domingo, 30 de junho de 2013

É possível evitar um Maracanazzo II

Entrosamento do elenco brasileiro é um elemento chave para derrotar a Espanha
(foto: Getty Images)
Quem me conhece sabe que eu nunca achei que a Seleção Brasileira fosse ter condições reais de vencer a Copa das Confederações 2013. Antes da competição, aqui mesmo neste blog , eu disse que o Brasil não teria a tarefa mais simples do mundo na primeira fase, demonstrando um pessimismo enorme contra nossa seleção. Porém, é dos sábios mudar de opinião, assim como é das seleções deixarem de ser ruins se conseguirem um entrosamento adequado para uma competição curta. Para a final que acontece em algumas horas, creio que é possível sim vencer a Espanha.

Seleção Espanhola luta pelo título inédito da Copa das Confederações
(foto: Getty Images)
A Fúria possui o melhor elenco do mundo. Até um cego consegue enxergar isso da Espanha. A base da seleção espanhola é quase toda composta por jogadores do Barcelona e do Real Madrid. O time treinado por Vicente Del Bosque possui um ótimo entrosamento, tendo havido poucas mudanças desde a seleção campeã europeia, em 2008. Aliás, aquela Eurocopa foi o primeiro título desta geração da Espanha que está se acostumando a ganhar títulos. Os espanhóis são os atuais campeões mundiais e bicampeões europeus, e encantaram o mundo com seu estilo de jogo da constante troca de passes e domínio da posse de bola. Só falta a Copa das Confederações, para a atual geração espanhola falar que ganhou tudo no futebol.

Apesar de ser notável que as estrelas da Espanha são melhores que as do Brasil, passei a acreditar mais na Seleção Brasileira quando o técnico Luiz Felipe Scolari conseguiu entrosar o time, escalando os mesmos titulares em três dos quatro jogos realizados até aqui, confirmando esta mesma base para a decisão. Outro grande fator para o crescimento brasileiro é o efeito motivador da torcida. É muito bonito ver o estádio todo apoiando a Seleção o tempo inteiro, em vez de cobrar e vaiar os jogadores, como nós víamos em partidas amistosas realizadas por aqui.

Além disso, a torcida faz uma motivação espetacular antes dos jogos, com o hino nacional sendo cantado por todo o estádio até o final da primeira parte, ignorando o tosco protocolo da Fifa que toca apenas um pedaço do nosso hino, sendo que somos o país sede. Sem contar também que a atitude inicial dos jogos de pressionar o adversário pode resultar em um gol brasileiro, como foi nas partidas contra Japão e México, em que o Brasil abriu o placar com menos de dez minutos de partida.

Hino nacional é um grande motivador da torcida brasileira
(foto: Getty Images)
Outro motivo para acreditar no título brasileiro são os efeitos dos protestos que estão acontecendo  no Brasil. O patriotismo no nosso país cresceu como nunca, por conta de todas as reivindicações do povo por uma nação com menos problemas e corrupção. De alguma forma, os jogadores entenderam o recado, e estão jogando por todos os brasileiros, fazendo que também o futebol brasileiro cresça e volte a ser decente.

Em algumas horas veremos que emoções Brasil e Espanha vão trazer para o torcedor. Comecei esta Copa das Confederações pessimista e saio confiante. Mesmo que a Seleção não vença hoje, Felipão já está de parabéns por ter feito o Brasil voltar a ser Brasil, jogando com raça, voltando a vencer adversários difíceis. Apenas fico triste por não ter escrito mais sobre a competição que se encerra amanhã. O final de semestre da faculdade me afastou do blog, sem contar que não faria sentido escrever diariamente sobre os jogos, no momento em que o país entrava em ebulição com os protestos.

Prometo analisar detalhadamente os melhores momentos da competição após o jogo desta noite, abordando sobre partidas eletrizantes, fatos inacreditáveis e  também sobre o show da torcida que não estava nem aí para o "manual do torcedor" que a Fifa inventou. Mas isso é coisa para o pós-evento. Agora, que o Maracanã se torne um local para chorarmos de alegria ao final da partida, e que não haja um novo sofrimento como em 1950, quando o Uruguai entristeceu o Brasil ao vencer a Copa por aqui. Se tudo der certo, o Maracanazzo será apenas um fato isolado, e não será repetido nesta decisão.

terça-feira, 18 de junho de 2013

A Copa que se dane!

Precisou uma competição do nível da Copa das Confederações começar no Brasil para o povo brasileiro acordar e iniciar aquela que é, sem dúvida, a maior revolução popular deste jovem século XXI no país. A revolta com toda a corrupção, obras superfaturadas e exploração do transporte público entrou em ebulição quando  o mundo começava a falar da principal competição de futebol do ano.

O gol bonito do Neymar, o toque de bola da Espanha ou o gol histórico do Taití são assuntos que não nos importam mais. O que faz a diferença é que este dia 17 de junho de 2013 foi o dia mais espetacular da história recente brasileira. As pessoas esqueceram o futebol para encarar o verdadeiro patriotismo que eu nunca havia assistido no Brasil - fora aquela coisa que só vemos na Copa do Mundo. As pessoas realmente estão pedindo por um país melhor, mais justo e e que não tenha mais políticos corruptos. Essa sim é a verdadeira atitude de ser patriota.

Confesso que eu sempre senti inveja de quem era das gerações que pediu as Diretas Já, que quebrou o Muro de Berlim ou que gritou "Fora Collor", e nunca imaginei que uma revolução dessas fosse acontecer novamente. Ainda mais que, nos acostumamos com o excesso de corrupção existente no Brasil. Graças a Deus, o povo cansou, e a revolução começou, atingindo proporções internacionais, já que tivemos protestos na Europa e nos Estados Unidos, em favor da nossa causa. Fico feliz de ter visto isso. Só não participei das manifestações porque meus compromissos da faculdade me impediram. Mesmo assim, estou totalmente de acordo com a causa.

Eu só espero que toda esta revolução que estamos vivendo traga algum resultado efetivo. Que nossos governantes entendam que o povo não aguenta mais corrupção, e que quer um país decente, sem roubalheira dos impostos caros que as pessoas têm de pagar. Eu fico contente com o que está acontecendo, e ficarei mais contente ainda se tudo isso não ficar só nos protestos.

Quanto a Copa das Confederações, resta agora a cobertura de um evento de segundo plano. Ela já não nos importa tanto assim. Faça como diz a música que motivou os protestos, "vem pra rua porque a rua é a maior arquibancada do Brasil". Viva a democracia!

sexta-feira, 14 de junho de 2013

A entrada, por favor!

Quando vamos a um restaurante para um jantar especial, pedimos primeiro a entrada. Depois vem o prato principal e, por último, saborearmos a sobremesa. No Brasil, nestes próximos três anos, poderemos definir os eventos esportivos que vão acontecer aqui como se fosse então uma ida nossa a um restaurante. Amanhã começa a entrada, ou o aperitivo, ou melhor, a Copa das Confederações.

A competição que já foi bancada pelos petrodólares árabes, hoje é o segundo principal campeonato de futebol do mundo. Claro, esta afirmação é minha. Defendo esta tese porque a Copa das Confederações é o único torneio que reúne todos os campeões continentais, além do país sede e do atual campeão do mundo. Mas está longe do nível da Copa do Mundo, inegavelmente a maior competição do planeta.

Japão, México, Itália, Espanha, Uruguai, Taití e Nigéria vão disputar junto com o Brasil esta competição. Será um grande evento, sendo o grande teste para a Copa do Mundo do ano que vem. O que vale agora é que veremos bons jogos nestes 15 dias de Copa das Confederações.

Os países estão divididos em dois grupos. No grupo A, Brasil, Japão, México e Itália compõem a chave, que é muito mais difícil que o grupo B. A Seleção Brasileira, que ainda está aquela coisa horrorosa dos últimos três anos - salvo os 3 a 0 para a França - vai encarar três jogos difíceis. O Brasil pode sim passar de fase, mas não será a tarefa mais simples do mundo. Entre os outros adversários, a Itália é o país de maior tradição, por ter ganho quatro Copas do Mundo. O fato da azurra ter tradição pode ajudar os italianos, mas Japão e México são times que estão com a maior ascensão dos últimos anos. O México é o atual campeão olímpico e possui um elenco equilibrado, além de já ter vencido em 1999 a Copa das Confederações. Enquanto isso os japoneses possuem uma equipe veloz, que em 20 anos, ganhou quatro Copas da Ásia e disputou todas as Copas do Mundo desde 1998, e já estão confirmados para jogar a Copa de 2014.

Taití - Campeão da Copa das Nações da Oceania
Azarão da Copa das Confederações
O grupo de Espanha, Uruguai, Taití e Nigéria é composto por um super time, dois intermediários, e uma equipe que, se fosse brasileira, seria aquele time que joga nos campinhos da várzea de uma cidade pequena. O Taití veio para o Brasil para ser a grande atração da Copa das Confederações. Afinal de contas, uma equipe que só tem um jogador profissional ter a honra de enfrentar a Espanha, é uma grande conquista. Os campeões da Oceania fazem sua primeira viagem fora do continente em toda a sua história. Seria lindo se eles vencessem a Copa das Confederações, mas sejamos realistas, é quase impossível. Resta então torcer para uma vitória, um empate ou, simplesmente, um gol. O que acontecer de bom com o Taití, eu vou comemorar. Desculpe Brasil, mas minha torcida é do Taití.

A Espanha deverá deitar e rolar na fase de grupos. É a atual campeã do mundo e bicampeã europeia. Deu sorte de cair em um grupo fácil. Uruguai e Nigéria provavelmente brigam pela vaga restante, mas seria uma surpresa se eles vencessem a Copa das Confederações, porém, não é nada impossível.

Amanhã a bola rola para Brasil e Japão. No domingo, México e Itália completam a primeira rodada do grupo, e Espanha e Uruguai fazem a última partida do dia. A rodada termina na segunda-feira com Taití e Nigéria - o jogo que tem tudo para ser a pior partida da Copa das Confederações. Difícil dizer quem vence o torneio, mas o certo é que será um belo espetáculo.

Amanhã começa o aperitivo. Vamos ver se ele será aprovado para a Copa do Mundo do ano que vem, o prato principal, para fecharmos este ciclo esportivo com a sobremesa, os Jogos Olímpicos de 2016.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Entre uma partida comum e uma partida histórica

A defesa de Victor que transformou Atlético e Tijuana em um jogo histórico
(foto: Reuters)
Até os 46 minutos da etapa final entre Atlético Mineiro e Tijuana, o duelo decisivo das quartas de final da Copa Libertadores era apenas uma partida normal - e dramática. Mas o futebol é um esporte espetacular, em que um simples lance, um único momento de um jogo qualquer, pode transformá-lo em uma partida épica, histórica, magnífica. Após os exatos 46 minutos, uma besteira protagonizada por Leonardo Silva ajudou a dar pequenos (ou mortais) infartos em cada torcedor atleticano, pois o pênalti foi cometido, e o gol do Tijuana tiraria o Galo da inédita semifinal.

Se o chute de Riascos entrasse para o gol, a partida ainda seria comum, pois uma vitória no final do jogo acontece, e muito, no futebol. Mas a bola não entrou. E o mais incrível, Victor pegou um pênalti heroico, com o pé, quando nenhum torcedor mais acreditava que o Atlético teria salvação. Dali para frente, este jogo viria a se tornar histórico.

Não tenho ideia de quantos jogos de futebol eu vi no alto dos meus 21 anos, mas tem aquelas partidas que se tornam históricas, por uma conjunção de fatores ou por um único lance. Jogos que posso dizer que se tornaram históricos por simples lances são: Uruguai e Gana, em 2010 (com mão na bola em cima da linha e pênalti para fora no último lance da prorrogação), a chamada "Batalha dos Aflitos", em 2005 (quando o Grêmio derrotou o Náutico após sofrer dois pênaltis e quatro expulsões), Internacional e Barcelona, em 2006 (com o gol do título mundial marcado pelo pior jogador do elenco colorado) e Brasil e Argentina, em 2004 (com aquele do gol do Adriano aos 47 do segundo tempo). Não fossem esses lances descritos, seriam apenas partidas comuns que só virariam um marco na história do futebol por se tratar de uma decisão.

 Uma partida histórica pode ter essa definição a qualquer momento. Basta algum lance inacreditável acontecer. Não é algo comum, portanto, ver um jogo de futebol para tentar encontrar um fantástico momento assim. E só assistir a uma partida com este propósito é como encontrar uma agulha em um palheiro. É preciso gostar de futebol e ter sorte de acompanhar um momento desses.  Também é interessante ter a experiência de assistir a jogos ruins de qualquer campeonato, para enfim poder ser agraciado com uma partida histórica algum dia. Ou seja, até chegar a um Atlético e Tijuana, como o de ontem, precisamos ver muitos jogos como Brasil de Pelotas e São Paulo de Rio Grande, Ceará e Paysandu, Náutico e Criciúma , Argélia e Eslovênia (que foi o pior jogo que já vi na vida) ou peladas da várzea, embora essas partidas também podem se tornar históricas.

O feito do Galo foi histórico não só por causa do Victor, ou do Réver, ou do Ronaldinho ou do Jô. Foi porque o clube alcançou pela primeira vez uma vaga na semifinal de uma Libertadores. Além disso, o Atlético está jogando com a raça característica da maior competição da América, algo impressionante para quem nunca chegou a tal nível. Ninguém apostava no Galo no ano passado quando estes caras, somados ao técnico Cuca, chegaram ao clube (tirando o Réver, que já jogava no Galo, todos os citados neste parágrafo não estavam em boa fase). Porém, a ótima campanha no Brasileirão, e o momento atual na Copa, fazem do Atlético ser o melhor time brasileiro do momento. Resta saber se, depois do jogo histórico, o clube irá finalmente ganhar a tão cobiçada Taça Libertadores, ou se continuará com a longa fila de títulos importantes.

A Libertadores só volta em julho, após a Copa das Confederações. O Atlético enfrenta agora o Newells Old Boys, da Argentina. Será um confronto duro, contra um time que também não tem tradição na Copa. Mas o Newells também passou de forma épica, após as 26 cobranças de pênalti contra o Boca Juniors. Até foi um jogo histórico, mas não está no meu top five, por isso não ganha tanto destaque. O outro jogo da semifinal é entre Olímpia, do Paraguai, e Santa Fé, da Colômbia. São equipes mais fracas que Atlético e Newells, mas uma delas, será agraciada com uma inacreditável vaga à final.

A Copa continua - ou nem tanto pelo mini torneio que ocorre em breve no Brasil - mas o certo é que continuaremos a ver grandes jogos. Resta saber se uma partida histórica irá acontecer nestes seis duelos que restam na competição. Vamos aguardar!

domingo, 19 de maio de 2013

E se o Brasileirão fosse como o Campeonato Argentino?


Faltam poucos dias para o início do Campeonato Brasileiro. Do início de dezembro até agora, ficamos praticamente órfãos de um bom futebol nos finais de semana. É verdade que nós já estamos na segunda metade da Copa Libertadores, mas os jogos são em terças, quartas e quintas. Nestes primeiros cinco meses, sobra para o sábado e domingo os jogos dos campeonatos estaduais (que, é claro, ainda quero que eles mantenham).
Agora que a maioria dos estados já conhecem seus campeões, é hora de se preparar para o Brasileirão. Vinte times de nove estados vão disputar o almejado troféu de campeão brasileiro, ao longo de 38 emocionantes rodadas. E o bacana, há dez anos continuamos com o mesmo regulamento, o que precisa ser comemorado, já que o Brasileirão foi bizarro por muito tempo.
Para uma liga nacional, o formato "todos contra todos" é o ideal. O mata-mata para um Brasileirão só serviria se os times fossem divididos em grupos, mas duvido muito que o regulamento mude. Fora do Brasil, temos ligas nacionais peculiares, e uma que me chamou bastante atenção recentemente é a liga da Argentina. A terra de Boca Juniors, River Plate, Independiente, Velez Sarsfield e tantos outros times copeiros, tem um dos regulamentos mais confusos do futebol. Este enigma será decifrado logo abaixo.
No quesito jogos, o Campeonato Argentino não é tão confuso. Os 20 principais clubes de lá se enfrentam em dois torneios de grupo único. Nas competições de nome Torneo Inicial e o Torneo final, equivalentes ao primeiro e o segundo turno do campeonato,todos jogam contra todos, e o melhor colocado é declarado campeão do torneio, e garante vaga para a Copa Libertadores. Após os dois turnos, ficam definidos os dois campeões nacionais. Na Argentina, quem ganha um dos torneios, é considerado campeão nacional. Não há uma final entre os vencedores, portanto é possível o país ter dois campeões diferentes no mesmo ano. Em 2012, o Arsenal Sarandi venceu o campeonato do primeiro semestre, e o Velez Sarsfield o segundo campeonato. Dá para afirmar então que Arsenal e Velez são os atuais campeões argentinos.
Se o Brasileirão fosse que nem o Campeonato Argentino, Atlético Mineiro e Fluminense seriam os campeões brasileiros. O Galo teve um primeiro turno avassalador. Já o tricolor carioca dominou a segunda metade do campeonato. Como o nosso formato não é igual ao dos hermanos, só o Flu acabou campeão nacional, por fazer mais pontos que o time mineiro no geral, após o Galo ir muito mal na segunda metade do Brasileirão passado . Até aí, o Campeonato Argentino poderia ser copiado (mas só até aí), embora defendo a Série A como está.
Agora o enigma. No nosso Brasileirão de dois turnos, os rebaixados são definidos de forma simples. Os quatro piores nas 38 rodadas caem. Simples assim. Lá na Argentina o negócio é diferente. Seu time pode ficar em último nos dois turnos e pode não cair. Enquanto, por outro lado, um clube recém promovido à primeira divisão pode conquistar um honroso décimo lugar e ser rebaixado. Tudo isso graças ao chamado "Promedio". O Promedio é um cálculo que os argentinos usam para definir quem cai ou não. Ou seja, para um time ser rebaixado, é necessário avaliar o desempenho da equipe nos torneios Inicial e Final nos últimos três anos. Isso, claro, se a equipe jogou na primeira divisão em todos estes anos. Para os recém promovidos, é avaliado o número de jogos apenas nos anos jogados na Primeira.
Independiente ocupa a décima posição do Torneo Final, mas pode ser rebaixado
O cálculo é feito assim. Soma dos pontos conquistados pela equipe nas últimas três temporadas, dividido pelo número de jogos realizados nestes anos. O resultado dá um número quebrado, exemplo 1,850. É esse código infeliz que pode definir uma vaga na primeira divisão. Quando acaba o Torneo Final - que ocorre por volta do mês de junho - os três times de pior pontuação média são rebaixados. Lá na Argentina, quem cairia agora seriam o Unión, o San Martín e o Independiente, famoso por ser o maior campeão da Libertadores, com sete títulos. Os dois primeiros citados estão mal no Torneo Final, mas o Independiente pode sofrer com um rebaixamento na décima posição - sendo que faltam cinco rodadas para o fim. Enquanto isso, copeiros como Boca Juniors e Velez Sarsfield (em 18º e 19º no Torneo Final), respiram com folga, longe de uma possibilidade real de queda. Confuso.
Sendo assim, resolvi fazer um cálculo sobre como seria o Brasileirão se ele fosse estruturado da mesma forma que o Campeonato Argentino, pelo menos quanto ao rebaixamento. Por nem ter começado a Série A 2013, seria impossível fazer esta análise com equipes como Criciúma, Goiás, Vitória e Atlético Paranaense. Portanto o meu Promedio foi com base no desempenho dos Brasileirões de 2010 a 2012. Eu fiz como o descrito acima. Pontos somados dos três anos dividido pelo número de jogos. Fiquei surpreso com o resultado, pois os quatro rebaixados em 2012 - Palmeiras, Sport, Atlético Goianiense e Figueirense - também seriam rebaixados se o Promedio vingasse no Brasil. O que dá para comprovar que um time que subiu entre este período passaria por mais dificuldades em se manter na Série A do que um clube que foi estável nestes três anos.
Entre os rebaixados nessa situação, considero uma surpresa o Palmeiras estar entre os últimos nesta época. Em 2010 e 2011, o Porco ocupou respectivamente a 10ª e a 11ª posição, mas o 17º lugar em 2012 não salvaria o clube. Já para o caso de Figueirense e Sport era mais óbvio. Os dois clubes fizeram um Brasileirão ruim, e não estiveram na Série A em todas estas temporadas. Também dá para considerar o Atlético Goianiense nesse grupo. O time jogou os três Brasileirões analisados, mas nas três edições brigou para não cair.
Se o nosso campeonato fosse como o do país vizinho, os clubes que começariam o Brasileirão 2013 com menos chances de cair seriam Fluminense, Corinthians, Grêmio, São Paulo e Vasco. Já quem começaria com a corda no pescoço - além dos recém promovidos - seriam Portuguesa, Bahia, Ponte Preta, Náutico e Flamengo. Mais detalhes desta classificação imaginada você pode acompanhar na tabela abaixo.


Apesar de toda esta análise, prefiro ver o Campeonato Brasileiro do jeito como está. O time que está melhor que os outros no ano se torna campeão, e os times que vão mal na temporada caem. O formato daqui é semelhante aos dos principais campeonatos nacionais da Europa, e deixa o Brasileirão mais competitivo e mais atraente, dando chances para todos os clubes participantes. A bola vai rolar no campeonato, e veremos jogos muito mais disputados neste ano. Quem gosta de futebol, não poderá perder o Campeonato Brasileiro. E também, espero que tenham gostado desta pesquisa que durou alguns dias.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Entre os brasileiros, só sobrou os "sem Libertadores"

Atlético Mineiro foi o melhor da primeira fase e é favorito ao título
(foto: Agência Estado)
Os dois times brasileiros integrantes do Movimento dos Sem Libertadores - Atlético Mineiro e Fluminense - e que estão na atual edição da Copa Libertadores, são os únicos clubes do nosso país que ainda estão vivos na competição. São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Grêmio se despediram da competição precocemente nas oitavas de final. Desta forma, por mais um ano vai ser impossível de burlar as regras da Conmebol, que sempre dá um jeito de evitar uma final com dois times do mesmo país. Diferente do que acontece na Europa, onde os alemães Bayern de Munique e Borussia Dortmund vão duelar na final da Liga dos Campeões, no dia 25 de maio.

Entre os brasileiros eliminados, uma queda era óbvia. A do São Paulo. Não estou dizendo que o tricolor paulista é um time ruim, mas a equipe jogou contra o Atlético Mineiro. Era certo que um clube brasileiro cairia, e sobrou para o São Paulo No duelo do tricampeão da América e do Mundo contra o Galo, que ainda é filiado assíduo do MSL, o time de Minas Gerais mostrou que era superior, e patrolou os rivais com duas vitórias. O Atlético pode nunca ter vencido a Copa, mas está com um dos melhores times do Brasil. Jogadores como Jô, Bernard e Ronaldinho Gaúcho são os principais destaques do clube, e não tomaram conhecimento do São Paulo. Resta ao time da capital paulista brigar por um bicampeonato da Copa Sul Americana, no segundo semestre.

Para o caso de Palmeiras, Grêmio e Corinthians, as eliminações eram, no mínimo, previsíveis. Talvez não cairiam nas oitavas de final, mas já vinham com problemas. O alviverde paulista veio com um elenco precário para a Libertadores. Eu mesmo disse aqui no blog que dificilmente o clube que jogará a Série B do Brasileirão neste ano passaria da primeira fase. Errei, é verdade, mas a eliminação na segunda fase para o Tijuana, do México, não pode ser considerada um vexame. O time fez milagres na primeira fase e podemos parabenizar o clube pela campanha.

Diferente do Palmeiras, o Grêmio e, principalmente, o Corinthians, decepcionaram ao serem eliminados tão cedo. Ambos os times tinham um bom elenco no papel, mas na prática, não conseguiram bons desempenhos. O time gaúcho, por exemplo, teve duas atuações espetaculares, nas vitórias contra o Fluminense e o Caracas, mas no restante dos jogos, o tricolor teve atuações complicadas. Isso inclui até a primeira partida das oitavas contra o Santa Fé, da Colômbia, em que o Grêmio venceu por 2 a 1, na Arena. No segundo jogo, ontem, nem se fala. O Grêmio jogou a pior partida nesta Libertadores. O time do técnico Vanderlei Luxemburgo sequer se esforçou para ir ao ataque. Exceto após o gol do Santa Fé que matou o jogo. Resumindo, eliminação justa.

O Corinthians era o time que todos nós esperávamos que fossem até às quartas de final, pelo menos. O atual campeão da Libertadores e do Mundial caiu diante do Boca Juniors, da Argentina. É verdade que no segundo jogo, o nobre árbitro paraguaio Carlos Amarilla cometeu uma série de lambanças contra o Corinthians, mas na primeira partida, lá na Bombonera, em Buenos Aires, os comandados do técnico Tite não foi nada bem. Além disso, time que quer ganhar competição tem que ganhar do adversário e da arbitragem, embora para o Corinthians raramente a arbitragem é contra o todo poderoso Timão. Daqui a uma semana vocês vão ver jogos "normais" do Corinthians.

Fluminense continua vivo na luta pelo título inédito da Libertadores
(foto: fluminense.com.br)
Sobraram os virgens de Libertadores. Resta saber agora se Fluminense e Atlético Mineiro vão conseguir chegar ao título desta vez. É uma pena que eles não vão fazer a final. Como falei lá em cima, a Conmebol busca evitar as finais da Libertadores com dois times do mesmo país. Se Galo e Flu passarem, vão se enfrentar nas semifinais da Copa. Eu não concordo, mas só a minha opinião contrária ao regulamento não adianta em nada.

Veremos bons jogos nas quartas de final. É uma pena que não teremos tantos brasileiros de agora em diante, mas o certo é que teremos jogos de grande qualidade. Vamos ver quem terá a capacidade de ir ao Marrocos no fim do ano para enfrentar Bayern de Munique ou Borussia Dortmund.


Jogos das quartas de final:
Atlético-MG x Tijuana -MEX
Boca Juniors- ARG x Newells Old Boys- ARG
Real Garcilaso- PER x Independiente Santa Fé- COL
Olimpia- PAR x Fluminense

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Times alemães vencem a primeira partida das semifinais da Liga dos Campeões

Thomas Müller teve papel decisivo na vitória do Bayern sobre o Barcelona
(foto: AP)

As equipes alemãs do Bayern de Munique e do Borussia Dortmund venceram, respectivamente, Barcelona e Real Madrid, ambos da Espanha. Foram os primeiros jogos das semifinais da Liga dos Campeões da UEFA, a principal competição de futebol na Europa. Os jogos foram realizados nesta terça e quarta-feira (dias 23 e 24).
Na terça-feira, em Munique, o Bayern de Munique venceu por 4 a 0 o Barcelona. Foi uma vitória surpreendente, não pelo Bayern ter se saído melhor, mas sim pelos quatro gols aplicados diante do Barça, apontado como o favorito ao título europeu. Os gols do Bayern foram feitos por Mario Gomez, Robben e Thomas Müller, que marcou duas vezes. Com o resultado, o Bayern de Munique pode perder por até três gols de diferença na próxima partida que garante a classificação para a final. Bayern e Barcelona se encontram novamente na próxima quarta-feira, 01, às 15h45min.
Lewandowski marca quatro gols e massacra o Real Madrid
(foto: Reuters)
No dia seguinte, o Borussia Dortmund também venceu. O time alemão jogou em Dortmund e passou pelo Real Madrid, ganhando por 4 a 1. O grande destaque da partida foi o polonês Lewandowski, que marcou os quatro gols do Borussia. O português Cristiano Ronaldo diminuiu para o Real Madrid. As duas equipes se enfrentam novamente na terça-feira, 30, em Madrid, na Espanha. O time de Dortmund poderá perder por até dois gols de diferença. Em caso de derrota por 3 a 0, a vaga fica para o Real Madrid, por ter marcado um gol fora de casa. Se o placar do jogo se repetir em 4 a 1 em favor dos espanhóis, a decisão vai para a prorrogação.
Quem avançar para a final vai jogar no dia 25 de maio, em Londres, na Inglaterra, no estádio de Wembley. O vencedor da Liga dos Campeões vai representar a Europa no Mundial de Clubes, que será realizado no Marrocos, em dezembro.