmo tempo que acho graça com as piadas em tempo real, fico pensando o seguinte: como ele se deixou chegar a esse nível? Como que um jornalista que deve ter uns 30 anos de experiência pecou num ato tão simples, que era apenas apurar se o jogador existia? Vale a pena jogar fora uma credibilidade de décadas por causa de uma informação duvidosa? Dá pena.

Eu não condeno ele por tal ato. Esse jornalista passou por importantes emissoras de rádio do Estado. Por anos foi apresentador de um programa jornalístico de cunho policial e acabou demitido no ano passado. Precisou voltar à mídia apelando para uma pequena emissora de rádio que recém estava sendo criada. A ânsia para aumentar a audiência da mesma e fazer com que voltasse a um lugar respeitável acabou manchando sua carreira. É lamentável que ele tenha se deixado levar por uma brincadeira de torcedores.

A lição que quero passar é a seguinte, em especial aos amigos jornalistas (ou estudantes). SEMPRE APUREM UMA INFORMAÇÃO. Essa é uma norma básica, mas nunca podemos esquecer. Sempre temos que apurar ao máximo qualquer coisa que vamos publicar. É o nosso nome, é a nossa credibilidade, é a nossa carreira que pode estar em jogo com uma informação mal apurada. E em caso de alguma dúvida, verifica de novo para ver se não tem nada errado. É melhor nós ligarmos para 15 fontes diferentes, verificar o que as concorrentes estão falando do assunto e ler 30 vezes o nosso texto antes de publicar, do que se apressar e divulgar o que está errado, e perdermos nossa credibilidade na profissão.